Arquivo da Categoria: Valupi

Dominguice

Precisamos de falar a mesma língua para comunicarmos uns com os outros. Desde a infância que o conseguimos fazer, e cada vez melhor até um certo ponto de crescimento. A partir desse ponto, imprevisível, só o domínio da língua comum não chega para a nossa necessidade de comunhão. Precisamos, então, de aprender a falar as mesmas palavras. Saber o que o outro quer realmente dizer quando usa “vou”, “medo”, “amor”. Saber que o outro sabe o que quero realmente dizer quando uso “quero”, “triste”, “liberdade”.

Não há escolas de palavras. Quase nunca temos tradutores à borla que nos possam valer. Daí se acabar, eventualmente, por ter de recorrer aos serviços dos psicólogos, dos advogados, dos polícias. Péssimos serviços apesar de bem intencionados e úteis. Simulacros de tradução das palavras que somos.

Exactissimamente

«Um partido político, o Chega, apresentou no parlamento um projeto de lei para aumentar a pena máxima de prisão aplicável ao homicídio para 65 anos e estabelecendo um limite mínimo de 25 anos, havendo circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade. O projeto de lei foi entretanto recusado pela Assembleia da República, tendo os demais partidos com assento parlamentar entendido que se estava perante um cenário de inconstitucionalidade, não sendo sequer a proposta admitida a discussão.

[...]

O problema é que, como acontece tantas vezes, o que parece verdade ou simplesmente plausível não o é. O crime de homicídio é daqueles que tem a menor taxa de reincidência (alguns estudos apontam para 0,3%). E a dureza ou a duração das penas não tem efeito sobre a criminalidade registada (o caso dos Estados Unidos da América é paradigmático, onde alguns autores falam de uma "criminalidade violenta endémica" e sendo até das poucas democracias no mundo que aplica a pena de morte).

Por exemplo, os dados do Eurostat indicam que em 2020 terá havido 81 homicídios "intencionais" em Portugal. Alguns países europeus, com uma população equivalente e onde até há a possibilidade de aplicação de uma pena de prisão perpétua, comparam-se assim: 124 na Suécia, 121 na Holanda, 142 na Bélgica...

[...]

Pode até perceber-se que o Parlamento rejeite liminarmente a discussão do tema, mas provavelmente não o deveria fazer. As propostas populistas, irracionais e injustificadas tornam-se rapidamente no que são quando confrontadas com factos, números e com a explicação porque são relevantes e como funcionam os valores de Estado. André Ventura pode até ganhar alguns votos com os seus 65 anos de prisão, mas Portugal não ganha absolutamente nada com isso. E perderia muito.»


Porque a justiça é sempre preferível à vingança

Empatia para Montenegro

Ao assistir à entrevista a Luís Montenegro, dei por mim a concordar com o que sempre achei dele: eis aqui um tipo simpático, bonacheirão, com quem deve ser impecável estar na comezaina e na copofonia. E deste assentimento confirmado saltei para um estado de empatia. Sentia que conseguia sentir o que ele sentia acerca de si próprio ao ser apertado pelo excelente Paulo Magalhães. Foi assim que fiquei a saber, graças à magia da empatia, que o Montenegro sabe que mesmo nos seus melhores dias não passa de um político inane, merdolas.

O futuro da direita não decadente precisa da lhaneza e virtude de Moreira da Silva ou similares. Isto para começo da conversa.

Quando não existe linha alguma é impossível ultrapassá-la, tem razão

«O presidente da região autónoma dos Açores, José Manuel Bolieiro, considera que o novo presidente do PSD, Luís Montenegro, não deve ter linhas vermelhas em relação ao Chega, dando a sua própria solução governativa — um governo de coligação PSD-PPM-CDS, com um acordo de incidência parlamentar com a Iniciativa Liberal e o Chega.»

Fonte

«"Já tive ocasião de dizer que não há nenhuma violação dos princípios e valores do PSD com a formalização e execução desse acordo", afirmou aos jornalistas, após o encerramento do congresso do PSD/Açores, em Ponta Delgada.

Questionado pelas suas declarações a 03 de julho, quando disse no congresso nacional que o partido "nunca" se vai associar a "qualquer política xenófoba ou racista", Montenegro reiterou que o acordo nos Açores não viola os princípios do PSD.

"Nós nunca ultrapassaremos a linha dos nossos princípios e dos nossos valores. Portanto, como isso aqui [nos Açores] não aconteceu, nem é sequer tema", assinalou.»

Fonte

Revolution through evolution

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People who practice intermittent fasting experience less severe complications from COVID-19, study finds
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Feeling Stressed? You’re More Likely To Procrastinate. A Neuroscientist Explains Why
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Video game players show enhanced brain activity, decision-making skill study
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The 4 bases of anti-science beliefs – and what to do about them
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Dominguice

Se qualquer um de nós estivesse nas precisas condições de um qualquer outro, esse qualquer de nós seria esse qualquer outro. É inevitável que assim seja pois nós sabemos que somos, no nós próprios de cada um, o resultado das nossas circunstâncias. Das nossas únicas, irrepetíveis e inigualáveis circunstâncias.

Donde, somos todos diferentes porque somos exactamente os mesmos. Ou o mesmo.

Afinal, Costa também é socrático

«"Tivessem os outros países da União Europeia feito a aposta que nós fizemos e, seguramente, não continuariam a financiar o senhor Putin, continuando a adquirir gás da Rússia para satisfazer as suas próprias necessidades", afirmou.

António Costa, que discursava na inauguração da Central Solar Flutuante de Alqueva, junto ao paredão da barragem alentejana, defendeu que "a trágica conjuntura tornou mais clara a vantagem" da aposta estratégica nas energias renováveis feita por Portugal.

"Hoje, já é mais claro para todos que Portugal fez no tempo certo a aposta certa", vincou, sublinhando que o próximo passo do país "não é andar para trás", mas, pelo contrário, "andar mais depressa e acelerar este processo de transição energética".

No seu discurso, António Costa assinalou que o país "começou a trabalhar cedo na transformação do paradigma energético", apesar de existirem "velhos do Restelo" que eram "contra as energias renováveis".

"Mas Portugal só venceu quando ultrapassou os velhos do Restelo. Foi assim quando se fez ao mar, foi assim quando, depois de décadas de paralisação, fez mesmo o Alqueva e foi assim quando apostou decisivamente nas energias renováveis", acentuou.

O chefe do Governo disse também que o país ter "investido atempadamente" nas renováveis é vantajosa para os portugueses, pois o custo da eletricidade, ao contrário de outras energias, "está a baixar em Portugal".»

Fonte

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NOTA

Por esquecimento (ou seria timidez?), António Costa não quis aplicar a mesma factualidade e evidência aos outros projectos socráticos que eram “apostas certas no tempo certo”, o novo aeroporto de Lisboa e as linhas de TGV que os “velhos de Belém e da Lapa” bloquearam e depois dinamitaram.

Jornalismo telepático

Chama-se Francisco Nascimento e, aparentemente, é jornalista daqueles que dão notícias. Eis aqui uma assinada por si: Costa avisa Pedro Nuno que “isto não anda em piloto automático” e admite rever referendo à regionalização

Agora, como é que ele descobriu que o Costa avisou o Pedro Nuno, como afiança em título para que não haja vestígio de dúvida? Lendo o que escrevinhou, a explicação é só uma: este Chico tem poderes telepáticos.

Aspirina marada

Por razões que escapam ao meu entendimento, todos os comentários passaram a ir para moderação sem que tenha mexido uma palha para tal. Não faço ideia de como se resolve o assunto.

Estará o Mundo preocupado com essa peculiar situação aqui neste pardieiro? Possível mas algo duvidoso.

Dominguice

Se nos dessem a possibilidade de tomar todos os nutrientes de que precisamos em comprimidos, assim acabando com a necessidade de preparar refeições e passar o tempo necessário para as levar à boca, iríamos preferir essa forma de alimentação? Se a medicina inventasse uma forma de não precisarmos de dormir, que faríamos com essas horas vígeis a mais? Se o Estado acabasse com a pobreza através de um rendimento mínimo garantido que desse para ter um consumo de classe média e ainda garantisse saúde pública gratuita de alta qualidade e imediato acesso, de que nos passaríamos a queixar?

Entretanto, aprende esta manigância: despeja um copo meio cheio em cima de um copo meio vazio.

É o imperialismo, estúpido

«A Rússia não vê "nenhum problema" com a adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, afirmou esta quarta-feira o Presidente russo, Vladimir Putin. "Não temos problemas com a Suécia e a Finlândia, como temos com a Ucrânia", disse Putin em conferência de imprensa em Asgabate, capital do Turcomenistão.

"Não temos disputas territoriais (...), não há nada que nos possa incomodar do ponto de vista de adesão da Suécia e da Finlândia à NATO", assegurou.

Para Putin, a Finlândia e a Suécia "podem-se juntar onde quiserem".»


Putin agora diz que adesão de Finlândia e Suécia à NATO “não é problema”

A alucinada e asinina tese da culpa da NATO na invasão, anexação e destruição da Ucrânia pela Rússia acaba de ser desfeita pelo próprio Putin. Mas que grande dor de cabeça para os putinistas ferrenhos, né?

É que se passa a não ser um problema ter Finlândia e Suécia a juntarem-se aos diabólicos americanos, a única explicação para o que está a acontecer na Ucrânia desde 2015 só pode ser mesmo o czarismo cobarde e mafioso de Putin e de quem com ele tem a Rússia a saque.