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Dissolução do Presidente da República

Depois da cena abstrusa e indecorosa, patareca, de Marcelo com Nabil Abuznaid, representante da Autoridade Palestiniana, já não é possível continuar a fingir que o actual ocupante de Belém tem condições cognitivas para exercer o cargo. Não tem.

Os episódios sucedem-se, a tipologia do descontrolo está registada, falta só uma autoridade clínica assinar o diagnóstico. O problema de Marcelo não é político nem moral, não se justifica agitando a caricatura da sua personalidade mediática, é neurológico. Vamos ter uma novidade no regime, a renúncia de um Chefe de Estado e a antecipação das eleições presidenciais.

E quanto mais cedo melhor, para o seu próprio bem. Para o bem da República.

O Presidente de todos os quadrilheiros

«Questionado sobre a escolha de João Galamba para intervir em nome do Governo no encerramento do debate orçamental, o Presidente da República referiu que já na Moldova teve oportunidade de dizer que, excetuando a TAP, não costuma pronunciar-se sobre infraestruturas.

"Portanto, uma intervenção que é sobretudo no domínio das infraestruturas é um desconforto, não é para mim, pode ser para quem porventura tenha tratado desse tema no passado mais próximo ou remoto. Eu não", considerou.»


Fonte

Revolution through evolution

Female board members help improve firms’ corporate sustainability reporting
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8,000 steps a day to reduce the risk of premature death
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Study suggests even more reasons to eat your fiber
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Our favorite bittersweet symphonies may help us deal better with physical pain
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‘Dim-witted’ pigeons use the same principles as AI to solve tasks
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People who communicate more, show expertise are more likely to be seen as essential team members
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Political rhetoric changes views on democratic principles, study finds
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Dominguice

A Natureza não é uma cena onde reine a paz. Começa-se a matar logo ao nível das bactérias. Fomeca, viver tem o seu custo. E daí até aos predadores de toda a forma e feitio, na água, terra e céu, é sempre a aviar. O rei da matança é o Homo sapiens, quão mais inteligente mais capaz de tirar a vida a outros animais e outros humanos. Para além da inteligência, também recorremos aos instintos, à identidade e à irracionalidade para agir violentamente. Assistimos à violência do presente, temos descrições da violência do passado, e sabemos que a violência continuará a fazer parte da experiência humana no futuro. A possibilidade de a raça humana se extinguir através da violência tem crescente verosimilhança desde o início da era atómica e da engenharia genética — mas já poderia ter acontecido no tempo da pedra lascada. Qualquer futuro avanço tecnológico que permita obter armas ainda mais poderosas levará ao aumento dessa probabilidade.

No entanto, porém, contudo, a civilização nasceu da, e por causa, da violência. Consiste no movimento da violência contra si própria.

Marcelo Ângela Silva de Sousa

“Há que manter a confiança e estabilização e o aproveitamento de fatores externos”

Fonte

Marcelo afundou-se na completa irrelevância. Tornou-se, para os impérios mediáticos da direita, num familiar incómodo que só diz disparates e inconveniências de muito mau gosto nas festas. Todos fogem agora dele. Injusto? Justíssimo.

Qual a credibilidade de vir apelar à “confiança e estabilização” depois de ter andado perto de um ano a ameaçar semanalmente abrir uma crise política insana e brutal com a dissolução de uma Assembleia com maioria absoluta do partido do Governo, e estando esse Governo no início do seu mandato, e não havendo qualquer alternativa sequer viável quanto mais desejada pelo eleitorado? É que nem os malucos lhe dão razão.

Resta-lhe a Ângela. Uma artista capaz destes números:

“Não seria bom que num ciclo de potencial estabilidade, se seguisse um ciclo formado por mini-ciclos governativos, com fragmentação”, afirmou Marcelo, sublinhando que a sua "preocupação vem desde 2018” mas “está mais evidente”.

O Presidente não explica porquê, mas nas entrelinhas do discurso que levou à plateia de economistas está um óbvio défice de confiança na capacidade de o PSD conseguir liderar uma alternativa de direita estável. Coisa que aponta como vital, até para que não continuem pendentes e a marcar passo dossiés estruturantes para o país.

O Presidente nem precisa de explicar seja o que for. Manda umas patacoadas para o ar e a Ângela, especialista em entrelinhas, trata de publicar a interpretação oficial — devidamente sublinhada a negrito que é para a malta do PSD saber o que anotar e tomar providências. Estão muito bem um para o outro.

Entrar pela porta pequena

Enquanto que a invasão da Ucrânia pela Rússia não levanta dilemas ou paradoxos morais, o conflito entre Israel e os palestinianos é um nó górdio de responsabilidades mútuas que impede um julgamento moral imediato sobre os acontecimentos de 7 de Outubro e dias seguintes — aliás, sobre toda a história desse conflito desde 14 de Maio de 1948.

No caso da Ucrânia, o invasor é criminoso e todos os seus actos e retórica respectiva são manifestações de intenções e planos criminosos. Aqueles que defendem o direito de Putin a invadir, destruir e matar num país soberano que não atacou a Rússia têm de recorrer a narrativas esquizóides e delírios dementes para manterem a coerência da sua identidade fanática. Aqueles que defendem o direito dos ucranianos a defenderem-se do invasor criminoso, o direito a defenderem a sua vida e propriedade, não precisam de violentar a consciência para relatarem o que testemunham. A invasão é moralmente cristalina, só tem um responsável.

No caso do conflito entre Israel e os palestinianos, qualquer acto de violência remete para uma série de violências anteriores de ambas as partes, cada uma delas e todas ilegítimas por não serem pacíficas — muitas inumanas. Daí a polémica com as palavras de Guterres, onde estamos perante o clássico confronto entre a deontologia e o consequencialismo. Visto pelo primeiro critério, o 7 de Outubro foi uma acção terrorista cujo significado remete para as tentativas de extermínio do povo judeu ocorridas no passado. O mero silêncio perante esses crimes arrisca a ser visto como cumplicidade com o abominável. Visto pelo segundo critério, o 7 de Outubro nasce de um contexto e deve servir para mudar esse contexto. A sua utilização, ou mera referência, como meio para a paz corre igualmente o risco de ser visto como aceitação do abominável para a táctica militar e a estratégia política.

O facto de Guterres ter ousado ser diplomaticamente incorrecto ou até escandaloso, assumindo o dilema que a situação gera em quem for intelectualmente honesto, pode ser visto como um erro crasso e indelével na sua carreira ou, simetricamente, como o pináculo de um mandato na ONU onde, para variar, temos um secretário-geral que honra a natureza humana. Aquela natureza humana que ama a natureza humana.

Começa a semana com isto

Visita Guiada — Leal Conselheiro, Biblioteca Nacional de França, Paris

NOTA

O relato autobiográfico pormenorizado, com detalhes subjectivos e etnográficos preciosos, da depressão de um rei do século XV bastaria para inscrever esta obra na história universal da literatura. Mas, para o leitor curioso, e para diversos investigadores e seus diversos saberes, o Leal Conselheiro é muito mais.

Por exemplo, é um manual de formação de chefes inteligentes. É um manifesto a favor da alta educação. E é um testemunho amoroso acerca da influência da família, uma família carismática, no destino intelectual, moral e cognitivo dos seus príncipes e infantes (mesmo que sejam todos, pais e filhos, da plebe).

Revolution through evolution

Challenging prehistoric gender roles: Research finds that women were hunters, too
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For relationship maintenance, accurate perception of partner’s behavior is key
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Familiarity breeds contempt for moral failings
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‘I’d rather not know’: Why we choose ignorance
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Genetic risk scores not useful in predicting disease
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Fruit fly serenade: Neuroscientists decode their tiny mating song
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How to tell if your boss is a ‘corporate psychopath’
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Dominguice

Nunca sabemos o que se passa. Há quem oculte informação por interesse próprio, como o criminoso e o oportunista. Há quem opere secretamente por necessidade metodológica, como o militar e o diplomata. Há quem conte uma versão enviesada e parcial, como o político e o jornalista. Daí não sabermos o que se passa na Ucrânia, em Gaza e na casa da minha vizinha do 4º andar. Daí não sabermos o que se passou ontem nem o que se vai passar amanhã.

A diferença entre o estado onírico e o vígil não é relativa ao conhecimento. É antes do domínio das sensações. Sente-se muito melhor a realidade e seus sonhos se acordados.

Anáfora

E falando sobre um homem que ainda está ligado à TAP, João Galamba é um ativo tóxico no Governo, neste momento?

Não. Passou.

E não tem consequências?

Não estou a ver consequências. Está completamente desagendado, já ninguém fala nisso. Não há a mínima cobertura mediática em relação a esse tema. O tema do João Galamba ficou muito bem resolvido naquela noite em que o primeiro-ministro desceu as escadarias da residência oficial, chegou ao pé do microfone e disse "olhe, não mudo". Isso ficou resolvido. Toda a gente percebeu. Está tudo bem com o João Galamba.

Foi teimosia do primeiro-ministro?

Podemos também perguntar: e se ele estivesse a ir atrás da conversa do Presidente da República não se podia dizer também que era teimosia do Presidente da República?

Acha que devia haver a remodelação de que tanto se fala? Esta fase do pós-Orçamento do Estado é uma boa altura para isso?

Não vejo nenhuma razão, pelo contrário. Não há resistências em relação ao Governo, a não ser as normais, está tudo normal. Já não há casos e casinhos há 6 meses, a comissão de inquérito da TAP acabou há 3 ou 4 meses. Tem sido tudo na maior normalidade, regularidade.


Entrevista a Luís Paixão Martins

Catacrese

O livro tem muitos momentos em que critica os jornalistas, incluindo a falta de espírito crítico e também a falta de capacidade de reconhecer que erraram, nomeadamente na análise e nas sondagens. Acha que os jornalistas desconhecem o mundo das sondagens e a maneira perversa como podem ser usadas?

Acho, sobretudo, que os jornalistas estão pouco preocupados com a sua reputação. Estão muito preocupados com as reputações dos políticos, dos empresários, até dos populistas e muito pouco preocupados com a sua reputação. Os jornalistas e os meios de comunicação social acham-se superiores a isso, acham que não têm de dar explicações ao público. Nas eleições legislativas foi um desastre a cobertura mediática das sondagens. Os erros das sondagens da última semana, relativamente ao total, foram de 10 pontos, 12 pontos, 14 pontos. E não houve uma única autocrítica. Não houve um movimento, uma plataforma, qualquer coisa, que levasse as pessoas a rever processos, a analisar processos.


Entrevista a Luís Paixão Martins

Eufemismos

Que consequências políticas pode ter esse enfraquecimento político de Marcelo Rebelo de Sousa?

Não acho que seja muito positivo para o país, não é? Estou a constatar um dado. Há um aspeto que é muito interessante. O Presidente da República tem uma relação com os portugueses de afetividade muito interessante. Isso continua, não tem mácula nenhuma, mas é um Presidente que fica muito capturado pelas palavras. Produz muita comunicação. Dá a ideia que nem sempre a pondera demasiadamente e isso acaba por lhe tornar a palavra menos poderosa. O Presidente da República só tem dois poderes em Portugal. Um é dissolver a Assembleia da República e corre o risco de o resultado eleitoral não ser muito diferente do atual. E o outro é o poder da palavra.

E o Presidente da República banalizou-a?

É, gastou muito a capacidade de intervir na vida portuguesa através da palavra.


Entrevista a Luís Paixão Martins