Caminho-1942

O grupo de homens caminha por entre as fardas
Vão olhando em frente, sem receio e decididos
Mais pensativos vão os que levam as espingardas
Porque afinal anos depois serão eles os vencidos

Nesta Lisboa de mil novecentos e quarenta e dois
Chega mais uma leva de homens de Montemor
A fotografia só a descubro muitos anos depois
Mas muito nítida como se sentisse aquele fervor

O grupo de homens caminha por entre as fardas
Mas são eles os condutores no grupo que passa
Para poucos camponeses um pelotão de guardas
Que por tão pouca razão trazem a sua ameaça

Entre todos eles há a força dum olhar verdadeiro
São eles que desenham o seu caminho no chão
Hoje vejo no porte altivo do rosto do primeiro
O esplendor da nobreza de quem sabe ter razão

One thought on “Caminho-1942”

  1. O homenzinho que vai à frente não tem apenas cara, marcha também com o resoluto porte de alguém que foi apanhado em flagrante a dar vivas à Rússia e a Stalingrado sob o pretexto de que andava inocentemente a apanhar azeitona com um cesto de merendas. Era assim, tristemente, nesses tempos de violência repressiva da maçonaria salazarista fascista. Footografias dessas, especialmente se forem em Agfacolor, vendem-se por bom dinheiro em feiras de ladras por essa Europa fora.

    O poema está bom, mas não dá muitos detalhes da história. Se souberes alguma coisa mais, conta.

    Abraço de classe.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.