Lê-se no Der Spiegel (versão inglesa) que o pacto orçamental proposto pela Alemanha aos 27 Estados-Membros e recentemente assinado por 25 (com exceção do Reino Unido e da República Checa) carece, para ser aplicável na Alemanha, da aprovação de, pelo menos, dois terços dos membros do Bundesrat, a câmara alta da Alemanha, onde têm assento os representantes dos diversos Estados (Länder) e onde a CDU de Merkel não tem maioria. Acontece que, por exemplo, no Estado de Baden-Württemberg, governado por uma coligação de Sociais-Democratas (SPD) e Verdes, são exigidas contrapartidas em matéria fiscal para essa aprovação. Isto porque, dizem eles, a satisfação das exigências do Pacto exige-lhes uma aceleração da consolidação orçamental, impossível de concretizar no curtíssimo prazo previsto (como em todo o lado na Europa, as dívidas “locais” são elevadas). A coligação que dirige o referido Land exige, pois, liberdade tributária, nomeadamente para aumentar os impostos sobre os mais ricos. A política tributária é decidida a nível federal. Há, portanto, a probabilidade de o Pacto não passar na própria Alemanha, o que não é muito importante a nível nacional, dado que já existe na legislação alemã um travão à dívida. Mas, a nível europeu, haverá decerto grande impacto.
Perante isto, que mais não é do que a democracia a funcionar, mas que também prova que não estamos desligados uns dos outros, nós perguntamo-nos, olhando para o nosso caso, se não haverá algo de muito errado no funcionamento da Europa. Se não deveríamos nós ter também uma palavra a dizer antes de aceitarmos que nos matem a economia e nos “enxotem” e depois nos “roubem” os nossos melhores quadros. Se a democracia, na Alemanha, condiciona a política da chanceler que por lá é eleita, incluindo a sua política europeia, como aceitar o regime de ditadura sem apelo que é imposta por quem tem o poder do dinheiro a quem não tem sequer o direito de votar no ou na chefe do executivo alemão? Porque razão hão de os problemas do Estado de Baden-Württemberg ser mais importantes do que os da Lusitânia?


