Um livro por semana 194

«A administração do Marquês de Pombal» de Pierre de Cormatin

Pierre Dezoteux, barão de Cormatin, militar de carreira, nasceu em Paris (1753) tendo falecido em Lyon (1812). Viajou pela Europa e pela África entre 1776 e 1780, tendo participado na batalha de Yorktown em 1781 na Guerra da Independência Americana. Como autor ligado ao iluminismo dominava os temas da Economia, da História e da Filosofia e, na linha dos «enciclopedistas» serve-se desses conhecimentos para a abordagem das políticas do Marquês de Pombal. Este livro surge como desagravo à publicação de uma obra de um jesuíta português em Paris intitulada «Memórias do Marquês de Pombal». Para o barão de Cormatin «O agente de uma coroa que em menos de quatro lustros funda tantos estabelecimentos úteis, promulga tão judiciosas leis e opera tantas reformas necessárias é, sem contradição, homem de estado; os das outras cortes, comparativamente com ele, são simples ministros.»

Analisando o estado da Nação portuguesa, o autor começa pela população («Em geral as portuguesas são belas: todas, ou quase todas, têm lindos olhos, bons dentes, o semblante engraçado e são dotadas de espírito») mas acaba por se demorar na riqueza: «no espaço de 60 anos, isto é, desde o descobrimento das minas até ao ano de 1756, saíram do Brasil novecentos e sessenta milhões de cruzados e, todavia, o dinheiro de Portugal era, em 1754, quinze ou vinte milhões; a nação devia então mais de setenta e dois, isto é, Portugal carecia de cinquenta e dois milhões só para pagar a sua dívida».

(Editora: Bonecos Rebeldes, Tradução: Luís Inocêncio de Pontes Ataíde e Azevedo)

11 thoughts on “Um livro por semana 194”

  1. Este teu post parece um filme do Hitcock sobre a economia das nações. Fiquei realmente suspenso pelo último furo do cinto, à espera dum final que me ajudasse a perdoar o Sócrates ou a elogiar o Salazar. Se a dívida era assim tão dramática um ano antes do terramoto, onde é que o homem foi buscar o dinheiro para reconstruir a Baixa e ficar com algum para matar a fome aos iluministas e aos Bonecos Rebeldes com tremoços? Diz-me, informando-me, senão ando aqui a ler-te e não aprendo nada.

    Abraço forte, porque sei que andas a morrer por um.

  2. «O agente de uma coroa que em menos de quatro lustros funda tantos estabelecimentos úteis, promulga tão judiciosas leis e opera tantas reformas necessárias é, sem contradição, homem de estado; os das outras cortes, comparativamente com ele, são simples ministros.»

    excelente sintese, vou procurar o livro, obrigado!

    Abraço

  3. AIRES: O livro está distribuído por Lisboa e pelo País mas em último caso está nas Escadinhas do Duque, 19 A ali entre o Rossio e o Largo da Misericórdia. Um abraço JCF

  4. Claudia,

    Ficaste hitching, com cócegas ou a morrer, para não deixares passar essa. Hit the cock, or, by extension, JCFs pair of balls could have been the idea. It wasnt, unfortunatalie.

  5. Sugestão oportuna, pois o Marquês de Pombal – que abanou, e de que maneira, os interesses ainda feudais da nobreza e da igreja, – é ainda hoje muito desprezado pelos nossos historiadores. Para já não falar do ódio que a Agustina demonstrou ter por ele na biografia que lhe dedicou.
    Dantes como agora, as grandes personalidades da nossa história, que provocaram com a sua acção mudanças de progresso no nosso país, são mais reconhecidas pelos observadores estrangeiros do que pelos “analistas do burgo”.

    Também vou procurar o livro, pois considero o Marquês de Pombal “um milagre” que os deuses concederam ao nosso país para sobreviver ao terrível terramoto de 1775!

  6. Sr. JFK

    Gosto de lhe chamar JFK. Não o conheço e não gostei quando me chamou nomes. «não habia nexechidade».

    Acho que começo a percebê-lo, na suas exposições. O outro dia escreveu uma coisa muito bonita, que me sensibilizou muito. A Morte, a Partida, a Ida, são coisas tão tristes.

    O Senhor soube escrever sobre uma situação de forma simples, não plástica, porque a vivenciou e quando assim é, tudo sai tão naturalmente.

    Hoje reproduziu isto «Em geral as portuguesas são belas: todas, ou quase todas, têm lindos olhos, bons dentes, o semblante engraçado e são dotadas de espírito»

    Sabe uma coisa? Essa frase mantém-se. As portuguesas continuam a ter bonitos olhos e tudo o mais! O simples facto de reproduzir o «dito» revela, de alguma forma o seu respeito e a sua simpatia para com as mulheres portuguesas.

  7. Claudia (sem assento agoo-doo no ah, à romana),

    Sei que não vais acreditar nisto, e é realmente pena, mas ainda tu andavas a coçar na Maria Albertina dos Santos já eu sabia, muito vaidoso e contente de poder absorver a merda que vinha de Hollywood, como “escrever direito o nome do realizador”. E ainda te digo mais: já tive uma discussão muito acesa, cara a cara, com uma senhora sobre cuja fronte costumava ele, esse inveterado frascário e comilão das estrelas dos seus filmes, depositar beijocas quando ela era menina. Itchcock, o próprio, o gajo.

    Abrácio.

  8. girofilé,

    pá eu gosto de ta ler, mas gosto mesmo. dapoje do ka escrebeste inda tenho mais curiosidade de ta ler. Cunta mais cousas, pá, ka kero saver.
    tu debes sere frescu, debes, debes, pela forma cumo escrebes pá. Oube lá tu já tibeste em oliude? Eu já, meu akela gaita lembra o Cunde Bavão em Lisvoa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.