Um Homem. pic.twitter.com/2uCCKOV3x0
— Pedro Marques Lopes (@pedroml) July 5, 2022
Qual foi a declaração de Marcelo no Brasil, a respeito de ter levado com os pés por Bolsonaro, que mais vergonha alheia causou?
Escolhe uma entre as dezenas de opções disponíveis na comunicação social e habilita-te a este magnífico prémio: o vencedor terá direito a um pastel de Belém desde que se apresente no respectivo estabelecimento onde eles são feitos e esteja munido do dinheiro suficiente para o pagar. Sim, é um prémio inspirado no calibre de estadista da figura em causa.
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A democracia concebida como luta do poder pelo poder é uma continuação da guerra. E, enquanto guerra, desperdiça recursos na ambição de conquistar recursos. Vinga a lei do mais forte, o bem comum não passa do acordo mínimo para manter a espada embainhada.
Há uma outra forma de concretizar a democracia. Aquela onde os políticos concorrentes, em vez de se boicotarem e tentarem destruir, se ajudariam mutuamente. Se ajudavam a pensar para melhor se diferenciarem e melhor decidirem. Essa seria uma democracia de heróis.
Foi assim. Na Visão, descobriu-se que Sócrates ia ao Brasil com frequência, que por lá convivia com Lula e outras personalidades do PT e da vida política e social brasileira, e que estava matriculado para um doutoramento na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Não só isto se passava em Terra de Vera Cruz como o extraordinário jornalismo da Visão dava conta da razão para o alarme, mesmo pânico, na Grei: os tribunais não tinham sido avisados desta agitação brasileira que o próprio Sócrates até anunciava publicamente sem rebuço, a sacrossanta instituição do termo de identidade e residência estava pois a ser violada. Vai daí, a Visão fez o que lhe competia, tratou de explorar com sensacionalismo a matéria para tentar sacar o máximo de proveito comercial possível. Estávamos a meio de Maio.
Igualmente nesse 18 de Maio do corrente, o telefone à prova de escutas do procurador Vítor Pinto foi invadido com mensagens logo pela matina. “O cabrão isto…”, “O cabrão aquilo…”, “Tens que entalar o cabrão…”, e etc. O procurador Vítor Pinto foi a correr ao quiosque da sua rua comprar a Visão para se inteirar do que estaria realmente a acontecer do outro lado do Atlântico. Ficou siderado ao tomar consciência da gravidade da situação. Então não era que o Sócrates, o seu Sócrates, tinha a lata de se meter em aviões e ir lá para tão longe sem avisar ninguém, ficando assim sujeito a andar com más companhias, a esquecer-se de voltar ou a ter o seu passaporte roubado pela malandragem paulista? De imediato se reuniu com certos colegas do MP muito bem preparados para lidar com a ameaça socrática e gizou com o seu apoio um plano que iria acabar com a tempestade judicial que abalava a Nação. Consistia em chamar a GNR.
30 de Junho. A juíza Margarida Alves ouviu concentradíssima o procurador Vítor Pinto a justificar que só a GNR, desde que aplicada uma vez por semana na dignidade do arguido, seria capaz de voltar a repor a segurança na vida das boas gentes que pagam impostos e têm filhos menores apavorados com o frenesim de viagens entre o hemisfério Norte e o hemisfério Sul, ainda por cima para ir estudar já com aquela idade. Quer-se dizer, a Justiça tinha de fazer alguma coisa e rápido, concluiu enfático o valente procurador. A senhora juíza foi para casa a pensar naquilo. Realmente, a ameaça era real e crescente. Quem sabe a mais quantos jantares de famosos lá pela frenética São Paulo não iria o também famoso arguido caso a Justiça portuguesa continuasse inibida, manietada, sem poder mostrar quem manda? Então, depois de uma noite mal dormida, chegou à solução que lhe pareceu catitamente justa: toma lá GNR para cima mas, como sou magnânima, admito que a dose seja mais leve, bimensal. Eis o que a senhora juíza disse no despacho: “Dúvidas não restam em nosso entender que neste momento a manutenção do arguido sujeito apenas a TIR não se mostra adequada à satisfação das exigências cautelares do processo. A circunstância do arguido entender não ter de estar localizável pelo processo e poder ausentar-se para o estrangeiro quando quiser e pelos períodos que reputar adequados sem disso informar o processo consubstanciam um real perigo de fuga. Entendemos, neste momento, mostrar-se adequada e proporcional fixar a periodicidade das referidas apresentações em quinzenais.“
Aqui chegados, urge ajudar o procurador Vítor Pinto e a juíza Margarida Alves. Obviamente, estamos perante duas pessoas que não têm a noção. Como é que passar pela GNR da Ericeira a cada duas semanas vai impedir a fuga de Sócrates para os Brasis ou inda mais afastado do processo? Ou que fosse uma ida semanal, como pediu o senhor Pinto? Mas está tudo louco?! Meus amigos, Vítor e Margarida, se vossemecês sois sérios, se querem mesmo evitar essa tragédia da fuga do bandido-mor, então, por favor, alterem a medida de coação. Proponho esta: obrigação de se apresentar na esquadra da GNR da Ericeira a cada 27 segundos. Ou então esta: obrigação de se apresentar na esquadra da GNR da Ericeira e, no mesmo dia e à mesma hora, obrigação de se apresentar na sede do Recreativo Águias da Musgueira, sito à Rua Tomás del Negro, 6-B, 1750-416 Lisboa.
Lembrem-se que as vossas decisões não têm de fazer sentido, como está patente no que já mostraram serem capazes de assinar, importa é garantir que o cabrão não foge e que não anda para aí a estudar sabe-se lá o quê.
Não deveria o PS – por causa da Marta Temido, de Alcochete e, principal e fundamentalmente, em nome dos “portugueses de bem” – aprovar a moção de censura do Chega, irmos para eleições e fazermos como comunidade o que fosse possível para termos Montenegro como primeiro-ministro e o Ventura com as pastas da Justiça, Administração Interna, Segurança Social e Agricultura (pelo menos)?
O Público está com uma campanha onde apresenta 10 razões para se assinar o pasquim. Segue um contraditório:
1 – A imprensa é vital para a democracia
Antítese: “Pode ser, só que ninguém consegue perceber qual seja a importância do actual Público para a democracia.”
2 – O jornalismo do PÚBLICO é independente
Antítese: “O Público é dependente da Sonae e persegue politicamente a agenda do accionista.”
3 – O PÚBLICO estimula a diversidade e o confronto de opiniões
Antítese: “Atão não? Ui.”
4 – A diversidade de temas é a nossa marca
Antítese: “Minha nossa senhora do Caravaggio.”
5 – Somos um jornal verdadeiramente nacional
Antítese: “Patriotismo azeiteiro.”
6 – O PÚBLICO tem posições claras em questões fundamentais
Antítese: “Pois tem. Por exemplo, o actual director assinou editoriais onde garantiu que Vítor Constâncio foi protagonista do crime do século. Outros plumitivos do pasquim afiançam sistematicamente que há um certo partido que é um antro de criminosos. Isso, realmente, parece claro e fundamental.”
7 – O PÚBLICO cultiva a transparência
Antítese: “Parabéns à prima.”
8 – O PÚBLICO promove a literacia mediática
Antítese: “O dono e o director do Público mostram não estar a acompanhar essa promoção.”
9 – O PÚBLICO inova
Antítese: “Para quando a real inovação de recusarem ser mais um braço da indústria da calúnia?”
10 – Na assinatura do PÚBLICO não há só notícias
Antítese: “Pois, essa é uma parte, e luminosa exposição, do problema.”
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Se a realidade tivesse um sentido último ou primeiro, esse sentido anularia a nossa liberdade. E, sem liberdade, o conhecimento do sentido único da realidade faria de nós seres tragicamente absurdos. Se a realidade não tivesse sentido algum, então a consciência, os sentidos, a matéria, a energia não teriam existência. As coisas existem porque são matemática ontológica, é esse o seu sentido mais tangível.
Ignorar qual seja o sentido da realidade é a nossa mais imarcescível fonte de sentido.
- Não é verdade que José Sócrates só responda quando lhe perguntam com bons modos. Porque nós até examinámos aqui, neste programa... o filho não lhe perguntou com bons modos, antes pelo contrário: "Ó pai, fogo, quando é que vamos para aquela casa, pai, fogo?!". E o Sócrates respondeu, coitado, estava ali com paciência a responder ao filho, a dizer, "Pá, fogo, eu sei que estas merdas não se podem falar ao telemóvel, pai, mas fogo. Quando é que vamos para aquela casa?". E ele respondeu, o certo é que ele respondeu ao puto. O puto era o Sócrates do Sócrates, ele abusava dele como o Sócrates do Santos Silva.
É o nosso maior humorista vivo, pelo menos para a geração pós-O Tal Canal. Uma vedeta que está no pináculo da simpatia popular (aliás, da “empatia” – ou seja, está no coração dos portugueses). No programa televisivo onde fui buscar a citação, galhofa animado com o assessor para a Cultura do actual Presidente da República e com um ex-presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho escolhido por esse mesmo Presidente. Malta do melhor, amicíssimos, alto nível intelectual e político neste areópago implacável com os “corruptos”.
E quem são os “corruptos” para estas aquilinas inteligências? Pois, são aqueles que eles quiserem que sejam, o sucesso na indústria da calúnia permite essa omnisciência. Por exemplo, Sócrates é “corrupto” para o Sr. Araújo, independentemente do que os tribunais venham a decidir a respeito. Daí gozar tanto com ele, pois é isso que os “corruptos” merecem, zombaria e achincalhos em nome da moral e do povo que vê televisão e compra revistas hebdomadárias. Mas o filho de Sócrates referido pelo Sr. Araújo também é “corrupto”, parem as rotativas. Caso não fosse, como explicar que igualmente esteja a levar, e repetidamente, com o tratamento devido aos “corruptos”? Dito de outra forma, para o bom povo que se identifica com o Sr. Araújo entender à primeira: se o tal filho de Sócrates alvo da caricatura pelo nosso maior humorista vivo não fosse “corrupto”, essa pessoa nunca teria aparecido numa escuta em conversa com o seu pai. É isto, e isto é simples de perceber, né?
A lógica do Sr. Araújo abre-lhe uma Gruta de Ali Babá de material para os seus programas, crónicas e rábulas. Uma gruta já com a portada escancarada, como sabe quem bebe do esgoto a céu aberto, mas que talvez mereça a oferta de um gabinete no Ministério Público para o Sr. Araújo se dedicar à exploração do fabuloso espólio relativo a Sócrates: todas as escutas, todos os SMS, todos os emails, todas as selfies, toda a roupa interior suspeita, tudo e mais alguma coisa apanhada na grande devassa que começou em 2004 e que inté justificou prender o homem só para continuar a investigá-lo. Ora, é fazer as contas: se o filho de Sócrates é “corrupto”, quão mais “corruptos” não serão todos aqueles com idade para ter juízo que continuavam ao seu lado no Governo, no PS, e que aceitavam ter relações de convívio com ele, de amizade, de intimidade? Estamos a falar de paletes de “corruptos”, algo que será vergonhoso não ser posto à disposição do Sr. Araújo para ele lhes dar o devido correctivo e, claro, provocar hilariantes gargalhadas na audiência com as suas geniais e rendosas facécias.
E porquê ficar-se pelo Sócrates? Se o Sr. Araújo – a respeito de um cidadão que continua inocente até prova em contrário devidamente julgada e transitada e sobre um apartamento que um certo juiz considerou não ser objecto de qualquer interesse judicial – se entusiasma desta maneira fogosa que até dispara sobre o “puto”, o que é que ele não fará com verdadeiros criminosos que cometem verdadeiros crimes e cujos registos de escutas, vídeos, fotografias e o mais que houver está já devidamente etiquetado e pronto a servir ao nosso maior humorista vivo? Homicídios, assaltos, raptos, fraudes, violência doméstica, abuso sexual de menores, racismo, tráfico humano e escravatura, sei lá mais o quê, eis uma mixórdia de temáticas que dá para anos, décadas, onde os portugueses empáticos irão mijar-se a rir graças ao talento do Sr. Araújo.
Aposto os 10 euros que tenho no bolso como os seus dois colegas de programa irão com gosto a Belém sacar o apoio do fã Marcelo para essa crucial iniciativa contra a “corrupção” e o crime em geral.
"Temos de acabar com o mito de que a justiça é lenta", argumentou o presidente do CSM que criticou as "alusões feitas por altos responsáveis" à lentidão da justiça - numa aparente alfinetada ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. "Não consigo compreender como é que se tem esse discurso".
O magistrado admite que nos casos de criminalidade financeira "a justiça pode ser mais lenta", mas isso "não é culpa dos tribunais ou dos juízes". É de quem? "Do excesso de garantias e de possibilidade de recursos. Há recursos por tudo e por nada".
[...] não deixa de ser desconcertante verificar como o ódio e a cegueira política impediram o mais elementar esforço racional de previsão e de planeamento. Agora que o aeroporto da Portela está esgotado e constitui um travão à economia portuguesa, a pergunta constrangedora é como foi possível uma sociedade desenvolvida ter chegado aqui, a este inevitável momento, sem nada ter feito para o antecipar ou, pior ainda, esforçando-se por negar que algum dia chegaria.
Na verdade, isto aconteceu com a cumplicidade de muita gente – gente da política, gente do jornalismo, gente da engenharia, gente da sociedade civil. Uns faltaram conscientemente à verdade, outros calaram-se, outros iludiram-se. Mas todos colaboraram para a tragédia. Durante anos e anos, a decisão de construir um novo aeroporto, baseada em previsões realistas e no que era o óbvio interesse nacional, foi alvo de injustas e demagógicas acusações de despesismo, de esbanjamento de recursos e de megalomania. Eis o resultado: pagaremos durante anos o preço de nada ter feito e viveremos vários anos com um aeroporto internacional congestionado. Não sei quanto tempo durará, mas, para quem tanto fala de encargos para as gerações futuras, aí está um caso de estudo - a pesada herança de nada fazer, o erro de nem sequer ter tentado. Oh, sim, isso tem um preço.
Talvez seja educativo fazer uma comparação. Há muitas semelhanças entre o projeto do novo Aeroporto e o projeto do Alqueva. Ambos foram atacados como projetos megalómanos. Ambos foram atacados como projetos de desperdício de dinheiros públicos. Ambos foram atacados como projetos de vantagens ilusórias: nada daquilo que estava prometido se realizaria. Como se viu no Alqueva, não podiam estar mais enganados – o projeto revolucionou a agricultura portuguesa, permitiu a construção de novas fontes de energia limpa, criou uma importante reserva nacional de água e desenvolveu uma nova área turística de grande potencial. A diferença entre o Alqueva e o Aeroporto é que, no primeiro caso, venceram as vozes do progresso; no segundo, as da resignação. Quem quiser fazer alguma coisa nova tem sempre que apelar à ambição, à vontade e à imaginação humana. Aos outros basta apelar ao medo e à incerteza.
[...]
A solução Montijo é apresentada como mais rápida de executar que a anterior solução de Alcochete. Tal afirmação não é verdadeira. Recordemos que a solução Alcochete tem o projeto aprovado desde 2010. Repito, desde 2010. Esse projeto está feito, tem avaliação ambiental estratégica aprovada, tem estudo de impacte ambiental realizado e tem também a respetiva avaliação ambiental aprovada com o parecer positivo das câmaras que a lei considera necessário à operacionalidade do empreendimento (a avaliação ambiental é válida até 2020). Isto é, a solução Alcochete tinha e tem todas as exigências ambientais cumpridas há muitos anos, enquanto a solução Montijo ou não as cumpriu (como a avaliação ambiental estratégica) ou não dispõe dos pareceres camarários positivos necessários à sua construção. Esta é a diferença. Se a questão fosse andar depressa, a solução Alcochete estava e está muitos anos à frente das outras.
[...]
Seja como for, arrisco que a tudo isto acresce uma outra explicação: escolher Alcochete significaria dar razão ao Governo Sócrates, e isso não pode acontecer.
Se a proliferação de “notícias falsas” pode ser considerado o maior desafio dos jornalistas, a circulação de “jornalistas falsos” é a principal razão para não se contribuir com um cêntimo para os seus rendimentos.
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