O mito do Pepe

Ele não morreu de facto. Apenas está ausente
Apenas não veste a camisola azul com a cruz
Morrer é estar longe mas o Pepe está presente
Morrer é ser a sombra mas o Pepe é uma luz

Nas Salésias, no Restelo, ele fica, permanece
O Clube muda mas no fundo tudo continua
Como quando o rapazinho de súbito aparece
A marcar muitos golos nos jogos daquela rua

Todos os anos lhe trazem um ramo de flores
Este é o lado de fora da angústia instalada
Os mitos não morrem. Renascem nas dores
Da grande alma azul para sempre magoada

Apareceu a cigarreira há muitos anos perdida
É o fumo do cigarro que antecede a sua voz
Ele não chegou a fazer a festa de despedida
Não há morte para quem está dentro de nós

One thought on “O mito do Pepe”

  1. «Não há morte para quem está dentro de nós»

    Pois não há Sr. JFK. Nunca há. Porém, há uma saudade tão grande, que medi-la é impossível. Nem Einstein com a sua brilhante matemática o conseguiria fazer.

    Não há remédio para a saudade, nem oxigénio bastante que aguente quem ficou.
    A memória, essa coisa traiçoeira, é daquelas que passou a lembrar-se de Tudo. Até ao mais ínfimo pormenor.

    A Vida é curiosa. A Morte sorri-lhe a toda a hora ora gozando-a ora simplesmente acenando-lhe que «quando eu quiser…»

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.