E que nunca mais aconteça

A prestação de Rui Pereira no Parlamento, nesta sexta-feira, voltou a ser insuficiente. E a da Secretária de Estado, Dalila Araújo, ainda foi pior. O que está em causa vai crescendo em gravidade, pois já se discutem os resultados do inquérito feito pela Universidade do Minho. De urgente esclarecimento são as declarações do demitido Paulo Machado, o qual veio dizer que as suas decisões foram sempre do conhecimento da Tutela ao longo do tempo. Isso contradiz frontalmente a declaração de Dalila Araújo acerca da data em que tomou conhecimento do incumprimento da notificação aos eleitores, 23 de Janeiro. Vendo ao longe, a versão da Dalila é inverosímil ou indiciadora de incompetência.

Não pode ficar uma pedra por virar até se descobrir o que aconteceu.

12 thoughts on “E que nunca mais aconteça”

  1. Caro Val,

    dá para aperceber a realidade do calvário do dia a dia do cidadão comum que se confronta com estas criaturas. É espectacular a degradante demonstração da falta de raciocínio lógico em situações elementares destes altos representantes do poder politico. Dá a real dimensão do desastre em que estamos, os políticos devem ter uma legitimidade directa dada por eleições e não indirecta na sombra dos partidos. Há muito pior por incrível que possa parecer. Esperemos que o caso não vire múmia.

  2. o vitelo, queres uma eleição para cada posição no Governo? E ficarias satisfeito ou passarias a também querer votar cada acto de gestão da coisa pública?

  3. Participei outro dia num encontro nacional sobre os problemas dos idosos em Portugal e fiquei com uma ideia muito positiva desse senhor. Paulo Machado, de seu nome. Acredito nele, não acredito nos outros. Só não envio o texto para o «aspirinab» porque é algo extenso, foram dois dias num anfiteatro em Lisboa na Escola Superior de Comunicação Social ou algo parecido.

  4. Val, a tua ironia é de fraco efeito. Os agentes citados ainda não se revelaram plenamente.

    O Paulo Machado está fora das minhas considerações.

    O que seria importante para todos e para o sistema político, para que este não entre em colapso mais dia, menos dia, seria que os dirigentes da coisa pública fossem aferidos em eleições que revelassem a sua aptidão para o exercício. Não devem ser fruto da corrupção interna dos partidos. A escolha política com origem na legitimidade dos eleitores é muito superior à adquirida por servilismo.

    Só o presidente da república neste país é eleito por voto directo, daí a sua superior legitimidade política.

    Kapixe?

  5. valupi, penso que aquilo de que fala o vitelo é o facto de não elegermos directamente quem nos representa, mas um partido que distribui o pessoal pelos lugares disponíveis. podes ter a certeza de que em sistemas eleitorais como o inglês, por exemplo, os políticos eleitos são mais responsáveis pela sua acção no poder. as pessoas escrevem para o seu mp, que lhes responde, etc. e, caso a coisa corra mal, os eleitores sabem perfeitamente em quem não votar da próxima vez.

  6. Eu olho atónito para tudo isto.
    Já anteriormente comentei isto neste blog e penso que aconteceu o mesmo com a Edie.
    Eu estive como presidente, numa mesa de voto, nas últimas eleições, e não houve problema algum com a informação do novo número de eleitor. Foi tudo muito simples, a Junta de Freguesia tinha os cadernos eleitorais informatizados, como todas as outras, penso eu, e, sempre que alguém não sabia o seu novo número de eleitor, contactava com a Junta, que através do seu nome o identificava de imediato, fornecendo- o ao eleitor num cartão da própria Junta. Na minha mesa foram algumas dezenas de eleitores que esgotaram os tais cartões , recorrendo a Junta a fotocópias dos mesmos.
    Tudo isto me parece Kafkiano. Pede-se para se demitirem ministros, secretários, tanto alarido, deixa-me estupefacto toda esta falta de senso. Que País é este?

  7. “Tudo isto me parece kafkiano”.

    O que é que queria, jv? Deus chateado com os pedreiros de Babel? Não seja exigente. É assim que se entretem pessoas chamadas cidadãos: água-pé mais água-pé, post sim, post não, palhas-alhas e migalhas, e não tarda nada temos aí outro S. Martinho à porta com muitas castanholas.

  8. (susana, lembras-te do Yes Minister e do Yes Prime Minister? Apesar de serem caricaturas, e como tal exageradas, retratam bem o tal sistema inglês onde os funcionários de topo, que não são nomeados pelos partidos mas de carreira, acabam por ter tanto ou mais poder que os eleitos do Povo sem prestarem contas a ninguém)

  9. susana, entendeu muito bem o sentido do que ficou dito.

    Mas a Teresa vem afirmar que a famosa série de televisão “retrata bem o sistema inglês” onde em sua opinião os directores gerais tem mais poder do que os governantes eleitos.

    Assim parece. O que de facto se pretende retratar em quase todos os textos da série é que o profissionalismo e a manha podem conduzir a decisão em proveito próprio, i.e., que fique tudo na mesma para que a paz entre serviços rivais se mantenha. Usando e abusando da vaidade e dos interesses mal confessados ou ingénuos dos políticos. É esta a trama.

    A conclusão da Teresa é de que os funcionários teriam mais poder do que os eleitos e a ser assim mais vale que ninguém seja eleito. Está a ver o problema de um ângulo perverso e inútil.

    O sistema inglês impõe que só pode ser nomeado ministro quem for deputado, e estes não podem nomear os amigos, o seu staff já está estabelecido com o pessoal político que lhe fez as campanhas eleitorais.

    Na nossa administração pública nunca os directores gerais foram políticos, os tempos mudaram e o resultado está à vista.

  10. o vitelo, o colapso dos sistemas políticos é uma possibilidade que acompanha todos os sistemas políticos desde sempre. Mas tu revelas que já entraste em colapso político sem esperares pelo do sistema. Ora conta aí: que é isso da “corrupção interna dos partidos”?
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    susana, claro que se podem pensar alternativas que aumentem a proximidade entre eleitos e eleitores, seja lá o que isso queira dizer, mas não se conhecem democracias sem partidos. A distribuição que estes fazem dos cargos pelo seu pessoal não é apenas lógica, é bondosa.
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    jv, terá sido como relatas na enorme maioria dos casos, mas não é isso que está em causa. Para todos os efeitos, algo correu mal por influência directa da Administração. Como, de facto, com isso se prejudicou um acto eleitoral – num certo sentido, o mais importante pilar da República – não podemos abdicar do pleno esclarecimento.

  11. Val, tens muita razão já colapsei à muito com estes políticos. quem te pode dar umas lições da manteria e boy da pt., ou o advogado dele o filho do outro. Dorme bem e não colapses.

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