Todos os artigos de Valupi
Alegra-nos, Alegre
Pedindo licença a Louçã e Seguro, os dois génios da grande esquerda que levaram Cavaco a escapar à mais do que merecida derrota para a reeleição, vou ajudar Manuel Alegre a fazer um brilharete esta noite e, finalmente, ficar com algo para mostrar que interesse ao eleitorado. Chega aqui e presta atenção, poeta.
Assim que te derem a palavra, vais dizer o seguinte:
Venho a este debate não para falar, mas para ouvir. Entrego todo o meu tempo ao Presidente da República, aqui presente, para me ajudar a compreender quem é o candidato presidencial Cavaco Silva, igualmente aqui presente. Porque sem os esclarecimentos do primeiro não podemos saber quem é, nem o que quer, o segundo. Infelizmente, a imprensa do meu país não fez o que agora vou fazer. E, desgraçadamente, Vossa Excelência não se dignou contar aos portugueses o que aconteceu, pelo que vou ser eu a exigir de si que cumpra o juramento que prestou ao aceitar o cargo. Revele sem margem para dúvidas: qual é a sua responsabilidade nas notícias que saíram em Agosto de 2009 descrevendo suspeitas de espionagem e escutas cujo alvo era a Presidência da República?
Se não tem qualquer responsabilidade, explique o seu silêncio após a saída das notícias, a poucas semanas das eleições legislativas, assim permitindo a continuação, e adensamento, da calúnia que teria inevitáveis consequências eleitorais. Se não tem qualquer responsabilidade, explique o pseudo-afastamento de Fernando Lima, apontado como o contacto com o jornal em causa para a montagem da conspiração, e diga se ele é inocente ou culpado para si. Se não tem qualquer responsabilidade, explique as variadas declarações que fez antes e depois das eleições, onde confirmava ter suspeitas de haver problemas na segurança das suas comunicações.
De quem tantas vezes exigiu aos políticos para falarem verdade, o mínimo que se espera é uma coerência mínima. Venha ela, Senhor Presidente da República, pois este é o momento em que não o deixo fugir das suas palavras.
Mas se tem alguma responsabilidade, assuma-a de imediato para que me possa levantar e sair. Não discuto com pulhas.
Quanto pode custar um Nokia E 71?
Aconteceu com a Maria João Nogueira, que a própria explica enquanto Jonasnut, e Alda Telles fez uma excelente resenha do ponto de vista dos desafios para o marketing. É um caso cristalino do que uma empresa não deve fazer face ao novo paradigma comunicacional onde a Internet pode amplificar desmesuradamente qualquer conflito com os consumidores. E para além de ignorarem a influência social da pessoa que reclamava, os advogados e decisores da Ensitel cometeram o sacrilégio de querer censurar o conteúdo publicado num blogue. Obviamente, estavam chanfrados dos cornos.
Apenas acrescento – a partir da minha própria experiência profissional – que a conveniência da inclusão de competências da disciplina de relações públicas nos projectos para a Internet era uma evidência logo nos primórdios da sua utilização comercial frequente, antes da Web 2.0. Agora, no primado do utilizador-emissor servido por potentes plataformas de agregação, é uma questão de sobrevivência.
Estado especial de bovinidade
José Manuel Fernandes espera receber explicações de Fernanda Câncio a respeito do que um cidadão egípcio resolveu fazer à sua família. Seria fácil aproveitar a ocasião para trazer outros casos pitorescos da História da Psicologia Clínica, mas tal não faria justiça à estupidez que foi produzida. Mais relevante é lembrar que foi a esta indescritível figura que Belém encomendou uma golpada eleitoral que metia ousados actos de espionagem ao Presidente da República por um agente ao serviço de Sócrates que andava pela Madeira a sentar-se em mesas para onde não tinha sido convidado. E quando o DN publicou o email que explicava a manobra, a primeira coisa que lhe ocorreu dizer foi que o SIS tinha invadido os computadores do Público. Como nunca pediu desculpas por essa afirmação, é provável que ainda acredite nisso.
O Zé Manel não está só, porém. Aquilo a que se convenciona chamar direita por desleixo conceptual, que ocupa os lugares nos actuais partidos da dita e nos meios de comunicação que servem esses interesses, que se passeia por algumas universidades como docentes ou palestrantes, é feita desta estirpe de especial bovinidade.
O mundo de Sofia
A nossa amiga Sofia Loureiro dos Santos incluiu o Aspirina B na sua selecção anual de blogues. Estamos em excelente companhia. E realço a generosidade da escolha incluir um sumário explicativo. Isso permite ficar a conhecê-la ainda melhor, sendo esse o verdadeiro interesse destas listagens de favoritos.
A blogosfera junta pessoas que doutra forma talvez nunca se cruzassem. E cada uma delas é um mundo à espera de ser descoberto.
Good food for good thought
Loosely defined, resilience is the capacity of a system — be it an individual, a forest, a city, or an economy — to deal with change and continue to develop. It is both about withstanding shocks and disturbances (like climate change or financial crisis) and using such events to catalyze renewal, novelty, and innovation. In human systems, resilience thinking emphasizes learning and social diversity.
Resilience theory, first introduced by Canadian ecologist C.S. “Buzz” Holling in 1973, begins with two radical premises. The first is that humans and nature are strongly coupled and coevolving, and should therefore be conceived of as one “social-ecological” system. The second is that the long-held, implicit assumption that systems respond to change in a linear — and therefore predictable — fashion is altogether wrong. In resilience thinking, systems are understood to be in constant flux, highly unpredictable, and self-organizing with feedbacks across multiple scales in time and space. In the jargon of theorists, they are complex adaptive systems, exhibiting the hallmark features of complexity.
A modinha do Chico Lopes
O candidato presidencial do PCP ganhou as simpatias da direita. Isto porque deu porrada em Cavaco, mas sem o ferir de morte, sequer deixar mazelas a precisarem de tratamento. Foram uns sopapos dados em alguém meio entrevado, sem capacidade de se defender. A direita também tem razões para sovar Cavaco, mas não pode permitir que sejam os xuxas a fazê-lo, pelo que ter um comuna a prestar esse serviço catártico é a melhor solução.
Mas o que realmente agrada no Chico Lopes é a sua disciplina de funcionário. Ele apresenta-se com a cassete das Testemunhas de Jeová e o aprumo executivo dos oficiantes da Igreja Universal do Reino de Deus. É um pastor, pois. E de um conservadorismo que já nem no catolicismo se gasta. Essa higiene política mínima foi quanto bastou para reunir agrado, o que igualmente ilustra o nível paupérrimo dos restantes candidatos.
Temos substituto do Jerónimo, isso é certo. E o PCP ficará cada vez mais igual a si próprio, mais barricado e hostil, o que a direita aplaude.
À atenção do patronato
People who watch funny videos on the internet at work aren’t necessarily wasting time. They may be taking advantage of the latest psychological science — putting themselves in a good mood so they can think more creatively.
Natal digital
O meu amigo Jorge Teixeira, o primeiro director criativo com quem trabalhei, teve uma carreira de altíssimo sucesso na publicidade logo desde que entrou nesse feérico mundo, algures no final dos anos 80. Há um par de anos, mudou para uma agência especializada em comunicação digital. Acaba de conseguir um mega-ultra-hiper-triunfo no Youtube, tanto na versão em português como em inglês, à pala do Menino:
Conto de Natal
Na república dos juízes
«A alegação de erro informático começa a ser demasiado recorrente para podermos acreditar que a culpa é sempre dos computadores», que «só fazem errado o que os humanos fazem de errado», disse o presidente da ASJP, defendendo que o Ministério da Justiça deve explicar esta situação.
António Martins disse ainda que o facto de o caso não ser resolvido em 24 horas revela «descontrole e inépcia total» da tutela ou que «o Estado está com dificuldades de tesouraria, sendo, se for esse o caso, necessário que o Ministério assuma «claramente isso».
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Na república dos juízes os computadores só fazem errado o que os humanos fazem de errado. As falhas técnicas, de hardware ou software, foram abolidas e os sistemas informáticos são agora meras emanações das psiques humanas. Este estádio de fusão cibernética foi alcançado quando se conseguiu transformar a infalibilidade dos juízes em determinismo computacional. Resultado: máquinas sem culpa.
Na república dos juízes, quando os humanos enganam os computadores, os Ministérios ou estão completamente descontrolados ou são completamente ineptos. Há, contudo, um terceiro cenário. De facto, é sabido que Governos com dificuldades de tesouraria podem ser tentados a manobras de espectacular perversidade: num universo de mais de 4.000 funcionários, fazem com que 19 não recebam o ordenado, e outros 12 não recebam o subsídio de compensação, durante um ou dois dias na semana do Natal. Isso permite aos bandidos que foram eleitos o adiamento da iminente bancarrota, e o respectivo usufruto dos bens públicos para proveito próprio, até às festas da passagem de ano. A única forma de lutar contra estes abusos inomináveis é uma luta sindical sem quartel, dizem os mais esclarecidos.
Na república dos juízes o ridículo não mata. A raiva corporativista também não.
Aprendendo a ser humilde com Freitas do Amaral
Pegando no mote do texto inaugural da Isabel, a que junto as chicotadas do Eduardo, aproveito para deixar a minha perplexidade a respeito de Freitas do Amaral. Este homem é um dos mais importantes senadores do regime democrático, tendo já inscrito o seu nome na História pátria por múltiplas e magníficas razões, e é um monumento vivo do que seja uma vocação de serviço público e de realização do ideal da liberdade. Por isso despertou tantos ódios; primeiro dos imbecis, dos ranhosos depois. A independência tem preço, alto, e no caso dele até se fez pagar em dinheiro.
Pois bem, como se explica o silêncio de Freitas aquando do escândalo da inventona de Belém e, para piorar o que já era mau de mais, o seu militante apoio à reeleição de Cavaco? Seja lá qual for a justificação que o próprio dê, em nada modifica o sarilho que arrasto comigo: um dos portugueses que mais admiro é cúmplice político de um dos portugueses que mais me envergonha.
Não pretendo fugir do paradoxo. A humildade também se faz pagar, a puta.
Festa
A Isabel Moreira, num daqueles desatinos que definem uma alma artística, achou graça ao convite para vir passear a sua indomável liberdade, e subidos conhecimentos, neste pardieiro chamado Aspirina B. Obviamente, não a merecemos; restando só a curiosidade de ver quanto tempo demora até ela se aperceber da péssima companhia onde se foi meter.
Este blogue, por honrosas e prazenteiras razões, está em festa – embora estejamos em condições de garantir que tal em nada se relaciona com estrelas decadentes a caminho de Belém. É só pelo presente que acabamos de receber, a admirável Isabel.
Natal vermelho
Como é belo ver as classes C1, C2 e D invadirem os espaços comerciais no exclusivo fito de entregarem os seus míseros rendimentos aos empresários, unidos com o grande capital no esforço titânico para aumentar o consumo interno e, assim, financiarem os bancos, alimentarem os impostos e salvarem o País das garras do FMI.
Perguntas simples
Isto dos submarinos está cada vez mais profundo, não está?
O triunfo do pensamento mágico
George Carlin explica
Sexus
Cadáveres esquisitos
Rogério da Costa Pereira e joshua unidos num blogue que não é um blogue.
