Mundial 82

(á memória de Edilberto Coutinho)

Certo.

Houve neste Mundial grandes jogos.

O Itália – Brasil com três golos nos primeiros vinte e cinco minutos.

O Alemanha – França com 8-7 nos pontapés da marca de grande – penalidade

depois de dois empates sucessivos.

O Itália – Polónia em Barcelona.

O Brasil – Argentina.

O Polónia – França jogado em Alicante no desconsolo do terceiro lugar.

O Itália – Alemanha no Santiago Barnabéu com Breitner insuficiente para Altobelli, Rossi e Tardelli.

Certo. Houve neste Mundial grandes jogadores.

Vimos Schachner a iluminar a Áustria

Vimos Maradona, Trevos Francis, Boniek e Platini, Rummenigge e Zico,

o escocês Jordan, Sócrates e Falcão, Tigana e Éder, Paolo Rossi enfim –

o homem dos golos decisivos, dos golos inesperados, dos golos impossíveis.

Certo.

Mas a imagem mais forte deste Mundial é a de um animado jogo de cartas no avião de regresso a Roma.

Cauzio e Zoff jogam com Bearzot e com o presidente Sandro Pertini.

Jogam no usufruto dum tempo suspenso,

intervalo entre o esplendor na relva e as condecorações no Quirinal.

Jogam a partida contra o tempo dos relógios.

Eles sabem: quando o trunfo é morte nada mais podemos fazer que assistir.

3 thoughts on “Mundial 82”

  1. Que saudades!
    Sandro Pertini – a juventude vibrante da final!
    Paolo Rossi enfim – o homem dos golos decisivos, dos golos inesperados, dos golos impossíveis. Dos golos que, na vida, meteu com a mão.

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