Que poderia ser considerado como resposta moralmente adequada de Israel após os crimes do Hamas?
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Dominguice
Podemos associar a inteligência à bondade? Dois berbicachos iniciais, talvez insuperáveis. O que é a inteligência? E que raio será a bondade? Claro, não faltam definições reputadas de gente com obra para o primeiro conceito. Como não faltam definições desvairadas de gente com o seu ponto de vista, a sua circunstância, para o segundo. A inteligência pode ser usada para causar o mal absoluto. A bondade vista como a realização do interesse de um pode corresponder ao prejuízo para o interesse de outro. Abrindo uma passagem nesta selva à catanada, bute ligar a inteligência à sobrevivência dos organismos complexos. Quão mais inteligentes, mais complexos no seu comportamento. No caso dos humanos, a nossa complexidade biológica tornou-se fonte de complexidade cultural, acabando esta por se tornar fonte de complexidade material, ecológica e cósmica. Indo por aqui, a inteligência será tudo aquilo que aumente a complexidade. Parece um avanço quase irrisório na questão mas talvez seja decisivo se saltarmos agora para a bondade. A bondade mais simples, mais básica, será a mais imediata, definindo-se como adjectivação de tudo o que sirva a sobrevivência do organismo individual ou do seu grupo filial. A partir deste núcleo, vemos a bondade a aumentar de complexidade ao aumentar a complexidade dos grupos humanos. Da tribo à cidade, da tradição local aos direitos universais, há um trajecto em que a bondade se vai continuamente redefinindo cultural, política, social e pessoalmente. E sempre com esta lógica: o que é bom não passa de um melhor que.
Conseguir comparar dois bens, e dois males, e pesar as suas diferenças, as suas consequências, escolhendo o bem maior e o mal menor, eis o que o estúpido não consegue fazer. Pela complexidade é que vamos — para o melhor possível.
Ou esta: “não sejas demasiado justo, nem te tornes sábio de mais”
A situação de Israel na sua relação com os palestinianos causa a este observador distante na velha Lísbia, apaixonado pela cidade, um permanente estado de conflito moral. Culturalmente, a identificação é com a nação e cultura judaicas por razões de fundo etnográfico comum e modelos sócio-políticos similares. Civilizacionalmente, os palestinianos têm o mesmo direito que os israelitas a viverem num território de que sejam soberanos, sem margem para qualquer relativismo.
O ponto final do parágrafo anterior marca o limite da minha capacidade analítica no plano da História. A origem do país Israel confunde-se indistintamente com os séculos e milénios em que os povos da Europa foram a força política e militar mais decisiva naquela parte do Mundo. E esse nascimento tem uma relação directa com o Holocausto nazi. A violência que se abateu sobre os judeus até aos dias de hoje, começando pela invasão de Nabucodonosor só para ter uma data inicial qualquer e prosseguindo com o sistémico e ubíquo antissemitismo, é impossível sequer de elencar. Donde, quando são os israelitas a violentarem os palestinianos o risco moral é o da duplicidade, essa pulsão de encontrar justificações verbalizadas ou silentes para o que deve ser denunciado como abuso e crime.
No que tem sido, e não parece poder deixar de ser, uma guerra de vida ou de morte sem possível compromisso, ficar calado é sensato. Mas só porque a probabilidade de se largar uma obscena inanidade é altíssima. A ter de dizer alguma coisa, que seja esta: “debaixo do sol não há nenhuma novidade”.
Chalupices
«Campeão do Mundo em K2 500 metros no Mundial que decorreu em agosto último em Duisburgo, na Alemanha, juntamente com Messias Baptista, o canoísta português João Ribeiro veio esta quinta-feira a público questionar a dualidade de critérios que diz existir na Presidência portuguesa no que toca a condecoração de atletas de alta competição.
“A demagogia faz parte da sociedade, é inato do ser humano que de uma maneira irracional leva a uma constante procura da aprovação do outro, estranho é quando de uma maneira racional e lógica comete-se erros na governação de uma sociedade, que só por si é injusta pelas oportunidades de uns e a falta de oportunidade de outros. A mentira e oportunismo de em um momento de relevo nacional e internacional dizer que se merece, pelo percurso, pela batalha e constante procurar do melhor resultado para o nosso país e no momento certo não ter a decência de condecorar dois campeões do Mundo“, pode ler-se na mais recente publicação de João Ribeiro no seu perfil oficial do Instagram.
Esta mensagem nas redes sociais surge precisamente no dia em que o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou o também canoísta Fernando Pimenta e o seu treinador Hélio Lucas no Palácio de Belém, onde ainda recebeu os jogadores da Seleção Nacional de râguebi, fruto do resultado histórico obtido no Mundial de França.»
Estado da direita: o betinho apoia o pipi
Perguntas simples
A violência não é toda igual
A violência não é toda igual. Mas a violência mediada pelos ecrãs parece toda igual, porque toda espectáculo. Imagens que se sucedem a imagens, com o acompanhamento melodramático dos jornalistas e editores que estão a trabalhar para as suas audiências, medindo o seu sucesso pelo tempo gasto por cada espectador na emissão respectiva. Pretender justificar as acções violentas recorrendo a acusações e explicações faz parte da mesma experiência de alucinação. Um excesso de luz vinda dos ecrãs que impede a leitura interior.
A violência não é toda igual. Mas a violência é também incomparável e, no limite, do domínio do inefável no que ao sofrimento das vítimas diz respeito. Daí, para se tomar partido a favor ou contra a violência, há que ir ao encontro da consciência própria: eu faria o que vi fazerem? Se o registo for de honestidade intelectual, imediatamente responderemos: “Não sei”. Por exemplo, a rapariga (cuja nacionalidade ignoro) filmada a ser raptada pelo Hamas, com as calças encharcadas de sangue do que terá sido uma provável violação colectiva, pode ser vista como um alvo legítimo da luta dos palestinianos pelo direito a viverem em liberdade num território que seja seu? A mim, essa conexão aparece como inumana. Mas outros poderão alegar que a violência de que ela foi vítima é inferior à violência causada por qualquer uma das bombas lançadas por Israel ao longo de anos e anos que vitimaram civis palestinianos. Donde, aprovarem o terror a que foi sujeita e, quiçá, o seu assassinato.
A violência não é toda igual. Muitas milhentas vezes, foi e é indispensável para a sobrevivência, para a libertação, para a conquista da dignidade. Por mim, desconfio de quem perante a violência é rápido a trocar o sofrimento das vítimas pela abstracção da ideologia onde há maniqueísmo à solta e falta a coragem da alteridade. Esses cometem um outro tipo de violência, semente daquele que lhes serve de promoção da sua marca e agenda.
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Dominguice
O Nobel da Física deste ano foi para três investigadores e suas descobertas na área da medição dos electrões com lasers. Na prática, as suas invenções permitem fotografar e filmar esses bicharocos com cada vez maior precisão. Ora, acontece que os electrões movem-se a uma velocidade um bocadinho mais rápida do que um veículo na Segunda Circular em hora de ponta. A unidade de tempo em causa é o attossegundo. A imagem usada na Wikipédia para ilustrar a sua dimensão é esta: há quase duas vezes e meia mais attossegundos dentro de um segundo do que segundos decorridos desde o Big Bang. Recorrendo a um supercomputador, arranjei outra: se imaginarmos que um attossegundo tem a duração de um segundo, a luz demoraria mais de 100 mil anos para percorrer 1 metro. Coisas que se passam no reino dos triliões, para menos.
A espantosa complexidade da biologia, que nos dá a vida e a morte, precisa de muito tempo para se desenvolver. O tempo que a civilização levou até chegar a esta capacidade de inteligência contando a partir da pedra lascada, na comparação, é como um attossegundo, ou mesmo yoctossegundo, em rápida aproximação ao Tempo de Plank. As bactérias e os vírus que nos tratam mal terão como destino serem vistos como lesmas preguiçosas com as futuras tecnologias nascidas destes avanços científicos.
Clube de fãs da Ângela Silva
«Moedas assumiu a dianteira política. Marcelo escolheu as entrelinhas da História. Mas ambos puxaram as orelhas a Costa.»
Marcelo & Moedas: ou se reforma a sério ou pode acabar mal
A imagem do puxão de orelhas, castigo de antanho dado aos putos malcriados ou tão-só irrequietos pelo mestre-escola, c’est tout un programme (como dizem os ingleses, os cultos). Corresponde com precisão metafórica ao que a nossa Ângela concebe como ciência política: essa tarefa de dar tautau nos socialistas porque não têm maneiras nem condições para governar. Marcelo e Moedas, esses sim, sabem como mandar no povo e têm escola, berço. Costa não passa de um arrivista, um habilidoso (ou seja, um novo-rico da política que está a usurpar o lugar onde poderiam estar os amigos desta senhora).
A vida é simples para a Ângela Silva. E parece bem prazerosa.
Volúpias do comentariado
«Acordei anteontem com a sensação de que o artigo da Carmo Afonso (Isto é sobre conservadorismo do pior) era uma resposta ao meu artigo da última sexta-feira (Isto não é sobre a Carmo Afonso), que, por sua vez, era uma resposta ao artigo da Carmo de quarta da semana passada (Isto não é sobre o Duarte Cordeiro).»
Celebrar a República
É não só curial como oportuno celebrar a República recorrendo às palavras do mais alto representante da mesma, o Presidente da República. Porquê? Porque ele é o garante do regular funcionamento das instituições. Ou seja, tudo e todos dependemos dele, pois ninguém quer viver num país onde exista um irregular funcionamento dos órgãos de soberania, prelúdio do que seria um Estado falhado a curto prazo.
Pois esse senhor lembrou-se de dizer o seguinte:
«Em entrevista à TVI/CNN Portugal, na segunda-feira à noite, o primeiro-ministro, António Costa, voltou a criticar "fugas seletivas" do Conselho de Estado e manifestou a certeza de que o Presidente da República "cuidará da estrita aplicação da lei" e irá "garantir o normal funcionamento do seu órgão de consulta". Confrontado com estas declarações, o chefe de Estado contrapôs que "uma coisa é especulação, outra coisa é fuga de informação", salientando que no caso da última reunião ainda não foi aprovada a ata, que é o que "vale como verdade". Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, por isso, que "é prematuro estar a dizer se aquilo que se chama fugas de informação foi fuga de informação ou uma mera especulação analítica no exercício da liberdade de imprensa". "Portanto, daí partir para teses acerca do regular funcionamento do Conselho de Estado é obviamente prematuro e não corresponde à realidade existente. Atenhamo-nos à realidade existe, até como forma de respeitar o órgão, e não, de forma, digamos assim, incidental, criar espaço ou supostamente criar espaço para diminuir o peso institucional do órgão", acrescentou.»
Perceberam? É o método Joana Marques Vidal, copiado de quando a ex-PGR aparecia sorridente a explicar aos jornalistas que as supostas violações do segredo de justiça não passavam, para ela, de uma fantasia. Primeiro, tinha-se de concluir as investigações, tratar da papelada, depois fazer uns inquéritos, coçar a micose, e só no fim (leia-se, daí a uns valentes anos) é que se poderia confrontar as alegadas violações do segredo de justiça com o que realmente constava do processo. Às tantas, não estava lá nada disso que na actualidade alimentava o linchamento político, social e pessoal deste e daquela na indústria da calúnia. O que, portanto, não poderia ser considerado uma violação do segredo de justiça, né? Donde, toca a circular, não há nada para ver e segue o vale tudo para os procuradores criminosos. A direita decadente adora a santa Joana por estes e outros predicados similares.
Marcelo é mais elaborado, porque tem ainda menos espaço de manobra. Daí ter de recorrer a uma chicana de vendedor de atoalhados na feira da Malveira. O seu desempenho está ao mesmíssimo nível da justificação que deu no Canadá acerca da boca ao decote da filha ao lado da mãe. No caso, substituiu o frio pela acta. E ainda conseguiu pintar Costa como o mau da fita, fulano que anda a criar problemas quando devia era comer e calar.
Ora, continuando a dar o máximo de atenção às palavras do senhor, saltemos para isto:
«O Presidente da República afirmou esta sexta-feira ter ficado ofendido com a quebra de sigilo sobre o conteúdo das reuniões do Conselho de Estado, salientando que, além da quebra, "havia uma versão que era o contrário da verdade". À margem de uma visita à Feira do Livro, no Porto, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre as declarações do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que na quinta-feira considerou que fugas de informação sobre reuniões do Conselho de Estado são uma ofensa a este órgão de consulta e aos conselheiros. "Percebo que fiquem ofendidos, como eu fiquei, porque além da quebra do sigilo, havia uma versão que era o contrário da verdade em relação a mim", referiu o chefe de Estado, escusando-se a comentar novamente o tema.»
Percebem? Em Outubro estava já esquecido do que tinha dito em Setembro, altura em que para ele havia quebra do sigilo. Menos de um mês depois, a quebra do sigilo transformou-se em “mera especulação analítica no exercício da liberdade de imprensa”. Fórmula que passa a caracterizar as declarações de três conselheiros de Estado violadores do tal sigilo com o máximo impacto mediático possível: Lobo Xavier, Marques Mendes e Cavaco Silva.
O desconchavo acelerado de Marcelo Rebelo de Sousa, de que as suas palavras são prova incontornável, é uma das melhores homenagens a contrario ao ideal da república. Basta imaginá-lo como rei.
Da série “mera especulação analítica no exercício da liberdade de imprensa”
«Cavaco salienta que “a função do Conselho de Estado é apoiar o Presidente no exercício das suas funções como órgão de consulta” e recorda que, no seu tempo, “fazia intervenções bastante longas”. Na opinião do ex-PR, “o primeiro-ministro deve, nas suas intervenções, mostrar que está melhor informado do que todos os outros membros do Conselho”.
É por isso que Cavaco Silva estranha o silêncio de António Costa no Conselho de Estado. “Corroboro aqueles que disseram que não é normal. Devo dizer que, nos meus 28 anos de Conselho de Estado, não me recordo de uma situação dessas”»
Cavaco chafurda na violação do sigilo a que os membros do Conselho de Estado estão obrigados. A vaidade e o rancor são o único alimento dos seus neurónios. Desta personagem há a dizer que seria preciso nascer cem vezes para se ser tão sonso, tão hipócrita, tão imoral como o autor da Inventona de Belém.
Marcelo fora-da-lei, ouve-se no silêncio
«Sobre o seu alegado silêncio, Costa ainda disse que "a história não é bem assim" como surgiu na imprensa, mas recusou dar mais pormenores e remeteu para a divulgação do conteúdo da reunião para 2056, ano em que estas actas serão públicas.
Ainda assim, frisou que "não é habitual e foi muito inusitado" que tenham existido "fugas seletivas" da reunião, mas, questionado se tem receio de que o conteúdo das suas intervenções futuras seja divulgado, respondeu negativamente.
"Não tenho desconfiança relativamente às pessoas que lá estão, até porque a generalidade da opinião das pessoas que lá estão é conhecida. Só ex-líderes do PSD estão lá quatro", disse.
"Tenho a certeza que o senhor Presidente da República cuidará da estrita aplicação da lei. Não me passa sequer pela cabeça que o Presidente da República, como garante do normal funcionamento das instituições democráticas, não comece por garantir o normal funcionamento do seu órgão de consulta", disse, defendendo que "todos os conselheiros têm de se sentir totalmente livres" para poderem exprimir o que pensam.»
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Dominguice
Esta coisa do comentariado deu o berro. Pode e vai continuar a existir mas à maneira das “manhãs da televisão” e das “tardes da televisão”: espaços onde o convencionalismo estéril é não só a regra como uma necessidade para a audiência. A ideia de que a opinião de uma pessoa tem relevância apenas porque quem a solta lhe dá importância é um modelo que só funciona na academia e na ciência. Nesses dois casos porque, supostamente, tem de se prestar provas das competências intelectuais próprias e depois dar provas para as opiniões defendidas. No caso dos espaços de comentário político, os artistas ou estão a trabalhar para a agenda do seu grupo de interesses ou afinidades ou estão a delirar em modo megalómano e narcisista. Daí a exaltação, a voracidade e a fúria exibidas.
Há excepções, não há é pachorra para os restantes quase todos que se limitam a produzir e encenar um passatempo.