Sem a força centrípeta de Louçã, quantos meses, semanas ou horas duraria o BE?
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O radar da inteligência
Mas falhamos num dos aspectos mais básicos da vigilância costeira: a rede de radares. Os que existiam foram desligados. Os novos, ainda não chegaram. Neste momento, Portugal, que é um país de costa e de mar, não tem uma ferramenta essencial para vigiar essa área.
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A Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da Guarda Nacional Republicana tem em operação 50 câmaras térmicas de longo alcance, distribuídas de forma a “blindar a costa”, garantiu hoje à Lusa fonte daquela força de segurança.
“A GNR evita divulgar alguma informação de caráter operacional”, para poder “atuar de forma discreta e intercetar os ilícitos”, e “tem de salvaguardar informação por questões de segurança”, acrescentou.
As câmaras “colocadas de modo discreto ao longo da costa”, em carrinhas e viaturas todo-o-terreno, possuem a “mesma tecnologia, inclusive da mesma marca, dos equipamentos utilizados pelos marines americanos no Afeganistão”, referiu ainda.
A UCC assegura a atividade operacional marítima com 20 lanchas, no âmbito do SIVICC da costa. São 12 Lanchas de Vigilância e Interceção e mais oito Lanchas de Fiscalização de Águas Interiores, o que permite àquela força de segurança controlar e fiscalizar todo o tipo de infrações no mar e nos rios, referiu a mesma fonte.
Além disso, a costa conta com um sistema de radar alternativo, complementado com unidades móveis, tendo o sistema antigo sido desligado porque não respondia, disse hoje à Lusa fonte do comando da Unidade de Controlo Costeiro da GNR.
“O sistema antigo tinha de ser desligado porque estava velho, e já não respondia, por isso está a ser instalado o SIVICC” e a “UCC da Guarda Nacional Republicana está a operar o VTS [do Ministério das Obras Públicas], como sistema alternativo”, explicou a fonte contactada pela agência Lusa.
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A oposição seguiu, em fila indiana, o sensacionalista DN e afundou-se algures num local fora do alcance do radar da inteligência.
Um País de tesos
Grandes questões da actualidade
Quando é que se começou a impingir comercialmente o dia de São Valentim em Portugal? Anos 80? Para além de ser uma importação espúria e inútil, pois já estávamos muito bem servidos com o nosso Santo António, o 14 de Fevereiro é uma péssima data se comparada com o 13 de Junho. Frio em vez de calor, santo que morre decapitado em vez daquele famoso pelos seus abundantes milagres, resulta esta troca num absurdo climático-sentimental. Se era mesmo preciso inventar mais uma ocasião para gastar dinheiro, bastaria estender o simbolismo dos noivados para o que os antecede romântica e inevitavelmente: os namoros.
Que pensas desta importantíssima questão?
Good food for good thought
Biological anthropologist Chris Boehm at the University of Southern California studies the human revolutionary impulse and has been struck in particular by how it plays to a unique tension in the psychology of our species. On the one hand, humans are extremely hierarchical primates, readily picking leaders and assenting to their authority for the larger good of the community. On the other hand, our hunter-gatherer ancestors were a very egalitarian bunch, doing best when the group operated collectively, with dominance asserted only subtly. When one individual — usually a male — began to overreach, he was dealt with swiftly. That impulse — to challenge the bully and take him down — is one that stays with us today, and that we practice with great relish.
“The revolutionary urge is the universal reaction to power being exerted over us in an illegitimate way,” says Jonathan Haidt, a moral psychologist at the University of Virginia, whose own work parallels Boehm’s. “It’s absolutely thrilling and intoxicating to people.” How thrilling and intoxicating? “Put it this way,” says Haidt, “the flag of my state is an image of a woman warrior with a bared breast and her foot on a dead man, who represents tyranny. The state emblem is a murder.”
E que nunca mais aconteça
A prestação de Rui Pereira no Parlamento, nesta sexta-feira, voltou a ser insuficiente. E a da Secretária de Estado, Dalila Araújo, ainda foi pior. O que está em causa vai crescendo em gravidade, pois já se discutem os resultados do inquérito feito pela Universidade do Minho. De urgente esclarecimento são as declarações do demitido Paulo Machado, o qual veio dizer que as suas decisões foram sempre do conhecimento da Tutela ao longo do tempo. Isso contradiz frontalmente a declaração de Dalila Araújo acerca da data em que tomou conhecimento do incumprimento da notificação aos eleitores, 23 de Janeiro. Vendo ao longe, a versão da Dalila é inverosímil ou indiciadora de incompetência.
Não pode ficar uma pedra por virar até se descobrir o que aconteceu.
Para além do oportunismo, a perversidade
Pedro Pestana Bastos explica e acrescenta.
Os 18 dias que não mudaram o Egipto
Na CNN, os repórteres vão perguntando aos egípcios: O que sente/sentiu com o afastamento de Mubarak? Nada que interesse se pode responder, claro. Em todas as estações televisivas internacionais, com emissão a partir da Praça Tahrir, os jornalistas repetem esta pergunta só para obterem a mesma inanidade. E mostram-se contentes, querem ser veículos amplificadores da excitação à sua volta. A festa é contagiante ou mandatória.
Celebra-se o fim de 30 anos da tirânica autoridade de um homem que se preparava para uma sucessão dinástica, não a chegada da democracia. Mubarak tornara-se o boneco de vodu do regime que, subitamente, era possível espetar com agulhas, rasgar e mandar para a fogueira. É a esta catarse que os egípcios chamam liberdade. Mas se estivéssemos perante uma revolução, o povo não teria tido o apoio de todos os militares – todos, os mesmos que garantiram durante três décadas a segurança do ditador finalmente amaldiçoado em público.
A rua egípcia ainda nem sequer sabe lucidamente o que não quer, quanto mais saber o que quer.
Parabéns, puto!
Bacalhau com todos
O que aconteceu com a Parva que Sou não passa de outro episódio na longa novela de misérias da oposição portuguesa – esteja quem estiver no Governo. Começou com os revolucionários do cu-sentadismo sem paciência para esperarem pela dialéctica da luta de classes e a recorrerem às mais primárias técnicas de marketing na tentativa de criar um hit instantâneo, e terminou com o Zé Manel a profetizar a chegada de mais um hino anti-Engenheiro, depois de já ter produzido uma inventona sem eira nem beira como aquecimento para a Inventona de Belém. Pelo meio, aconteceu uma parolada extraordinária: a reacção do público foi apresentada como prova da superior relevância social da letra e do glorioso destino político da canção. Mas que reacção foi essa? Pessoas a aplaudir, ordeira e convencionalmente, os artistas do espectáculo musical a que foram assistir. Um fenómeno do Entroncamento que deixou o capitalismo apavorado.
Um dos programas que mais aprecio na TSF é A Playlist de… A edição com a Ana Bacalhau mostra-nos uma forte e encantadora personalidade, de uma frescura infantil, que se filia na tradição do lirismo português clássico. E é essa matriz que ajuda a explicar o seu aproveitamento provinciano e demagógico por todos, à esquerda e à direita.
Menos um enigma neste mundo
Os imbecis superam-se na imbecilidade
Coisas da vida
Old habits die hard
Costinha tem vindo a fazer um trabalho excelente, peço a todos os sportinguistas para que tenham calma, porque com certeza ele vai fazer o melhor para o Sporting.
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Uma das raízes do mal que grassa no Sporting chama-se Paulo Bento. O problema nasceu com o seu sucesso. Com apenas 1 ano de treinador, e a treinar uma equipa de juniores, foi lançado para o comando do Sporting. Era um absurdo. Mas quatro consecutivos segundos lugares, mais as quatro taças, provaram que o absurdo pode ser uma fonte de coreáceo sentido. Bento era apreciado por muitos, menos por aqueles que gostam de futebol. Avesso a correr riscos, cristalizava-se em fórmulas nefastas para o que se via no campo e o que se adivinhava no balneário. Não custa a entender: o seu período de iniciação na carreira estava a ser feito num lugar onde poucos chegam, e nunca tão cedo. Não havia tempo, nem espaço, para experimentações, para erros. Não havia espaço, nem tempo, para aprender, crescer. Acabou a criar uma cultura de empata fodas.
Contra a Argentina, Bento matou o espectáculo com a saída de Ronaldo, o qual estava em crescendo e a entusiasmar as bancadas nesse preciso momento em que foi mandado sentar-se no banco. O que se seguiu na Selecção imitou o pior da era Queiroz. Equipa sem jogo, jogadores sem profissionalismo nem respeito pelo emblema nacional. Foi merecidíssima a derrota, ainda por cima por ter sido assinada por Messi no final da partida. Fez-se justiça.
Pelo meio, temos o Miguel Veloso. Ele é um dos protagonistas do fenómeno que retirou adeptos de Alvalade a partir da época 2008/9. Chegou a ofendê-los com gestos no próprio relvado, para além de dizer para ficarem em casa. Nestas alturas, Bento nunca o repreendeu publicamente, o que equivale a sancionar a sua postura. Não admira, pois, que Veloso apareça agora do nada a apoiar Costinha, alguém que acabou de atraiçoar todos os valores que consubstanciam uma ligação à entidade patronal, ao clube e à comunidade. Trata-se de mais uma das entradas de Veloso a pedir o cartão vermelho.
Da importância dos títulos
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É um título, inspirado, da lavra de Helena Matos. Contudo, creio que ela poderia ter ido um bocadinho mais longe na inventiva e ter chegado aqui:
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Nã sê serie se chó
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Santos&Pecadores
O Ministro da Defesa Nacional foi a Belém, nesta terça-feita, para uma audiência com o Presidente da República. Como tem o cuidado de precisar o jornalista do Público, Santos Silva entrou à hora prevista, 16h30, e saiu antes das 17h da audiência com Cavaco Silva.
Estamos, portanto, a falar de 29 minutos, no máximo. A estes temos de subtrair aqueles que demora a chegar da entrada até à sala de reunião. Como não faço a menor ideia do que estou para aqui a dizer, isso garante-me que são 3 minutos entre um ponto e outro numa passada com sentido de Estado; ou seja, 6 para o regresso. Ficamos com 23 minutos. A estes temos de subtrair aqueles que resultam dos cumprimentos dados a diferentes elementos da Casa Civil que recebem as visitas com protocolo pimpão e salamaleques ordinários. Contando alguma inevitável conversa de circunstância, tenho também a cronométrica certeza de que foram gastos uns valentes 5 minutos para lá, mais uns 5 para cá. Porque as coisas que se dizem antes das reuniões são sempre diferentes daquelas que se dizem depois. E porque há recados para dar e receber, a política real faz-se de segredinhos. Ficamos com 13 minutos. Agora já temos o malandro na sala, esperando Sua Excelência. Nisto, entra a Adelaide (desconheço quem seja e tenho sérias dúvidas que a sua situação laboral esteja conforme), perguntando se Sua Também Excelência quer um cafezinho ou uma bolachinha ou mesmo um comprimidozinho para a dor de cabeça. Que não, que tal, que pois, e como é que a senhora tem passado, e os filhos, e os netos, e as doenças, e, olha, já se foram mais 5 minutos. Restam 8. O Ministro da Defesa prepara-se para o ataque presidencial. Respira fundo e deixa que o olhar se perca pelo jardim, ficando de pé junto a uma das janelas. Como sempre lhe acontece naquele espaço donde contempla o Tejo, imagina uma Lisboa quinhentista, azáfama de caravelas, dons e donas galantes, peixeiras roliças e atrevidas. Voa o tempo nesses voos da saudade alucinada; 7 oníricos minutos, para sermos exactos. Falta só 1, it’s the final countdown. Esta demora tem algo de estranho, o Presidente nunca excede os 5 minutos da praxe. Santos mira o relógio. O singular minuto está agora transformado numa multiplicidade de segundos em risco de extinção. Quando faltam só 10 segundos para esta história perder o pouco sentido que tem, eis que o Altíssimo Magistrado assoma à beira da porta e diz ao Ministro: Olhe, deixe aí na mesa a papelada que eu depois vejo. Se precisar de ajuda para encontrar a saída, chame a Adelaide. E abala pelo corredor.
Irreal este relato? Irreal é a desmiolada tentativa de limpar a vergonha dos discursos de vitória do Aníbal com um bode expiatório. Os carolas que despejaram as notícias de que o alvo era Santos Silva nem se lembram do que foi berrado naquela desgraçada noite:
Não é tempo de recordar a forma como os meus adversários tentaram denegrir a minha dignidade. Foram cinco contra um!
Repare-se que Cavaco incluiu Nobre na sua fúria justiceira, o mesmo Nobre que fez questão de se demarcar dos ataques pessoais e das referências ao BPN. Cegueira total do homem e da sua equipa, a qual lhe alimenta, ou não diminui, a megalomania e as distorções paranóides. Espasmo de ódio só possível em quem se sente derrotado, devorado pelo medo. E este acaba por ser o maior pecado do Cavaquismo, com tão prolongadas consequências na direita ainda sem conseguir encontrar projecto alternativo: uma telúrica, colossal, estupidez.
Efeito Zeigarnik
Nesta terça-feira de manhã, no período imediatamente a seguir às clarividências criativas do despertar, cheguei às mesmas conclusões que podem ser consumidas neste artigo com autoridade científica.
Uma coincidência, uma recorrência e uma sabedoria ancestral, já por Hesíodo grafada:
ρλέον ἥμίσυ ρανṯός
Liedson: resolvido
28 de Janeiro de 2006. Vaga de frio que estava a poucas horas de trazer neve a Lisboa com 52 anos de fantasiada espera. Vou assistir ao Benfica-Sporting no sector onde está a Juve Leo. A primeira parte acaba com a lampionagem a gozar o prato, 1-0. Reina uma bonomia confiante nas hostes selvagens, porém. O Leão perde mas é a Águia que está assustada. E o caso não era para menos, era para mais – mais três: um de Sá Pinto, dois do Liedson. Nessa noite, este casal abraçou-se e beijou-se no balneário, as agressões e o divórcio estavam a exactos quatro anos (menos uma semana) de distância.
Jogo acabado, mais uma hora nas bancadas sem poder sair. Frio a duplicar, parados ao relento e ao vento. Mas fervíamos a triplicar, a festa era vulcânica. Quando nos libertaram estavam as redondezas quase desertas, escaramuças só de boca. Fomos para o estádio de Alvalade a pé, escoltados pela polícia e em cantoria incessante nos dois quilómetros e meio de caminho. Por todas e mais algumas razões, esta é a maior alegria que devo ao ex-caixa de supermercado nas suas inesquecíveis sete épocas e meia de verde e branco.
Mas Liedson também me deu fundos desgostos. Vê-lo a barafustar com os árbitros sem qualquer controlo emocional, a tentar enganá-los nas faltas assim pervertendo o jogo, a agredir adversários nas picardias arriscando cartões, sempre foi para mim tão mais degradante quanto dele se esperaria um exemplo de perfeição desportiva. Claro, a culpa não era sua, mas de quem o treinava. A culpa é sempre dos pais.
Seja lá qual for a causa que tenha levado à sua saída do Sporting, foi mais um desafio que ele resolveu. Esta época estava a ser completamente desastrosa, a sua presença não ajudava a equipa. Agora, falta resolver o resto.
Espero que estejam à altura do momento
Grandes líderes políticos do estofo de um Jerónimo, Louçã, Passos e Portas já esgotaram o vocabulário na descrição deste e do anterior Executivo. De acordo com as suas palavras, pior governação é impossível. Felizmente, estamos numa situação em que algo pode ser feito, onde estas perspectivas convergentes podem levar a um acto verdadeiramente patriótico e urgente: o derrube de Sócrates e o seu afastamento da política nacional.
É por isso que quero saudar as oportunas e libertárias palavras de Jerónimo de Sousa:
Não temos medo que o povo se pronuncie, não branquearemos a política de direita.
Para Jerónimo é indiferente que o Povo ande a pronunciar-se há mais de 30 anos, como ainda agora o fez quando o PCP concorreu para Presidente da República, confirmando em todos os actos eleitorais a sua repulsa pelas propostas dos comunistas portugueses. Esse fanatismo deve ser aproveitado pelo PSD e CDS sem rebuço, caso sejam coerentes com as suas pungentes lamentações. Chega de ladrar e mostrar os dentes para Telejornal ver.
É a hora, seus bravos.
Grandes dilemas da cinematografia contemporânea
Escolher o filme mais pretensiosamente cagão, Black Swan (que já vi) ou Biutiful (que ainda não vi, nem me apetece nada ver)?
Vou apostar tudo no Iñárritu, todavia, porque este cabrão consegue ser 21 gramas ainda mais descarado do que o outro.

