Vinte Linhas 373

José Cid não merecia uma maldade destas

Ontem fui ao Coliseu dos Recreios assistir à Gala dos 511 anos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e tive que passar pelo Miradouro de São Pedro de Alcântara onde havia dezenas de turistas e um quiosque (esplanada) vazio. Alguém na Câmara Municipal resolveu colocar a licitação do espaço em 2.500,00 euros. Por mês… Ora só um louco é que pode imaginar que a vender cafés, galões e pastéis de nata se pode ganhar para pagar esse balúrdio à Câmara sem esquecer o pagamento do ordenado aos empregados.

Quanto ao espectáculo marcado para as 17 horas só começou às 17 e 40 o que originou que a actuação de José Cid, o ponto alto da festa (sem desprimor para os outros artistas), só terminasse às 20 horas e quarenta já com largas dezenas de pessoas a abandonarem a sala depois de olharem para o relógio. Muita gente idosa tem que comer a horas porque senão o pâncreas desata a fazer das suas. Foi uma tristeza. Muita gente saiu a dizer «Agora que isto estava no melhor…» mas os 40 minutos do atraso inicial não foram recuperados. Curioso que os apresentadores nem sequer pediram desculpa aos espectadores pelo atraso.

Estes dois episódios separados por um curto espaço de tempo são a prova de que a arte de ser português permanece intocada e intocável. Nem o «25 de Abril» nem a prática das eleições nem a liberdade de imprensa e as liberdades em geral motivaram os portugueses para deixarem de ser «artistas»: uns a pedirem preços malucos para uma esplanada num miradouro único no país e no Mundo, outros atrasam 40 minutos uma festa com prejuízo do último artista a actuar. José Cid não merecia uma maldade assim.

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