Social media and low self-compassion behind rise in cosmetic surgery
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For the lonely, a blurred line between real and fictional people
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Skin behind the ears and between the toes can host a collection of unhealthy microbes
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These 6,000-year-old sandals found in a Spanish cave are Europe’s oldest shoes
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Increasing steps by 3,000 per day can lower blood pressure in older adults, study finds
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Political independents are more negative than partisans
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Can ChatGPT help us form personal narratives?
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Continuar a lerRevolution through evolution
Arquivo da Categoria: Valupi
Dominguice
Esta coisa do comentariado deu o berro. Pode e vai continuar a existir mas à maneira das “manhãs da televisão” e das “tardes da televisão”: espaços onde o convencionalismo estéril é não só a regra como uma necessidade para a audiência. A ideia de que a opinião de uma pessoa tem relevância apenas porque quem a solta lhe dá importância é um modelo que só funciona na academia e na ciência. Nesses dois casos porque, supostamente, tem de se prestar provas das competências intelectuais próprias e depois dar provas para as opiniões defendidas. No caso dos espaços de comentário político, os artistas ou estão a trabalhar para a agenda do seu grupo de interesses ou afinidades ou estão a delirar em modo megalómano e narcisista. Daí a exaltação, a voracidade e a fúria exibidas.
Há excepções, não há é pachorra para os restantes quase todos que se limitam a produzir e encenar um passatempo.
Diga 133
«O inquérito também incidiu sobre a distribuição dos processos, nomeadamente à revelia das normas estabelecidas. Portugal, com 27%, e Espanha, com 26%, são os países que mais concordaram que “durante os últimos três anos, foram distribuídos processos a juízes à revelia das regras ou procedimentos estabelecidos, a fim de influenciar o resultado do(s) litígio(s) em questão”.»
Este estudo já tem mais de um ano desde a sua publicação. Ignoro por que razão está agora na berlinda. O que me leva também a ignorar por que razão não se falou dele, ou com o actual destaque, o ano passado. Seja lá qual for a explicação, o que temos à frente é uma pedrada no charco.
Imaginemos que um órgão de comunicação social qualquer investia uma pequena fortuna para investigar a Justiça em Portugal. E que depois de meses e meses de encontros secretos conseguia obter de 133 juízes portugueses declarações que lançavam a suspeita de haver processos distribuídos irregularmente com a finalidade de influenciar litígios. Não de cidadãos envolvidos em processos, não de advogados com interesses em processos ou em mediatismo, não de comentadores, não de jornalistas. De juízes. Juízes a denunciarem juízes. E não só um ou dois mais avariados da corneta mas 133. Qual seria o impacto social e político de uma peça dessas?
Desde que há tribunais, em qualquer parte do mundo, que há suspeitas sobre a idoneidade dos juízes. É inevitável por razões que nem sequer carecem de esclarecimento. Daí, a problemática que o inquérito da Rede Europeia de Conselhos de Justiça também aborda relativamente às disfunções individuais geradas pela comunicação social ser relevante mas não crucial para o diagnóstico que se nos apresenta. Qualquer juiz é um sujeito antropológico, com as condicionantes inerentes no plano cognitivo, ideológico, emotivo, moral e circunstancial. O que fica como indelevelmente espantoso é o reconhecimento por 133 juízes de existir corrupção sistémica na Justiça portuguesa.
133 juízes não é um pequeno número, é gigante. Este inquérito recolheu respostas de 494 juízes portugueses, o que corresponde a perto de 30% do total dos juízes em funções na Grei ao tempo. Não estamos, pois, no território das sondagens com amostras ínfimas. Estamos é no domínio dos referendos. E, na enxurrada, todo o sistema político mais a comunidade ficam aqui expostos como cúmplices, traficantes e algozes.
Abate-se sobre a indiferença generalizada a tragédia de não termos quem nos defenda do pior inimigo que é possível conceber: aquele a quem entregamos a administração da Justiça.
A indústria da calúnia é muito mais do que um negócio
«Portugal é um dos países onde os juízes mais consideram estar sujeitos às pressões externas, como a comunicação social ou as redes sociais. 40% dos juízes portugueses pensa que já ocorreram decisões em que foram influenciados pela comunicação social.»
Ilações:
1ª
Se 40% dos juízes portugueses que responderam ao inquérito assumem haver colegas, ou terem sido os próprios, a decidir judicialmente por influência da comunicação social, tal permite extrapolar que outros 40% pensam o mesmo mas não o admitiram por cumplicidade com a prática, e que os restantes 20% não têm a certeza, ou têm vergonha de o reconhecer, daí não o confirmarem.
2ª
Se há uma maioria provável de juízes a decidirem judicialmente por influência da comunicação social, quem controla a comunicação social está a controlar os juízes.
3ª
Para descobrir quais os casos onde com elevadíssima probabilidade a comunicação social influenciou as decisões judiciais dos juízes basta fazer uma correlação entre a extensão e selvajaria da cobertura mediática de certos casos com as decisões processuais e sentenças respectivas pelos tribunais.
4ª
Se isto se passa assim, e assim confirmam os juízes que se passa, a ideia de que vigora o Estado de direito democrático em Portugal é uma balela.
5ª
Se os constitucional, política e socialmente protegidíssimos juízes pervertem a sua formação, a sua deontologia e a sua consciência por influência da comunicação social, que farão os procuradores, os polícias e os jornalistas?
Na imprensa dos brandos costumes, quando o alvo é da direita
O editorialismo e o comentariado, na sua quase totalidade, abafaram a análise e interpretação das cenas pícaras de Marcelo no Canadá para lá do mínimo inevitável. Por falta de interesse ou oportunidade? Não, ao contrário: por serem assombrosamente graves. Por não terem defesa possível, alguma que fosse. A sua gravidade não está na temática sexual ultrajante ou no estilo rasca exibidos, o que em si já é grave naquele nível de representação política, está na evidência de estarmos perante uma conduta anómala que põe em causa as competências cognitivas para as responsabilidades do indivíduo em causa. Se ele não tem noção do efeito que provocou, de que terá noção? Se tem noção, onde está o seu arrependimento? Se não se arrepende, quem poderá confiar na sua pessoa?
Incrivelmente, é preciso ir até à Renascença para encontrar uma denúncia conforme à realidade do caso: Marcelo e o decote: “O Presidente tem que se controlar”. Sintomaticamente, quem a faz não é português. Olivier Bonamici aponta a duas características do episódio que explicam a censura dos espaços da opinião profissional a respeito do mesmo: (i) o carácter chocante da atitude de Marcelo para o espectador comum da cena; (ii) a certeza de que alguma coisa parecida em Espanha ou França teria causado um escândalo homérico. Tal quer dizer que os jornalistas e comentadores portugueses que preferiram o silêncio são política e moralmente cobardes. Com as devidas excepções, surpresa nenhuma.
Mas houve quem não se pudesse conter, uns fogachos de indignação. A incrível Ângela Silva fez uma súmula dessa reacção — “We are bacalhau”? He is Marcelo — aproveitando para repetir uma informação que, essa sim, justificaria um Conselho de Estado de emergência: isso de Marcelo não “ouvir” ninguém. Já o tinha dito há perto de um ano, noutro dos momentos baixíssimos de Marcelo. É a fotografia de um louco à solta, pois a loucura é sempre a perda da capacidade de acolher os outros, o deslaçamento da relação à comunidade.
O Governo e o PS não retiram qualquer vantagem de terem um Presidente da República não só politicamente enfraquecido como eticamente desautorizado e ainda balhelhas. Nem a oposição. Vamos com um ano de instabilidade política nascida exclusivamente do irregular funcionamento da instituição Presidência da República. Um jornalismo que enche a boca com a liberdade da imprensa e a defesa da democracia quando quer difamar e caluniar à-vontade, e depois não consegue dizer que o Presidente vai nu e cego, é uma causa essencialíssima deste espectáculo vexante.
Vamos lá a saber
A gravidade disto
Esta peça de Victor Moura-Pinto — Um decote marcou a semana política — denuncia como hipócritas tudo e todos. De acordo com o autor, que junta gravações para o ilustrar e provar, o episódio no Canadá não foi a excepção no comportamento de Marcelo, é a regra. O actual Presidente da República não só é ostensivo na sexualização das mulheres através do verbo insinuante como roça (e se roça) no abuso corporal com a sua exigência de beijinhos, toques e abraços. No pleno das fêmeas? Moura-Pinto detalha que Marcelo prefere as mais novinhas, embora também despache as que lhe parecem fora de prazo com carimbos como “Há 10 anos era de perder a cabeça”.
É fácil fazer uma montagem que crie a percepção errada sobre a relevância desta objectificação do feminino. Porém, contudo, todavia, aposto os 10 euros que tenho no bolso como nesta peça ele está a tentar fazer verdadeiro jornalismo. Isto é, divulga informação com interesse público ignorada por muitos, seguramente por mim: a de que Marcelo Rebelo de Sousa, ocupando o mais alto cargo da Nação, tem uma conduta indigna das suas responsabilidades também nisto da condição feminina — ou seja, na condição humana e no mero respeito por pessoas e suas famílias. E que essa disfunção não começou em Setembro de 2023, tem anos. E que tal é sabido por quem o acompanha e faz a cobertura noticiosa ou meramente calha estar presente para o testemunhar, seus moralistas merdosos.
Dias depois desta peça vi outra, que infelizmente perdi e não consigo reencontrar. Nela, uma jornalista explicava que a polémica no rectângulo com o decote não tinha chegado ao Canadá. E lá aparecia Marcelo a fazer das suas. Viu-se uma adolescente, ou jovem adulta, a ir ter com ele para uma foto com o seu telemóvel. Ao abraço efusivo seguiu-me uma pantomima em que Marcelo segurava o telemóvel e o usou para demonstrar o seu entusiasmo com o corpo e aparência da rapariga, baixando-o e levantando-o para apanhar a chicha completa enquanto soltava exclamações lúbricas.
Não devia ser necessário explicar mas Portugal assim o exige: a gravidade disto ultrapassa drasticamente a gravidade disto.
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Where do we feel love?
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Suppressing negative thoughts may be good for mental health after all, study suggests
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At which age we are at our happiest?
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Jellyfish, with no central brain, shown to learn from past experience
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Almonds as part of a healthy weight loss diet
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Tiny sea creatures reveal the ancient origins of neurons
Dominguice
Não sou eu que o digo, é um supercomputador
Lapidar
Ontem, no noticiário das 20 horas, a RTP fingiu uma entrevista ao ministro da Educação. O que se passou não foi comunicação, foi oposição pura e dura. A indignação do dono do microfone tornou-se num espetáculo triste, incompatível, creio eu, com as regras deontológicas do jornalismo.
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NOTA
A RTP, apesar do dever de serviço público, é um órgão de comunicação social politicamente agendado. Isso não nasceu em 2015 com António José Teixeira, ano em que se tornou director adjunto de informação da RTP, já o era desde o cavaquismo. Porém, este Teixeira trouxe da SIC exactamente o mesmo editorialismo que lá praticava ao serviço de Balsemão. O resultado é uma cultura de oposição assanhada (quando não persecutória) aos socialistas que é uma violação tanto das responsabilidades da estação pública como das responsabilidades individuais dos jornalistas.
O PS, por sua vez, não parece preocupado com a situação. Talvez por ser uma área armadilhada, onde qualquer laivo de protesto é imediatamente explorado como tentativa de controlo e censura. Perdemos todos, até porque a decadência do jornalismo de agenda direitola não é a panaceia para a decadência da direita.
Ângela Silva, placa de Petri
Sou fã da Ângela Silva. Porque ela é como uma placa de Petri da decadência da imprensa portuguesa. Tendo a função de ligar o Grupo Impresa à Presidência da República Portuguesa, assistimos semanalmente ao reverso: a Presidência a ligar à Ângela para ela espalhar os recados trapaceiros e ressabiados dos homens do Presidente. O cúmulo desta farsa, onde a suposta jornalista se comporta como assessora, ocorreu na chantagem via Expresso que podia ter causado uma gravíssima crise política, em Maio, quando Marcelo mergulhou de cabeça no irregular funcionamento das instituições.
Claro, ela não poderia ser isto sem a aprovação de Ricardo Costa. E o mano Costa não o poderia aprovar sem a autorização última ou primeira de Balsemão. Daí a senhora ser uma placa, não o ecossistema. Ela está apenas a fazer pela vida, ganhando do bom, num ambiente que lhe pede o que a assalariada tenta dar da melhor maneira que consegue.
O que nos leva para esta coisa: 2007: Tinha sido tão “Porreiro, Pá!”. Conceptualmente, é uma rubrica que promete resenhas sobre a história portuguesa recente. Na prática, este episódio não passa de mais um linchamento de Sócrates, o bilionésimo. Em 2007 a licenciatura de Sócrates ainda não tinha sido considerada irregular, pelo que a polémica se restringia ao confronto de diferentes versões sobre as muitas facetas do caso. Daí, ao tempo, esse episódio não ter tido qualquer impacto significativo no eleitorado, muito menos em 2009, ano de eleições legislativas. Pois Ângela Silva centra-se nessa história, de relevância relativa, para apontar ao carácter de Sócrates. Ao mesmo tempo, diminui e enxovalha o Tratado de Lisboa, de relevância absoluta, um dos grandes sucessos da governação socialista e de Portugal como país organizador. É isto jornalismo? Não, pá, é sectarismo e diabolização.
Sendo esta cultura tóxica o alimento do editorialismo do Expresso e da SIC, nada mais previsível do que esta outra coisa: Ângela Silva analisa o estado da relação Costa-Marcelo: “A montanha não pariu um rato, pariu um elefante”. Quem é cúmplice de Marcelo fingindo fazer jornalismo político trata a disfuncionalidade do actual ocupante de Belém como um conflito institucional onde há dois protagonistas voluntários e igualmente responsáveis pelas peripécias. Este falso nivelamento tem como objectivo envolver Costa na sua causalidade, para logo depois o carimbar como culpado pelo confronto, por actos e/ou omissões. A Ângela, com a nulidade Baldaia a servir de ponto, continua aqui a explorar o uso do Conselho de Estado como arma de arremesso, chafurdando risonha e gaiata na violação do sigilo do órgão e na restante boataria desonrosa. O cristalino propósito é o de pintar Costa como o mau da fita, Marcelo como o sofrido herói que tenta salvar a gente boa (leia-se: a direita oligárquica).
Num momento delicioso de involuntária hilaridade, saiu-se com uma pérola: “O Presidente está numa altura em que tem de pesar muito bem a palavra, tem que reflectir muito bem como é que vai gerir os lances do outro lado.” Isto foi publicado a 7 de Setembro. Nos dias seguintes, o tal Presidente fez-lhe a vontade. Cadeiras, decotes, Selecção, fado, bacalhau, Cristiano Ronaldo. A palavra do Presidente não poderia ter sido mais eloquente a gerir os lances do outro lado.
Que pretende Marco Galinha?
A cadeira aguenta com o decote?
Quando me mandaram o vídeo de Marcelo a gozar com o decote, a minha primeira reacção consistiu em duvidar que fosse verdadeiro. Era um vídeo solto, sem logótipo de qualquer canal televisivo, pelo que fui à procura de marcas de truncagem onde se tivesse falsificado a locução. Só ao ver o mesmo registo em meios de informação profissional é que me rendi. E me espantei.
Imaginemos que Marcelo, desde 30 de Março de 2022, se tinha comportado com sentido de Estado, prudência, inteligência política, patriotismo e módico bom senso até ao passado dia 14 de Setembro. Sublinhe-se: essas características em nada o limitariam na actividade de fiscalizador do Governo, podendo com toda a legitimidade discordar politicamente das opções do Executivo, como é seu apanágio constitucional. A ter sido assim, o episódio do decote apenas justificaria a curiosidade de se discutir o eventual mau gosto da graçola. Nada de grave seria assinalado e tudo se varreria para debaixo do tapete da sua inveterada chinela popularucha. Ora, a real situação é radicalmente oposta.
Na ocasião mesma da tomada de posse do Governo com maioria absoluta começou um ciclo inacreditável, previamente inconcebível, de disfuncionamento da pessoa Presidente da República: nessa cerimónia, resolveu atacar o carácter de António Costa. Tal ficou finalmente evidente na forma como se deixou percepcionar na figura de cúmplice do abafamento e desvalorização das suspeitas de crimes de abuso sexual na Igreja Católica em Portugal. Tal ficou igualmente evidente na irracionalidade de ameaçar dissolver a Assembleia da República, ainda o Governo maioritário estava recém-empossado de meses, e no insano de repetir a ameaça quase a um ritmo semanal. Esta dinâmica de anormalidade presidencial conduziu a uma gravíssima crise onde Marcelo perdeu a noção das consequências dos seus actos, tendo usado o Expresso para fazer uma chantagem ao Governo. Igual anormalidade na saga do Conselho de Estado repartido e na decadência a que se entregou alimentando a perversão desse órgão, a violação do sigilo e a chicana da sua guarda pretoriana. Mas lendo retrospectivamente a partir do decote o seu comportamento, até a cena gaga em que atacou Ana Abrunhosa, nos idos de Novembro de 2022, era já manifestação do seu indisfarçável destrambelhamento.
O que me espantou nisto no Canadá foi ter ocorrido poucos dias depois do número da cadeira em que achincalhou uma mulher perante terceiros, grupo onde se incluía um primeiro-ministro e jornalistas a gravarem a humilhação. Tal significa que ele está em perda drástica de controlo sobre as suas emoções e a sua responsabilidade institucional — ou que fosse o mero cuidado em não magoar outrem ou chocar a comunidade. Atendendo à sua linguagem corporal nessas duas situações e às justificações inanes e infantiloides a que se agarrou, encontra-se matéria para nos interrogarmos sobre a sua saúde mental. O que leva à inevitável questão: quem não se sabe comportar em público com critérios adequados à função que exerce, saberá comportar-se em privado à altura do interesse nacional e do bem comum? Resposta: em privado, o caso é ainda pior. E basta acompanhar as notícias para o constatar. A sua actuação nem ao PSD serve, tem sido apenas absurda e degradante.
Com raras excepções, o comentariado censurou o decote. Das vedetas, apenas o Pacheco ousou fazer uma alusão lateral para atacar a Isabel Moreira sem a nomear. Esse silêncio é mais pesado do que a galáxia de Andrómeda. A cadeira já está a rachar.
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Sleep Plays a Major Role in Neurological Disorders – Getting Good Sleep May Help Reduce Risk
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New evidence indicates patients recall death experiences after cardiac arrest
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Antidepressants may reduce negative memories while improving overall memory
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Hobbies linked to lower depression levels among older people
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Healthy lifestyle can help prevent depression – and new research may explain why
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Large amounts of sedentary time linked with higher risk of dementia in older adults, study shows
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All work and no play will really make a dull life
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Dominguice
O estigma relativo à doença mental continua a existir, apesar de se estarem a esbater os preconceitos. A sua origem está no cristianismo, por um lado, e no iluminismo, pelo outro. Da religião veio uma literal demonização do doente mental, os seus sintomas vistos como obra de forças malignas. Este pensamento mágico onde entidades ou energias sobrenaturais causavam a perdição dos humanos, por sua vez, era já ancestral, primevo. Pela ideologia do iluminismo veio um reducionismo da realidade psíquica às faculdades lógicas, estabelecendo-se culturalmente um fundamentalismo racionalista onde a doença mental aparecia como degenerescência. De ambas as causalidades nascia um comum moralismo no qual o doente mental era visto como infra-humano, fosse por ter perdido a protecção divina ou por ter perdido a essência racional. O estigma, neste contexto, vem da ameaça à identidade do paciente por via da alteração das relações com íntimos, próximos e até distantes.
Na verdade, não só estamos quotidianamente rodeados por doentes mentais, em qualquer tipologia e grau, como a própria complexidade ignota da condição humana implica não podermos ter definições simplistas, unívocas, do que seja a saúde mental. Melhor será assumirmos que todos, sem excepção, ignoramos se precisamos de ajuda nessa dimensão da nossa existência. E se nos disserem que precisamos, pode ser que tenham razão.




