Sorte a dele que a Constituição diz umas coisas e não diz outras

Cavaco vem invocar hoje o artigo 201.º da Constituição para justificar algumas das declarações/revelações/acusações do seu prefácio. Ora, o artigo 201.º já existia na Constituição em 2011. Invocá-lo, retrospetivamente, em 2012, um ano depois de não o ter usado como fundamento para a demissão do governo em 2011 é de uma estupidez a toda a prova (apesar de sabermos a razão porque não o usou, se recordarmos a impressão deixada pela violência e a intenção dos seus discursos de vitória e de tomada de posse). Tanto mais que considerou a atitude do governo como a mais grave deslealdade dos últimos 30 anos. O homem é burro e tem conselheiros igualmente burros.
Já para o caso de um presidente que conspira com a comunicação social para descredibilizar um governo e dar a vitória nas eleições a uma amiga sua, ou que apela a manifestações de rua para dificultar a ação de um governo, será a Constituição omissa?
Pelos vistos, é. Trata-se de casos não previstos. Pensou-se não ser possível. Ingenuidade do legislador.
Por isso, esta criatura hipócrita e amoral sente-se perfeitamente à vontade para escrever o que lhe apetece, incluindo falsidades e idiotices, escamoteando todo o seu comportamento lamentavelmente inconstitucionável. E com o alvo da sua raiva longe e/mas com demasiado nível para responder a idiotas (como ele bem sabe e aproveita).

12 thoughts on “Sorte a dele que a Constituição diz umas coisas e não diz outras”

  1. Isto já não é um estado de direito, o Cavaco percebeu isso e aproveitou.
    Confirmação do dia (in TSF):
    “A ASJP (Associação Sindical dos Juízes Portugueses), conseguiu que os tribunais lhe dessem luz verde para ter acesso aos cartões de crédito dos ex-ministros de José Sócrates.

    Depois de os ter analisado, a ASJP disse ter ficado com dúvidas quanto à rigorosa gestão dos dinheiros públicos.

    Em declarações à TSF, o presidente da ASJP, António Martins, disse tratar-se de uma obrigação enviar este material para investigação.

    «Os juízes não podiam ficar com estes documentos, a partir do momento em que se levantam dúvidas sobre a legalidade das despesas. Iremos entregar a participação ao Ministério público para que este, no cumprimento das suas obrigações, investigue esses procedimentos», sublinhou.

    O responsável revelou ainda que houve um ministério que não entregou os documentos – o da Defesa -, adiantando que comunicou igualmente ao Ministério Público para fazer aquilo que considerar conveniente.”

    (Adivinha: quem é, quem é mais ressabiado que o Cavaco Choné? É a ASJP)

  2. Ó Martins e se pedisse também cópia das despesas efectuadas pelos assessores do PR, mormente do Lima para ver se encontrava-mos lá as despesas do tal jantar com o Laranjo ou com Cerejo. Uma vez que este PR tem despesas mais elevadas que todos os outros até era um bom indício, não te parece! Ou perdeste definitivamente a vergonha?

  3. A senilidade não é mesma coisa que credibilidade.
    O homem está senil desde vários anos só não vê quem não quer ou não pode dizer que “o rei vai nu”.
    Inacreditável é toda a máquina instalada mara o “manter vivo” e com isso ganhar eleições.
    Trata-se do maior embuste da nossa história.

  4. Ola,

    Nada a ver com o post (?) mas, se existe uma coisa que é por definição “a toda a prova”, é a estupidez…

    Boas

  5. oh viegas! se tens o franchising não hesites, nunca houve condições tão favoráveis para investir nesse sector como agora.

  6. O problema já não é só a burrice, aproxima-se mais da senilidade associada ao mau carácter. Há dois anos, antes de ser reeleito foi-lhe diagnosticado Alzheimer. Segredo bem escondido, estava em jogo a reeeleição. Não revelo a aminha fonte. observem o agravamento dos sintomas, que forem visíveis.

  7. Começo a acreditar na luminária de Boliqueime quando alega insuficiência de rendimentos para pagar as despesas. Está na cara que tão desgraçada situação de penúria o obrigou a prescindir dos valiosos palpites do seu numeroso séquito de conselheiros, e daí não ter sobrado ninguém que alerte o desgraçado para a tristíssima figura que faz quando abre a cloaca… perdão, a boca, sobre a excelsa qualidade histórica, filosófica e política do prefácio merdoso.
    Resta-lhe a Maria, mas essa, coitada, anda demasiado ocupada a passar revista aos cortinados, reposteiros e colchas de Belém, que depois (em manifestação de apurado sentido estético) transforma em vestidos que maravilham e causam inveja à nata das primeiras-damas da cena mundial, que ferozmente disputam a sua companhia e conselhos sobre moda.
    Haverá por aí alguém com sentido de dever patriótico que se ofereça para aconselhar o pobrezinho à borla?

  8. A Constituição e as “constituiçõezinhas”. Veja as diferenças.
    Diz a Constituição da República Portuguesa:

    «Artigo 201.º (Competência dos membros do Governo)
    1. Compete ao Primeiro-Ministro:
    (…)
    c) Informar o Presidente da República acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país».

    Escreveu o correio da manha:

    «o primeiro-ministro “TEM QUE” informar o Presidente da República “DE TODOS” os assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país».

    Balbuciou ontem o oráculo de Boliqueime (ipsis verbis), tremendo como uma madalena e quase desmaiando, vergado pelo esforço para se mascarar com pose de Estado:

    «Resulta directamente da Constituição. Leiam o artigo 201 da Constituição. Diz o seguinte: o primeiro-ministro “DEVE” informar o presidente da república de… “TODAS”… “AS INICIATIVAS”… “RELEVANTES”… para a condução da política interna e externa do país.»

    As reticências correspondem às pausas confrangedoras em que o pobre hominídeo tentava desesperadamente lembrar-se do texto… e não conseguia, como se pode ver pelas discrepâncias entre a Constituição real e o que lhe saiu da boca. Parecia um aluno cábula em exame oral, tentando aldrabar o professor e mijando-se pelas pernas abaixo com medo de ser apanhado na aldrabice.
    Mal empregados dois neurónios, que tão pouco uso têm.

  9. uma coisa que não vem na constituição: entre os interesses de uma empresa que vende um bem básico para o funcionamento dos humanos sociais, e os interesses dos tais humanos sociais representados por um governante que se atreve a defender estes contra aqueles, abate-se o governante, isto é os humanos sociais que representa. Assim foi que um secretário de estado da energia foi à vida e irão todos os que se opuserem à Força. The Force won’t stop. O povo está fraco. Ó povo que lavas na merda e não te sentes…

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