Todos os artigos de Valupi

Pelo design é que vamos

PS revoga corte das pensões quando for Governo

PS promete revogar cheque-ensino anunciado pelo Governo

Seguro promete revogar lei de reorganização das freguesias

PS revogará Lei do Arrendamento quando for Governo

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Estes são alguns exemplos de compromissos assumidos pelo PS enquanto oposição. E nada impede que a lista vá aumentando, óbvio. Qualquer decisão deste Governo pode vir a ser alterada por outro Governo. Chama-se democracia ao sistema que permite tais avarias e consertos (com ou sem concerto). Mais, nada impede que qualquer partido faça o mesmo. Do Partido Ecologista “Os Verdes” ao Partido Nacional Renovador, passando pelo Partido Popular Monárquico e pelo Partido pelos Animais e pela Natureza, mais os restantes que existem ou venham a existir, seria de uma utilidade meridiana saber o que fariam com o Governo nas mãos. Da minha parte, fantasio lubricamente com o que seria a governação do PCP tendo os camaradas uma maioria absoluta para esfregarem nas fuças do capital e do imperialismo americano. A minha maior dúvida, neste cenário, é a seguinte: quanto tempo demoraria até o Comité Central perceber que sem uma polícia política a contra-revolução burguesa continuaria a adiar a libertação dos camponeses, operários e marinheiros?

O senso comum diz-nos que são poucos os eleitores que chegam ao ponto de sequer ler os programas dos partidos em que votam, quanto mais estarem a ler programas de partidos em que não votam só com o propósito de fazerem comparações ou descobertas. Os factores tribais, afectivos, irracionais, prevalecem sobre os racionais, a que se junta a dificuldade cognitiva para assimilar tanta e tão complexa informação despejada em períodos eleitorais e para resistir à pressão das retóricas inflamadas e dos populismos larvares ou opressores. Mas o benefício de conhecer o mais detalhadamente possível os programas dos partidos que se propõem influenciar as nossas vidas permanece intacto apesar desta realidade civicamente desoladora – especialmente para aqueles infelizes que não sabem o que fazer com a sua soberania e respectivos direitos e poderes.

Eis uma daquelas situações em que o problema se resolve pelo design. Basta que se forme um grupo de três ou quatro pessoas, sejam profissionais da imprensa ou espontâneos da sociedade, que comece a recolher as respostas de todos os partidos a todas as perguntas que os cidadãos queiram fazer-lhes e as tratem sistematicamente. Tu, partido, queres manter-nos no euro? Ficar na União Europeia? Pertencer à NATO? Como é que pretendes reduzir o défice? E aumentar o investimento? E diminuir o desemprego? E fazer crescer as exportações? E garantir as reformas? Quanto é que vou ganhar daqui a 1 ano, e 2, e 4 contigo a mandar nisto? Como é que vais resolver os problemas da Justiça? E os da Educação? E os da Saúde? Para cada pergunta, desde que considerada relevante, os partidos dariam a resposta que entendessem – fosse inequívoca, equívoca ou vazia. O trabalho deste grupo seria o de facilitar ao máximo a leitura comparativa das respostas e o de garantir a sua máxima actualização.

Imaginemos que um partido qualquer, mas partido tomado por filhos da mãe, entrava numa deriva demagógica insana e insanável. Por exemplo, prometia resolver os nossos maiores problemas sem dor, bastando apenas boicotar um acordo europeu que defendia o interesse nacional, cortar nas “gorduras do Estado” e ostracizar um certo indivíduo. E que depois ganhava as eleições, pois o povo ainda conserva o perigoso hábito de acreditar em pulhas e bandalhos. Ora, a simples consulta da tabela de respostas permitiria a lembrança diária de quanto cada um tinha sido, e estava a ser, enganado.

Eis uma das principais consequências da aplicação dos princípios do design, a forma como protegemos a democracia segue a função que nela queremos assumir.

A petição que adoraria assinar

Eis a maior petição registada em peticaopublica.com: Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP. Reuniu, até este momento em que escrevo, 136 673 assinaturas, mais de 40 000 acima da petição em segundo lugar, um populismo qualquer, e quase 60 000 acima da petição em terceiro lugar, uma animalidade qualquer. No texto peticionário, lê-se:

Nós, cidadãos e contribuintes portugueses, declaramos por este meio, que recusamos a presença do Ex-Primeiro Ministro José Sócrates em qualquer programa da RTP, televisão essa que é paga com dinheiros públicos dos contribuintes que sofrem do resultado da má gestão deste senhor. Recusamos liminarmente o branqueamento das acções deste senhor através da TV dos actos de despesismo e gestão danosa, que fez com este país andasse para trás, e não para a frente.

Não vamos agora começar a discutir se andar para a frente será assim tão mais melhor bom do que andar para trás, mas lá que há situações em que só os broncos continuam firmes no propósito de dar literalmente um último passo em frente, lá isso há. Nem vamos comentar a qualidade deste português genuinamente passista. O que podemos dizer com certeza absoluta é que a mole das petições elegeu como questão mais gravosa das suas vidas a presença de Sócrates na RTP, aos domingos, durante 20 minutos e sem cobrar nada por isso. E porquê? Por razões do foro moral e judicial. Esta multidão está convencida de que Sócrates é autor de “actos de despesismo e gestão danosa”. Pois bem.

Pois muito bem. Excelente. Pelo menos 136 673 bacanos deram-se ao trabalho de martelar o teclado para a catarse de se imaginarem a calar alguém que odeiam. São gostos. Mas. Isto é. Ora, não seria preferível gastarem as suas energias exactamente para a finalidade contrária, obrigar Sócrates a falar? Não seria do seu mais alto e primeiro interesse que Sócrates fosse obrigado a assumir a sua culpa? Por que razão esta turbamulta de gente séria não fez, nem fará, uma petição a exigir que Sócrates seja obrigado a ir à RTP discutir com representantes sérios da gente todo o seu passado como governante, um passado pelos vistos tão vergonhoso, tão escandaloso, tão asqueroso que até um galfarro acabado de entrar na JSD seria capaz de esmagar o verme nojento, o anticristo, tamanho o caudal das evidências?

Passos Coelho, Marques Mendes, Duarte Marques, por exemplo, já se manifestaram publicamente a favor do julgamento criminal de Sócrates & pandilha. Outras figuras do PSD e CDS, idem. Comentaristas do laranjal, ui. Então, de que estão à espera? Se a Justiça não actua, se os tentáculos socráticos são tão poderosos e perversos que até conseguem dominar um Presidente da República, um Governo, uma maioria parlamentar e uma procuradora-geral da República, os bravos têm de se chegar à frente. Vejamos, não seria possível reunir Marques Mendes, Abreu Amorim, Helena Matos, Medina Carreira e a Moura Guedes para a mãe de todas as discussões na TV, levando a que Sócrates tivesse ou de comparecer perante estes monumentos à inteligência, boa-fé e decência ou de fugir cheio de medo do confronto com a verdade como o cobardolas que é?

Bom povo da direita, que andas a sacrificar o teu precioso tempo para nos salvares do Estado social e da Constituição, se precisares de ajuda para escrever o texto dessa petição que levará Sócrates a ser massacrado na televisão e em directo, conta comigo.

Revolution through evolution

Female Doctors Better Than Male Doctors, but Males Are More Productive
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War Is Not Inevitable; Psychology Research Should Promote Peace
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How a Radical New Teaching Method Could Unleash a Generation of Geniuses
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Einstein’s brain a wonder of connectedness
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Generosity Is Its Own Reward
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Cognitive therapy study hope for hypochondria patients
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Which politician do you hate?

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900 anos de maluqueira

A pressão sobre o Tribunal Constitucional, depois de Barroso ter dado fogo à peça, é agora à outrance. Mas caso os juízes cedam, e saberemos se cederam, essa cobardia transformará por completo a situação política em Portugal para alguma coisa que só conhecemos de ler nos livros de História. É que não é possível saber quem é que Passos, Portas e Cavaco representam neste momento, dado que todos traíram radicalmente os seus eleitorados, mas sabemos que aqueles malucos ibéricos que são o sonho da Galiza e a inveja da Catalunha têm perto de 900 anos de irredutível independência.

Se os juízes não cederem, essa valentia será em nosso nome e devemos festejar com quem nos enche o peito de orgulho. No fundo, na política como no amor, o que está em causa é conseguir andar de cabeça erguida e olhar franco por entre iguais.

Anarquia do mais forte

Num blogue cujo elenco reunia actuais assessores do Governo e demais figuras dos aparelhos partidários do PSD e CDS, à mistura com arraia-miúda, podiam encontrar-se exercícios de ódio alucinado como este:

Migo! Migo!!

Há qualquer coisa de insuportavelmente repugnante naquele esganiçamento histérico com que Sócrates se vira para os congressistas berrando: ‘Está comigo todo o Partido Socialista? Vocês estão comigo??’

Livra, até o outro tarado, lá nos Parteitage de Nuremberga, berrava ‘Hinter uns kommt Deutschland!’ – e não hinter mich…

Carlos Botelho às 02:13 | comentar | partilhar | favorito

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12 comentários:

Anónimo a 9 de Abril de 2011 às 09:02

Tal como nos tempos do outro “tarado”, Portugal está a viver a sua própria fase “República de Weimar”, falido e com um Kaiser sem poderes e sem vontade. Os portugueses, tal como os antigos Weimarenses, criaram o seu próprio “tarado” e, ponho a cabeça no cepo, torná-lo-ão, ao tarado, Primeiro Ministro pela terceira vez.

Depois … depois a nossa Weimar cairá de vez e a Nazificação do regime será irremediável.

O que é inquietante é que se fazem comparações com a verdadeira Weimar, de uma forma ligeira, sem verdadeiramente acreditar que é essa situação que realmente vivemos. Expressões como “tiranete” implicam um cinismo por parte daqueles que se julgam superiores a tudo isto. Pois é altura de termos consciência de que o “tarado” não é um tiranete, mas um tirano, perigoso para Portugal e para os Portugueses … os que ainda cá moram, claro está.

Fonte

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O blogue em causa, o extinto Cachimbo de Magritte, era política e sociologicamente relevante por ser um desses espaços de acesso público onde se deixam a nu as entranhas putrefactas da actual direita partidária. O que lá se mostrava era a versão pública do que diziam uns aos outros nos almoços e na copofonia. E, certamente entre muitas caralhadas e calúnias febris, também podiam cuspir o que se lê acima: Sócrates é igual a Hitler – ou, no caso deste infeliz que assina Carlos Botelho, Sócrates consegue ser ainda pior. Para que não se pense estarmos apenas perante o espasmo canalha de um maluquinho a quem se acabaram os comprimidos, recorde-se que Catroga fez a mesma associação. Outros passarões laranja lembraram-se do Drácula e de Saddam. No fundo, estavam todos a espalhar esta sublime elucubração, uns por deboche e outros por demência: Sócrates é o Diabo.

Entretanto, o que importa reter é o comentário que por sorte ficou registado no Google. Nele se evidencia que as referências à República de Weimar, o período que antecede a instauração do nazismo, já vinham a ser feitas há muito tempo em Portugal. Apareciam como reacção espontânea ao período de crise política e económica começado em 2008, e agravado a seguir às eleições de 2009 e à queda da Grécia e Irlanda em 2010, ou como parte da retórica catastrofista de uma direita sem projecto e, por isso, decadente. Mas essa associação não é fatalmente irracional ou espúria, também pode ser legítima e frutuosa.

De facto, há diversos aspectos que parecem similares entre a situação alemã após a I Guerra Mundial e a actual situação portuguesa no contexto europeu. Os mais referidos têm sido a crise económica, o bloqueio político e a crise de valores. Sem surpresa, o discurso sobre a alteração profunda do regime, de modo a se abandonar o parlamentarismo por troca com o presidencialismo, começou a ser espalhado no espaço público por personalidades mais ou menos, e assim ou assado, ligadas a Cavaco Silva. A invocação de Weimar surgia como tentação irresistível para esses populistas encartados. Isto logo a partir de 2008, resultando da crença de que a oligarquia não conseguiria comprar ou assustar Sócrates e de que ninguém no PSD o conseguiria derrotar em eleições. Os acontecimentos de 2009, onde nem com golpadas escabrosas e inauditas que envolveram magistrados, polícias, jornalistas e a Casa Civil o conseguiram derrubar, provou à saciedade o diagnóstico. Tratava-se de um discurso que reunia fogosos artilheiros da brigada do reumático com celerados e acelerados arrivistas para quem valia tudo por ser tudo ganho para a sua deslumbrada gula, mas não passava de entretenimento despachado na indústria da política-espectáculo.

Continuar a lerAnarquia do mais forte

Encore un effort

Infelizmente, Cristina Esteves interrompeu Sócrates quanto este já ia lançado para continuar a malhar na expressão “regresso a mercado”, a qual é bem capaz de ser o que de melhor ficará da devastadora herança política de Passos, pelo que ficámos privados de saboroso entretenimento.

Mas o actual primeiro-ministro não tem só um discurso macarrónico para português não entender, ele também exibe uma pulsional vocação para ser a esponja do que não domina. Obviamente, nada pesca de Finanças, pelo que teve em Vítor Gaspar o mestre que lhe abria os olhos para o mundo e a fonte onde bebeu os tiques tecnocráticos que decoram a cultura do Banco Central e demais corredores alcatifados onde um gajo dá por si a pensar que chegou lá, que é mesmo ali. Foi também assim que Passos se encheu das suas bojardas ditas liberais, avançando à doida para qualquer medida que lhe digam ser boa para meter na ordem o maligno socialismo que nos levou à bancarrota por causa do rico dinheirinho dado a tanto malandro que nada mais fez do que trabalhar e envelhecer.

No fundo, o problema não está com ele, porque o homem limita-se a fazer o que lhe mandam. O problema está com os outros, esses que o rodeiam e lhe garantem que está quase, que é desta que nos vamos livrar do socialismo e dos seus dois tenebrosos braços: a Constituição e o Estado social.

A traição ou o caos, dizem eles

Assim, o presidente do CDS e vice-primeiro-ministro, que tem conduzido as negociações com a troika e que negociou as oitava e nova avaliações do cumprimento do acordo do memorando, deixou claro aos seus pares de direcção que, depois dos chumbos que têm sido feitos pelo Tribunal Constitucional, ficou explícito para os credores que há uma incompatibilidade entre a leitura que o Tribunal Constitucional faz da Constituição portuguesa, mesmo em estado de emergência financeira, e aquilo que é a transformação do modelo do Estado português que essas mesmas instituições credoras exigem ao país.

Daí que Portas tenha a percepção de que qualquer novo resgate financeiro a Portugal, adquira ou não este nome, irá ser feito com exigências que passam pela explicitação de que os partidos portugueses que podem ocupar o governo aceitam a transformação do perfil constitucional do Estado português. Uma exigência que o líder do CDS considera que nunca será aceite pelo PS. Temendo assim que, perante tal cenário, a governabilidade possa ser substituída pelo caos.

Direcção do CDS teme que segundo resgate imponha um “pacto constitucional”

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Ainda alguém se lembra do berreiro que a direita fez desde 2010 onde jurava que o FMI devia ter sido chamado mais cedo, e muito mais cedo, talvez logo em 12 de Março de 2005, porque só com os estrangeiros a pôr e dispor é que Portugal teria salvação? Foi muita gente junta, gente muito importante, a dizer que Sócrates era um louco por teimar em resistir à capitulação.

Dois anos e meio depois, ficamos agora a saber (fazendo fé nesta notícia) que a salvação consiste na destruição económica e social do País e ainda na “transformação do perfil constitucional do Estado português”. E que será isso ou o caos.

Paulo Portas é uma figura querida na sociedade, o Pedro é bom rapaz, Cavaco é seríssimo. Mas o que estamos a presenciar sob a desorientação e apatia da oposição só tem um nome: traição à Pátria.

Para quem não saiba, a pátria é aquela consciência colectiva de uma unidade onde radica a memória e a justiça. Quem a atraiçoa, atraiçoa-nos a todos, vivos e mortos.

A hecatombe das alternativas

Aquando da discussão do PEC IV, o Governo socialista e o PS também perguntaram à oposição qual era a alternativa. Mais: declararam que estavam dispostos a discutir e acolher alternativas. A oposição não queria discutir alternativas, mas foram rápidos a agitar as suas preferências. Que convergiam todas nesta sublime ideia consagrada pelo Presidente da República na solenidade da sua tomada de posse: já chega de sacrifícios. E depois o País foi para eleições, como toda a oposição entusiasticamente queria.

Hoje, o Governo do empobrecimento e a maioria da vergonha perguntam pelas alternativas. E gozam, arrotam, peidam-se alarvemente em público porque não há ninguém que se chegue à frente com alternativas. Nem sequer as eleições são agora uma alternativa, como as sondagens indicam monotonamente e Belém confirma impavidamente.

Mas há uma alternativa à falta de alternativas. Consiste em pensar. Cada um a pensar por si e a pensar para todos.

Uma coisa explica a outra

Se PSD e CDS tivessem dito na campanha eleitoral o que realmente pretendiam fazer quando fossem Governo, provavelmente nem teriam elegido um único deputado. Disseram, prometeram, garantiram exactamente o contrário.

Esta evidência não provoca um clamor nacional. E assim também se explica a mansidão cúmplice com que os portugueses aceitaram que uma cultura de calúnias e golpadas tivesse dirigido a luta política de 2008 a 2011. Gostamos de ser toureados, é uma coisa cá nossa.

Ajoelhaste? Então, reza

O professor de Economia na Universidade Católica de Luanda, Justino Pinto de Andrade, diz que as declarações de Rui Machete deram “uma má imagem de Portugal” em Angola.

No quadro das relações entre Portugal e Angola, presente e futuro não podem ser encarados da mesma forma. Se, no presente, Portugal pode ganhar com uma cumplicidade com Angola, no futuro o mais certo é vir a “perder”. Quem o diz é Justino Pinto de Andrade, professor de Economia da Universidade Católica de Luanda e líder do Bloco Democrático, para quem a forma como “as elites políticas” de Lisboa se relacionam com o poder em Luanda passou a linha da cumplicidade para o campo da “subserviência”.

O académico e político da oposição diz que as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros português Rui Machete à Rádio Nacional de Angola (RNA) dão “uma má imagem” de Portugal em Angola. Algo que vem na sequência de comportamentos anteriores e que, ao contrário do que podem pensar os políticos portugueses, “não ajuda a fomentar as relações entre os dois países”.

A cumplicidade entre Portugal e Angola pode trazer “um maior fluxo” de comércio e investimentos, mas “só no curto prazo”, considerou o analista ao PÚBLICO. “Se olhar para o futuro, Portugal vai perder muito. As autoridades angolanas não respeitam quem se põe de joelhos. É uma forma muito negativa de relacionamento.”

Sinal disso é a forma violenta e depreciativa como o Jornal de Angola reage a notícias que comprometem o poder de Luanda.

Público, 8 de Outubro

Também de viva voz

Inteligência digital, procura-se

Consta que jornalistas e publicitários, a que ainda podemos juntar os profissionais de meios, são dos mais inteligentes mariolas que andam por aí à solta. Consumindo constantemente abundante informação, alguns até sendo cultos (dizem, os próprios), e exibindo uma pulsão para a conversa de merda que rivaliza com a dos advogados e a dos deputados do PSD e CDS, dir-se-ia que estavam em condições de compreender sem esforço este fenómeno singelo: quando se coloca um rectângulo, ou uma página inteira, à nossa frente só porque nos apanharam a querer ver outra coisa, tal experiência resulta numa irritada e muito rápida fuga do obstáculo em causa, gerando quase sempre uma amnésia e, quanto muito, dando origem a uma antipatia pelo produto ou marca responsável por mais um aumento de frustração no nosso quotidiano.

O que (não) se faz com a publicidade digital é a prova provada de que a inteligência, regra geral, continua a ser uma actividade analógica.

Não há dinheiro

A justificação para o empobrecimento desmiolado e rapace consiste nesta monolítica ideia de que não há dinheiro. Se não há dinheiro, dizem-nos a rir, então a democracia está suspensa, a Constituição fica obsoleta, a comunidade tem de abdicar do contrato social que é seu fundamento. Não há dinheiro, declara o primário primeiro-ministro na sua voz de barítono, porque ele foi gasto ao longo de muitos anos por gente muito má, muito tonta. Gente que andou por aí a espalhar escolas, hospitais, estradas, transportes, serviços públicos os mais variados em vez de ter guardado o dinheiro, assim reza a lógica do actual poder. Uma lógica para fanáticos e broncos.

E era mesmo isso que uma oposição opositora estaria agora a perguntar aos portugueses. Se estes também preferem viver sem escolas, hospitais, estradas, transportes, serviços públicos os mais variados, mas num país com dinheiro.

Comunismo com sabor a laranja

José Cesário, um paradigmático representante do PSD profundo, actualmente na função de secretário de Estado das Comunidades, fez um rasgado elogio ao deputado comunista João Ramos por este, em vez de lavrar a sua indignação e pedir a demissão de Machete olhando-o nos olhos, ter preferido fazer perguntas sobre o ensino de português no estrangeiro.

Este Ramos ou se enganou na ideologia ou na sala do Parlamento.

Audição completa

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Kissing Helps Us Find the Right Partner – And Keep Them
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Women’s Desire for a “Thigh Gap” May Fuel Eating Disorders
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Delayed Aging Is Better Investment Than Cancer, Heart Disease
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Innovation in Renewable-Energy Technologies Is Booming
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A Slow, Loving, ‘Affective’ Touch May Be Key to a Healthy Sense of Self
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Serei só eu?

Serei só eu a achar que o episódio da suspeita de espionagem na sede do PS, cuja queixa entrou na Procuradoria em Julho com o carimbo “dúvidas fundamentadas”, é um dos mais bizarros dos últimos anos, tanto pela aparente existência de matéria de facto como pela cortina de absoluto silêncio que rodeia esse caso?

A tal coisa

Vai acontecer a Passos o que aconteceu a Relvas. Assim que desaparecer de cena, ninguém mais gastará uma caloria a dar-lhe importância. Porque nunca a tiveram nem se acredita que venham a ter. Relvas e Passos foram os principais responsáveis pela existência de um Governo que conseguiu recuperar para a estima pátria o período de Santana Lopes como primeiro-ministro, um feito que para ser devidamente celebrado devia ser galardoado com o Nobel da Paz, o Nobel da Física, o Nobel da Química, o Nobel da Medicina, o Nobel da Literatura, o prémio Pritzker, o prémio Ostra e o prémio Sakharov, tudo ao mesmo tempo e entregue à molhada num saco de plástico. A memória deste casal servirá para nos espantarmos de quando em vez, em momentos de insana modorra, com a degradação a que chegou a direita portuguesa no século XXI. E para nada mais.

Pois é. Isto da importância é a tal coisa.