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E a SEDES, pá?

As saudades que eu tenho de uma Tomada de Posição da SEDES, camandro. Quem pode esquecer os dias negros que vivíamos em Fevereiro de 2008, altura em que vimos actos extraordinários de heroísmo que levaram os sábios da SEDES a arriscarem a reputação, os bens e até a saúde para alertarem o povo dos perigos que o cercavam. Recordemos:

1) UM DIFUSO MAL-ESTAR
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.

Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.

2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO

Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.

É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.

5) APELO DA SEDES

O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.

Fonte

Pois é, 2008, um ano terrível que mal tinha começado, o que implica um 2007 igualmente maligno e um 2006 para esquecer. Felizmente, pudemos contar com a inteligência, a dignidade e a coragem da SEDES, porque senão tínhamos sido completamente destruídos pelos malandros dos socialistas. Ufa, que alívio estar tão longe desses horríveis e miseráveis tempos. Agora é uma maravilha, a gente séria manda nisto e tudo o que faz é para o nosso bem, para o bem da nossa grande Nação. Mas lá que dá uma saudade tramada de ler uma merda qualquer da SEDES, lá isso dá…

Guerra dos laranjas

Depois de muito investigar, muitíssimo, consegui descobrir um período histórico com uma semelhança prodigiosa com aquele que vivemos. É o que ocorre no final do século XVIII e entra no começo do XIX, quando D. Maria I é considerada doente mental por declaração assinada de 17 médicos. D. João VI passa a regente, só para se mostrar tão inepto que se pensava poder sofrer da mesma patologia de sua mãe. Essa crise governativa – também explicada pela crise europeia – gerou um vazio de poder onde a figura do Conselho de Estado foi utilizada para depositar na mão de alguns nobres as competências que o regente não conseguia exercer. E como é que tudo isso acabou? De várias formas, claro, e uma delas, que nos persegue até hoje, é o episódio da Guerra das Laranjas, onde Portugal perde Olivença para a Espanha.

Em 2013, temos uma Europa em conflitos intestinos, um Presidente da República pírulas, um Primeiro-Ministro inane e os laranjas em guerra contra o seu próprio país. Um cópia exacta do que aconteceu há duzentos anos, mutatis mutandis. Mas quem nos dera que desta nova desgraça apenas se perdesse um pedacito de terreno, em vez dos milhões de vítimas que já se contam em dois anos de além-Troika.

Revolution through evolution

Raising Adopted Children: How Parents Cooperate Matters More Than Gay or Straight
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Egg Donation in European Clinics: Why Do Women Do It?
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What Warring Couples Want: Power, Not Apologies, Study Shows
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Put mental health on timetable, schools urged
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Revolutionizing Economics by Evolutionizing It
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Why Some People Spend More Impulsively During Tough Economic Times
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What Will the Future Hold for Cyborgs, the Fusion of Humans and Machines?

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O Presidente marginal

Esta questão passou muito rapidamente para o plano dos partidos e da Assembleia da República. Pela forma como o programa foi apresentado, pela falta de informação, pelas declarações que foram feitas quase nas primeiras horas ou até nos primeiros dias, tudo isso reduziu substancialmente a margem de manobra de um presidente da república atuar preventivamente.

Cavaco, vésperas do chumbo do PEC 4

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“Temos que garantir que este défice vai ser reduzido. E isso exige acção e medidas. A crise provou desequilíbrio nas contas públicas. Não podemos continuar a gastar mais ou 10 por cento do que aquilo que produzimos. Temos que poupar e gastar menos”.

“Precisamos de medidas que melhorem receitas e reduzam despesa. Tenho consciência do que estamos a exigir aos portugueses. Não foi de ânimo leve. Mas entendo que estas medidas podem ajudar o País a ultrapassar dificuldades. O País tem que prosseguir com este ajustamento. Sem ele comprometemos o futuro. Se reprovar o PEC não afasta a necessidade de sacrifícios, qual é o sentido de responsabilidade daqueles que vão colocar o País com mais sacrifícios para os portugueses?”

“O País merece que façamos este esforço. Precisa de um amplo entendimento político. Se não o alcançarmos agora, será necessário no futuro. A crispação de agora põe em risco a capacidade de nos entendermos no futuro”.

Teixeira dos Santos, Parlamento, 23 de Março de 2011

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Esta questão passou muito rapidamente para o plano dos partidos e da Assembleia da República. Pela forma como o programa foi apresentado, pela falta de informação, pelas declarações que foram feitas quase nas primeiras horas ou até nos primeiros dias, tudo isso reduziu substancialmente a margem de manobra de um presidente da república atuar preventivamente.

Cavaco, vésperas do chumbo do PEC 4

Do nascimento

Na semana em que terminou décadas de magistratura, o ex-presidente do STJ disse também que se as escutas a José Sócrates tivessem sido conhecidas «acabava-se o romance».

«Estou convencido que ainda há cópias por aí. Agora penso que ninguém tem coragem de publicar as cópias por duas razões: primeiro porque há uma ordem do tribunal e isso poderia corresponder a um crime; e depois porque se acabava o romance», considerou Noronha do Nascimento.

2013-06-23

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Em várias ocasiões ouvimos Noronha do Nascimento a declarar a completa irrelevância judicial das conversas privadas captadas em Aveiro a um primeiro-ministro, operação que ocorreu nas vésperas de actos eleitorais e que serviu de arma política para campanhas negras e assassinatos de carácter. Pinto Monteiro também mediaticamente se pronunciou no mesmo sentido. E as declarações de ambos apenas explicitam simplificadamente o teor das decisões que ambos tomaram a respeito do caso adentro das suas responsabilidades públicas ao tempo. Conclusão: duas das mais importantes figuras da Justiça portuguesa afiançam que Sócrates – líder do Governo e líder do partido maioritário – foi alvo de espionagem com vista ao seu derrube político através da calúnia.

Mas há mais. Perante as notícias que dão conta da existência de um número indeterminado de cópias das escutas a circularem nos bastidores do sistema judicial, pelo menos por lá, e assim violando a ordem para a sua destruição, Noronha avança com um golpe de judo: se existem e não são reveladas, então é porque nada nelas existe que interesse revelar. Este argumento tem validade no plano da mera lógica de um combate político onde vale tudo, porém corresponde igualmente a um reconhecimento de que o Estado de direito está tomado por poderes fácticos tenebrosos, poderes esses que residem na própria Justiça. Um dos corolários desta admissão é o reconhecimento da fragilidade da democracia perante a perversão dos magistrados.

Sendo esta a realidade, e a realidade é exactamente esta, como explicar o imobilismo da sociedade perante um evidente processo de golpada judicial-mediática protagonizado por figuras próximas e ligadas ao PSD e ao CDS? Múltiplas serão as hipóteses, desde a cegueira tribal que diaboliza os adversários até uma cidadania incipiente num país moldado pelo analfabetismo, pobreza e iliteracia, passando pelo racismo ideológico do PCP e BE que se limitaram a ver de sorriso rasgado Sócrates e o PS a serem esmagados pelo aparelho conspirativo da direita portuguesa. Este caldo de contrastantes populismos exibiu uma geração de políticos que não consegue conceber um destino comum que ultrapasse as dinâmicas e violências da guerra civil.

Recusar este tipo de políticos não equivale a recusar a política – será absolutamente ao contrário.

Tudo o que é prometido deve ser explicado, isso sim

010720131535-607-SededecampanhaBESerpa

Esta peça está actualmente em exibição numa rua perto de si. Oferece uma das mais poderosas mensagens que me lembro de ler num cartaz político. É a revelação do segredo para a devolução de bens roubados: elegermos um Governo de esquerda.

O texto não diz o que é um Governo de esquerda. Talvez porque não tivessem espaço para o descrever, talvez porque essa entidade só seja concebível no plano da imaginação, talvez porque os autores também ignorem em que consiste. Quanto à promessa, a situação é ambivalente. Por um lado, garante-se que a totalidade dos furtos será devolvida. Por outro lado, não se indica a partir de que data estão a preparar a recuperação. Será a partir de Janeiro de 2012? De Julho de 2011? Meados de 2010? Mais para trás? Muito mais para trás? Aliás, estará o BE em condições de identificar um período histórico em que não se tenha registado um qualquer tipo de roubo desses que garante poder ressarcir?

Estamos perante um compromisso maximalista. O que importa pensar de seguida é neste enigma: a indiferença com que a mensagem é recebida pelo público a quem se dirige. Essa apatia desafia a racionalidade. Dir-se-ia, apenas carecendo de fazer uso do senso comum, que uma legião de espoliados sairia debaixo das pedras e entraria em convulsão com a promessa. Mas não só nada desse transe se observa como até não há qualquer sinal de que alguém esteja interessado em gastar duas calorias a discutir a estupenda propaganda. Existirá uma conspiração imperialista que esteja a impedir o contacto entre estes cartazes e as vítimas?

Imaginemos que Belmiro de Azevedo pedia emprestada uma das posições ao BE para colar um novo cartaz. E que num desses suportes, apenas num deles, pespegava com a informação de que ia dar 1 milhão de euros a quem lhe mandasse um email com a melhor justificação para ficar com esse dinheiro. Quanto tempo passaria até essa mensagem chegar à comunicação social e se tornar um assunto falado por toda a gente sem excepção durante semanas? Provavelmente, horas. Poucas. Contudo, a mensagem relativa à entrega de dezenas, centenas ou milhares de milhões de euros – e ainda de direitos e privilégios – aos portugueses permanece incapaz de gerar um solitário SMS entre ministros deste Governo.

O que o caso comprova, por indução, é a realidade de uma inteligência colectiva. Ninguém dá atenção ao que não passa de uma patranha demasiado tosca para sequer animar os tolinhos. Essa inanidade, paradoxalmente, protege os dirigentes do BE que, suspeita-se, terão algures aprovado a peça. É que nem a um jornalista têm de apresentar um laivo de explicações acerca do que se está a ali a agitar, quanto mais ter de demonstrar a viabilidade da retórica. Catarina Martins e João Semedo, com a vantagem de terem o dobro dos neurónios das convencionais lideranças partidárias, seriam incapazes de evitar o ridículo perante o desafio de mostrarem ao eleitorado que é possível introduzir responsabilidade numa proposta que nos trata a todos como imbecis.

Não se sabe o que é um Governo de esquerda para o BE, mas é por estas e por outras que esse sonho lindo continua a ser uma miragem para entreter sectários.

True

The loss of a Democratic opposition to the framework of counterterrorism policy has been one of the most notable aspects of Obama’s term in office. Although Obama ran in 2008 as a candidate who would change the way the government conducted its business and restore a better balance with civil liberties, it has not turned out that way. Obama has barely dismantled any of the Bush programs, and sometimes even expanded their reach in the use of drone strikes and the targeting of American citizens. He has also undertaken an aggressive posture toward those who criticize his program.

Equally notable has been how silent many liberals, who once railed against Bush for similar activities, have become in recent years. Whenever Obama has encountered conservative pushback for minor efforts to change national security operations, there has been little pressure from liberals for him to move in a different direction. If there was any moment when liberals might use a scandal to pressure the president into reforms, this was it. But there is little evidence that this will happen.

Where is the outrage? Where has the Democratic opposition gone? Part of the story simply has to do with political hypocrisy.

The NSA spies and Democrats look away

Existem, e em proporções iguais na esquerda e na direita

Ninguém estava à espera que Gaspar fugisse antes do final do resgate, ninguém estava à espera que Portas saísse-sem-sair do Governo e muito menos do modo ignóbil como o fez, ninguém estava à espera que Passos se revelasse tão disfuncional e tão frouxo na chefia da coligação e do Executivo, ninguém estava à espera que Passos e Portas tratassem Portugal como se fosse a tal empresa a que querem reduzir o Estado e a comunidade.

Essa ingenuidade é traumática, causando forte confusão e estados depressivos. Há uma genuína dificuldade em verbalizar com fluência o que se pensa e sente precisamente porque não é claro o que se sente e pensa. Eis um notável sintoma da gravidade do que esta direita decadente faz ao regime democrático.

Porém, há um simétrico que tem de ser erguido o mais alto possível: a nossa dor é a inegável prova de que queremos outro tipo de portugueses na condução do nosso destino comum. Os portugueses que queremos no poder são aqueles que tenham sentido de Estado, decência, prudência, inteligência e coragem. Estes portugueses existem. E identificam-se facilmente, pois são aqueles que se encontram para lá de indignados: estão, nesta fase, colossalmente envergonhados por causa da miséria política, intelectual e ética que ocupa as lideranças do PSD, do CDS e da Presidência da República.

Partamos para a fase seguinte.

Revolution through evolution

Happily Married Means a Healthier Ever After
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Women’s true maths skills unlocked by pretending to be someone else
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The Advantages of Not Saying You Are Sorry
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Climate Change Deniers Using Dirty Tricks from ‘Tobacco Wars’
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How Financial Markets Are Susceptible to Psychological Factors
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Low Self-Control Promotes Selfless Behavior In Close Relationships
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Place Matters in Analyzing Students’ Performance

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Tradução do comunicado de Passos Coelho

* Não fomos nós que trouxemos a Troika para Portugal – apenas nos limitámos a boicotar qualquer outra alternativa.

* Os enormes sacrifícios que impusemos à doida aos portugueses não devem ser desperdiçados – já basta termos desperdiçado o sentido desses sacrifícios.

* Se a estabilidade não for garantida por nós vem aí o fim do mundo – mais vale prolongarmos, então, o actual inferno.

* Tínhamos um primeiro-ministro muito inteligente, chamado Gaspar, mas, infelizmente, sujaram-lhe um casaco e ele teve de abandonar o Governo – vamos agora entregar o País a um outro primeiro-ministro não menos inteligente, chamado Portas, o qual já mandou fazer uns 10 casacos novos para se aguentar irrevogavelmente contra todas as escarretas que sejam enviadas na sua direcção.

Adam Smith, esse socialista

Não sabemos quem representa o liberalismo em Portugal. Costumávamos saber quem representava a social-democracia, bastando começar a contar a partir de Sá Carneiro e Soares mais os respectivos sucessores, mas agora até essa tarefa está em risco. Isto porque apareceu Passos Coelho, presidente do Partido Social Democrata, o qual se definiu assim:

Sou um reformista e sou um liberal, não sou de direita nem sou de esquerda, acredito nas pessoas e na sua iniciativa e acredito que são as empresas que criam riqueza, que criam emprego e que criam valor, não é o Estado que cria riqueza e que cria valor.

Fonte

Ora, este magnífico liberal tem vindo a aplicar as suas magníficas ideias na condução do nosso destino. Dois anos depois da injecção do seu especial tipo de liberalismo pelas costas do incauto País, já podemos avaliar as consequências da sua fé nas pessoas e nas empresas. É algo verdadeiramente espectacular. Verdadeiramente. Espectacular.

Tais resultados levam-nos para a ingrata suspeita de Passos estar um bocadinho equivocado a respeito do que é ou pretende ser. Mas essa dificuldade não nos deve travar a curiosidade. Onde encontrar os liberais portugueses? Sem dúvida que existem abundantes registos a respeito de termos um Governo que liberalizou a asneira para níveis desconhecidos até da 1ª República e da dinastia de Bragança, mas esse critério não nos ajuda na investigação. Estará o liberalismo português personificado no percurso político-empresarial e obra académica do dr. Relvas? Eis uma pista interessante. Ou será o liberalismo lusitano algo que se observa em pleno no caso BPN, uma história de circulação livre de capitais como não se conhece outra por cá e que continua a deixar quase todos os seus intervenientes no gozo de uma mui merecida liberdade? Eis uma pista a explorar. Para mim, satisfaço a inquietação com a possibilidade de serem Carlos Abreu Amorim e Helena Matos as faces da liderança teórica e militante do liberalismo à moda da casa. Que nunca lhes falte o entusiasmo.

O liberalismo português tem consistido na repetição maníaca de um punhado de dogmas que até um taxista – ou, preferencialmente, um taxista – percebe, entende, compreende e está em condições óptimas para divulgar entre duas bandeiradas. São eles:

– Quem não é liberal é socialista.

– O socialismo é vício/doença/crime e consiste em criar e manter Estados.

– Todo o ser humano, quando nasce, tem direito à sua empresa ou aglomerado de empresas.

– O Estado Novo não prestava e o 25 de Abril também não presta; aliás, nada presta para nada.

– É possível salvarmo-nos: basta que a população aceite abdicar do emprego, da saúde, da educação, da segurança, dos transportes, do conforto, do lazer, da alimentação, da dignidade e da esperança.

Sendo este o retrato dos nossos bravos liberais, colhe perguntar se conhecem Adam Smith. Em 5 de Junho passado celebraram-se os 290 anos do seu nascimento, pelo que tal distância poderá estar na origem do seu esquecimento no território nacional. Mas o facto é que ele escreveu um livro que obteve alguma fama; o qual é demasiado chato e comprido para os hábitos de leitura contemporâneos, admite-se, mas que pode ser digerido aos bocadinhos como se fosse uma perna de presunto. É o caso da fatia que sirvo aos liberais portugueses, desejando-lhes bom proveito. Nela encontramos aquele que começou por ser professor de moral a descrever um mecanismo do capitalismo que não só não perdeu um nanosegundo de actualidade como é a explicação insuperável da crise que rebentou em 2008 na liberal América. O TPC consiste em desmontar as falácias que Adam Smith despeja do alto do seu abjecto socialismo. Mãos à obra!

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Quanto é que os franceses pagaram ao Gaspar por este biscate?

De acordo com notícia anunciada pelo canal francês de meteorologia, o Verão de 2013 poderá ser o mais frio dos últimos dois séculos.

Segundo as previsões do canal francês «Meteo», há 70% de probabilidade de haver uma ausência total de Verão na Europa Ocidental, causado por um inverno longo que levou a um arrefecimento do mar e também à fraca actividade solar durante vários meses.

Assim, ao contrário do que costuma acontecer, os meses mais quentes não serão Julho e Agosto, em que haverá períodos de calor mas serão de curta duração e serão precedidos por precipitação até ao final de Agosto.

A melhor altura para desfrutar de calor será os meses de Setembro e Outubro.

28 de Maio

Ruínas e arbustos

O plano de austeridade de José Sócrates foi feito para responder às mudanças do mundo na semana de 7 de Maio, para defender a Europa e para suster os ataques sistémicos ao euro que se iniciaram na Grécia e ameaçavam varrer o continente. Quem ouviu ontem o primeiro-ministro ficou mais sábio e feliz por viver num país assim, sem os problemas “gravíssimos” de países como a Irlanda, que sabe responder aos desafios do mundo com generosidade e abnegação. Se o país vai pagar mais impostos, não é por causa da ruína das contas públicas. Na sua visão pessoalíssima, José Sócrates disse-nos que a crise só é nossa apenas porque é da Europa.

MANUEL CARVALHO quarta-feira, 19 Maio 2010, às 00h00

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Manuel Carvalho é jornalista. Este naco de prosa apresenta-se como uma notícia. Mas uma notícia com cheirinho. O autor, jornalista a representar a imprensa, acrescenta três ideias espertalhonas: (i) a de que as contas públicas estão em ruínas nos idos de Maio de 2010, (ii) a de que a crise não é europeia porra nenhuma e (iii) a de que Sócrates é mentiroso.

Que diria este Manuel se por alguma manigância do destino tivesse de se apresentar perante uma plateia e declarar se continuava a assinar por baixo o servicinho despachado há três anos? O que serve para ele servirá para dezenas e dezenas de outros jornalistas. As suas peças competiam entre si para serem o mais venenosas que fosse possível, de modo a criar na opinião pública um estado de confusão, desconfiança e saturação que conduziria ao sacrifício colectivo da vítima. A vítima era Sócrates, claro, a vítima era o PS, pois sim, mas a vítima era também Portugal – como hoje todos sabemos, e como alguns logo o souberam.

O Governo em 2010 não tinha qualquer possibilidade de escapar à mudança de política que a Alemanha impôs e que os parceiros europeus legitimaram. Teria de se adaptar e foi isso que fez da forma mais inteligente para a economia nacional que as circunstâncias permitiam. Porém, reconhecer a evidência inerente ao contexto não equivale a proclamar a santidade desse Executivo. A governação é uma das actividades mais complexas a que os bípedes implumes se podem dedicar, dificuldade multiplicada pela novidade e dimensão das crises internacionais actuais, pelo que os erros e deficiências são inevitáveis. Só que, e seja à direita ou à esquerda, não aparece ninguém a dizer qual teria sido a sua alternativa governativa em 2010, ou 2009, ou 2008, ou logo em 2005. O exercício é evitado para se evitar cair no ridículo. E poder-se continuar a difamar a bel-prazer.

Não é preciso ser ou ter sido apoiante do PS, muito menos gostar ou ter gostado de Sócrates, para reconhecer que a situação internacional a partir de 2009 exigia um compromisso nacional com vista à protecção do bem comum. Esse compromisso não anularia as diferenças de projecto e ideologia na disputa eleitoral, pois a democracia é a invariável prioridade do contrato social. A razão pela qual não se obteve um acordo patriótico não se encontra olhando para os conteúdos das campanhas negras que, finalmente, obtiveram sucesso em Junho de 2011. Para encontrar a origem do nosso falhanço vergonhoso basta puxar pela mão por detrás do arbusto.