Meu Bairro, terra queimada
Campo de batalha perdida
Minha lágrima tão isolada
A quem não respeita a vida
Viver era uma aventura
Hoje o medo é distribuído
Sacos cheios de amargura
Passam, não deixam ruído
São Bombeiros Sapadores
Câmara, Junta e E.M.E.L.
Que se curvam os senhores
Para nos darem taças de fel
Quando os dísticos trocados
Veio a E.M.E.L. ao lugar
E fomos todos burlados
Passar não é estacionar
Bairro Alto é Tarrafal
Onde a vida amaldiçoa
E a Polícia Municipal
Devia ser de Lisboa
E não de certos senhores
Que ocupam um espaço
Comos se fossem favores
Nascidos no velho abraço
Quando passa a carrinha
Em frente a este lugar
Fecham os olhos em linha
Só pensam em bloquear
Nos muros dos Calafates
Há lugares não há vontade
Sapadores dos disparates
E bombeiros sem verdade
Irmãzinhas do Convento
Que vivem do outro lado
Os lugares são o tormento
Se fica tudo bloqueado
Rua dos Mouros mentira
Há espaço e ainda sobeja
O bombeiro ainda retira
Um lugar que se deseja
Junto a um respirador
Onde não vive ninguém
Para o pobre sapador
O lugar é mais além
Travessa da Boa Hora
Perdemos oito lugares
Ninguém veio rua fora
Compensar os populares
Meu Bairro, terra queimada
Mapa dos tristes sarilhos
Ali viveu despreocupada
A geração dos meus filhos
EMEL, Bombeiros e Junta
Mais Câmara Municipal
São origem da marabunta
Numa cidade só de mal
Onde o bem era o preceito
Sardinheiras na varanda
Agora queimam a eito
A vida de quem cá anda



