
Ele não morreu de facto. Apenas está ausente
Apenas não veste a camisola azul com a cruz
Morrer é estar longe mas o Pepe está presente
Morrer é ser a sombra mas o Pepe é uma luz
Nas Salésias, no Restelo, ele fica, permanece
O Clube muda mas no fundo tudo continua
Como quando o rapazinho de súbito aparece
A marcar muitos golos nos jogos daquela rua
Todos os anos lhe trazem um ramo de flores
Este é o lado de fora da angústia instalada
Os mitos não morrem. Renascem nas dores
Da grande alma azul para sempre magoada
Apareceu a cigarreira há muitos anos perdida
É o fumo do cigarro que antecede a sua voz
Ele não chegou a fazer a festa de despedida
Não há morte para quem está dentro de nós
















