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Cineterapia

Martha Marcy May Marlene_Sean Durkin
Se o modo como um filme acaba for a chave do seu sentido, pressuposto inculto mas legítimo para começo de conversa, esta obra para sempre escapará a qualquer interpretação final posto que não tem fim. Sim, há um momento em que entra a ficha de produção, com muitos nomes, a que se segue a evidência de alguém ter desligado o projector e acendido as luzes. Aqui chegados, não será difícil constatar que os convivas de sessão já se dirigem para a saída, ou terão mesmo deixado aquele recinto indiferentes ao facto de o filme não ter acabado. Ficar ou partir perderá a sua natureza dilemática à medida que o tempo for passando e a limpeza da sala decorrer sem contemplações.
Não foi essa a minha experiência, sendo o único bípede implume presente à última sessão de um domingo. É dos maiores sinais exteriores de riqueza, chegar a um local onde nos espera uma sala de cinema em circunstância de exclusividade, guardada por vário pessoal auxiliar competente e solícito. Um punhado de euros, moeda em vias de extinção, oferece a ocasião de imaginar concretamente o que sentiam os produtores da extinta Hollywood do star system nessas horas de omnipotente fruição dos ecrãs onde criavam mundos, deuses e destinos. Grandes e espaçosas vidas, com um magnífico pé-direito a coroar as fontanelas.
Sean Durkin não tem uma história para contar, por isso não a poderia nunca terminar, mas deixa um estudo acerca de uma das mais destruidoras agressões que se podem fazer a um ser humano: a manipulação afectiva para efeitos de violação continuada e consentida. A violência maior não está na violação física ela própria, e seu caudal de subsequentes aviltamentos, mas no processo que leva à sua aceitação – e ao desejo para que se repita, agora simbolizando pertença, constituindo-se identidade. O segredo, como sempre, é o amor. Mas esse tipo de amor predador que vampiriza, que faz com que a vítima queira proteger o algoz e lute contra a esperança. Um tipo de amor que perverte a capacidade do outro amor, aquele que é fonte de liberdade, porque estilhaça a lucidez. Ter-se proposto a filmar tão evasivo e camaleónico assunto foi de valente.
Estar sozinho numa sala de cinema a ver um filme que reuniu um magote de gente para conseguir captar a ferida solidão da sua personagem principal é estar na melhor das companhias. Um espectacular happy ending.
Cavaquês, esse dialecto que muitos traduzem e ninguém entende
Cavaco tem ideias e mensagens para o povo, que o povo precisa bem mais de conhecer do que precisa de pão na mesa, mas infelizmente está rodeado de ignorantes que não falam o seu dialecto nativo. Também Ferreira Leite e Catroga são vítimas deste infortúnio, sofrendo com o baixo nível de alfabetização cavaquista em largas camadas da população. Daí a necessidade constante de tradução que as suas palavras suscitam. Vejamos alguns casos que têm aguardado descodificações oficiais pelos próceres do Cavaquistão:
Para ser mais honesto do que eu tem de nascer duas vezes
Tradução oficiosa:
Para receber mais pensões do que eu tem de nascer duas vezes; e, mesmo assim, duvido muito que consiga ganhar metade do que eu saco todos os meses.
É fundamental falar verdade aos portugueses
Tradução oficiosa:
Haja alguém que fale verdade aos portugueses, chiça, que eu não tenho tempo nem pachorra.
Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos
Tradução oficiosa:
Há limites para os sacrifícios, é provável, mas não sabemos quais são e eu desconfio que com um Governo à maneira, cá da malta, esses limites seriam levados para além do limite num instantinho, olarila!
Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático.
Tradução oficiosa:
Muitos dos nossos agentes políticos são tão burros e alienados que até são capazes de usarem o país virtual e mediático para se queixarem ao país real de não poderem pagar as despesas pessoais mesmo que recebam 10 mil euros por mês, tenham palácio, comezainas, popós de luxo e roupa lavada à custa dos impostos do real país e ainda viajem pelo Mundo com todas as despesas pagas nas melhores pensões e casas de pasto para si e para quem quiserem convidar.
Ser socrático compensa
Não se sabe quem representa a opinião da direita partidária nestes dias de pote lambuzado, mas a arraia-miúda dos direitolas engole o que lhe aparece à frente com a sofreguidão costumeira, mesmo quando tais substâncias provocam graves desarranjos na inteligência.
Foi assim dito que o pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento era uma revolta na Bounty orquestrada pelos deputados socráticos para molestarem a direcção do PS, nomeadamente Seguro e Zorrinho. A inércia do simplismo e a excitação de poder continuar a falar de Sócrates davam as mãos e partiam aos saltinhos pelo jardim da boçalidade. Teríamos então que o socratismo parlamentar seria representado por Rui Santos, Glória Araújo, Eduardo Cabrita e a independente, e constitucionalista, Isabel Moreira, por exemplo. Pouco importava o que estes deputados pensassem a respeito do anterior ciclo governativo, passavam a representantes de Sócrates porque teriam ousado divergir das opções de Seguro. Pouco importava que a iniciativa dependesse da colaboração de Louçã, inimigo figadal do mafarrico. Acima e antes de tudo, pouco importava que estes deputados fossem deputados, representantes de um dever de consciência em nome do Soberano. O maniqueísmo é apanágio dos fanáticos e dos broncos, e eles nunca se cansam de o comprovar.
Acontece que nem Pedro Silva Pereira, que não subscreve o pedido, nem Augusto Santos Silva, que o repudiou publicamente, surgem nestes terrenos. Haverá personalidades supostamente mais socráticas do que esta dupla, a qual era o núcleo duro do Gabinete que andou a espiar Cavaco na Madeira, em Belém, nos seus emails, e se calhar até nos seus sonhos, e que obrigou o Rei de Espanha a tentar calar Moura Guedes e depois, não contente com a demora espanhola, deu ordens à PT para asfixiar Portugal assim que tivesse uma aberta no mercado das telecomunicações, entre outras perfídias, muitas utilizando técnicas dos mais secretos dos serviços secretos mundiais, as quais o Pacheco Pereira de imediato topou, denunciou e nelas chafurdou? Há aqui uma grande confusão, a menos que o socratismo em versão socialista, afinal, não passe dos justificadíssimos arroubos de Paulo Campos perante matérias ideológicas mais salientes.
O socratismo, porém, existe. Isso é inegável. Não há santo dia em que ele deixe de se fazer presente no nosso quotidiano. Basta ler jornais, ver televisão, ouvir rádio. Alguns dos mais ferrenhos socráticos trabalham ou sacam cheques no Correio da Manhã e no DN, na SIC e na TVI. Pelo que temos de reconhecer que compensa ser socrático, ficando só a faltar a profissionalização dessa actividade geradora de tanta riqueza.
Nunca se viu, nem se voltará a ver, um descoco deste calibre no mais alto cargo do Estado
Impressionar com uma reforma, brilhar com duas reformas, seduzir com três ou mais reformas
Imagine That: How You Envision Others Says a Lot About You in Real Life
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Large and in Charge: Powerful People Overestimate Their Own Height
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Gossip Can Have Social and Psychological Benefits
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Cognitive Benefit For Older Adults From ‘Exergames’
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Study Finds Good Intentions Ease Pain, Add To Pleasure
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iPad a Solid Education Tool, Study Reports
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Group Settings Can Diminish Expressions of Intelligence
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Sleep Vs. Cuddling: Study Looks at What Happens After Sex
Até tu, Expresso?
A reportagem que o Expresso publicou acerca da vida de Sócrates em Paris deve ser lida pelo maior número de portugueses, mas de preferência usando um exemplar do vizinho, ou do café, ou mesmo esperar que apareça num caixote de lixo e sacá-lo com luvas de borracha e pinças. Acabo de dar 3 euros pela coisa e sei que carregarei este prejuízo durante anos na consciência. Deve ser lida porque não estamos apenas a lidar com um infeliz chamado Daniel Ribeiro, autor da prosa, sendo que ele é quem tem menos responsabilidade na peça – o superior interesse vem dos nomes da direcção do jornal, com Ricardo Costa à cabeça, e do proprietário, Francisco Balsemão. Seria a estes dois que se pediriam responsabilidades, caso existisse imprensa em Portugal.
Colocando de lado os aspectos de factual indigência mental do articulista, tanto ao nível da qualidade da escrita como do aparato intelectual, o que pode justificar que o artigo seja do princípio ao fim um exercício difamatório? Fosse o que fosse que Ricardo Costa e Pinto Balsemão respondessem – se calhar, invocando o interesse do público pela sujidade alheia, especialmente aquela que se deixa como insinuação sem possibilidade de ser desmontada, ou declarando que, como se trata de Sócrates, vale tudo e quanto pior melhor – as respostas seriam inevitavelmente um testemunho íntimo a respeito da sua concepção do jornalismo, a respeito da sua deontologia, a respeito do respeito por si próprios.
Conceberem o Expresso como se fosse o Correio da Manhã, algo que o DN também tem vindo a fazer à sua difusa e manhosa maneira e que o Sol do pequeno arquitecto, o Público do Zé Manel “Escutas” Fernandes, a TVI do casal Moniz e a SIC do António José Teixeira, do Crespo e do José Gomes Ferreira igualmente fizeram e fazem, transporta consequências que se reflectem tanto na história da nossa comunicação social como na salubridade do espaço público. Uma sociedade onde deixa de existir uma imprensa de referência está em sérios apuros.
Por vezes, a estupidez tem remédio
O objectivo essencial é, explica Miguel Ferreira, “recuperar a qualidade da água”. Para o conseguir têm sido desenvolvidas desde 2008 diversas acções integradas. Assim, metade dos terrenos agrícolas que constituíam o maior risco de escorrência de nutrientes para a lagoa – basicamente, utilizados em agro-pecuária intensiva – foi adquirida pelo Governo dos Açores. Em seguida, teve início a alteração das utilizações tradicionais dos solos, com o combate a espécies infestantes mais comuns, como o silvado, a conteira ou o incenso.Durante quase um ano, recorda o gestor, foram também removidos da lagoa toneladas de resíduos poluentes – pneus, plásticos de silagens, embalagens, arames farpados, ferro velho e até viaturas – para ali lançados durante décadas.
Outra preocupação foi contrariar os fenómenos de erosão causada pela acção das águas. Esse fenómeno é bem visível nas profundas valas abertas nas encostas. Depois de limpos, foram plantadas nos rasgões plantas de espécies nativas, cujas raízes ajudam a fixar o solo arável, reduzindo, assim, a sua perda. Nos antigos terrenos de pastagens foram introduzidas leguminosas que fixam e disponibilizam azoto, aumentando a produtividade dos solos sem recurso a fertilizantes químicos. A exuberância dos campos contrasta hoje com a desolação de outrora nos terrenos enlameados.
As áreas adquiridas permitiram também o desenvolvimento de outras pequenas experiências num “laboratório de paisagem”, apresentado como “uma alternativa às vacas e às criptomérias”. Inclui, entre outras iniciativas, o estudo do potencial de espécies arbóreas para a produção de energia; a análise dos pólenes no solo para descobrir a flora das Furnas anterior à colonização; uma rede de arboretos para estudar as alterações climáticas e seus impactos no sector florestal; reflorestamentos para criar uma paisagem florestal variada; um antigo pomar de maçãs replantado nas Furnas; e uma colecção de vimes na margem de uma ribeira, que ajudem a identificar modelos sustentáveis de gestão do território.
Lagoa das Furnas está melhor, mas qualidade da água vai continuar má durante anos
O cavaquismo continua a mandar nisto tudo, explica um famoso professor
Já sobre o primeiro ano do segundo mandato de Cavaco Silva em Belém, Marcelo discordou “dos que dizem que Cavaco fala, fala e não faz”.
O ex-líder do PSD lembrou que o Presidente da República “deu um tiro no Governo de Sócrates” no discurso de tomada de posse; “apoiou o plano de troika”; “deu a mão a Seguro e à UGT” nas conversações com o Governo” e “patrocinou o acordo da concertação social”.
Uma elite de carniceiros
Andamos desde a hilariante passagem de Menezes pela liderança do PSD a ouvir ininterruptas barbaridades das figuras gradas da direita partidária, uma torrente imparável de afirmações grotescas que expõem a decadência intelectual de uma elite que chega aos seus 50, 60 e 70 anos a conseguir condicionar o rumo da política nacional sem qualquer projecto que tenha sido validado nas urnas.
Prometeram o ginásio, a dieta, o spa. Mas onde realmente nos queriam meter era nos trabalhos forçados, no bloco operatório, no talho.
Será desta?
Ter deixado de executar plenamente as suas funções presidenciais para proteger Dias Loureiro não chegou. Ter mentido a respeito da sua ligação ao BPN não chegou. Ter alinhado estratégias com um partido político para fazer oposição ao Governo não chegou. Ter usado os Açores para provocar um clima de alarme social contra governantes não chegou. Ter sido a eminência parda de uma golpada político-jornalística com a finalidade de perverter actos eleitorais não chegou. Ter insultado todos os candidatos presidenciais no discurso de vitória não chegou. Ter ido ao Parlamento numa ocasião solene para instigar à queda do Executivo não chegou. Ter feito tudo ao seu alcance para que o PEC IV fosse chumbado não chegou. Ter opiniões radicalmente contrárias dependendo de quem esteja no poder não chegou.
Talvez agora, por causa de 1300 euros, chegue. Chegue para ser vaiado pelos portugueses que tiverem o azar de se cruzarem com este miserável Presidente da República na rua.
Serious ass kissing
Era incontornável: Pedro Passos Coelho abriu o debate quinzenal com o tema que dominou esta semana – o acordo da concertação social – e distribuiu agradecimentos aos empresários e às organizações sindicais. Reservou, porém, um especial agradecimento para o Presidente da República, que “teve uma discreta mas importante intervenção” para que o Governo “tivesse conseguido alcançar este acordo”.
Leões no circo
Bojinov suspenso preventivamente e impedido de frequentar instalações
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Não podia ter corrido pior a Domingos o ataque à outrance que fez antes do jogo circense contra o Moreirense. Chegou ao ponto de lembrar um facto assassino para o orgulho leonino:
Em 30 anos, o Sporting ganhou três títulos e nos últimos oito ganhou um campeonato e uma Taça de Portugal.
Juntando esta atitude de confronto acintoso com a novidade de ter arranjado inimigos de estimação pelo lado do João Braga, um dos barões do clube, nem sequer a conclusão da sua 1ª época está garantida.
‘Pera, hoje é mesmo dia de bater no Cavaco, mas ontem também foi e amanhã será
Não vale a pena recriminar as agências de rating, o que nós devemos fazer é o nosso trabalho para depender cada vez menos das necessidades de financiamento externo.
Surpreendo-me como 27 chefes de Estado e do Governo se deixam condicionar politicamente por agências de rating e aceitam mesmo alguma chantagem de natureza política feita por agências de rating.
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*CS – Com Sócrates
**SS – Sem Sócrates
Bacoradas 2011 – Vencedores
1º
“Abstenção do PS vai ser violenta mas construtiva”
SEGURO 11.79% (54 votos)
2º
“Rejeitar o PEC IV é o princípio da saída da crise”
LOUÇÃ 10.48% (48 votos)
3º
“Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate”
PASSOS 8.08% (37 votos)
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Este foi o inquérito com a maior participação de sempre – 458 votos no total, o que deve corresponder, pelas minhas contas, a cerca de 40 bravos que votaram 10 ou 11 vezes cada – e continuará aberto à votação até que o Sporting seja campeão ou que Relvas decida vender a Internet a uns compadres, o que acontecer primeiro. Todavia, estes são os resultados que a História irá registar e debater profusamente. Da minha parte, quero enaltecer a sageza, a justiça, de tais escolhas. Repare-se:
– No pódio, mas remetido ao desprezo possível, temos Passos Coelho e sua citrina honestidade intelectual. Presidente de um partido cujo programa político, de 2008 a 2011, consistiu essencialmente em repetir que o primeiro-ministro era mentiroso, irresponsável, corrupto e criminoso – igualmente o sendo qualquer outro indivíduo que com esse patife tivesse alguma ligação, fosse no Governo, no partido ou na sociedade, no presente, no passado ou no futuro; e nem sequer os filhos de Sócrates escapando às ofensas odiosas pela boca suja do braço-direito de Passos e actual Ministro dos Assuntos – fez a campanha eleitoral mais desvairadamente tratante de que há memória. Contudo, e pelos vistos, grande parte dos portugueses está a gostar do achincalho recebido, o que fica como uma aprendizagem inestimável para aqueles que não estejam de malas feitas para emigrar.
– Encafuado no segundo lugar, encontramos uma imbecilidade de Louçã. Este frase diz tudo acerca do estado de alucinação que rege as suas decisões políticas. Não admira, pois, que este seja o mesmo crânio que levou o BE para a triste figura de ser gozado pelo PCP aquando da moção de censura, e para o trágico desfecho de querer atacar o PS manipulando as fragilidades de Alegre, o que acabou por ser um decisivo factor para a reeleição de Cavaco e de tudo o que se lhe seguiu. Louçã, de resto, rivaliza com Jardim e Cavaco quanto à duração da sua liderança política, a qual está indelevelmente marcada pelo completo desperdício dos resultados obtidos em 2009, altura em que ultrapassou o PCP em mandatos parlamentares. O facto de, ao longo dos anos, ter perdido a alegria que prometia ser o tal pauzinho na engrenagem e se ter reduzido aos discursos moralistas, e às ambições megalómanas de vir a chefiar uma esquizóide esquerda grande, não é um acaso, pois não?
– E o grande vencedor é Seguro, com uma expressão que lhe assenta que nem uma luva. Porque ele não é outra coisa a não ser essa patareca abstenção violenta. Foi assim o seu percurso até chegar a Secretário-Geral, onde toda a eloquência estava concentrada nos seus silêncios e cada ambiguidade era uma explosão de violência. A sua relação disfuncional com o PS, vendo na instituição apenas o veículo da sua carreira, é o que explica as extraordinárias cenas protagonizadas no aplauso a Cavaco aquando do comício da tomada de posse, o frenesim da cobiça no sobe e desce do elevador do Altis em cima do anúncio da demissão de Sócrates, a perseguição aos seus camaradas por suspeitas de corrupção e o inominável apagamento de qualquer referência ao anterior ciclo governativo e ao modo como foi interrompido. É irónico, e fatal, que quem anda maniacamente a exigir transparência a tudo e a todos seja o político mais opaco que já passou pela liderança do PS. Eis um sarilho que diz respeito, em primeiro lugar, aos militantes e simpatizantes socialistas, mas que para o cidadão apaixonado pela política – e dado o PS ser o principal esteio do regime democrático – é fonte de graves inquietações.
Já não é bem um jornal, transformou-se no pasquim do laranjal
Pastéis de nata & pastéis de Belém
O primeiro-ministro afirmou hoje que o Presidente da República “teve uma intervenção importante” para o acordo alcançado entre o Governo e os parceiros sociais, que considerou ser “um marco decisivo” na história de Portugal.
Ah, leão!
Domingos será muito feliz no Porto daqui por alguns anos – ou meses… – disso não há qualquer dúvida, mas, entretanto, estas declarações são de leão:
Domingos Paciência arrasador: «Há muito a mudar para que o Sporting volte a vencer»
Os próximos jogos revelarão se estamos perante um leão no circo ou na selva.
4 anos é muito tempo
Vamos ter de levar com Cavaco, Passos, Portas e Seguro durante mais 4 anos, pelo menos. E talvez também com Jerónimo e Louçã, de quem não se antecipa qualquer sucessor tão cedo. Quer isso dizer que nada de novo há a esperar das lamentáveis personagens que ocupam o palco principal da política portuguesa.
Acho que o melhor é começarmos a pensar no que vamos fazer para não embrutecermos ou fliparmos.
Responsabilidade, um bicharoco em vias de extinção
Questionado sobre a atuação do atual Governo e à forma como Vítor Gaspar está a enfrentar a crise, Fernando Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças, afirmou: “Tenho de estar solidário com aqueles que pretendem cumprir este caderno de encargos”.
Numa conferência que decorreu no Porto, o ex-ministro das Finanças acrescentou que Portugal está a cumprir os compromissos que assinou com a troika e que as coisas “não seriam muito diferentes se ainda estivesse a governar”.
“Fiz a negociação com a troika e pus a minha assinatura num conjunto de medidas que acordei e que este Governo está a procurar implementar. Temos um caderno de encargos para o país e está a ser cumprido.”