Vinte Linhas 368

«Mulher e arma com guitarra espanhola» de Dinis Machado

Foi na loja «Assírio & Alvim» que foi apresentada ao público a nova edição deste clássico dos anos 60 editado na Íbis e, mais tarde, no Círculo de Leitores. Ambas esgotadíssimas. A capa é de João Fazendo e, na presença de Dulce Cabrita, fizeram as honras do livro José Xavier Ezequiel e Teresa Sá Couto. Por fim um momento de emoção: João Lima tocou uma guitarra portuguesa «diferente». Uma sonoridade invulgar num duplo registo de homenagem: Carlos Paredes pelo som e Augusto Cabrita pela imagem das pessoas a entrarem e a saírem dos cacilheiros, entre a pressa e a espuma, entre Lisboa e a Outra Banda, entre a resignação e a ousadia. Recordei o próprio Dinis Machado a beber um café comigo na Bertrand, a oferecer-me um soneto no dia dos meus 43 anos, a distribuir poemas disfarçados no meio do «Molero», a lembrar a maia velha estação de comboios do Mundo (o Rossio) de onde partia para o primos da Beira Alta que lhe enchiam o rosto de beijos húmidos. Porque a ternura é húmida. E o livro? Poiso livro trata de uma assassino profissional cheio de problemas éticos. Mas também de lucidez: «É preciso um automóvel e dois ou três homens com pistolas, às três da madrugada num certo sítio. Depois, levam-no. As coisas têm evoluído, mas isto de apanhar homens sem eles saberem como, mantém-se na mesma. Automóveis, pistolas e ruas desertas. É como o conto do vigário. Caem sempre».

Ficamos a saber pela contracapa deste novo livro que vem aí o inédito «Blackpot», um pequeno grande livro de Dennis McShade que poderá ser assim o seu testamento literário. Dinis Machado, esse mesmo que em 1968 veio revolucionar o policial português.

3 thoughts on “Vinte Linhas 368”

  1. Não sou eu mas sim o Dinis Machado que tinha tios na Beira Alta e era do Rossio (a mais velha estação de comboios do Mundo) que partia para a terra dos tios e de lá vinha lambusado de beijos e de coisas da terra – queijos, enchidos, pão, bolos caseiros, carne assada. Isso era no fabuloso tempo da infância em que não pagamos nada nem pelos beijos nem pelas lágrimas.

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