Comunistas portugueses, espécie protegida

No sistema político português não há partido mais populista do que o PCP. O populismo é a anulação do debate democrático pela invocação de um argumento de autoridade onde se alega ter uma representatividade exclusiva da entidade “povo”. Tal pode ser feito indirectamente, como quando um partido ou agente político cavalga uma crise social e ataca moralmente a própria classe política para obter um ganho táctico (como o PSD, CDS e Cavaco nos anos de Sócrates, por exemplo), ou pode ser feito directamente, como no caso do PNR e do PCP, onde o corpo doutrinal, ou meramente retórico, estabelece a supremacia com base na reclamação da defesa do “povo” e suas configurações simbólicas e institucionais; como “Portugal”, a “Constituição”, o “patriotismo”, até a “democracia” entendida como “a democracia onde nós somos o poder”.

Jerónimo foi hoje ao Fórum TSF. Antes das perguntas dos participantes, saiu-lhe esta declaração: “Portugal tem um povo muito característico, que é uma das maiores riquezas que temos.” Poucos segundos depois dizia que temos de romper com a política que “durante décadas” levou o País à situação em que se encontra. Ora, deixa cá ver. O povo é “característico”, “muito” e uma “riqueza”, das “maiores”. Porém, aparentemente, essa riqueza de povo anda muito mal orientado, dado ter passado as últimas décadas a insistir em votar na direita em vez de dar o voto a quem o defende. A quem sabe quão rico, característico e, portanto, comunista, esse povo é. É isso, não é Jerónimo? Calma, escusas de responder. Saltemos para um assunto mais tangível.

A segunda pergunta que lhe chegou do povo ouvinte, ou talvez de um imperialista capitalista militante no PS, era dupla: sobre a saída do Euro, e sobre o financiamento às PME. Só se respondeu à primeira interrogação, sendo a segunda tão ou mais interessante para o público. A passagem começa ao minuto 14.20 e termina ao 20.03 – 5 minutos e 50 segundos em que Jerónimo diz tudo e o seu contrário, culminando numa sequência de raciocínios alucinante em que defende que a vontade popular não chega para que se realize a vontade popular. Só o Estado, desde que dominado pelo PCP, pode cumprir a vontade do povo.

Num outro nó cego maravilhoso, Jerónimo, para justificar a proposta do PCP para que Portugal saia do Euro, e mesmo da Comunidade Europeia, lembrou-se de agitar o espantalho da Grécia que ia sendo forçada a sair da moeda única por imposição da Alemanha; dramatizou mostrando o seu sincero desagrado pela maldade germânica, os brutos. Acontece que a Grécia não saiu – isto é, nem a Grécia, naquela situação económica e com aquele Governo, saiu – pelo que ficará como um mistério os mecanismos lógicos a operar no doce patriarca dos amanhãs que cantam. Onde não há mistério é na pulsão demagógica, pois o que fica do argumentário à volta da bandeira contra a Europa é que nem sequer o Jerónimo quer que alguma mudança drástica aconteça. O que ele pretende é que se inicie um “processo”, e depois, se bem conduzido, por malta operária à mistura com um ou dois marinheiros, e pelo tempo considerado necessário, algo que o Comité Central não terá dificuldade em estabelecer em nome do povo, então a coisa poderá resolver-se. Até lá, bute é malhar no PS, gozo do caraças.

O PCP anda há décadas a propor que Portugal abandone esse clube opressor onde nunca deveria ter entrado. Contudo, basta apertar um bocadinho com o seu secretário-geral para se ver como esse folclore comuna não passa de um forte medieval a desfazer-se, comido pelo salitre. Nesse sentido, os comunistas portugueses são uma espécie protegida. Protegida pelos jornalistas e pela direita.

16 thoughts on “Comunistas portugueses, espécie protegida”

  1. “Só não percebo, porque os partidos fascistas são proibidos e os partidos comunistas não ??”

    porque fazem o trabalho dos partidos fascistas, agora combatem os socialistas e quando for para as presidênciais ajudam a eleger o candidato da direita. já faltou mais para ver o avô jeropinga padrinho da união marcelo a belém e judite a primeira dama.

  2. tu tens razão no que dizes no texto, Val, mas eu acho-lhe , ao Jerónimo, tanta piada – desperta-me uma espécie , protegida vá, de ternura risonha. :-) deixa-o viver assim, cheiinho de convicções que não consegue agarrar, não malhes muito.

  3. ehehehehhehehe. Espécie protegida, ehehehehhe. Com descendência, pá, com descendência pá, esses desertores XUXAS, direitolas ( hum, estou a ficar sem originalidade) menores, que cedem a horta à união europeia, pás, cambada de retrógados, e veem-me estes gajos chamar ceguetas a quem lhes diagnostica os calos…abrem a boca e pimba, bosta, fogo, ainda continuam na era da cassete…conheci uma vez um na assembleia da republica, o gajo era todo pelos direitos humanos, mas quando foi altura de mostrar o lado humano, tá quieto ó preto…ehehhhehe. Os XUXAS então nem se fala….os gajos da direita, hum, não digo, que eu deleito-me a ler as intuições da BURRA acompanhada ao piano pelos moralerdas de serbiço.

    Alguém me explica o que é o socialismo e o centralismo do socialismo com o comunismo da direita, tudo em prol dos cidadões, hum? Com exemplos, se fachabor. P.e, saíu a notícia de que a casa onde o ex 44 se alberga está declarada como barracão nas finanças. Admitamo-lo para efeitos de raciocínio, e sendo caso, digam: que deve fazer um cidadão XUXA que defende o aborto e os direitos dos trabalhadores, etce e tal, que deve ele fazer perante uma situação que está tributada incorretamente? Hum? Deve-se olhar para o lado e os gajos de direita que paguem IMI´s porque têm piscina em casa? Ora fachabore, pás, digam-me lá, caramba, que eu numbejo memonada.

  4. IGNARALHO, então, pá! Estás protegido e ainda vens mandar ( desculpa, amandar) bocas ao sistema, pá!
    Fascista, comuna. Xuxa manguitos.

  5. “… está declarada como barracão nas finanças.”
    … só faz cópia & pasta nos campos da pasquinada

  6. É que este moço não faz duas de jeito…
    Em vez de alugar um T1 na Brandoa e ir para lá com ar proletário, não, vai meter-se numa vivenda construída sob condições muitíssimo duvidosas.
    Ou tem muito azar, ou então como a vigarice faz parte do seu ADN, acha tudo normal…

  7. o panasca encalhou no syriza e quer discutir as eleições gregas em vez das portuguesas, mas a catarina não vai na conversa e está a dar-lhe uma coça das antigas.

  8. O ignatz que me desculpe mas é mesmo reles. Então um socialista tipo comunista todo tolerante com os abortos, gays e afins, a ofender ordinariamente um representante da Nação. O ignatz é ignóbil.

  9. Campus: «Só não percebo, porque os partidos fascistas são proibidos e os partidos comunistas não ??»

    Tem o meu caro amigo toda a razão em exibir a sua perplexidade e indignação, mas seria mais curial formular a coisa ao contrário, de modo menos fáxistóide, assim: «Só não percebo porque os partidos comunistas são permitidos e os partidos fascistas não?».

  10. É óbvio que não existe qualquer razão para que não possam existir, duma forma legal, partidos que professem uma ideologia de carácter puramente fascista.
    Se a razão for que estes não quererem manter a democracia (do votinho no caixote de 5 em 5 anos), os da chamada democracia popular também não querem!

  11. IGNARALHO, pá, tu sofres de complexo freudiano agravado. Só falas de picolhos e picolhos. Referes – te a ti? Não é? É. Desde que fizeste o tirocínio no Zoo, pá, pensas que tudo o que é barracão é legal. COMUNA. FASCISTA.

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