It’s not rocket science

Nota

O texto que se segue foi encontrado numa caixa de comentários do Expresso, assim se provando que ainda há quem acredite na absoluta democratização da opinião, como ocorre nesses ambientes. Mas o mais extraordinário, logo a seguir à opinião ela própria abaixo exposta, será descobrir quem é George Rupp. Se a identidade que assim assina os comentários no jornal for a mesma da vida real (coisa da qual nunca se tem a certeza na dimensão digital, mas que aqui não suscita qualquer dúvida imediata ou seguinte, chegando ao ponto de incluir uma foto), então estamos só perante um dos mais prestigiados cientistas portugueses na área da Física. Fica como curiosidade que não desabona a ciência, antes a política.

Como se sabe, o PS não seguiu a estratégia de julgar a golpada que levou ao resgate de 2011 e fazer dessa condenação política e moral o esteio do combate ao longo da legislatura. Nem com Seguro nem com Costa, para grande surpresa daqueles que votaram neste nas primárias. Ao se calarem perante esses acontecimentos, os líderes socialistas tornaram-se cúmplices do vil discurso da culpa e do castigo. E ainda pior: deixaram de ter uma explicação a dar para os resultados positivos na economia que viriam inevitavelmente a registar-se, por mais pequenos que fossem, depois de termos batido no fundo ou em resultado da conjuntura internacional.

Talvez um dia alguém estude o assunto e ainda faça uns trocos com um livro.

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Discordo de Ricardo Costa. O debate entre António Costa e Pedro Passos Coelho vai ser de uma extrema importância, independentemente de Sócrates fazer ou não fazer declarações esta semana. Costa tem de perceber que esta será a sua única oportunidade de definitivamente acabar com a pouca credibilidade que PPC ainda possa ter junto dos mais desinformados. Mas terá de falar claro, nomeadamente sobre o que levou ao resgate em 2011, um assunto que inevitavelmente será abordado no debate. Por isso, além de denunciar todas as promessas quebradas de PPC e o falhanço da sua governação, que apenas foi salva do descalabro total pelas intervenções de Mario Draghi no BCE a partir do verão de 2012 e também por algumas decisões do nosso Tribunal Constitucional, é imprescindível falar verdade sobre os acontecimentos de 2010 e 2011.
É preciso desmontar o mito de o PS ter levado o país à bancarrota em 2011, mito esse que faz tábua rasa das graves responsabilidades do PSD na derrapagem das nossas taxas de juro nos mercados financeiros, através de repetidas declarações de Passos Coelho em 2010 sobre a necessidade de pedir ajuda financeira, ao mesmo tempo que minava internamente o governo minoritário e fez aumentar o défice através de exigências para deixar passar o orçamento do estado para 2011. Mas o culminar da estratégia de PPC de se apoderar do "pote" foi naturalmente o chumbo do PEC-IV e o consequente derrube do governo, com base em argumentos que ele próprio engoliu logo no dia seguinte, ao assegurar em Bruxelas que iria assumir todos os compromissos do PEC-IV:
Miguel Portas - O farsolas e o pote - 2011/03/25
António Costa não pode deixar de falar sobre esta farsa. Não se trata apenas de ganhar as eleições. É preciso repor a verdade, por respeito aos portugueses.

George Rupp

22 thoughts on “It’s not rocket science”

  1. Acredito que a verdade dos factos há-de ser reposta, mas os estragos do assalto ao pote são irreparáveis. Os eleitores do PSD/CDS fizeram os portugueses pagar muito caro o assalto ao pote levado a cabo pelo grupo de farsolas chefiados por Passos Coelho e Portas, que teve a cobertura total dos media, do poder económico, do poder judicial e da Presidência da República. Que lástima!

  2. A verdade dos factos irá ser reposta, ainda durante esta campanha eleitoral. Mas não será através de António Costa, mas de Sócrates. O homem que ainda tem muito para dizer e que vai ser determinantes para o PS vencer as eleições.

  3. O Sócrates foi derrotado e Passos ganhou as eleições , porque os portugueses votaram nele , e não por causa da coerência do BE, que sempre combateu estes programas de austeridade , quer com Sócrates quer com Passos Coelho.Esse é o grande problema de Costa, como é que ele tenta convencer os portugueses de que vai combater a austeridade, quando ao mesmo tempo aceita o espartilho do Tratado Orçamental, e dos juros da dívida.

  4. Eu tenho a certeza de que António Costa não vai abordar a questão do ponto de vista sugerido por George Rupp.
    E amanhã, depois de ouvir, venho aqui explicar-te a minha ideia, Valupi.
    O porquê e o como.
    Penso mesmo que António Costa vai insistir no mesmo pau, de que a coligação ultrapassou pela austeridade a letra do memorando e a disposição dos credores.

  5. Como quem diz:
    – Nada como tentar. Aparentemente o jogo está perdido. Faltam dois ou três minutos para o apito final e estratégia não deu resultado. Estamos a perder. Que se lixe o 4 -4- 2, com subidas dos laterais e ocupação do espaço entrelinhas, e vamos mas é mudar tudo, por mais um ponta de lança, um pinheiro, e despejar bolas para a área. Pode ser que num ressalto ou numa fífia da defesas se consiga qualquer coisa. Pode ser… Assim como está é que não vamos lá de certeza.
    O que isto significa é que já não há treinador. Há treinadores de bancada que, como se sabe, são rápidos a tirar o lenço branco do bolso e a explicar as opções técnicas que levaram ao fracasso.

  6. parece um taumaturgo do Aspirina. :-)

    (agora faltava o vosso nome e correspondente fotografia e profissão aqui ao lado – só para desabonar um pouco mais a política) ai que risota! :-)

  7. Estás muito enganado, Total anónimo. Há partidos, lugares e personagens trota-tintas onde se diz tudo e o seu contrário para ganhar eleições. Mas ainda há miradouros de ar puro, como este, onde se faz a mesma leitura e se diz a mesma coisa há muito tempo, por fidelidade à razão e à inteligência e com indiferença pelas derivas da maralha pastoreada pelos cães manholas.

  8. Depois do caos que estes pulhas espalharam no país, não sei se a verdade dos factos vai ter resultados nesta campanha eleitoral…A mancha da lama viscosa que este governo + a comunicação social+ a “luta da verdadeira esquerda” contra o PS andou a colar-se à população de tal forma que a “limpeza” vai demorar!

    Mas que os portugueses irão descobrir o que se passou realmente, ah, isso irão…

    Meus amigos, a verdade vem sempre ao de cima!

    E O MELHOR PRIMEIRO-MINISTRO QUE GOVERNOU O PAÍS DESDE O 25 DE ABRIL SERÁ RECONHECIDO COMO O QUE MAIS LUTOU POR UM PORTUGAL MELHOR PARA TODOS!

  9. Garcia Pereira, outro da “esquerda verdadeira”, afirmou, anteontem, o contrário, amigo Mendes. Para quem o quis ouvir, e só para isso a TV lhe ofereceu o microfone, sem papas na língua e sem provar nada, afirmou que Sócrates foi o pior PM de sempre. Pior que o farsolas, Santana, Durão Barroso, Cavaco, Balsemão etc. Como é que este homem, que tenta fazer-se passar por defensor da justiça, consegue ser tão sacanamente trafulha? Mistérios da “esquerda verdadeira”. A mesma esquerda que se colocou inteirinha ao lado do farsolas, mesmo depois da denúncia lúcida, corajosa e amiga da verdade do falecido Miguel Portas. Jerónimo e Louçã são dois coveiros de Abril, que caiu desfeito com o chumbo do PEC IV pelas as consequências (previs’iveis) que daí advieram. A “esquerda verdadeira” foi a mão providencial para cavar o buraco onde enterraram Abril. Mesmo que Costa ganhe, por poucos como é o mais provável, não terá meios de repor Abril. Bem queria estar enganada. Por algum motivo, Marcelo virou Martelo e foi à Festa da “esquerda verdadeira” do Avante. Nunca, como nos últimos anos, a “esquerda verdadeira” esteve tão sintonizada com os farsolas da direita. É o ataque final aos ares de Abril 74. Aumentar o número de deputados vale tudo, para a “esquerda verdadeira”. Mesmo que isso signifique destruir Abril. Quem estiver atento, verá que as TVs reproduzem, nos discursos da “esquerda verdadeira”, as passagens em que atacam o PS, omitindo os ataques à coligação. E eles, Jerónimo ou Catarina, deixam-se instrumentalizar sem esboçar um protesto. Porquê? Porque a descida do PS é subida certa dos seus grupos parlamentares. E o povo que aguente mais quatro anos dos farsolas no governo.

  10. Ó Sr. Mendes, que o leva a dizer que sócrates foi o melhor PM? eu também acho que a verdade vem sempre ao de cima, mas por vezes há quem tenha o condão de não a deixar vir ao de cima. Sócrates, um homem alegadamente socialista, com indícios e gosto de …riqueza? Numa altura em que o País se adentrava na miséria sócio – laboral?

    Eu acho que SALAZAR soube gerir as Finanças do País, e nesse aspeto, quem o ultrapassa na história portuguesa – entenda-se do século vinte até hoje?

  11. GARCIA PEREIRA é uma FARSA, muito amigo do PLÁGIO….ele fala, fala, fala, mas alguém que lhe escreva o que dizer. Diz que é de esquerda, hum, pois, pois, pois. É todo pelo trabalhador…pois, pois, pois…
    E então? SEUS IDIOTAS! Ainda acreditais no sistema que VOCÊS permitam que existe? Todos podemos pôr cravos na ponta da carabinazita…o problema é TER CORAGEM PARA FAZER revoluções! CEGUETAS! LERDAS.

  12. Total anónimo
    9 DE SETEMBRO DE 2015 ÀS 13:15
    Como quem diz:
    – Nada como tentar. Aparentemente o jogo está perdido. Faltam dois ou três minutos para o apito final e estratégia não deu resultado. Estamos a perder. Que se lixe o 4 -4- 2, com subidas dos laterais e ocupação do espaço entrelinhas, e vamos mas é mudar tudo, por mais um ponta de lança, um pinheiro, e despejar bolas para a área. Pode ser que num ressalto ou numa fífia da defesas se consiga qualquer coisa. Pode ser… Assim como está é que não vamos lá de certeza.
    O que isto significa é que já não há treinador. Há treinadores de bancada que, como se sabe, são rápidos a tirar o lenço branco do bolso e a explicar as opções técnicas que levaram ao fracasso.

    BEST COMMENT EVER!

  13. Hoje, repetindo o erro de ontem, a Sic -N resolveu fazer o programa de
    antena aberta em direto! Com uma ou duas excepções, viu-se o desin-
    teresse dos abordados pelo “frente a frente” da política, muitos a dizer
    que nem iriam ver … é tudo o mesmo resumiam!
    Não tivesse sido a claudicação da direção do Inseguro e de alguns farso-
    las que o acompanharam e, ainda dão bitaites para fora do partido, não
    teríamos o aldrabão-mor a dizer que; -quem resolveu o passado tem a
    chave do futuro! Resumindo desta forma a destruição levada a cabo!
    Há 3 semanas para se agarrar no material de arquivo e existente no You-
    tube e confrontar os estarolas com as suas mentiras não só os pafiosos
    mas, também o que tem sido dito pela esquerdalha que, sem qualquer
    pejo se servem das dificuldades vividas nas diferentes áreas e sectores
    da sociedade como meros surfistas (caso dos táxis) soluções népia !!!

  14. facil saber quem eh george rupp , : linkedin? daaa
    ha muitas marias na terra , essa maria george parece ser q trabalha no instituto superior tecnico de lisboa ha 20 , 20 anos..

  15. Caro/a Aspirina B,

    agradeço a simpática transcrição do meu comentário no Expresso. Permita-me só acrescentar mais uma observação. Quando escreve

    “… deixaram de ter uma explicação a dar para os resultados positivos na economia que viriam inevitavelmente a registar-se, por mais pequenos que fossem, depois de termos batido no fundo ou em resultado da conjuntura internacional”

    já está a apontar para os factores externos, que possibilitaram o ligeiro crescimento económico actual. De facto, sem as intervenções corajosas de Mario Draghi à frente do BCE, a partir do verão de 2012, Portugal não só teria permanecido “no fundo”, mas provavelmente teria sido levado a uma situação de incumprimento do pagamento da sua dívida, a tal verdadeira “bancarrota”. Basta recordar que em Julho de 2012, os juros para emissões de dívida a 10 anos ainda eram da ordem de 10% e só depois das declarações de Draghi começaram a baixar de forma dramática. Convém o António Costa referir isso na entrevista de hoje a noite, para de vez acabar com mais um mito: “foram as medidas dolorosas mas corajosas do actual governo que fizeram recuperar a confiança dos mercados financeiros em Portugal e assim levaram a uma forte baixa dos nossos juros”.

    Melhores cumprimentos,

    George Rupp
    Particle scientist

  16. George Rupp, nós é que te agradecemos o envolvimento cívico. E também essa vida dedicada à ciência.

    Quanto ao conselho que deixas para Costa, duvido que ele esteja para aí virado, infelizmente, tantas as ocasiões desperdiçadas para contar a história de como se traiu Portugal.

    Felicidades,
    V

  17. O que é certo é que ontem, embora os arguidos tivessem feito breves incursões sobre alguns temas que nos permitiriam ponderar antecedentes, os magistrados não o permitiram.
    ”Não estamos aqui para falar sobre o passado, mas sobre o futuro.”
    Essa é boa. Embora seja óbvio e explicitamente suposto e assumido que o futuro está refém do passado, embora se reconheça traz a devastação do passado como pedra fundadora, temos que falar do futuro sem nomear o passado.
    Embora seja pressuposto que o PS de Costa é o PS de Sócrates, não se pode falar de Sócrates. E não se pode discorrer sobre as condições objectivas em que o resgate foi pedido em 2011 e quem o pediu.
    Os virginais candidatos apresentar-se-iam a prometer um futuro rasurando o passado.
    O que há que saber é se essa imposição partiu dos juízes ou dos arguidos.
    Mas quando Passos Coelho transgrediu a linha vermelha e dava sinais de violar o protocolo, Costa fez uma breve advertência:
    ”Não vá por aí… não vá por aí…”
    Não vá por aí, por onde? Será que Passos, antevendo que mergulharia na ausência de argumentos, se preparava para desenterrar Sócrates?
    O que não se disse é bem mais importante do que o que se disse.

  18. Olinda e Valupi,
    obrigado pelas vossas palavras. Quanto a António Costa, tenho uma certa compreensão pela sua relutância em falar do PEC-IV. Acontece que o PS ficou durante 3 anos calado perante a narrativa da direita, por culpa de Seguro. O próprio Sócrates nunca atacou o Seguro por causa desse silêncio, limitando-se apenas a contar os verdadeiros acontecimentos nas poucas entrevistas que deu depois de regressar de Paris. A versão de Sócrates foi entretanto confirmada pelo insuspeito Lobo Xavier no Quadratura do Círculo. Se Costa tivesse voltado a pegar no assunto, nos debates com Seguro ou agora na (pré)-campanha para as legislativas, muitas pessoas iriam ter uma incompreensão perante essa repentina mudança de atitude, interpretando-a como uma mera jogada táctica ou então uma profunda divisão no PS. Costa escolheu uma estratégia diferente e em face do seu excelente desempenho ontem no debate com Passos Coelho não vou atacá-lo por isso. Como militante do PS, devo uma certa lealdade ao partido, mas nunca o meu silêncio. Aliás, tenho combatido a narrativa da direita sobre os acontecimentos de 2010 e 2011 desde o primeiro momento, através dos meus comentários no Expresso, e vou continuar a fazê-lo. E não contem comigo para engolir qualquer eventual acordo pós-eleitoral entre o PS e a direita, mesmo que seja apenas ao nível de tolerar um governo minoritário. Num tal cenário, a minha lealdade acaba definitivamente.
    Abraços.

  19. então isso da omissão, omissão em muitas frentes, ai que pecado!, George Rupp, justificas com estratégia leal por parte do Costa. vou pensar nisso, não como militante nem apoiante do PS, como amante justa do bem comum na Cidade.
    e um abraço para ti também :-)

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