Todos os artigos de Valupi

Grande castiço

Uma das figuras mais castiças da blogosfera é o joshua. Esta figura teve um gesto magnânimo como só os grandes castiços ousam ter – escreveu a mesmíssima merda em três blogues diferentes: PALAVROSSAVRVS REX, 2711 e Aspirina B. O costume é repetir em dois blogues, uma estereofonia para impressionar o povo. Em três, já estamos na globalização.

Quanto a isso de me julgar apoiante de Alegre, só vem confirmar que a Internet é um meio que serve principal e primeiramente para escrever. As leituras podem esperar.

Atenção, pessoal

A nossa amiga Ana Cristina Leonardo está aqui a pedir autorização para traduzir a «Eigentlichkeit heideggeriana» por «“Autenticidade”».

Eu sei que calha em má altura, este é o pior fim-de-semana do ano para validar traduções de conceitos heideggerianos com tanta compra ainda por fazer, mas sejam compinchas e haja alguém que vá lá permitir a coisa; para ficar o assunto resolvido e a senhora descansada, pronto.

Afinal, é Natal, ó pessoal!

Procurador-geral do Sporting

O treinador do Sporting estava insatisfeito após a derrota leonina em Sófia, frente ao Levski. Paulo Sérgio confessou que para o exterior, o culpado do desaire é ele, mas não deixou de referir que, internamente, vai apurar responsabilidades entre os jogadores.

Fonte

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Internamente, Paulo Sérgio não tem culpa nenhuma, isto que fique claro. O que se passa nos treinos, a escolha dos jogadores, as opções tácticas não têm qualquer relação com aqueles momentos em que os jogadores, impantes de livre-arbítrio, decidem pontapear a bola como bem lhes apetece. Para provar a sua inocência, vai abrir um inquérito de modo a apurar responsabilidades. Paulo Sérgio sabe que há culpados, até porque existe um crime, e que os meliantes estão no balneário. É uma zona do estádio que só tem uma entrada e nenhuma janela. Por isso, irá barrar a porta e quem quiser sair terá de responder a esta pergunta: onde estavas à hora do jogo?

Esperam-se cenas de choro e álibis de rir à gargalhada.

Amado, odeio-te

O Ministro dos Negócios Estrangeiros é um traste, um desqualificado que continua no Governo apenas para proteger o mentiroso compulsivo que impediu a dona Manuela de estar agora a salvar o País. Tão abjecta é a sua função que o único refrigério consiste nuns passeios pelo jardim do Palácio das Necessidades. Para lá vai sempre que consegue fugir ao trabalho. E para lá fica a contemplar o céu, absorto, imaginando que algures naquele imenso azul há um avião da CIA cheio de inocentes a caminho de Guantánamo. O seu rosto enternece-se ao visualizar as sevícias e torturas a que vão ser sujeitos. A criadagem do palácio costuma dizer que ele parece um anjo nessas alturas, irradiando tal luz que faz das suas cãs uma miragem celeste.

Felizmente, ainda temos jornalistas que resistem e não perderam nem a dignidade, nem o sentido de missão. Como o sr. Mário Crespo, por exemplo, que nesta quinta-feira montou uma peça onde se via o traste a ser questionado por uma jornalista, uma pobre senhora. Pois o traste lembrou-se de perguntar se ela tinha lido o telegrama acerca do qual interrogava o traste. E ela não tinha, coitadinha. Como é que ela pode ler telegramas e ser jornalista ao mesmo tempo?! Pois o traste não quis saber. E ficou muito exaltado, de cabeça perdida, dizendo alarvidades desconexas. Coisas como “Se tivesse lido não me estava a fazer essa pergunta”, cuspia o bruto. Bruto e traste. Felizmente, o sr. Mário Crespo chama-nos a atenção para estas vergonhas e não deixa escapar uma. É o que ainda nos vai valendo.

Bom, mas eu queria mesmo era falar disto:

O Primeiro-Ministro tem as costas largas […]

Cá temos mais uma tanga, pois é sabido que Sócrates não tem as costas largas. Costas largas tem Platão, como o atesta a etimologia do seu nome e o relato de Diógenes Laércio. Mais do que tudo, é por este completo abandalho da Cultura Clássica que te odeio, Amado.

Nobre, a salsicha

Houve um tempo em que me fartei de votar no Fernando Nobre. Durou até há bocadinho. Depois de passamentos nos braços em cenários internacionais, hecatombes várias e esmagamento de civis, galinhas com pedaços de pão no bico perseguidas por crianças esfomeadas e o fálico agitar de um bisturi em direcção aos céus, a que se junta o anátema da classe política por atacado, concluo que estou perante uma mistela populista para intestinos grossos.

Um briefing Alegre

“Governar para as estatísticas não é reformar. A falta da exigência da Escola Pública põe em causa a igualdade de oportunidades”, acrescenta Manuel Alegre, sustentando que “tudo se discute menos o essencial: os programas e os conteúdos do ensino.”

No editorial do número 2 da revista “Oops”, o deputado do PS recorda ter “passado a vida a lutar pela liberdade de expressão e contra o medo” e diz estar “farto de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos”.

Como alternativa à actual conduta do Governo no sector da educação, Manuel Alegre tem aconselhado a “ouvir a voz da rua”, acrescentando que “se tantos [professores] estão na rua, terão as suas razões”.

“Confesso que me chocou profundamente a inflexibilidade da Ministra e o modo como se referiu à manifestação, por ela considerada como forma de intimidação ou chantagem, numa linguagem imprópria de um titular da pasta da educação e incompatível com uma cultura democrática”, escreve Manuel Alegre.

A clarividência, e lealdade, de um candidato a Presidente de todos os portugueses

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Há excelentes razões, de excelentes pessoas, para votar Alegre nestas presidenciais. Eu votei nas passadas, e apenas para ter o gozo de ver a inacreditável recandidatura de Soares devidamente punida com o terceiro lugar. Mas não lhe posso dar o meu voto agora, dado que ainda não fui oficialmente informado de estar maluco. Na eventualidade de ganhar com um voto meu, isso passaria a responsabilizar-me pelo que viesse a fazer com o cargo. E por mais distante, lateral e ínfima que fosse a minha responsabilidade, nada na actividade política deste cidadão, desde 2007, me oferece a mínima confiança. A qualidade do meu sono ficaria ameaçada sabendo dos poderes que ficariam na mão da sua famosa e desvairada inspiração política. Para piorar, os carolas que impuseram a sua candidatura ao PS, Louçã e Seguro, não montaram uma estratégia que tivesse alguma capacidade de vencer uma desgraça ambulante chamada Cavaco. E não foi por falta de tempo… Resultado: alternativas capazes de entusiasmar o centro não avançaram para evitar conflitos pessoais com o rei-trovador, ao mesmo tempo que se criava pressão interna para o PS aceitar a espúria e egomaníaca candidatura. As inteligências do BE e da ala esquerdíssima do PS achavam que era assim que se corria com Sócrates, partindo o partido, para grande azar o nosso.

Mas há algo que podemos fazer em prol deste infeliz pretendente: brifá-lo. Este aportuguesamento da palavra inglesa briefing é usado quotidianamente nas agências de comunicação. Consiste na operação de reunir as instruções necessárias para que uma dada actividade tenha sucesso. Nesta campanha, o que está em causa são 30 minutos no dia 29 de Dezembro, e nada mais. O destino eleitoral de Alegre será jogado no debate com Cavaco – e só se lá acontecer algo de extraordinário, ou milagroso, poderá manter a esperança numa segunda volta. O briefing a criar, pois, tem como objectivo responder a uma singular pergunta: que deve fazer, e dizer, Alegre para levar Cavaco ao tapete?

Eu tenho ideias, magníficas, mas sei que as tuas são muito melhores do que as minhas. Venham elas.

Cookies e biscoitos

You got Mallomars, the greatest cookies of all time.

Harry

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Os Mallomars são uma espécie de Bom-Bokas, mas em versão melhor que bom, e os nova-iorquinos, sempre arrogantes e imperialistas porque americanos, estão com a mania de serem estes os melhores cookies do mundo.

Então, tomem lá com a resposta europeia: Bolachas a lenha. Desafio o Harry, e também a Sally, a sair da tela e vir experimentar o verdadeiro greatest biscoito de todos os times.

E depois do Emmy – Debate sobre a ficção portuguesa (parte II)

Com algumas caras conhecidas à mesa, como os actores Ruy de Carvalho, João de Carvalho e Tó Zé Martinho, o ex líder do PSD considerou que vão haver eleições legislativas “a curto prazo” e que “é evidente que o PSD vai sair como o próximo Governo de Portugal”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que, para essa situação de vitória nas eleições acontecer, os militantes e dirigentes do PSD “não podem entrar em euforias nem ir à espera de apanhar lugares, louvores ou dinheiro”.

Fonte

Choose your poison

Wikileaks has acted irresponsibly, and perhaps as an inadvertent tool of those who want to stifle information sharing. It is again the law of unintended consequences. It is one thing to bring to light things the public needs to know, it is completely another to compromise the defense, diplomacy, alliances, and security of countries and people who interact with the United States. That serves no useful purpose whatsoever. Mr. Assange is making few friends, and since his financing is opaque, one must entertain the potential fact that he may actually be working for a foreign power. His site seems to target the US in particular. Wired’s view that Wikileaks is good for America is naive. Free speech requires responsible action, not “poison pills”, and threats to disrupt the security of a soveriegn nation. The free flow of uncomfortable information is not to be discouraged, but if Wikileaks had information from the Chinese of this caliber, he wouldn’t be breathing. Nor would his source. And since Wikileaks isn’t a press organization – I repeat, Wikileaks is not a press organization, has no established location and acts more as an anarchistic group that a legitimate force – they should have none of the protections that the 1st amendment affords in the US. Wikileaks may have given those who would slam shut the free flow of information more ammunition that the worst porns sites have. If Mr. Assange makes good on his “poison pill” threat, people will die, and he will have blood on his hands. He is playing an extraordinarily dangerous game. If someone dies as a result of these releases, you can bet the poor kid who gave him this information to Wikileaks will face the death penalty. Nothing good is coming from this.

Comentário a Why WikiLeaks Is Good for America

Seus bostas

O silêncio a respeito dos resultados do PISA, ou a tentativa da sua desvalorização, vindo daqueles que mandam foguetes sempre que apanham uma votação online no Burúndi onde Portugal calhe descer um lugar na tabela de gostos acerca dos nossos pastéis de nata, é a prova da canalhice intelectual que faz uma parte maior do debate público.

Temos de viver com eles, mas tenham pena de nós se ficarmos iguais.

Combatamos, então

Esta edição conta com a boa novidade da presença do Porfírio Silva e com o anúncio dos candidatos aos prémios Combate de Blogs. Como o Aspirina B está nomeado (no que deve ter sido uma sugestão do Tomás Vasques, aposto, unidos como estamos num anti-alegrismo fanático e insanável), permito-me tecer considerandos decisivos acerca do programa e da iniciativa.

Cá vai alho:

PROGRAMA

O conceito do programa é muito simpático, o Filipe Caetano será talvez demasiado simpático e a duração da coisa é perfeitamente antipática. São 25 minutos para 5 pessoas falarem acerca de vários assuntos – o que dá 5 minutos a cada um dos convidados, 2,5 minutos por tópico quando há dois assuntos na agenda, 1, 666666666666666666666666666667 minutos quando há três, mais 5 invariáveis minutos para o apresentador abrir, lançar os temas, fazer as perguntas e fechar as festividades. Resultado: a discussão é quase sempre incipiente, telegráfica, insatisfatória. Das duas, uma: ou aumentam a duração do programa para o triplo, um tempo já razoável para os fala-barato que povoam a blogosfera, ou reduzem o elenco a um par de convidados por sessão. Sendo a primeira opção inviável, a segunda apresenta acrescidas vantagens: discutir melhor as melhores questões. No modelo actual, há um bipolarismo redutor entre uma esquerda e uma direita niveladas por baixo, à molhada. Isso deixa de fora as muito mais fascinantes e sanguinolentas discussões entre beligerantes da mesma cor, seja no saco de gatos que constitui a direita nacional, seja na sociopatia dos revolucionários do cu-sentadismo contra o que cheire a democracia e a PS.

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