Dominguice

O terrorismo é um nome. Para quem o faz, é combate, defesa, honra, esperança. O terrorista sente-se ameaçado, teme pela aniquilação dos seus, da sua identidade. Sente que lhe podem roubar a terra, apagar a sua história, daí a sua felicidade suicida. Para quem o sofre, o terrorismo é um sinal do fim dos tempos. A vítima do terrorismo sabe que o próximo ataque pode ser mais letal, que o próximo ataque tentará destruir o que considerar mais valioso, mais importante, tudo o que é seu e dos seus.

Os seres humanos, podendo, vão extinguir-se. Dispondo dos meios para tal, alguém sentirá a pulsão irresistível para carregar no botão do apocalipse. Haverá sempre um alucinado capaz de preferir o nada ao ser. A desaparecermos antes de nos espalharmos pelo sistema solar, é mau? Seria se o Universo não estivesse estatisticamente preparado para nem reparar no que acontece num dos seus quadriliões de esboços do que anda à procura: a consciência que lhe deu origem.

39 thoughts on “Dominguice”

  1. Dona Yo :
    E ao terrorismo de Francisco Franco, como lhe chamaria e este se propagaria?
    É inoculado no berço ou propaga-se naturalmente nas bestas sanguinolentas da direita ?
    Ninguém devia falar sem olhar por si abaixo…

  2. Abraham Chevrolet , só para que saiba , a minha mãe só conheceu o pai lá prós 5 anos , porque o pai teve de se esconder 3 anos. foi um “topo”.

  3. Matar indiscriminadamente para aterrorizar a população em geral é o que eu entendo por terrorismo. O terrorismo de massa foi praticado e/ou defendido nomeadamente por Robespierre, Lenine, Trotsky, Staline, Hitler, Pol Pot, Bin Laden e muitos outros ao longo da história, mesmo que não usassem esse termo. Tudo gente execrável, fanática e sanguinária. Alguns, felizmente, acabaram vítimas da sanha assassina que eles próprios pregavam.

    Mas as bombas atómicas usadas contra a população japonesa em 1945 também foram puro terrorismo de massa, embora com a justificação de abreviar o fim da guerra. Não é costume chamar terrorista a Truman, que de uma penada eliminou 200.000 pessoas, fora muitas outras que morreram depois.

    Nos anos 1970 andou por aí o ‘Mini-manual do guerrilheiro urbano’, do brasileiro Carlos Marighella, que defendia expressamente o ‘terrorismo’ como arma revolucionária. Houve quem o estimasse e até quem o seguisse. Marighella não conseguiu limpar o termo terrorismo, conseguiu foi sujar-se a si e à esquerda revolucionária.

  4. Mas as bombas atómicas usadas contra a população japonesa em 1945 também foram puro terrorismo

    Concordo completamente.

    E a Alemanha também podia ter sido bombardeada com uma, acabou por não ser devido à proximidade geográfica da Europa.

  5. Lista um pouco mais composta, longe de exaustiva:

    Robespierre, Lenine, Trotsky, Staline, Hitler, Pol Pot, Bin Laden + Francisco Franco, George Bush (pai e filho), Bill e Hillary Clinton, Lyndon Johnson, Richard Nixon, Augusto Pinochet, Leopoldo Galtieri, Roberto Eduardo Viola, Jorge Rafael Videla, Anastasio Somoza, George Washington, Thomas Jefferson, Alexandre o Grande, Nicolau II, etc.

  6. Terrorismo contra os EUA em 11 de Setembro: perto de 2977 mortos civis.

    Bombismo democrático e humanitário dos EUA no Afeganistão (2001-2021): 47275 mortos civis. Como foi ao longo de 20 anos, podemos chamar-lhe terrorismo faseado.

    Números do Iraque disponíveis para quem quiser dar-se ao trabalho de os pesquisar, em Iraq Body Count e outros.

    Idem para Sérvia, Chile, El Salvador, Argentina, etc.

  7. E quem tiver pachorra para um razoável resumo histórico sobre a génese do terrorismo fascista e do fascismo terrorista, sua parição, parteiras, enfermeiras, auxiliares de saúde e outras facilitadeiras, pode dar por bem empregues 55 minutinhos* aqui:

    https://youtu.be/nxNjyE65IS4

    Na Rádio Moscovo, claro, uns chatos do caraças com a desagradável mania de apontar e tapar buracos nas narrativas. Esfregam-lhes no focinho o Pacto Molotov-Ribbentrop e eles lembram logo o Pacto de Munique e outros pactos, patos, patas, petas e putas, gansos, palmípedes a perder de vista, nem se vê a linha do horizonte. Tá-se mêmo a ver que fizeram uma OPA sobre a Rennie, não tá-se? E agora têm de criar consumidores. Que falta de respeito, nem a Bayer lhes escapa, cabrões!

    *É claro que não faltará quem dê por mais bem empregues esses 55 minutinhos a arrotar postas de pescada inconsequentes e castradas e a mijar de cima da burra, mas enfim, é o que temos.

  8. https://twitter.com/BarbaDeCamelo/status/1436988695672934403

    a pouco e pouco vão saindo dos armários e do formol perante a passividade e conivência dos zeros que integram as forças de segurança. este fim de semana calhou ao presidente da assembleia nacional que poucos dias antes fora insultado por um juiz provocador e instigador actos terroristas.

    https://sicnoticias.pt/pais/2021-09-07-Juiz-negacionista-agressivo-com-PSPO-meu-lugar-e-este-acima-de-si.-O-senhor-esta-abaixo-de-mim-5e142e6a

    nos comentários acima temos o dótor da mula russa a glorificar o terrorismo e os terroristas, desde que não sejam contra interesses russos. brevemente teremos campanhas de angariação de fundos, donativos de electrodomésticos, quermesses com sorteio de bugigangas e outras festividades de cariz “boa vontade” a favor e apoio do talibanismo internacional, agora com sede oficial no afeganistão.

  9. Chamar terrorista a Lenine….
    Se os comentadeiros soubessem que,quando o proletariado assumiu o poder ,na Rússia, está foi atacada por uma coligação de 19 (dezanove) países ocidentais…
    Em situações como essa ou se luta com tudo ou se é morto,fatalmente! Mas a Rússia vive !

  10. Julga que é parvo procurar definir o terrorismo a partir da intenção ou das causas de que ele se reclama. O que o caracteriza é o “método”, ou seja o proposito de impressionar fortemente com crimes cegos e espectaculares (no sentido literal), no intuito de chocar e causar terror para destabilizar a sociedade. Não me parece que ele deva ser confundido com acções de guerra (ha operações de terror cometidas num contexto de guerra, mas isto é diferente). Como foi ja apontado aqui em cima, o terrorismo pode ser (e foi) cometido por militantes de todos os quadrantes. Aos exemplos ja dados, eu acrescentaria que houve terrorismo cometido por resistentes ao salazarismo, por resistentes ao franquismo, por resistentes (franceses) à ocupação alemã durante a 2a guerra, por militantes sionistas antes da criação de Israel, etc. etc.

    A unica questão que interessa é a de saber até que ponto uma sociedade democratica – logo na qual não parece concebivel que haja justificação aceitavel para o terrorismo – é vulneravel a acções terroristas. Infelizmente, a experiência, sobretudo a experiência recente, mostra que sociedades democraticas se deixam facilmente destabilizar, alguns responsaveis encontrando mesmo vantagens nisso, atitude que na minha opinião se encontra no limite da cumplicidade, importa pouco se por ingenuidade, se por conveniência.

    Deixo aqui um video muito pedagogico com as declarações do ex-primeiro ministro francês Villepin (de direita, muito longe das minhas convicções) que lembra o basico : os erros principais na luta contra o terrorismo são : o medo, o pânico e a ignorância. Três fenomenos que levam em linha recta à ideia idiota e contraproducente de “guerra contra o terrorismo”. Cristalino (mas em francês, desculpem) :

    https://www.youtube.com/watch?v=c1g43FpJ_40

    Boas

  11. Abraham Chevrolet: com a abertura dos arquivos russos nos anos 1990, ficou a conhecer-se muito melhor, sem margem para dúvidas, aquilo que anteriormente já se sabia: o papel de Lenine na fase inicial de extermínio da igreja ortodoxa. A ordem, já em 1918, foi de executar indiscriminadamente os religiosos ditos reaccionários, “quantos mais melhor”. Às suas ordens, o célebre chefe da Cheka executou nos anos seguintes muitas dezenas de milhares de membros do clero ortodoxo. Staline continuou o extermínio, até à segunda guerra mundial, quando teve de fazer uma trégua com o que restava da igreja ortodoxa, permitindo o culto em algumas igrejas. O terror do estado bolchevique contra a religião maioritária russa não teve nada a ver com a guerra nem com a intervenção estrangeira na Rússia. Hoje, o comunismo na Rússia já pertence à história, mas a igreja ortodoxa vive!

  12. Estou tão confusa, tão confusa. Aí coitadinha de mim. Então no Afeganistão aqueles métodos não são terroristas, os dos talibans? Aquilo é um povo em luta pela independência? Esquecendo agora o Afeganistão, pergunto se as guerras não são levadas a cabo por exércitos e o terrorismo por grupos mais ou menos armados e que podem combater contra exércitos, entre si, ou nas guerras civis, essas sim que têm uma forte componente terrorista, entre os cidadãos dentro do mesmo país. Meter terrorismo dentro do mesmo saco das guerras é uma tentativa, na minha opinião pouco conseguida do posmodernismo de baralhar conceitos. Eu não discuto se há guerras injustas e guerras justas,só que, para mim ,o terrorismo é um método de que não conheço os princípios. Atentados bombistas que é um dos métodos mais conhecidos na tentativa de generalizar a guerra ao planeta, segundo o discurso do novo líder da Alqaeda, está justificado a partida pelo quê? Se o Hitler era um terrorista, e não era, ainda que tivesse sido um sanguinário, então eu contraponho que o resto da Europa deixou instalar, agora sim, o terror. Então se eu defender o terrorismo como método nalgumas circunstâncias acontece-me isto , a serpente devora-me.

  13. Se formos recuando na história do homem e da humanidade cada vez vamos descobrindo mais e maiores atrocidades sobre civilizações inteiras que foram massacradas e desapareceram; foram sendo substituídas gradualmente, segundo a mesma lógica história do novo e mais forte que substitui o velho e mais fraco, até chegar-mos ao que somos hoje; é a lógica da lei natural.
    Esta prevaleceu como única até aos sumérios que alinhavaram umas listas de obrigações gerais de comportamentos e obediência e mais tarde aos gregos que elaboraram leis e códigos para organização do estado e mais tarde os os romanos para administração do império. E prevalece sempre que a existência do homem, a existência de um povo ou a minha própria existência seja posta em causa; as guerras entre nações, clâns, famílias e grupos rivais são a prova provada de que assim acontece.
    Classificar os acontecimentos históricos segundo o pensamento actual dos direitos do homem levar-nos-á incorrectamente a chamar terrorismo a tudo e terrorista a todos.
    Porque, verdadeiramente, nesse sentido todos nós somos terroristas dado que o sapiens, a nossa espécie, exterminou todas as outras espécies de humanos seus contemporâneos.

  14. Caro Júlio :
    Se quer brincar, pode continuar com a sua lenga-lenga… Mas o óbvio é que a tremenda barragem contra o socialismo ,quer na Rússia de 1918, ou aqui em Portugal em… 2021, tem de ser enfrentada com uma força igual e oposta à do ataque !
    Quer uma relação do clero reacionário e golpista em Portugal, nos últimos 50 anos ? Se aumentam a intensidade dos atentados ganharão um adversário que os destruirá !
    É a História, é o eterno retorno!

  15. “Mas o óbvio é que a tremenda barragem contra o socialismo ,quer na Rússia de 1918, ou aqui em Portugal em… 2021, tem de ser enfrentada com uma força igual e oposta à do ataque !”

    poizé, democráticamente falando tem uma força de 8%. só lá chegam pela insurreição armada recorrendo a acções terroristas. podes começar a recrutar ortodoxos de mão fechada para as brigadas vitor jarreta, mas despacha-te antes que desapareçam de morte natural.

    “Quer uma relação do clero reacionário e golpista em Portugal, nos últimos 50 anos ? Se aumentam a intensidade dos atentados ganharão um adversário que os destruirá !”

    bem visto, camarada! bora lá explodir as missas e fuzilar os que sobrarem. quando matares 92% dos votantes, os 8% ganharam a guerra mas ficaram sem mão de obra ou pagantes de impostos, para não falar dos comunas que vão à missa e dumas novas brigadas para vingarem a morte dos familiares.

    convida o camacho para essa cena, é o primeiro a alinhar e o primeiro a trair a causa, mas estas coisas heróicas têm sempre desertores e traidores.

  16. O partido comunista português colou se de tal forma ao PS de António Costa que acabou por se desvirtuar relativamente ao que era.

  17. “O partido comunista português colou se de tal forma ao PS de António Costa que acabou por se desvirtuar relativamente ao que era.”

    poizé, colado à direita nunca desvituou e até ajudava a eleger governos nostlágicos do salazarismo como a dupla coelho/portilholas que faliu metade do país e vendeu a outra metade a saldo.

  18. Abraham Chevrolet , sinceramente…porque sei distinguir entre uma pessoa estar na boa num super , numa estação de comboios , no escritório , etc e levar com uma bomba em cima e outra que anda escondida porque sabe que a querem matar. topa?

  19. Cara(o) yo :
    Os cidadãos são co-responsaveis dos actos dos seus dirigentes ? Se os elegeram,se os sustentam,se não os contestam e expulsam, são co-responsaveis.
    Os londrinos,os romanos ,os berlinenses,os habitantes de Damasco, de Bagdade, de Cabul, de Hanói e ,sim,sim ,sim, os de Nova York, são responsáveis pelas decisões dos seus governos. Não se percebe o ar aparvalhado de quem é bombardeado pelos inimigos do governo da sua pátria. Essa é a realidade que os ignorantes desconhecem, os tais que não se metem em políticas.
    Esquecem as centenas de milhar,senão os milhões de mortos causados e que a História vingará. Não é ameaça, a História funciona assim.

  20. Terrorismo é terrorismo, seja ele praticado por uma organização, um grupo ad hoc, um indivíduo ou um Estado. Terrorismo de Estado não é menos terrorista só porque se autojustifica com a pseudolegitimidade que a condição de Estado lhe confere. Os terroristas organizados em “grupos mais ou menos armados e que podem combater contra exércitos”, como diz a Mjp, são frequentemente os exércitos de amanhã, como vimos em Angola, Moçambique, Guiné, Timor ou Vietname, entre muitos. O objectivo de qualquer exército, de hoje ou de amanhã, é derrotar o inimigo, destruir-lhe a vontade e impor a sua, e para isso deve infundir medo, aterrorizá-lo. Terrorismo de bomba à beira da estrada ou de bomba ou míssil lançado de avião, drone, submarino ou navio de milhares de milhões de dólares tem o mesmo objectivo: despedaçar corpos, destruir vontades, impor a vontade dos terroristas. A bomba de beira de estrada ou de vão de escada é o avião, o míssil de cruzeiro, o submarino ou o porta-aviões dos “pobres”. O terrorismo visa, geralmente, obrigar os aterrorizados a uma alteração de comportamento, de política, de atitude, seja por si próprios, como indivíduos, como grupo, como classe, como povo. Ou então levá-los a pressionar o grupo, organização ou Estado em que se inserem, através do governo, por exemplo, a adoptar os comportamentos ou mudanças de comportamento pretendidos pelos terroristas.

    É claro que o que o terrorismo visa e o que consegue são muitas vezes realidades completamente diferentes, mas isso nunca dissuadiu nem dissuadirá qualquer terrorista. O terrorismo existe porque há motivos para que exista, como diria a Lili Caneças. Interessa às suas potenciais vítimas (e todos nós somos candidatos a vítimas) perceber que motivos são esses. Por isso o terrorismo (aliás terrorismos) deve ser estudado, analisado e explicado, porque só assim poderá ser eficazmente combatido, idealmente até abortado. Conhecendo as suas causas, algum terrorismo poderá nem chegar a ser parido. Confundir tentativas honestas de compreensão das causas do terrorismo (mais lúcidas umas, eventualmente mais canhestras outras) com defesa do terrorismo é, em si, uma modalidade de terrorismo. Terrorismo estúpido, com a arrogância dos estúpidos, mas terrorismo na mesma. Pode não despedaçar corpos, mas o objectivo é o mesmo: pressionar, chantagear outros para que mudem comportamentos e atitudes e passem a comportar-se de acordo com o que a luminária terrorista entende dever ser a única norma admissível. Como qualquer neurónio solitário poderá entender, nunca o terrorismo dos estúpidos dará um miligrama sequer de contributo para prevenir ou combater o terrorismo que nos interessa compreender.

  21. Um terrorista é todo aquele que se quer impor pelo terror.
    Assim, um taliban é um ser bastante primitivo e muito pouco evoluído ( logo, vagamente civilizado ) que é enfiado numa madrassa desde muito pequenino, decora o Corão, mais que provavelmete numa forma deturpada, e mais tarde carrega uma arma, não fazendo absolutamente mais nada. Oprime e explora os outros, impondo-lhes pontos de vista e modo de vida, não respeitando direitos, mormente os das mulheres . Um inútil e um parasita .
    No oposto, quando um povo e uma comunidade se permitem, pese embora alegada excepcional e temporariamente, “suspender a civilização” e impor restrições e medidas do tipo Guantanamo e C.ª Limitada, estão também eles a praticar terrorismo, isto é, a dizer, “isto é o que sucede a quem nos afronta”.
    Note-se que, de Guantanamo, só vimos e sabemos aquilo que queriam que nós víssemos e soubessemos . E era o suficiente para fazerem passar a mensagem que queriam . Ela também, uma mensagem de terror .

  22. Adenda: o parvalhatz, por exemplo, tem os mesmos objectivos que qualquer terrorista (provocar alterações no comportamento de outros), mas não passa de um terrorista estúpido, intriguista e vigarista, ou seja, uma espécie de caricatura de terrorista, em formato verme. O parvalhatz não passa de uma lombriga, com a cabeça igual ao rabo, a roer-nos o intestino. Para lidar com o parvalhatz lombrigatz não faltarão vermífugos no mercado. Para os outros, há que estudá-los, compreendê-los, anulá-los e combatê-los, em último caso, e se necessário, com um tiro na cabeça.

  23. Sobre o Koba, a sua música preferida era uma ária cantada na igreja ortodoxa russa, Magnolia.
    Depois da morte da primeira mulher, Nádia, tornou se um homem mais violento. Acho que foi em 32 ou 33.

  24. “Terrorismo de Estado não é menos terrorista só porque se autojustifica com a pseudolegitimidade que a condição de Estado lhe confere”.

    Claro que não. Um acto de agressão de um Estado que faz vitimas entre cidadãos de outro Estado, civis ou militares, é um acto de que o primeiro Estado pode ter de responder perante a comunidade internacional, que pode justificar uma intervenção armada contra o Estado agressor, por parte do Estado vitima e/ou da comunidade internacional. Nada disso tem a ver com terrorismo. Pode haver, e ha de facto, actos de terror cometidos num conflito armado, que são tratados como as outras violações do direito internacional em matéria de guerra, mas isto não tem nada a ver com terrorismo. Quanto muito pode haver terrorismo apoiado, tacitamente, por um Estados soberano, mas nesse caso o Estado pode ser chamado a responder por causa desse apoio (cf. o caso da agressão do pessoal diplomatico americano em Teerão em 1980).

    Não misturemos tudo. O pânico e a consequente ineficacia contra o terrorismo começa precisamente com esse tipo de disparates.

    Boas

  25. Desculpa inacio, o “claro que não” causa confusão. Concordo que a guerra contra o terrorismo desencadeada pelos EUA apos o 11/09 foi uma total idiotice, que acabou num fracasso previsivel. Se é isto que o C. defende, concordo com ele. No entanto, precisamente porque a ideia de “guerra contra o terrorismo” é um contrasenso, discordo que haja “terrorismo de Estado” no sentido da frase que citei no meu comentario anterior. O uso de acções de terror num contexto de guerra, ou em acções assumidas por um Estado, contra outros, ou alias contra os seus proprios cidadãos, não é terrorismo, é outra coisa.

    Esclarecido ?

    Boas

  26. Os únicos comentários intelectualmente honestos sobre o que é o terrorismo, o que são métodos terroristas e o que é guerra são do João Viegas. O resto está enviesado por ideologias, mas esses até esclarecem o porquê de meterem terrorismos de grupo com guerra, não são pacifistas mas querem fazer crer que são, porque depois há uns que vão buscar factos aos bas fonts da História para justificar que os Estados são também terroristas, mas só falam dos que lhes são ideologicamente contrarios.

  27. Mjp não há filósofos nem sociólogos, a nível internacional, que alcancem um consenso sobre a definição de terrorismo. Portanto, nem aqui no Aspirina nem o Viegas conseguem fazê-lo.
    O que o Valupi quis dizer, e ele que me corrija se eu estiver enganado, foi que o Ocidente, quando pratica ações terroristas, associa essas mesmas ações em nome da defesa do “mundo livre”. E isso é uma análise certa, mas (para mim) moralmente incorreta. Os estados praticam ações terroristas, e mal quando o fazem.
    O Viegas diz que a resposta ao 11/9 foi uma idiotice. Não concordo. Foi completamente acertada, o povo americano apoiou a decisão ferozmente de capturar Bin Laden.

  28. 11 de Setembro de 1973
    Ataque terrorista em Santiago do Chile, matando Salvador Allende, dezenas de milhar de chilenos,com mudança do sistema político vigente à data.
    Pra sempre se vai assinalar o 11 de Setembro como a data duma monstruosidade cometida por uma grande potência contra um pequeno país, digno e pacífico.

  29. Viegas, quando se argumenta com boa educação, a troca de argumentos é possível. Torna-se difícil quando a outra parte classifica sistematicamente os argumentos contrários como “disparates”, “parvoíces” ou “idiotices”, por exemplo. Essa é a onda do parvalhatz, para quem só tenho pauladas (equivalentes ou multiplicadas). Vou tentar manter-me dentro dos limites, mas tem de haver reciprocidade.

    “Um acto de agressão de um Estado que faz vítimas entre cidadãos de outro Estado, civis ou militares, é um acto de que o primeiro Estado pode ter de responder perante a comunidade internacional, que pode justificar uma intervenção armada contra o Estado agressor, por parte do Estado vítima e/ou da comunidade internacional. Nada disso tem a ver com terrorismo.” [7:48]

    “No entanto, precisamente porque a ideia de “guerra contra o terrorismo” é um contra-senso, discordo que haja “terrorismo de Estado” no sentido da frase que citei no meu comentário anterior. O uso de acções de terror num contexto de guerra, ou em acções assumidas por um Estado, contra outros, ou aliás contra os seus próprios cidadãos, não é terrorismo, é outra coisa.” [10:46]

    Numa conversa como esta, não estamos no campo da Matemática pura, essa sim, talvez, a do rigor absoluto, a linguagem do Universo. Nenhum de nós pode fugir a alguma carga ou “deformação” ideológica, a mais ou menos preconceitos de todo o género, a antolhos de todo o tamanho e feitio que enformam e deformam o modo como interpretamos o mundo. Se admitirmos isso em nós próprios, convivendo bem com essa admissão, o que há de mais fácil é admiti-lo nos outros.

    Há também por cá umas interessantes discussões académicas sobre se o regime salazarista e mais tarde caetanista podia, em rigor, ser classificado como fascismo. Que o verdadeiro fascismo teria obrigatoriamente um movimento de massas a apoiá-lo, que não foi o caso no rectângulo, e mais umas tantas instituições que por cá assumiram apenas forma embrionária, rudimentar, e tal e coiso, e coiso e tal. Tá bem, deixo isso para os historiadores, mas entretanto, sempre que me dê na telha, vou continuar a chamar fascistas aos cabrões de antes do 25 de Abril, quanto mais não seja para chatear saudosistas… pelo menos enquanto não houver multa.

    É verdade que, no plano puramente formal, não se pode chamar terrorismo de Estado à invasão da Bélgica, Holanda ou França pela Alemanha nazi, mesmo que isso tenha provocado terror nos habitantes dos países invadidos. Nem à invasão simultânea da Polónia pela Alemanha, a ocidente, e pela União Soviética, a oriente. Nem sequer às invasões do Iraque e do Afeganistão pelos Estados Unidos. Ou às invasões francesas, cá pelo quintal. Mas já se pode chamar terrorismo de Estado aos métodos muitas vezes usados para manter a ocupação decorrente dessas invasões. Os massacres perpetrados pelas forças de ocupação nazis contra populações civis na França, Grécia, Checoslováquia ou Jugoslávia ocupadas, como represália por acções de guerrilha contra os ocupantes (essas, sim, formalmente classificáveis como “terroristas”), podem, quanto a mim, ser classificados como terrorismo de Estado. Por cada soldado alemão morto pelos “terroristas”, o exército nazi podia executar imediatamente 10 ou 20 civis, conforme o vento e o que desse na telha ao nazi de serviço naquele dia.

    Por serem um exército (Wehrmacht) e uma polícia (Gestapo) organizados, emanações de um Estado, não eram formalmente considerados organizações terroristas, mas o assassínio de civis inocentes a mando do Estado ocupante, com o objectivo de aterrorizar as populações e desencorajar futuras acções da guerrilha (estas formalmente classificadas como terrorismo), não tenho dúvidas em classificá-lo, insisto, como terrorismo de Estado. Podemos igualmente chamar-lhe crime de guerra ou crime contra a humanidade, mas uma coisa não invalida a outra. Um homem que bate na mulher comete o crime de violência doméstica, mas isso não obsta a que possa ser também classificado como um cobarde, um sacana e um filho da puta. Também poderemos chamar terrorismo de Estado ao massacre de Katyn, na Polónia, quando, em 1940, as tropas soviéticas e a polícia secreta NKVD assassinaram a sangue-frio 22 mil oficiais do exército polaco e parte da intelligentsia do país, para diminuir a capacidade de resistência polaca à ocupação. Não se tratou de um “simples” acto de guerra, foi um crime de guerra e o método foi o terrorismo de Estado. E terrorismo de Estado foi, ainda, o modo como os talibãs governaram o Afeganistão até 2001. Não era apenas um regime retrógrado e torcionário. Estavam organizados em Estado e faziam-se obedecer pelo terror, não vejo como possam escapar à designação, ou então teríamos de nos limitar a uma divisão simplista e simplória do mundo entre Estados democráticos e Estados ditatoriais, podendo talvez acrescentar umas americanices sobre Estados “iliberais” e coiso e tais.

    São igualmente terrorismo de Estado os bombardeamentos israelitas contra a maior prisão do mundo a céu aberto, a Faixa de Gaza, em resposta a uns foguetõezinhos ceguetas de vão de escada, que só por acaso acertam em alguém, atirados por uns maltrapilhos condenados a prisão perpétua desde o dia em que nascem e que não têm sequer a possibilidade de aprender mais nada. Quando o resultado é um rácio de 20, 30 ou 100 palestinianos mortos por cada finado israelita, talvez fosse avisado tentar perceber por que motivo a designação de terroristas se aplica apenas ao Hamas e não às IDF israelitas. O objectivo de uns e outros é o mesmo: pelo terror, obrigar a outra parte a modificar comportamentos e políticas, o que, diga-se, nenhum deles consegue. O facto de termos de um lado um exército formal e do outro um exército de vão de escada não passa disso mesmo: uma questão formal.

    Além disso, a Faixa de Gaza não é sequer um Estado, pelo que, nesta como em muitas outras situações, não se aplica a tese que defendes de que se trata de “Um acto de agressão de um Estado que faz vítimas entre cidadãos de outro Estado, civis ou militares”, o que faria dele “um acto de que o primeiro Estado pode ter de responder perante a comunidade internacional”. Acresce que nem Israel nem os EUA, por exemplo, reconhecem legitimidade ao Tribunal Criminal Internacional para acusar ou julgar cidadãos seus, seja por que crime for, pelo que chegamos a um beco sem saída. Nos EUA, a Administração Trump chegou a aprovar, inclusivamente, sanções contra a procuradora-chefe do Tribunal Criminal Internacional, Fatou Bensouda, proibindo todo e qualquer cidadão ou empresa americana de ter qualquer relação com ela. É o cúmulo do ridículo e da mesquinhez, que felizmente o Biden (apesar de ser um corrupto senil) revogou, declarando, através do secretário de Estado Anthony Blinken, que tais sanções eram “inapropriadas e ineficientes”. O “crime” da procuradora? Abriu uma investigação sobre eventuais crimes de violação e tortura praticados no Afeganistão pelas forças armadas americanas e pela CIA, bem como sobre crimes contra a humanidade eventualmente cometidos pelos talibãs. Provavelmente estás informado sobre o assunto, mas deixo-te alguns dados resumidos, aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Fatou_Bensouda?wprov=sfla1 e aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Specially_Designated_Nationals_and_Blocked_Persons_List?wprov=sfla1

    É inevitável a possibilidade de alguma carga ou preconceito ideológico conferir uma certa latitude aos conceitos de terrorismo e terrorista, mas exemplos disso, no âmbito do absurdo, chegam-nos, sem que isso incomode alguém, de onde menos se espera, quando o pai e mãe de todos os modelos de democracia e liberdade, os EUA, excomungam os Guardas da Revolução do Irão, a parte mais importante e internamente mais respeitada das forças armadas do país, e os metem sem hesitação, só porque sim, só porque podem, na sua lista privativa de “organizações terroristas”. Claro que os ayatollahs responderam à letra e colocaram as forças armadas americanas na sua própria lista de “organizações terroristas”, mas é fácil de perceber que assim não vão nem vamos a lado nenhum, ficando apenas provada a vontade de cortar quaisquer pontes, qualquer possibilidade de diálogo.

    É imoral, indefensável e hipócrita condenar o terrorismo e, depois, apoiar, financiar e armar organizações terroristas quando isso dá jeito. Os EUA fazem-no constantemente com organizações que eles próprios classificam como terroristas, quando pretendem derrubar governos legítimos que não obedecem como cães às ordens do império e aos interesses das mercearias imperiais. Fizeram-no por toda a América Latina no século passado e continuam a fazê-lo no presente. Fizeram-no no Afeganistão durante a ocupação soviética, fazem-no hoje, com o maior descaramento e perante o silêncio obsceno da bendita “comunidade internacional”, na Síria, apoiando a Al-Qaeda lá do sítio e, pontualmente, o que eles próprios deixam sobreviver do chamado Estado Islâmico, com a ideia fixa e burra de enfraquecer o Bachar al-Assad. Ainda por cima, ocupam, sem qualquer cobertura legal, sem mandato da ONU ou sequer da famigerada “comunidade internacional”, as regiões economicamente mais relevantes da Síria, nomeadamente as mais ricas em petróleo, que roubam descaradamente, impedindo a recuperação económica do país.

    E onde está, por onde andará, a “comunidade internacional”, quando seria de esperar que estivesse atenta a isto? Provavelmente a jogar à sueca com os polícias que não apareceram quando o Ferro Rodrigues foi insultado e ameaçado por um bando de atrasados mentais. O conceito de “comunidade internacional” é uma coisa-a-modos-que-assim de que a narrativa mainstream ocidental se apropriou. A “comunidade internacional” converteu-se num clube exclusivo, com reserva de direito de admissão, de que são automaticamente excluídos os discordantes, os divergentes, os que mijam fora do penico do império, os que recusam ser sipaios, os que tentam acima de tudo defender os interesses dos seus países e dos seus povos.

    Com o devido respeito pelos direitos de autor,

    Boas

  30. Camacho,

    Obrigado pelo arrazoado, que ainda assim não me convence. O que eu digo é simples tem pouco a ver com esquisitice académica. Neste caso, misturar os conceitos leva em linha recta para os abusos que denuncias em parte dos teus comentarios. Um Estado, com população, territorio e governo efectivo é, na ordem interna, quem detém o monopolio da força legal, na ordem internacional, uma entidade que faz parte da comunidade internacional e, como tal, pode ter de responder perante ela, seja diante de orgãos jurisdicionais, ou de outra forma, em ultima instância enfrentando uma guerra. Um Estado (ou, melhor dizendo, o governo dum Estado) pode cometer abusos, ninguém diz o contrario, e esses abusos podem atingir populações de outro Estado, ou a população do mesmo Estado, ou ainda situações intermédias como é o caso de Israel. Esses abusos têm pouco a ver com terrorismo, pelo menos no sentido tradicional da palavra, fixado desde os finais do século XIX, que designa acções espectaculares de um individuo ou de um pequeno grupo de individuos, destinados a impressionar e a chocar a opinião publica no intuito de obter o caos e uma modificação radical da ordem vigente.

    No caso da reacção dos EUA, estamos precisamente diante das consequências nefastas da mistura de conceitos que descrevo. Ninguém pode criticar os Estados Unidos por tentar capturar e punir os responsaveis dos atentados, usando métodos de policia (e nalguns casos, operações de policia podem ser levadas a cabo fora do territorio dum Estado, com alguma medida e algum discernimento, é possivel, ha exemplos historicos). Agora desencadear uma guerra, com motivos que hoje todos sabemos terem sido forjados na base de mentiras, servindo-se desta desculpa para cometer atropelos sistematicos aos valores que eles pretendem querer defender (actos de tortura, para não ir mais longe) é, não apenas injustificavel, mas totalmente contraproducente. Como diz o Villepin na peça que citei, vinte anos depois, a guerra esta perdida e a ameaça terrorista que se pretendia combater apenas cresceu, fortificando-se da critica legitima contra acções perfeitamente abusivas dos EUA, e por vezes também dos seus aliados.

    A estas criticas, eu ainda acresentaria outra : a reacção de pânico diante do terrorismo, apenas lhe da mais visibilidade ainda, o que so pode suscitar vocações… Cada vez que um Estado democratico proclama “guerra contra o terrorismo”, na pratica, o terrorismo obteve o que queria e venceu a batalha…

    Boas.

  31. “… vou continuar a chamar fascistas aos cabrões de antes do 25 de Abril, quanto mais não seja para chatear saudosistas… pelo menos enquanto não houver multa.”

    quando der multa ou risco de prisão mudas de opinião, dizes que era só para chatear, pedes desculpa e mostras o cartão da união nacional, o tal movimento de massas alimentícias que nunca existiu para os teus historiadores.

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