Não há dinheiro

A justificação para o empobrecimento desmiolado e rapace consiste nesta monolítica ideia de que não há dinheiro. Se não há dinheiro, dizem-nos a rir, então a democracia está suspensa, a Constituição fica obsoleta, a comunidade tem de abdicar do contrato social que é seu fundamento. Não há dinheiro, declara o primário primeiro-ministro na sua voz de barítono, porque ele foi gasto ao longo de muitos anos por gente muito má, muito tonta. Gente que andou por aí a espalhar escolas, hospitais, estradas, transportes, serviços públicos os mais variados em vez de ter guardado o dinheiro, assim reza a lógica do actual poder. Uma lógica para fanáticos e broncos.

E era mesmo isso que uma oposição opositora estaria agora a perguntar aos portugueses. Se estes também preferem viver sem escolas, hospitais, estradas, transportes, serviços públicos os mais variados, mas num país com dinheiro.

7 thoughts on “Não há dinheiro”

  1. Livrem-se do Seguro. O Seguro é mais do mesmo. É a salvação deste governo. Vai tornar o PS tão ou mais responsável, pela destruição deste país pelo bando de delinquentes que tem a mão no pote. O Seguro tem vergonha do PS e do se passado.

  2. Pois não há dinheiro… que verdade mais óbvia, tendo em conta que há cada vez menos dinheiro em circulação, na economia portuguesa. Isso é responsabilidade do banco central. Mas se o banco central prescinde de parte da política monetária para fazer a vontade a certas gentes, isso é uma outra história que nunca ouvimos contar.

    Será que “não haver dinheiro” tem por causa única e definitiva a dívida? A resposta é: só tem porque o BCE e a UE se demitiram de fazer o que lhes compete fazer e, em vez disso, deitaram-nos aos lobos. Como os aliados, na batalha da La Lys. No entanto há tratados, assinados pela própria Alemanha, que obrigam a políticas no sentido da coesão social e económica!

    Ainda ontem li o que um gajo de Wall Street afirmava sobre a dívida federal norte-americana; segundo ele, estando a mesma nos 107% do PIB, isso não era problema!!! Mais a mais, porque o défice era de apenas 4,2%!!! Recordo que em 2011, Passos Coelho deu início ao embuste do “gastámos demais”, apoiando-se na falsificação da teoria económica de Reinhart e Rogoff, entretanto desmascarada, que afirma que um défice de mais de 90% do PIB significava catástrofe económica. Entretanto, tivemos uma catástrofe económica provocada não pelo défice, mas pela austeridade…

    Essa falsidade pseudo-científica foi propalada pelos “amigos” de Portugal — os usurários da finança internacional que, por deterem as nossas obrigações tornadas “tóxicas”, forçaram o resgate. E o que fez Passos Coelho?! O líder laranja engoliu tudo o que vinha de Vítor Gaspar, esse homem que ficará para a posteridade como o João Fernandes Andeiro do século XXI. Vítor Gaspar convenceu Passos Coelho de que a austeridade lhe daria o mesmo jeito que deu a Salazar; muito jeito mesmo, dera ao ditador fascista contrair a massa monetária em circulação, para poder acabar com o “reviralho” republicano. Assim Salazar chantageou e submeteu aqueles que melhor lhe poderiam ter resistido, ao mesmo tempo que denegria a governação democrática. Só que, hoje, os tempos são outros…

    Mas tais falsidades, as elites da finança internacional não se atrevem a aplicar ao seu próprio país; pois decerto que não quererão a sua capital financeira invadida nem pelos revolucionários franceses de 1789, nem pelos bolcheviques de 1917, nem sequer pelos nazis de 1933…

    Não há dinheiro, isso é verdade. O banco central europeu tudo fez, na década de 2000-2010 para criar uma situação de privilégio para os credores e, como agora se torna evidente, para empobrecer os povos europeus. Quem gizou este plano, que aceite as consequências. Os EUA parecem seguir outro caminho. Evidentemente que as necessidades de uma super-potência não são compagináveis com políticas financeiras demasiado restritivas; enquanto as necessidades das potências norte-europeias decadentes — que são adiar a ruina das suas elites — quem sabe se talvez não possam hoje ser essas mesmo…

  3. ….em vez de ter guardado o dinheiro…

    Guardar que dinheiro? Aqueles 33% da comparticipação nacional com juros altíssimos, para hospitais sem médicos, escolas e universidades sem alunos, estradas sem automóveis?

    Obras só para encher os bancos e empreiteiros vendidos a ingleses, brasileiros e espanhois?

    Quem não gastava o dinheiro que tinha era o Salazar, agora gastou-se (esbanjou-se)o dinheiro que nunca existiu!

    Ao menos parou-se o TGV em PI, porra!

  4. Não há dinheiro mas, há palhaços seja na desgovernação, seja no circo de S. Bento!
    Por outro lado, temos que levar em consideração a capacidade dos ratos em entrar
    nas casas fortes do BPN e outros e, comerem até encher o papo muitos milhões de
    euros! Isto sem contar com o famoso “polvo” que se chamava SLN e, entretanto,
    mudou de nome, por lá pontificam grandes “empresários” e fantasistas sempre na
    primeira linha dos negócios do Estado!
    Talvez, seja por tudo isto que o garante do regular funcionamento das Instituições,
    há muito que anda desaparecido da primeira linha de combate na defesa dos bons
    costumes e da ética inerentes a um verdadeiro Estado de Direito! E ANGOLA ???

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