Guerra dos laranjas

Depois de muito investigar, muitíssimo, consegui descobrir um período histórico com uma semelhança prodigiosa com aquele que vivemos. É o que ocorre no final do século XVIII e entra no começo do XIX, quando D. Maria I é considerada doente mental por declaração assinada de 17 médicos. D. João VI passa a regente, só para se mostrar tão inepto que se pensava poder sofrer da mesma patologia de sua mãe. Essa crise governativa – também explicada pela crise europeia – gerou um vazio de poder onde a figura do Conselho de Estado foi utilizada para depositar na mão de alguns nobres as competências que o regente não conseguia exercer. E como é que tudo isso acabou? De várias formas, claro, e uma delas, que nos persegue até hoje, é o episódio da Guerra das Laranjas, onde Portugal perde Olivença para a Espanha.

Em 2013, temos uma Europa em conflitos intestinos, um Presidente da República pírulas, um Primeiro-Ministro inane e os laranjas em guerra contra o seu próprio país. Um cópia exacta do que aconteceu há duzentos anos, mutatis mutandis. Mas quem nos dera que desta nova desgraça apenas se perdesse um pedacito de terreno, em vez dos milhões de vítimas que já se contam em dois anos de além-Troika.

9 thoughts on “Guerra dos laranjas”

  1. excelente!, a ponte que fazes na e pela História. (será a História dos homens eternamente redundante e repetitiva?) neste caso o que se perde, e tem perdido, é de cá para cá – o que é, sem dúvida, ainda mais triste. :-(

  2. Acresce dizer que tal como hoje,
    (no que diz respeito ao PSD de Passos Coelho que sucedeu ao PS de Sócrates)
    D. Maria I também espezinhou, diabolizou e retrocedeu no progresso de uma governação que estava a levar o País para a frente: a de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês do Pombal…

  3. E porque é que tinha de haver um período da nossa historia com uma semelhança prodigiosa com este?
    Se a semelhança é prodigiosa então, por ser tão extraordinária, não estarias à espera de a encontrar portanto porque começaste a investigar?

    (sim, sou curiosa)

  4. “Depois de muito investigar, muitíssimo, consegui descobrir”

    Não estavas a investigar, andavas a passear e tropeçaste na semelhança prodigiosa. Ok.

  5. Ó Val, imagina que a D.Maria também é considerada doente mental por declaração assinada por 17 médicos, mas imagina também que ela recebe sinais de nossa Senhora nas avaliações da troika.
    Já viste? A influência que pode ter a raspa de laranja na incrementação dos pasteis de nata?
    Ó Val, por favor…

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