Por vezes, a estupidez tem remédio


O objectivo essencial é, explica Miguel Ferreira, “recuperar a qualidade da água”. Para o conseguir têm sido desenvolvidas desde 2008 diversas acções integradas. Assim, metade dos terrenos agrícolas que constituíam o maior risco de escorrência de nutrientes para a lagoa – basicamente, utilizados em agro-pecuária intensiva – foi adquirida pelo Governo dos Açores. Em seguida, teve início a alteração das utilizações tradicionais dos solos, com o combate a espécies infestantes mais comuns, como o silvado, a conteira ou o incenso.

Durante quase um ano, recorda o gestor, foram também removidos da lagoa toneladas de resíduos poluentes – pneus, plásticos de silagens, embalagens, arames farpados, ferro velho e até viaturas – para ali lançados durante décadas.

Outra preocupação foi contrariar os fenómenos de erosão causada pela acção das águas. Esse fenómeno é bem visível nas profundas valas abertas nas encostas. Depois de limpos, foram plantadas nos rasgões plantas de espécies nativas, cujas raízes ajudam a fixar o solo arável, reduzindo, assim, a sua perda. Nos antigos terrenos de pastagens foram introduzidas leguminosas que fixam e disponibilizam azoto, aumentando a produtividade dos solos sem recurso a fertilizantes químicos. A exuberância dos campos contrasta hoje com a desolação de outrora nos terrenos enlameados.

As áreas adquiridas permitiram também o desenvolvimento de outras pequenas experiências num “laboratório de paisagem”, apresentado como “uma alternativa às vacas e às criptomérias”. Inclui, entre outras iniciativas, o estudo do potencial de espécies arbóreas para a produção de energia; a análise dos pólenes no solo para descobrir a flora das Furnas anterior à colonização; uma rede de arboretos para estudar as alterações climáticas e seus impactos no sector florestal; reflorestamentos para criar uma paisagem florestal variada; um antigo pomar de maçãs replantado nas Furnas; e uma colecção de vimes na margem de uma ribeira, que ajudem a identificar modelos sustentáveis de gestão do território.

Lagoa das Furnas está melhor, mas qualidade da água vai continuar má durante anos

3 thoughts on “Por vezes, a estupidez tem remédio”

  1. A candidata do PSD às próximas eleições regionais, já elogiou(noutros tempos) por diversas vezes as políticas de AJJardim…

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