In vino veritas

a frase
“O primeiro-ministro não teria passado pelas provações por que tem passado, e que o próprio considera altamente injustas, se tivesse tido o bom princípio de não tomar decisões à última da hora”.
Paulo Rangel, “Diário de Notícias” e TSF, 14-06-2009

Público

*

Paulo Rangel foi secretário de Estado adjunto do ministro da Justiça no Governo de Pedro Santana Lopes. Fez parte de um Governo com os seguintes bons princípios:

Governo de gestão continua a nomear

Juristas duvidam da legalidade do despacho de adjudicação do SIRESP

Governo de Santana Lopes aprovou pagamento à Bragaparques dois dias antes das eleições

Património avaliado em 110 ME pode valer cinco vezes mais

Procuradoria-Geral da República abre inquérito ao processo do Casino Lisboa

Não tendo pachorra para chafurdar mais no passado, passo para o presente:

Rangel poderá abandonar Parlamento Europeu caso PSD vença as legislativas

Ferreira Leite “teme” irreversibilidade de decisões no projecto do TGV

E não tendo paciência para chafurdar mais no presente, passo para o futuro.

Obviamente, se há projecto que tenha o rosto propagandista do PSD é o TGV. Primeiro, porque o investimento é inevitável, Portugal terá de construir algumas linhas de alta velocidade e nenhum partido com responsabilidades governativas irá travar esse processo. Depois, porque é economicamente rentável no curto, médio e longo prazo, daí ter o apoio dos empresários, implicar fundos comunitários e ter relação directa com a logística de exportação e distribuição de mercadorias. Finalmente, porque é uma bandeira histórica do PSD, o qual só espera a oportunidade para vir dizer Somos nós, com a nossa vontade indómita, visão estratégica e espírito de iniciativa, os responsáveis pela chegada destes comboios muita modernaços a Portugal!

A única dúvida era saber como iria o PSD mudar por completo o bico ao prego, uma vez obtido o ganho demagógico. Ferreira Leite foi mais rápida do que a própria sombra e já disparou contra o bandido. Disse que o TGV lhe cheira a inevitabilidade, a destino. Prepara-se agora para pedir só uma coisinha, uma, só, coisinha: que, uma vez que o magano tem mesmo de se fazer, então que seja ela a abrir as garrafas de champanhe. Pelo menos, embriagada com a verdade já está.

21 thoughts on “In vino veritas”

  1. Pois para mim, isto é tudo mais um capítulo da excelente novela trágico-cómica que é a política em Portugal! A malta recosta-se no sofá e assiste entusiasticamente ao que cada lado da barricada vai debitando. Hilariante!

  2. Há quem defenda que a direita não consegue disfarçar as criancices e delírios de juventude. Nesse caso, as contradições do PSD só podem ser vistas como acne juvenil. As inconsistências estruturais, a desarrumação ideológica e as fragilidades emocionais da ocasião estão a deixar o partido entregue às borbulhas, pontos negros e outras formações cutâneas diversas. Há quem defenda que não se trata de imaturidade adolescente mas sim, stress pós eleitoral. Em todo o caso, seria recomendável um dermatologista.

    É senso comum dizer que os políticos dizem hoje uma coisa e amanhã outra. A comadre Manuela está a fazer disso a sua estratégia principal e o Paulinho troca tintas pode dizer o que lhe der na gana porque é garantido o humor. Os portugueses só podem ver aqui um futuro risonho. Pelo menos para os do costume.

    O governo devia ter deixado de tomar decisões logo que a actual liderança do PSD foi decidida. Toda a gente sabe que esta liderança da oposição tem objectivos bem definidos para o país e, como tal, o governo devia ter-se limitado a aspirar as carpetes para assistirmos à ascensão da FLeite ao trono.

  3. “Não tendo pachorra para chafurdar mais no passado…”
    eu chafurdo mais um pouco (e muito mais havia ainda para chafurdar) recordando o afastamento compulsivo de comentadores da TV com os quais não se está de acordo. e depois o tirano, o inimigo público da comunicação social, é o sócrates. de sócrates, disse marcelo, que tinha um problema com a verdade; por muito menos o mesmo marcelo foi despachado da tvi sob pressão do psd. imaginem só se sócrates aplicasse o mesmo princípio – quem fala mal de mim tem de ser afastado – actualmente: praticamente todos os jornalistas e comentaristas seriam afastados, desde o gordo seboso caa até ao gordo elástico pedro qualquer coisa (o do eixo do mal). esses mesmo comentaristas que ganham a vida à custa do sócrates já que para aí 95% das suas opiniões emitidas são sobre o sócrates (para dizer mal,claro está).
    é crucial, nestes dias de demagógica e amnésica campanha, recordar o que foi a merda da governação psd/cds (mil penitências pois através do voto também contribuí para a sua instauração). agora querem vir aí outra vez, catalisados pela crise internacional e com os mesmos rostos. livra.

  4. «as inconsistências estruturais, a desarrumação ideológica e as fragilidades emocionais da ocasião», qual quê, são mas é manifestações de improviso de bandalhos para quem a verdade só conta o que parece ser, que é o que eles são – e a gente vai permitindo?

  5. Queres, quais das listas, a de Sócrates enquanto Ministro de Guterres ou de Sócrates enquanto primeiro Ministro.

    Dão nas vistas em qualquer lugar
    Jogando com as palavras como ninguém
    Sabem como hão-de contornar
    As mais directas perguntas

    Aproveitam todo o espaço
    Que lhes oferecem na rádio e nos jornais
    E falam com desembaraço
    Como se fossem formados em falar demais

    Demagogia feita à maneira
    É como queijo numa ratoeira

    P’ra levar a água ao seu moinho
    Têm nas mãos uma lata descomunal
    Prometem muito pão e vinho
    Quando abre a caça eleitoral

    Desde que se vêem no poleiro
    São atacados de amnésia total
    Desde o último até ao primeiro
    Vão-se curar em banquetes, numa social

    Demagogia feita à maneira
    É como queijo numa ratoeira

  6. O olho está novamente com remela (humor viscoso amarelado ou esbranquiçado que se forma nos pontos lacrimais ou nos bordos da conjuntiva). BIAAAAC! Já cá volto que este post merece um comentário. Adoro o Rangel!!!!!!

  7. “Eu não precisei de estudos” diz o Ministro das Finanças, mas quando é que o homem responde ao que se pergunta, aprendem todos pela Cartilha Maternal de Pinto de Sousa

  8. Viva o Rangel que é a contradição de si próprio. Passou apenas uma semana e quando ouço criticar a arrogância de Sócrates penso logo por antítese na simpatia da Ferreira Leite e do dito. Aliás, Rangel é nitidamente um caso dermatológico não é fungo ou patologia mais grave e logo não passível que se lhe aplique clotrimazol. Não! Ele está entre a borbulha e a pústula. É um simples ponto preto mas muito “piquinino” que nem sequer merece uma simples aplicação de Halibut. Como todos os pontos pretos, espreme-se correndo sempre o risco que volte a crescer. Espremamos, correndo o risco anteriormente exposto, por isso o Rangel. Sim, esprema-se! Viva o Rangel!

  9. “Havia num partido um homem, que era demasiado medroso e cobarde para, alguma vez, contradizer os seus camaradas: empregavam-no para todos os serviços, exigiam tudo dele, porque ele tinha mais medo da má opinião dos seus camaradas que da morte; era um lamentável espírito fraco. Eles reconheceram isso e fizeram dele, em virtude das circunstâncias mencionadas, um herói e, por fim, até um mártir. Embora o cobarde, interiormente, dissesse sempre não, com os lábios pronunciava sempre sim, mesmo já no cadafalso, ao morrer pelas ideias do seu partido: é que, ao lado dele, estava um dos seus velhos camaradas, que o tiranizava tanto pela palavra e o olhar, que ele sofreu a morte realmente da maneira mais decente e, desde então, é homenageado como mártir e grande personalidade. ”

    Nietzsche

  10. Adorava um frente a frente Sócrates-Rangel! ou Sócrates-Ferreira Leite!

    o 1º sería como esfolar um porco,
    a 2ª …acabem os senhores por favor

  11. z, não vamos permitindo nada. Não é só bandalheira oportunista. Esta gente tem agenda definida e nós sabemos bem que mentalidade e “desenvolvimento” nos propõem.

    Só temos que desmascarar o ridículo das suas ideias e votar para que garantidamente não possam governar. As opções são bastante claras para quem, numa altura destas, não se ilude com cenários idílicos de tons pós revolucionários ou apocalípticos que reduzem tudo a interesses ocultos dispostos a sacanear-nos.

  12. Tá bem pá, mas se eu com o psd fiquei de tanga com o ps fiquei fio dental e se me constipo mando um espirro para cima do dragão que elr vai aterrar na Lua que é para saber, portanto estamos assim,

  13. A novela do «TGV» é a verdadeira imagem de marca do P. S. D. actual: cinismo, incoerência, irresponsabilidade e oportunismo.

    De cada vez que arrota uma posta de pescada sobre este assunto oferece um voto directo à C. D. U., ou ao B. E..

    Agora que finalmente mostrou o rabo de fora do gato escondido, já nunca mais os vão acreditar!

    E não é por entre os trinta distintos merceeiros, aliás, economistas, estarem ex-figurões guterristas, como Daniel Bessa, ou Augusto Mateus, ou mesmo ressabiados deste Governo, como Campos e Cunha, que o embuste soa menos a falso: afinal, tudo o que estes “bons rapazes” querem é apenas “mais estudos” (pudera…), “maior reavaliação” (ai não) deste “mega-investimento”, até chegarem por fim à inevitável conclusão de que… CLARO, AGORA SIM, O «TGV» E O NOVO AEROPORTO DE LISBOA SÃO OBRAS URGENTES, INDISPENSÁVEIS PARA COMBATER A CRISE, PATRIÓTICAS, IRREVERSÍVEIS, ESTRUTURANTES, COMPARÁVEIS ÀS AUTO-ESTRADAS DO CAVAQUISMO, etc., etc., mas sim, claro, só agora, não antes, porque agora… quem decide as contratações, quem é, quem é?

    O Governo do “centralhão”!!!

    Quem não vos conheça que vos compre…

    Mas olhem, amiguinhos, quem semeia ventos…

    E bem podem aproveitar para um passeio até ao Cesário Verde (um sítio bem bonito, por sinal…):

    «(…) que os Povos humilhados, pela noite, para a vingança aguçam os punhais! (…)»

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