Ingleses veem em Passos um caso perdido de submissão a Merkel

David Cameron também já percebeu que a palavra “crescimento” causa curto-circuito nos neurónios de Passos.

“O primeiro-ministro português ficou de fora do manifesto do primeiro-ministro britânico, David Cameron, porque “não está sintonizado”, refere a edição de hoje do “Diário de Notícias”.

O jornal, que cita o site oficial do gabinete de Cameron, conta que em Janeiro passado o primeiro-ministro britânico e o seu homólogo italiano Mário Monti concordaram que “os seus países deveriam trabalhar juntos para desenvolver medidas práticas que desbloqueassem o potencial do mercado único”.

O manifesto, intitulado “Um plano para o crescimento na Europa” foi assinado por 12 primeiros-ministros europeus, tendo Passos Coelho ficado de fora. “

22 thoughts on “Ingleses veem em Passos um caso perdido de submissão a Merkel”

  1. «O manifesto, intitulado “Um plano para o crescimento na Europa” foi assinado por 12 primeiros-ministros europeus, tendo Passos Coelho ficado de fora. “»

    Hmm… Se foi assinado por 12 PM europeus, e se somos 27, quer dizer que 15 PM não assinaram. Como 15 > 12 (ainda é?), esses 12 é que “se puseram de fora”.

    Eu sei, não dá tanto jeito, não é? E como os cérebros não abundam, nem na imprensa, nem na blogosfera, a coisa passa como se fosse importante.

  2. Enquanto a maioria da imprensa portuguesa continuar a utilizar o Daily Express como fonte de informação, as notícias continuarão a ser tão fiáveis quanto as promessas do governo.

  3. Porfírio, não faço considerações sobre isso, muito menos sem ler o manifesto.

    Só estou a apontar a burrice, ou enviesamento (não sei o que será pior), do jornalista e da Penélope. Se há mais “de fora” do que “de dentro” é matematicamente, sociologicamente e politicamente errado dizer que uma das pessoas do grupo maioritário ficou “de fora”.

  4. Marco: Só tens é que ir ver quem está “de dentro”. Como não foste, digo-te que estão, entre outros, a Espanha, a Itália e a Suécia, peças nada importantes na economia europeia.

  5. Marco, o que a notícia diz é que o PM de Portugal ficou de fora do manifesto do PM britânico. Isso está inteiramente correcto. Não há matemática nenhuma nisso: há 10 milhões de portugueses fora de minha casa, e só 4 do lado de dentro – e é perfeitamente correcto dizer, por exemplo, que o Marco está de fora. Embora a maioria esteja de fora.
    O que vale a pena discutir é se o manifesto referido é interessante ou não. Isto é, se o PM português fez bem ou mal em ficar de fora dele. O pressuposto da notícia, e julgo que do post, é que o manifesto é bom por se dizer a favor do crescimento. Isso pode ser discutível – e é discutível. Mas coisa diferente é ridicularizar uma afirmação perfeitamente escorreita: o PM PT ficou de fora da iniciativa do PM UK.

  6. Penélope, só tens que ir ver quem está “de fora”. Como não foste, digo-te que estão, entre outros, a Alemanha e a França (as duas maiores economias, em percentagem do PIB europeu).

    E a Suécia? Isso é para me fazer rir? Entre a Espanha (5ª) e a Suécia (9º) há três países: esses assinaram ou não (não sei, ainda não fui ver)?

    Porfírio: eu “estou de fora” da casa, o que é diferente de dizer que “fiquei de fora” da casa. O “ficar de fora” implica que alguma vez fui considerado para lá estar (e não fiquei porque sou mal comportado e cuspo no chão). “Estar de fora”, por outro lado, só indica que fiquei onde sempre estive, e que alguém pegou nuns amigos e foram para outro sítio. Se eu estou com mais amigos do lado de fora, é correcto dizer que “fiquei de fora”?

  7. Eu, que não sou inglês, também vejo a submissão do Passos. E aposto que os seus seguidores também a vêem. A diferença é que acham muito bem e eu, entre muitos, a acham criminosa.

  8. Marco, agora está a colocar bem a questão: de que lado está quem e se isso é bom ou mau. O ponto está em que antes tratou essa questão como “burrice” (palavra sua, acima).
    Passando à substância, duvido de que o UK seja propriamente o melhor cabeça de cartaz para contrariar o Merkozy. O UK é habitual em arranjar grupos de países que o ajudam a sair das suas embrulhadas próprias. Este manifesto é a jogada típida do UK depois de um magnífico isolamento como aquele que o deixou fora do “compacto fiscal”. Mais uma vez, depois de uma jogada “de ilhéu” vem qualquer coisa que o coloca de novo no centro do debate. É justo perguntar se é numa coisa dessas que Portugal deve estar.
    Julgo que Portugal deveria procurar estar em movimentações (não necessariamente grupos) que alargassem a nossa margem de manobra. Um dos efeitos da presente situação é a diminuição política dos “resgatados” no seio da UE – e isso tem custos (políticos) grandes. Agora, que isso nos aconselhe a entrar em qualquer manifesto que por aí ande, é outra coisa.
    Outro aspecto interessante deste manifesto é que ele mostra que não há só uma direita europeia, há várias. E isso pode ser interessante para “aflitos”, como nós: abre espaços, os quais provavelmente nunca serão mais “duros” do que a corrente actualmente dominante.

  9. Bom, aqui está a carta na íntegra:

    Carta

    Independentemente das razões de protagonismo que levaram a Inglaterra a tomar esta iniciativa, ela representa a atitude de uma outra “direita” europeia que não se identifica totalmente com, e, por isso, não pretende submeter-se aos ditames da dupla Sarkozy/Merkel. Só posso louvar, atendendo à situação do nosso país. Alguns pontos da carta podem suscitar discordância, mas, para mim, tem o mérito de contestar a rigidez/cegueira alemã. Acontece que Passos também é de direita, mas alguém deve ter visto nas reuniões do Conselho as palas que usa (e quem segura as rédeas).

  10. Cara Penélope,
    como poderia Passos Coelho assinar esta carta se o (des)governo a que, presume-se, preside apenas aposta no crescimento dos impostos e das despesas impostas ao eleitorado?
    Não entro na discussão de quem assina tem uma economia maior do que quem não assinou, apetece-me apenas referir que sem crescimento económico não há remédio que valha à velha Europa.
    Pelos vistos o governo português pensa que não!
    Entende que se pouparmos muito, mas mesmo muito, tudo se resolverá. Claro que quem vai poupar não é quem impõe as poupanças ou as legisla, pois fosse esse o caso e rapidamente se inverteria o curso da história.
    Se a Merkel cair, o que não é tão difícil de suceder, veremos então, se o coelhinho ainda andar com o palhaço no comboio que vai ao circo, manterá a mesma posição ou se numa viragem das habituais mudará de opinião como já é hábito.
    Entretanto, lá vamos sofrendo e aguentando.

  11. Penélope, obrigado pelo link.

    Realmente, não percebo porque é que o nosso PM não foi convidado a assinar. Está lá tudo o que ele defende, desde a mobilidade da força de trabalho, negócios com parceiros asiáticos (em particular a China), quebrar barreiras nacionais e trans-nacionais que impedem o mercado livre (tradução: liberalizar sectores), e por aí fora.

    Pessoalmente, como liberal, já ontem era tarde para colocar este manifesto em prática.

    Já o que me admira é pessoal de esquerda condenar o nosso PM por não constar. Isso é um bocado esquizofrénico, tendo em consideração que este manifesto é tudo o que a nossa esquerda abomina.

  12. Marco: Quem quer uma maior integração europeia não pode ao mesmo tempo querer que os países se fechem. Harmonizações, reconhecimentos mútuos de licenças, de diplomas,etc., livre prestação de serviços (incluindo médicos), absolutamente nada contra.
    Quanto às relações externas e a abertura da UE ao mundo, a carta fala na China, mas também no Canadá, nos EUA, no Mercosur, nos países do sul do Mediterrâneo, etc.
    Aqui o ponto é, por um lado, a proposta de que se avance em conjunto para alguma coisa positiva que nos tire do marasmo (já disse que a Irlanda, a Espanha e a Itália subscreveram a carta?) e, por outro, que Passos tem medo de que Merkel lhe puxe as orelhas se levantar os olhos do chão, dando algum sinal de contestar a ordem de “expiação” dada ao país.

  13. A questão é simples : a Passos foi dito que se se atirar da ponte virá a salvação. Passos acredita piamente que isso vai acontecer. E está neste momento a caminho do fundo do rio.
    A outros foi dito a mesma coisa. Mas esses, os que assinaram o manifesto, preferiram confiar no que os olhos lhes diziam (não são portanto homens e mulheres de fé) e desceram do beiral da ponte.
    A diferença é que os seus paises podem talvez safar-se. Nós , pelo contrário, é só uma questão de quão rápido quinamos assim que batermos com as fuças na água.

  14. sei que venho tarde, e por isso peço desculpa, mas não podia deixar de aqui colocar umas notas sobre o assunto:

    “Muito me espanta que o PS defenda a liberalização comunitária do sector dos serviços, ou a extinção de regulamentos de restrição de acesso a certas profissões protegidas nacionalmente, ou a celebração de acordos de comércio de livre com os EUA e países do Mercosul . Mas se assim for, antes atrasados do que jurássicos.

    Claro que se pode dar o caso de nem ter lido o texto, e seguido apenas os título da imprensa, pois que Seguro no mesmo momento defende que deveria ser incluído aquilo que expressa e repetidamente os signatários sempre rejeitaram e continuam a rejeitar, como sejam «Emissão de eurobrigações, a emissão de moeda pelo BCE, uma agenda de rating, harmonização fiscal».”

    não quero fazer passar a sua opinião como a do PS, (ou sugerir que não leu a carta).

    Apenas considero que o que o conteúdo do comentário tb se lhe pode aplicar.

    Cumprimentos

  15. Pedro: Eu não sou o PS, primeiro ponto.
    Segundo: Não só li a carta, como a disponibilizei aqui (mais acima). Como disse, muitas propostas nela contidas podem ser contestadas ou discutidas, outras estão ausentes, como o papel do BCE e as obrigações de estabilidade (que Mario Monti, muito longe de ser um homem de esquerda, já defendeu publicamente). No entanto, ela prova que começa a haver quem pense no crescimento, parecendo contrapor algo à dieta alemã e ao seu monopólio das soluções. Considero isso positivo.

  16. Escrevi no meu comentário:

    “não quero fazer passar a sua opinião como a do PS, (ou sugerir que não leu a carta).”

    Assim o primeiro e parte do seu segundo ponto parecem perder o seu sentido.

    É exactamente a substância da carta que eu julgo fazer com q a critica tb possa lhe ser aplicada. Se muitas das propostas nela contidas (e as que lá não estão) revelam um teor contrário à opinião maioritária à esquerda (e aqui sou forçado a fazer uma generalização pois não conheço, naturalmente, todo o seu pensamento sobre a matéria) a critica de o P.M não assinar essa carta transparece como um “preso por ter cão, preso por não ter”. Se assinasse, as propostas eram inadmissíveis (como o foram aquando do debate europeu sobre a directiva dos serviços aqui à uns anos) e ele um perigoso e tresloucado neoliberal, como não assinou é tb criticado pois mostra uma subserviência canina face ao eixo MerKosy.

    Bom fim de semana

    Cumprimentos

  17. a carta serve essencialmente para mascarar os interesses fiscais de londres e recuperar a imagem do camarão solitário no aquário da lontra unfuckable fat ass.

  18. Pedro: Sabe perfeitamente a razão por que Passos não assinou, sendo ele um ultra-liberal. O resto é conversa. Aliás, a questão não é ter assinado ou não, é nem sequer ter sido convidado, capisce?
    O principal valor da iniciativa é a formação de uma frente alargada para retirada de protagonismo à Alemanha (a França aqui é um reboque). E isso só pode ser aplaudido, atendendo aos efeitos da medicação alemã, ditada por um ror de razões muito pouco recomendáveis.
    Bom fim de semana também.

    ex-anonimo: Outros 11 países assinaram.

  19. “ex-anonimo: Outros 11 países assinaram.”

    claro, atão iam divulgar um manifesto só com uma assinatura? foi por isso que demorou mais e não me admiraria que entretanto aparececem mais uns quantos a aderir, é uma questão de tempo, promessas e endosso de dívidas. união europeia sim, mas com americanos a mandar ò ainda não percebeste que alguém tem de pagar as brincadeiras dos bush e que os mercedes tão bué da caros.

  20. pazinhos, pazinhos, pois vede que se trata de um caso explicito da submissão do cagalhão à merda. Qual é o problema? É a natureza a actuar, ou não, seus ordinários que deixais estes fdp mandar no país, pás?!Comam e calem-se, pás! Ou então vãoprá rua mandar o cagalhão ao destino certo, ou ao curral ou à sanita, com descarrega de água. tanta filosofia pró cabrão governar e andar a roubar-nos atorto e a direito. nem leio as vossas tretas. Venham-me cá falar em objectividade e pragmatismo.

  21. À partida poderia ser um bom sinal. Mas näo traz nada de novo. Aliás, é um brilhante exercício de “spinning”, porque os efeitos do crescimento como estes senhores querem säo os mesmos da “outra direita” (Merkozy).

    Só para dar o exemplo finlandês, o PM enche a boca de “crescimento” ao mesmo tempo que quer impor cortes ao serviço público à boa maneira thatcherista. O que é interessante é que o mesmo sujeito, enquanto Min Finanças em tempo de vacas gordas, aumentou substancialmente a dívida pública, no que foi duramente criticado em 2008 pelo agora presidente-eleito Niinistö em directo na TV (Niinistö fora MF nos anos 90 diminuindo em % e valor a dívida pública em tempos bem piores).

    Talvez näo seja assim täo estranho, afinal, ele apenas segue a cartilha neoliberal de privatizar serviços públicos e depois fazer o Estado pagar o dobro aos privados que passam a fazê-los, aumentando o défice público, e assim justificando mais cortes.

    Estava curioso de ver se a PM dinamarquesa assinara a “Carta”. Pois, näo caiu na esparrela. Parece que foi Seguro quem caiu…

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