
Abelaira na Wikipedia – quem foi o «artista» que fez aquilo?
Ouvi dizer: «Procura Abelaira na Wikipedia. Vais ter uma péssima surpresa!». E foi. Na biografia não há o til em Ançã nem o nascimento – 1926. Duas vezes na mesma frase usam a expressão «participou activamente» para mais à frente explicarem que se estreou «como autor de romances» com «o romance A cidade das flores». Grave é a afirmação de que, depois da década de 30, «passou a utilizar a ironia» ele que nasceu em 1926 e tinha 4 anos em 1930 publicando o primeiro livro em 1959. Depois não explicam que o júri da Sociedade Portuguesa de Escritores, que em 1965 premiou Luandino Vieira, integrava, além de Abelaira, Fernanda Botelho, Manuel da Fonseca, Gaspar Simões e Pinheiro Torres. Mas falta dizer que Abelaira foi presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores, que foi colaborador de O Jornal, que o nome completo do Jornal de Letras é também de Artes e Ideias, que Abelaira é autor de textos teatrais como A palavra é de oiro, O nariz de Cleópatra e Anfitrião, outra vez além do livro de contos Ode quase marítima de 1978. O seu livro Enseada amena ganhou em 1966 o Prémio de Romance da Imprensa Cultural. Mas o ponto máximo do delírio é quando referem personagens com «aversão à política de esquerda» e «contra o Plano Marshall». Ora bolas! Então se para Caeiro da Mata «o meu país não precisa de ajuda financeira externa» e para Costa Leite (Lumbrales) «não interessa ao país enfileirar no número dos famintos do dólar» como pode este artista dizer que as personagens de Abelaira (1959) combatem o Plano americano quando essa ajuda só existiu até 1951 e se ficou em 54 milhões de dólares para créditos documentários do trigo da FNPT. Ora bolas!


















