Vinte Linhas 367

Eu vi as lágrimas e ouvi os soluços do homem desconhecido

Ele não era de Lisboa e tinha a carrinha e os empregados por sua conta e risco. Precisava de sair do Bairro Alto e tinha a viatura bloqueada desde as 10 da manhã. Estava à espera da Polícia Municipal há duas horas e já eram 8 da noite. Tinha o telemóvel ligado à central da Polícia no momento em que se atravessou à frente do meu automóvel chorando e soluçando. Não me deixou passar e obrigou a minha família a sair fazendo o resto do caminho a pé. E eu fiquei ali um bom bocado a ver as lágrimas e a ouvir os soluços do homem desconhecido. Ele não compreende como o Bairro Alto está a ficar um pesadelo para quem lá vive e tem automóvel. Ele não percebe que a Polícia Municipal é apenas a ponta visível duma miserável mistificação que envolve a EMEL, os Bombeiros Sapadores e a Junta de Freguesia – além da Câmara Municipal, presidida por um senhor que nasceu aqui na Rua da Vinha. A EMEL não se preocupa com os lugares dos moradores porque não lhe dão dinheiro, os Bombeiros demonstraram um elevado índice de estupidez, autismo e maldade ao vetarem alguns lugares possíveis de serem considerados de estacionamento com o «argumento» da «segurança». Por exemplo na Travessa de S. Pedro multaram ontem 10 viaturas num espaço que não prejudica ninguém pois as Irmãs do Instituto de S. Pedro de Alcântara fazem toda a sua vida pela Rua Luísa Todi. Se desenhassem no chão os 8 lugares que aqui existem já era um convite explícito a ninguém estacionar fora das marcações e assim alguns carros do lixo (não todos!) deixariam de ter dificuldades ao virar na Rua do Teixeira e na Rua dos Mouros. Ao pé dos Calafates há mais lugares tal como ao pé do Mercado mas eles não querem.

4 thoughts on “Vinte Linhas 367”

  1. Tudo bem, Francisco, até pode ter razão.

    Mas pense nisto: se acontecer um incêndio e alguma tragédia ocorrer por impossibilidade do socorro chegar a tempo por causa de uma viatura estacionada, você diria que isso teria desculpa pelo benefício de, antes do sinistro, aquele lugar específico ter estado à disposição dos automobilistas durante tantos e tantos dias?

    Faço-lhe justiça, você não diria isso, pois não?

    Então talvez seja melhor procurar soluções inteligentes, antes de apontar o dedo aos Bombeiros, ou a quem quer que seja.

    Talvez esta: que tal haver uma entidade independente e tecnicamente idónea, com representantes de todos os interessados (C. M. L., Bombeiros, Junta de Freguesia, “forças vivas” locais), mais os especialistas em Circulação e em Segurança Urbana, que desse Parecer (vinculativo ou não, dependendo de quem arcasse com as responsabilidades em caso de decisão errada) à C. M. L. sobre esta matéria?

    Isto é “a gente a falar” (e a pensar, que também ajuda bastante)…

  2. Deixei de ser membro da Assembleia de Freguesia exactamente por este motivo. Recuso-me a ver o óbvio – não chamo «bandidos fardados» aos homens da Policia Municipal. Porque eles são a mão visivel de uma estratégia sinistra que vem lá muito detrás. No tempo da outra administração a EMEL deu uma carta assinada pelo presidente a todos os moradores com viatura com a lista das ruas das ourtas freguesias onde se podia estacionar quando não houvesse lugar dentro do Bairro. Fomos burlados quando fomos obrigados a entregar um documento que nos dava alguns direitos e recebemos em troca um dispositivo com direito apenas a «circular» e não a estacionar. Mas mesmo na actual situação há muitos e bons lugares que só não são considerados pela prepotência dos tais «senhores» que passam o dia fechados nos gabinetes e nada sabem da vida real. Essa «segurança» só existe na sua imaginação doentia.

  3. E já agora repare você que até dou de barato o facto de os homens da Policia Municipal terem passado por um local onde há restaurantes que abusivamente ocupam lugares de estacionamento para colocarem mesas e servirem clientes antes de multarem os dez automóveis da minha rua. Porque penso que eles não são «bandidos fardados»; eles cumprem ordens da Camara Municipal. Porqeu se eles ficassem a multar e a obrigar os restaurantes a desimpedirem os espaços que a Cãmara marcou para estcionamento, já não chegavam aqui a tempo. Percebe amigo???

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