5 thoughts on “Vox populi”

  1. O que nos torna humanos e não bichos é o facto de que tudo aquilo que imaginamos, raciocinamos, recordamos, somos capazes de vê-lo como um conjunto e, com relação a esse conjunto, podemos dizer um sim ou um não. Podemos dizer: “É verdadeiro”, ou: “É falso”. Somos capazes de julgar a veracidade ou falsidade de tudo aquilo que a nossa própria mente a “pari passu” conhece e produz, e isto não há animal que possa fazer. Não há, não é bem assim. Por acaso até há; e são muitos os que não estabelecem estas ligações entre os fios nevrálgicos do cérebro: muitos por má fé e clubite aguda; ou por pura e acintosa burrice. Esta falta de divulgação de que a simples enunciação de uns tijolos aqui, uns taipais acolá, uns meros pregos aqueloutro e um balde cheio de cimento, afinal, eram desperdícios de obra e não uma casa, faz parte da má fé, não ver isso faz parte da burrice.

  2. Desde já informo que a certidão de licenciatura do meu filho tem a data de 25 de Dezembro ( facto que poderei, facilmente, demonstrar).

  3. Meu caro jrrc, lamento, mas a coisa é mais ou menos assim: quando um computador assegura que 2 2 = 4, trata-se de inteligência, uma vez que nos dá uma verdade. A diferença, aqui, é a seguinte: o computador não intui que 2 2 = 4, mas apenas realiza operações que dão o resultado 4, e fá-lo segundo um programa ou algoritmo pré-estabelecido. Se ele for programado segundo a regra de que 2 2 = 5, ele não somente dará esse resultado, mas ainda o generalizará a todos os casos similares, segundo a regra 2a 2a = 5a. Ora, a inteligência do homem inteligente não consiste somente em atinar com um resultado verdadeiro, mas em admitir esse resultado como verdadeiro. Se depois de toda esta sopa de interesses: uns jornalísticos, outros políticos e outros apenas de manipulação; tudo moldável com uns pós de verdade aqui, outros acolá e outros sabe Deus onde, que nem o amigo pode desmentir, das duas uma: ou tem uma inteligência igual à da máquina onde acabou por escrever a sua verdade, ou, pode apenas dar-se o acaso de ser um pândego, essa outra forma de revelar inteligência: geralmente gozamos com o que nos amedronta, pois é.

  4. Paulo Nobre,

    E neste caso o que nos entristece é a forma de fazer justiça que para uns tarda, para outros falha e para outros ainda nem sequer existe.

  5. Cara Carmen, se alguma coisa se retira de toda esta triste historia, é que, como povo, ainda estamos num dos antípodas. Claro que aprendemos também que a ética não é uma ciência exacta lá para as bandas da imprensa livre do jugo governamental mas nem por isso menos livre do jugo de algum capital rafeiro misturado com profissionais da comunicação à toa entre o protagonismo fácil e querer agradar ao chefe. Ora, como sabemos, o exercício da ética depende de um “esprit de finesse” capaz de avaliar quantidades de informação não mensuráveis. Existe em mim como nos resto da humanidade, exceptuando os retardados, um conhecimento espontâneo dos princípios morais. O problema é que se estabelece a confusão de não ser geral o conhecimento de que os princípios não são regras: são critérios formais que emolduram as regras; e as regras embota variando conforme os tempos e os lugares, subentendem sempre os mesmos princípios. Qualquer selvagem que não seja retardado sabe que aquilo que põe em risco a comunidade inteira é mais grave do que o que prejudica apenas uma parte dela. Qualquer analfabeto que não seja retardado compreende que o que é mais básico e geral deve ser preservado com mais carinho do que aquilo que é periférico e particular. Mas, mesmo assim, no intuito de desagravar PS e José Sócrates, há imbecis, retardados, em todo o caso, tarados, que não se importam com os princípios nem com o que é básico e geral.

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