8 thoughts on “Para além do oportunismo, a perversidade”

  1. Estive a matutar no assunto, e só há uma maneira disto fazer sentido: estão a arranjar uma desculpa para votarem contra uma moção da direita. A ideia deve ser mais ou menos esta: mais tarde ou mais cedo o PSD apresenta a sua própria moção de censura. O CDS apoia, o BE rejeita por não fazer sentido votar com um partido que recusou a sua. Fica a decisão nas mãos do PC, que terá de escolher entre votar contra, legitimando o PS e fazendo do BE o partido que faz oposição à esquerda (até apresentaram um moção e tudo). Se o PC votar a favor, acusam-no de entregar o poder à direita. Em ambos os casos, procuram capitalizar o voto à esquerda do PS para poderem forçar uma coligação.
    É cínico, mas não é mal pensado.

  2. Cínico? Quem? Aqueles que acreditam na possibilidade de o anticonformismo nos conseguir libertar a todos do supérfluo e nos devolver ao essencial? Se sim, honras para eles.

  3. Vega9000, esse raciocínio é um entre dezenas, ou centenas, doutros que são legítimos à luz da irracionalidade factual que o BE acaba de lançar para o meio da política nacional. Acredito que nem eles sabem explicar o que andam a fazer (como o Pureza se encarregou logo de provar, aliás).

  4. Não acredito muito que não saibam o que andam a fazer. Alguma razão haverá, por muito tortuosa que possa ser. E entretanto, abre-nos caminho à especulação, o que é sempre um bom exercício mental. Por isso, deixo esta adaptação de um conhecido credo:

    This is my reasoning.
    There are many like it, but this one is mine.
    My reasoning is my best friend. It is my life.
    I must master it as I must master my life.
    My reasoning without me is useless. Without my reasoning, I am useless.

    ;)

  5. Incomoda? Incomoda sim senhor. Numa terra de mortos-vivos aonde o Val faz de zombie-mor, qualquer pedrinha no charco os faz beber um trago.
    O Aspirina B é cada vez mais um tumba estalinista. E o mais engraçado é que nem se enxergam.

  6. Vega, especulemos. Dizes que não acreditas muito que não saibam o que andam a fazer. Ora, eu começo por contestar o plural: aparentemente, só Louçã sabia (ou, vá lá, não sabia, porque as consequências, será que as mediu?). De tudo o que tenho ouvido dos outros bloquistas com maior protagonismo, dir-se-ia que foram colhidos de surpresa. Repara: A maior parte emudeceu. Pureza veio, logo no dia seguinte, gerir os danos (mas deixando uma muito má imagem do Louçã ) com aquela frase de que o PSD seria ridículo se votasse a favor. Daniel Oliveira, numa atitude inédita, discordou com estrondo na televisão, apelidando a atitude de Louçã de infantil.
    Para mim, foi uma decisão totalmente precipitada, a quente, para passar a perna ao PC, e que não traz qualquer ganho para o Bloco, a não ser andar por aí uns dias nos jornais e televisões. No cenário extremo de novas eleições, muita gente que até poderia votar Bloco preferirá votar PS perante a iminência de uma maioria Coelho, Portas e companhia. Por outro lado, se o PSD se declarar contra, o Bloco é varrido para o seu patamar de insignificância, onde ficará quietinho com um cartaz nas costas dizendo “eu sou esquerdista radical, agitador gratuito, irresponsável”, ficando, corado, uns meses de castigo.

  7. Penélope, não creio que fosse só o Louçã e que tenha sido no calor do momento. Observando o vídeo da declaração na assembleia, repara nos outros deputados do BE – ninguém é apanhado de surpresa, estão claramente à espera desse momento para aplaudir, coisa que fazem sem hesitação.
    Acho, isso sim, que provavelmente terá sido discutido apenas com o grupo parlamentar, deixando de fora o restante partido. Daí a polémica.

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