Ontem lancei o desafio, gorado, para se descobrir o que faltava na capa do Correio da Manhã desta segunda-feira. Em falta estava uma referência, por mínima que fosse, à ida de Guterres a casa de Sócrates, ocorrida no domingo. Horas depois, na RTP, Octávio Ribeiro – sem contraditório de nenhum dos presentes, nem sequer do Miguel por não ter sido eficaz, e vendo a sua prática ser consagrada por um professor da Católica – justificava a perseguição a Sócrates (portanto, ao PS) com o princípio do direito de informar. O público, no que diz respeito a Sócrates, tem interesse em saber o que come, com quem tem ou não tem relações sexuais e qual o preço dos ténis que usa, entre outros tópicos populares. Vai daí o Octávio manda a sua equipa de investigação investigar. Se essa equipa, no afã de servir o público, tiver o contributo de algum indivíduo com acesso a processos judiciais onde essas informações constem total, parcial ou indiciariamente, tanto melhor. Tanto melhor porque se poupa tempo, e tempo é dinheiro. Se as informações resultarem de escutas, perfeito, pois até dará para publicar os diálogos e tudo, um produto sempre com muita procura por parte do público. A questão de saber se alguém está a cometer crimes ao violar o segredo de justiça, por um lado, e ao violar a privacidade dos cidadãos, pelo outro, já não preocupa Octávio dado colidir com o sacrossanto direito de informar. Informar o que ele quiser de quem ele quiser. Hoje, Sócrates. Amanhã, logo se vê. Será de acordo com a sua interpretação do interesse do público, pois claro.
É neste quadro que a omissão a Guterres fica como uma janela para espreitarmos para dentro da cabeça de um pulha. Aos pulhas faz muita confusão esta coisa de estarem a ver o Guterres a ter a coragem de ser visto como alguém que se diz amigo do monstro. Ainda por cima, um amigo que não se importa de furar a barreira dos jornalistas pizzeiros para entrar dentro das instalações onde o monstro está a planear as suas futuras monstruosidades. E logo o Guterres, que aborrecimento, o tal fulano que desistiu de ser o próximo Presidente da República, dado como vencedor antecipado, e que anda por aí com uma carreira internacional tão prestigiante que até corre o risco de vir a ser o próximo secretário-geral da ONU. Será que Guterres não vê que poderá deitar tudo a perder com estas provocações ao interesse do público, calhando chegar a Nova Iorque a notícia das suas más companhias? Será que ao Guterres não bastaram as duas visitas a Évora, quando até uma já teria sido de mais, era ainda preciso mais esta em Lisboa? Ou será que, como dirá um dia destes o caluniador pago pelo Público, Guterres está é a tentar que o monstro não o envolva na roubalheira dos milhões, ou, segunda e última hipótese, está a tentar que o monstro se cale até às eleições para não prejudicar Costa, tento lá ido a mando deste? São estas as questões que afligem um pulha que se preze, daqueles pulhas com responsabilidades perante o público. Foi por isso que o Octávio resolveu evitar que os leitores do esgoto a céu aberto ficassem tão confusos como ele. Informar é uma coisa, andar para aí a lançar a confusão, isso é outra coisa. E o Octávio não alinha em confusões, as coisas querem-se simples. Aliás, quão mais simples, mais o público fica informado acerca da realidade. Então, resolveu colocar na primeira página que “Sócrates conta com o apoio de Lígia”, o que é uma informação não só interessante, mesmo importante, como também, e acima de tudo, simples. Infelizmente, Guterres parece ter gosto em complicar o que o Correio da Manhã trabalha diariamente para tornar acessível ao público.













