Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Educated Women Increasingly Likely to Have 1st Baby Before Marriage
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Researchers observed association between standing and insulin sensitivity – standing more may help prevent chronic diseases
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Emoji are proposed as a powerful way for patients and doctors to communicate
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Bacteria could learn to predict the future
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People influence others – for better or worse
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Does accountability always work? Workplace bias suppression can be difficult to sustain, study shows
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Engineering students still learning from collapse of World Trade Center
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Dominguice

O terrorismo é um nome. Para quem o faz, é combate, defesa, honra, esperança. O terrorista sente-se ameaçado, teme pela aniquilação dos seus, da sua identidade. Sente que lhe podem roubar a terra, apagar a sua história, daí a sua felicidade suicida. Para quem o sofre, o terrorismo é um sinal do fim dos tempos. A vítima do terrorismo sabe que o próximo ataque pode ser mais letal, que o próximo ataque tentará destruir o que considerar mais valioso, mais importante, tudo o que é seu e dos seus.

Os seres humanos, podendo, vão extinguir-se. Dispondo dos meios para tal, alguém sentirá a pulsão irresistível para carregar no botão do apocalipse. Haverá sempre um alucinado capaz de preferir o nada ao ser. A desaparecermos antes de nos espalharmos pelo sistema solar, é mau? Seria se o Universo não estivesse estatisticamente preparado para nem reparar no que acontece num dos seus quadriliões de esboços do que anda à procura: a consciência que lhe deu origem.

Paulo Rangel e a asfixia sexual

«"Hoje é mais fácil", diz Paulo Rangel sobre a sua assunção como homossexual em 2021. Esqueceu-se de dizer porquê. Numa entrevista em que falou sobre a necessidade de aprender a pedir desculpa, não lhe ocorreu reconhecer que se hoje é mais fácil, para ele e para todos os homossexuais portugueses, se o país mudou, não foi graças à sua ação política.»

Paulo Rangel e a luta pela igualdade

Paulo Rangel vai ser o próximo infeliz a tentar aguentar o PSD enquanto Passos Coelho tenta aguentar-se como messias à espera que Costa saia da arena das legislativas. Não há mais ninguém, mais nada, no laranjal. 15 anos de ubíqua indústria da calúnia, golpadas mediático-judiciais e traição ao bem comum trouxeram os direitolas a este deserto sem oásis.

Ora, quem é o Paulo Rangel, politicamente falando? Trata-se de uma das mais tóxicas personalidades da direita portuguesa, uma picareta falante que não tem qualquer ideia para benefício dos mais carentes ou da classe média que seja possível recordar. A sua práxis como figura grada do PSD consiste numa obsessiva e chungosa litigância – a qual define não só o seu modo retórico como a sua valia cívica. É um sósia mental do Nuno Melo, ambos incapazes de pensar a comunidade para além do niilismo que reduz a política à luta tribal do poder pelo poder, e onde a regra de ouro é o apelo ao ódio.

Agora que a sua sexualidade foi usada para um ataque político canalha, e que a vítima deu um golpe de judo no atacante, convém registar que o mais importante do episódio não está no que foi capaz de dizer a respeito da sua orientação sexual. O mais importante é o que continua a calar a respeito do seu erotismo populista, como inveterado hipócrita que é.

E consiste nisto: se o deixarem, vai foder-nos.

Revolution through evolution

Groundbreaking ideas from women scientists get less attention
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Maternal voice reduces pain in premature babies
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Eating walnuts daily lowered ‘bad’ cholesterol and may reduce cardiovascular disease risk
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Postponed retirement slows cognitive decline
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Five common thinking traps and how to avoid them
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Turning cameras off during virtual meetings can reduce fatigue
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Dogs tell the difference between intentional and unintentional action
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Dominguice

A prova de que não somos um, somos pelo menos dois, está nos sonhos. Quem escreve aqueles enredos? Quem selecciona as memórias e as altera, converte, reinventa? Não o espectador, o qual assiste hipnotizado, impotente, ao desvario. E que sente, sofre, delira com esse outro mundo onde acreditamos ser e estar.

Poderá existir mais do que um argumentista. Especializados em diferentes géneros. E poderá haver um showrunner que liga as diferentes páginas dos diferentes autores numa sucessão de cenários, personagens e acções que só para ele façam sentido. E talvez haja sessões, ou partes da sessão onírica, a que não temos acesso. Desconhecemos o que lá passa e se passa. Ignoramos para quem é exibido o material. Não sabemos se há uma multidão nessa plateia interior a chorar ou a rir com os nossos sonhos, as nossas cenas.

Teologia graciana

A grande figura, o triunfador, no Debate entre os sete candidatos à Câmara de Lisboa chama-se Nuno Graciano. Não oferece discussão. Tratando-se de alguém que (para recorrer a linguagem técnica) está todo queimadinho, conseguiu envergonhar a concorrência ao aparecer com textos para ler, enquanto os outros falavam de improviso como irresponsáveis que são. Este Graciano teve o cuidado de consultar um advogado, talvez mais do que um, para conseguir perceber o que dava ou não dava para dizer no debate. E depois, em coerência, andou aos papéis sempre que era chamado a intervir. Isto revela prudência e até sageza.

Mas foi em parelha com o candidato da IL que teve o seu contributo mais valioso, marcando profundamente o que o distingue da corrupta classe política. Está registado para a História, uma hora e dez minutos corridos:

NGAté hoje ainda só não houve um acidente [de aviação], graças a Deus, por mero acaso.

BHSEu não acho que foi graças a Deus, foi graças ao avanço tecnológico, um avanço que é permanente.

NGEu acho que foi graças a Deus, também.

Inteligências apressadas limitar-se-ão a constatar que Nuno Graciano é um homem de fé, como aliás é público há muito e muito tempo. E que, seja pela sua experiência da oração ou pelo afincado estudo da exegese bíblica, conseguiu aceder a um conhecimento espiritual que relaciona o tráfego aéreo do aeroporto da Portela com as preocupações diárias de Deus. Tudo isso é verdade mas quase que se torna irrelevante perante o que nos revela ao ter juntado na mesma frase, no mesmo nexo lógico, as noções do divino e do aleatório: “graças a Deus, por mero acaso.” Ou seja, na teologia graciana o acaso é uma vontade de Deus, por um lado, e, simetricamente, Deus é ele próprio uma substância ocasional, pelo outro. Isto é revolucionário e lindo.

Não se pense, contudo, que a utilidade do candidato do Chega em Lisboa se esgota nos seus dotes místicos e proféticos, ele igualmente deu uma grande ajuda ao candidato do PSD quando trouxe para o debate a capa que o esgoto a céu aberto tinha preparado com tanto carinho para isso mesmo. Oferta que Moedas não desperdiçou, assim demonstrando que um pulha é um pulha é um pulha.

Ocasião para perguntar: Moedas, és pulha graças a Deus ou por mero acaso?

Bravo, Miguel Pinheiro

Pessoas que admiro moral e intelectualmente são contra a ideia de se debater com Ventura, mesmo dar a conhecer o que diz. Consideram que tal é favorecer o infractor, dando-lhe a notoriedade e poder de influência que procura para aumentar o número dos que apoiam propostas racistas, xenófobas e fascistas. Compreendendo e aceitando a sua posição, não posso estar mais em desacordo. Penso que os fanáticos só crescem socialmente por causa dessa demissão dos que poderiam prestar um serviço fundamental à cidade confrontando a besta e vencendo-a com probidade.

Assim, procuro saber o que diz o Ventura, e como o diz, e o que dizem aqueles que o seguem. Essa atenção é tão mais urgente quando ele é o primeiro deputado que assumidamente pretende espalhar um movimento de derrube da Constituição e seus valores democráticos e humanistas. Não só isso, o poder político que Ventura conquistou nasceu de uma decisão de Passos Coelho enquanto presidente do PSD. Decisão essa que não foi nenhum equívoco, como escrevem hipócritas, foi uma estratégia consciente para testar uma fórmula assumidamente populista num eleitorado considerado viável para tal. Seguiu-se a tragédia de Rui Rio ser himalaicamente estúpido e ter colado o seu destino ao do Chega com o acordo nos Açores, facto que foi celebrado abertamente por Cavaco, Ferreira Leite e dezenas de figuras gradas do PSD. Por fim, temos uma réplica perfeita de Ventura a concorrer na Amadora com a chancela dos sociais-democratas. Nesta situação, se alguém achar que contém o dilúvio de merda a correr nas ruas por apertar o nariz e fechar a janela está a delirar.

Ora, em meados de Agosto viu-se Ventura a levar os seus dotes de aprendiz de feiticeiro a um novo grau. Depois de ter conseguido normalizar o ostracismo da comunidade cigana, depois de apelar à castração de “pedófilos”, depois de mandar uma deputada portuguesa “para a sua terra” por ela não ser caucasiana, depois de prometer prender políticos por terem ideias políticas democráticas, depois da saudação nazi, entre tantas outras manifestações da sua embriaguez de impunidade, lembrou-se de aproveitar a ocorrência de um fogo para lançar esta ideia: “os incendiários deviam ser atirados às chamas”. O canal foi o Twitter (pelo menos) e teve a curiosidade de o nosso incendiário de incendiários ter feito 3 publicações com a mesma expressão. Porquê 3? Aposto os 10 euros que tenho no bolso que tal resultou de uma aguda frustração pois terá achado que não estava a obter a quantidade de visualizações e comentários que ambicionava. Vai daí, a tripla de rajada. Tripla essa que teve de apagar pois o Twitter considerou que, se calhar, havia ali qualquer coisa de exagerado.

Portanto, vamos lá à continha: neste momento, existe em Portugal um deputado, acumulando com ser presidente de um partido aliado do PSD, que propõe publicamente o assassínio pelo fogo de indivíduos considerados “incendiários”; ainda não se sabendo se, na sua cachimónia, esse estatuto é para lhes ser atribuído com ou sem processo judicial. Perante isto, o que é que os restantes deputados, restantes líderes partidários, os diversos ministros, o primeiro-ministro e o Presidente da República deveriam inevitavelmente fazer em nome da Constituição e da República? E o que é que o comentariado disse a respeito, quem falou sequer ao de leve na coisa? É fácil imaginar como tal silêncio seria explicado havendo imprensa em Portugal para interrogar as personalidades acerca de tamanha aberração. Diriam inanidades, recusariam comentar e rapidamente se calariam – cobardes. Mas não há imprensa em Portugal, tendo vindo a única reacção que conheço de um local improvável, o Observador.

Aqui podemos ouvir Miguel Pinheiro, um furioso caçador de socialistas, a honrar a classe ou, tão-só, o seu nome. Registe-se, porém, o tom contido, quase pesaroso, por ter de estar a tocar na ferida. Tom completamente diferente do que exibe quando está a sovar e a fuzilar os bandidos do Rato que lhe despertam as mais homéricas bravuras. É que, enfim, o Ventura até poderia dar jeito aos direitolas mas, caralho, mesmo para o Miguel Pinheiro há limites na política. O asco que lhe subiu ao goto dignificou a sua imagem e fica como marca de carácter.

Bute dar dinheiro à HBO

Para além das motivações óbvias que levam um português a querer ver este documentário, mesmo que nada perceba de surf ou alguma vez lhe tenha dado atenção, o 100 Foot Wave ou A Grande Onda da Nazaré junta beleza plástica imperdível àquilo que pode ser o estudo de um taralhouco de seu nome Garrett McNamara. Um taralhouco rodeado de outros taralhoucos, todos juntos responsáveis pela transformação da Nazaré na locomotiva da Região Centro como um dos locais mais apelativos para o turismo em Portugal e na Europa.

Na aparência, a história contada é sobre as ondas gigantes da Nazaré e seus heróis. Na corrente submersa da narrativa, a história é sobre as ondas absurdas na biografia de cada um de nós. E de como elas nos derrubam, esmagam e afundam sem piedade nem descanso.

A diluição do PSD no Chega segue a bom ritmo

Começa a semana com isto

Ao constatar como esta dupla de psicólogos elabora diagnósticos e ajuda pacientes a partir das suas diferenças enquanto terapeutas – de individualidade, personalidade, escolaridade, experiências e, last but not least, género – ocorreu-me não ser insensato transformar o seu exemplo em paradigma: para todas as actividades onde está em causa incluir a dimensão idiossincrática do sujeito, ter um par a deliberar. Par, geralmente mas não obrigatoriamente, de géneros diferentes (a orientação sexual poderá igualmente ser tida em conta mas corresponderia a um outro grau de complexidade que não cabe neste esboço à pedreiro).

Assim, ao irmos a uma consulta de psicologia ou medicina geral, e também ao sermos investigados e julgados pelas autoridades, entre uma miríade de outras possibilidades concebíveis, a decisão sobre cada caso nasceria da confluência de duas consciências existencialmente distintas.

Seria este modelo consensual, ou capaz de ser social e politicamente aprovado, sequer viável dada a escassez de recursos humanos e os custos para tal? Não. Claro que não, foda-se caralho. Mas a ideia é boa e já tem séculos de prática. Quando, na noite dos tempos, se considerou melhor deixar que um grupo decidisse, ou influenciasse uma dada decisão num dado julgamento (chama-se “júri” a essa invenção), o raciocínio era exactamente o mesmo e muito aritmeticamente básico: duas ou mais cabeças pensam melhor do que uma.

Aqui, adapto a máxima para: uma mulher e um homem, a pensar juntos, pensam melhor do que um homem e uma mulher a pensar separados.

Revolution through evolution

Exposure to sunlight enhances romantic passion in humans
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Men and women of Roman Herculaneum had different diets, new research shows
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New research finds gender differences in fear and risk perception during COVID-19
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Key mental abilities can actually improve during aging
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It’s never too late to get active
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Think leisure is a waste? That may not bode well for your mental health
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To Be More Creative, Teams Must Feel Free to Show Emotions, Study Finds
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Dominguice

Dizer mal dos políticos é útil e recomenda-se quando se começa a pensar a cidade vindo da ignorância ou da ingenuidade (parecidas, não iguais). Depois, algo acontece pela acção do tempo.

Para uns, a descoberta da fragilidade e da finitude em tudo o que somos. Para outros, a troca da delicada inteligência inicial por uma estupidez cada vez mais densa.