Na república dos juízes

«A alegação de erro informático começa a ser demasiado recorrente para podermos acreditar que a culpa é sempre dos computadores», que «só fazem errado o que os humanos fazem de errado», disse o presidente da ASJP, defendendo que o Ministério da Justiça deve explicar esta situação.

António Martins disse ainda que o facto de o caso não ser resolvido em 24 horas revela «descontrole e inépcia total» da tutela ou que «o Estado está com dificuldades de tesouraria, sendo, se for esse o caso, necessário que o Ministério assuma «claramente isso».

Fonte

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Na república dos juízes os computadores só fazem errado o que os humanos fazem de errado. As falhas técnicas, de hardware ou software, foram abolidas e os sistemas informáticos são agora meras emanações das psiques humanas. Este estádio de fusão cibernética foi alcançado quando se conseguiu transformar a infalibilidade dos juízes em determinismo computacional. Resultado: máquinas sem culpa.

Na república dos juízes, quando os humanos enganam os computadores, os Ministérios ou estão completamente descontrolados ou são completamente ineptos. Há, contudo, um terceiro cenário. De facto, é sabido que Governos com dificuldades de tesouraria podem ser tentados a manobras de espectacular perversidade: num universo de mais de 4.000 funcionários, fazem com que 19 não recebam o ordenado, e outros 12 não recebam o subsídio de compensação, durante um ou dois dias na semana do Natal. Isso permite aos bandidos que foram eleitos o adiamento da iminente bancarrota, e o respectivo usufruto dos bens públicos para proveito próprio, até às festas da passagem de ano. A única forma de lutar contra estes abusos inomináveis é uma luta sindical sem quartel, dizem os mais esclarecidos.

Na república dos juízes o ridículo não mata. A raiva corporativista também não.

20 thoughts on “Na república dos juízes”

  1. Ola,

    Estas demasiado preocupado com a consoada e ja não estas a dizer coisa com coisa.

    Desconheço o problema na origem da noticia, mas o que diz o protesto é de bom senso e vai no sentido oposto do quadro tragico que pintas : trata-se de sublinhar que é irresponsavel e leviano atirar a culpa para os computadores e sacudir a agua do capote. Claro que é assim e claro que se “a informatica”, “o mau tempo” ou a “fatalidade” passarem a justificar tudo por sistema, então sim passara a ser legitimo questionar para que serve a administração…

    Portanto a resposta esta em assumir o erro, até para estar em condições, se fôr caso disso, de relativizar a sua gravidade (houve um erro, mas a informatica ampliou os seus efeitos, ou dificultou a sua detecção, ou ainda foi devido a circunstâncias excepcionais, etc.).

    Ou defendes tu que as administrações devem arranjar capelas para que, de cada vez que algo corre mal, os funcionarios, sindicalizados ou não, possam ir oferecer velinhas para tentar apaziguar Dom Fado ?

    Bom natal e vê se não abusas !

  2. oh viegas! e desde quando é que esta merda é notícia e motivo para tanto chinfrim sindical? foda-se, a rapidez no pagamentos aos juízes deveria ser porporcional à velocidade da justiça.

  3. Anónimo, estás a esquecer-te que a morosidade da justiça não é só devida aos juízes. Os advogados não contam? Os requerimentos a torto e a direito, incidentes, recursos, então isso não conta? Não se deve esquecer que um juiz com o legislador que tem, sempre atarefado a fazer leis, algumas de conveniência, tem que se actualizar, tem de fazer julgamentos, tem de fazer sentenças. Quantos processos tem um juíz em média?

    Quanto ao texto do post, fala-se muito da republica dos juizes. Há uns muito mandões, pois há, mas a sociedade dá-lhes esse direito, todos se levantam perante o juíz. Se não houvesse essa «república» o caos seria bem mais desgraçado. Perspectiva ingénua da coisa? Talvez, se bem que por cá se saiba que a Amazónia é um mundo não totalmente desbravado, quer dizer, onde ninguém entra…

    Mas sim, o computador é manipulável, é manipulado, e a resposta é a do João Viegas. Como sempre, certeiro, sempre que intervém.

  4. “Quantos processos tem um juíz em média? ”

    o importante é saber quantos despacha, mas aí voltamos às forças conspirativas e falta de condições para trabalhar, portantes tá tudo justificado

  5. Anónimo, ninguém tem nada que ver com as tuas manipulações. Lava é as mãos depois e para não seres criminoso e alvo da «cobiça» dos juízes, faz o que tens a fazer intra muros.

    Quanto ao resto, sempre houve e haverá criminosos. Lê Aristoteles para começar e verás porquê.

    Processos: o importante é a) saber o número de processos de um juíz, b) o tempo que o Estado lhe dá para ele, juíz, se debruçar devidamente sobre cada processo, c) saber se realmente tem condições e se as condições em que trabalha, não o misturam na catrefada de processos, d) a conspiração é mais para outro tipo de matérias, p.e. as de felícia cabrita, e) referir «falta de condições» como argumento viciado dos «outros» é, por sua vez, argumento de conveniência ou de comodidade de quem o invoca nos teus termos e com o teu objectivo.

  6. Pois, há de tudo como na farmácia mas os que têm acesso aos jornais são os outros e paga sempre o justo pelo pecador. Toma-se uma parte pelo todo. Eu já uma vez vim de propósito da Ericeira a Lisboa para despachar uma audiência de julgamento e depois dormi cá porque ficou para o outro dia. Era a vida de uma criança que estava em jogo.

  7. depois do médico que viu um miúdo a correr atrás de uma galinha para lhe roubar o milho, tudo é possível, até dormir em lisboa para o dia seguinte.

  8. Que haja um pouco de bom senso. A reacção da ASJP é no mínimo exagerada e revela uma crispação latente e vontade indisfarçável de bater neste governo.
    Quanto ao João Viegas, se se inteirasse do «problema na origem da noticia» talvez nos pudesse brindar com uma análise mais lúcida como normalmente nos tem habituado.

  9. Val e restantes frequentadores da tasca,

    Bom Natal!

    Tens, no meu modesto entender, em parte razão, só não tens nisto “computadores só fazem errado o que os humanos fazem de errado. As falhas técnicas, de hardware ou software foram abolidas e os sistemas informáticos”

    E não tens porque os erros do software e hardware resultam sempre, mesmo sempre, de erros dos humanos, o resto é lógica simples, verdadeiro/falso ou seja infalível!

    Infelizmente há gente neste país que aproveita qualquer qualquer oportunidade para desinformar. Juízes nem sempre têm razão, infelizmente vezes demais, para mal dos nossos pecados!

  10. O Martins anda descontrolado! Mas o anonimozinho ou é tolo ou tem arte ou então, é um dos que, como dizem o Cons. Maia e Costa e o Des. Eurico Reis, não faz a mínima ideia do que é ser Juiz.
    É mais um funcionário bem pago!

  11. Valupi, apaga, se faz favor, o comentário de 24Dez, das 16: 12, pois afinal o meu comentário foi publicado. Não faz sentido a minha crítica quando a mesma não tem razão de ser. Obrigado.

    SOUSA MENDES

    Não percebi o teu contributo para a discussão.

    Sou tolo, mas mais tolo é aquele que não o reconhece ou exibe o que pensa ser inteligência.
    Arte? Todos temos. Tu manifestaste a tua arte de registar o que não sabes. Quem te disse que eu não conheço o trabalho de um juíz? Não sou funcionário, mas se o fosse, qual o mal? Partes para a imputação sem base?

    Se queres contrariar, fá-lo com factos e aí discutimos o assunto. Mantenho tudo o que disse e desafio-te a provar o contrario.

    O Maia da Costa e o Eurico Reis? Deixa-os, que eles não aprovariam o teu comentário, nem em glosas fingidas ao Código Penal.

  12. não tarda estás a pedir para apagar tudo o que escreveste. deixa lá, a asneira é livre, não paga impostos e já estamos habituados.

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