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Carta aberto ao Sr. Mário Nogueira na esperança de que ele consiga reduzir o PS a menos de 10% dos votos

Sr. Mário Nogueira,

Todos sabemos que os xuxas andaram a fazer exames de caracacá só para enganar o povo e o Prof. Cavaco com as putas das estatísticas. Mas, como os senhores bem denunciaram, e o Dr. Eduardo Cintra Torres aposto que saberá explicar muito melhor do que eu a tramóia, esses exames da mentira foram elaborados no gabinete da ministra-sinistra com recurso a computadores Magalhães que ainda tinham aqueles erros de português num dos jogos, que eles lá no ministério nem isso quiseram corrigir tão ruins são. Também há quem diga que os exames foram feitos por professores, mas professores ameaçados de perseguições e escarretas para eles, família e animais de estimação caso os alunos começassem para aí a chumbar como merecem. Porque, e isto é um facto, Sr. Mário Nogueira, os putos não sabem nada de nada, coitadinhos. Eu opto pela primeira explicação, porque me parece mais prática, mas prontos.

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Esmagador

Santos Silva esmagador é a norma. Ele tem as informações, a boa-fé e a literacia. Não precisa de mais para anular opositores que não comungam destes mínimos. Num Prós & Contras em que estava só contra 4, acabou fresco e a malhar forte e feio em adversários reduzidos à impotência. Desconcertante.

Morais Sarmento é aflitivo. Não faz a menor ideia da imagem de fragilidade e confusão que passa à audiência ao tentar raciocinar em directo. Representa muito bem o PSD pós-Cavaco, e por isso tem feito parte do núcleo duro do partido desde Barroso. É também por comparação com ele, e figuras como Aguiar-Branco, que se louvam as qualidades de Paulo Rangel; ou seja, a suposta excelência da estrela em ascensão nasce, afinal, de não ser politicamente indigente como os colegas de partido.

Luís Fazenda é um tractor ideológico. Inútil conversar com este mecanismo, o seu rumo está traçado e há uma batalha da produção demagógica para vencer. Deve deitar-se todas as noites com o sentimento do dever cumprido. Coloca a cassete com cuidado na mesinha de cabeceira e adormece em paz.

Carlos Carvalhas chocou-me pela sua caducidade. Desconheço se há algum quadro clínico que a explique, ou se é fenómeno natural. Seja como for, o PCP ficou muito mal representado.

Nuno Melo é um bronco. O bronco queque, beto, cagão, armado ao pingarelho, rebentando de vaidade e acinte. Fiel sucessor de Portas, é mais um coveiro do CDS.

Isto da decência é para poucos

Quem não está no index do Pacheco não existe no universo da comunicação, e mais além. Eu estou, safei-me, até abri uma garrafa de água com gás para celebrar: superficialidade e ignorância. Só não sei em que categoria profissional fui incluído; mas se ele me deixar escolher, será esta: candidato a político com pseudónimo.

E depois comovi-me com a sua invocação da decência, um valor que associamos ao Pacheco por antonomásia. São muitos os exemplos de decência que lhe recordamos no tratamento dado a certas pessoas e certas questões. O mais recente, e mais eloquente, exemplo do idiossincrático tipo de decência que cultiva ocorreu na censura a um jornal por não gostar de um título. O jornal ousou ser livre, perdeu uma entrevista como represália. Pacheco teve aí a decência de mostrar do que é capaz. Será indecente esquecer.

PSD reage ao iluminismo do PS

Os eleitores conhecem Sócrates e o seu projecto: mais organização, mais fiscalização, mais educação, mais qualificação, mais investigação, mais produção, mais exportação, mais qualquer coisa ão. Foi este o programa da legislatura que finda dentro de poucos meses, não há razão para alterar seja o que for. Com certeza, está em discussão o mérito e viabilidade desses objectivos, se eles foram alcançados, como e quando, custos e benefícios, o diabo a sete. Mas não se discute terem sido esses os objectivos, eis o que fica inegável. Como símbolo desta política, o computador Magalhães. Reúne valências tecnológicas, educativas, produtivas e comerciais que representam o que de melhor o Governo planeou e executou. Contudo, o que brilha atrai a ralé. E assim vemos os mais rasteiros da oposição rasteira a apontar para ele. Tentam destruí-lo, fazer-lhe mossa ou salpicar de merda. A luz deixa-os expostos, aos rasteiros, safam-se melhor na escuridão.

O PSD já encontrou a fórmula para combater a racionalidade que o Executivo, perigosamente, tem vindo a promover desde 2005: Rasgar e romper. Ou seja, e como diria o deputado José Eduardo Martins arregaçando as mangas, vai tudo co’caralho. É do Sócrates? Rasga. É do PS? Rompe. É dos socialistas? Tritura. Não vai restar um tijolo que tenha sido encomendado pelo anterior Governo. Purga radical.

Estamos perante a reedição do movimento Sturm und Drang, com a curiosidade de alguns dos dirigentes do PSD darem ares de terem presenciado esses tempos setecentistas. E tal como as figuras literárias de outrora, também os sociais-democratas de agora surgem raivosos e vingativos. Vai ser a loucura.

A maldição de Santana

Causou furor a profecia de Santana Lopes quanto à inevitabilidade de uma sucessão de erros e azares para Sócrates, um ciclo negro. Poucos dias depois, o episódio Pinho dava-lhe espectacular razão. A percepção extra-sensorial acabava de ser confirmada.

Imagino Santana dado a esoterismos de hipermercado. Para quem ia para os congressos do PSD invocar a posse de uma ligação privilegiada ao espírito de Sá Carneiro, talvez ele próprio se sinta banzo com a facilidade com que sempre foi levado a sério como potencial chefe da direita portuguesa. Depois, caiu-lhe o Governo ao colo sem saber ler nem escrever. E esse analfabetismo executivo notou-se logo, teve chumbo imediato. Mas continuou por aí, provando que há mais marés do que marinheiros. Só há que saber aproveitar a onda. É simples isto da política, para quem não perde muito tempo a pensar nela.

Se Santana ganhar em Lisboa, essa será a verdadeira maldição santanete. E eu começarei a ler horóscopos.

Indignidades electivas

Se a crise da democracia portuguesa tem a sua origem na crise da representação e vivência partidária, gerando crescente alheamento cívico e abstenção eleitoral, então o local do crime é a Assembleia da República. E um dos maiores crimes ali ocorridos teve o seu epílogo em Novembro de 2003, quando Mota Amaral, então presidente da Assembleia, decidiu com Souto Moura o arquivamento do Caso das Viagens-fantasma dos deputados. Este período relativo aos Governos Barroso-Santana, aliás, é particularmente fértil em epifanias da decadência nacional, com exemplos desesperantes de falência do sistema. Na rua, estávamos na selva onde cada um já tinha desistido de contar com a autoridade do Estado. A corrupção tinha atingido a glória, era alardeada à boca-cheia por aqueles que contavam a quem os quisesse ouvir dos 8% inevitáveis de Norte a Sul do País para conseguir fazer obras sem fiscais a atrapalharem, passando por agentes policiais organizados para extorquir multas e luvas, até aos esquemas individuais ou em bando para fugir aos impostos, burlar a TV Cabo, a PT, a EDP, os seguros, os consumidores, o vizinho. Em perfeita sintonia com a derrocada ética generalizada, o que os braços legislativo e judicial do regime celebraram num caso com mais de 10 anos de investigações inúteis, prescrições, arquivamentos e documentação declarada perdida ou destruída, fica como monumento do que acontece às comunidades quando a política é deixada só nas mãos dos políticos.

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Miscelânea

Some Video Games Can Make Children Kinder And More Likely To Help

The Power of the Unpredictable

The Science of Economic Bubbles and Busts

Need Something? Talk To My Right Ear*

First Electronic Quantum Processor Created

What Skepticism Reveals about Science

10 Rules That Govern Groups

The Fundamentals of Therapy Part I

Declaring Independence from Fear**

Why Saints Sin And Sinners Get Saintly

Relationship Rules***

10 Techniques to Handle Conflict

Orphaned Tweets

Down with Facebook!
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* Uma das maiores descobertas para a ciência do cravanço e da pedinchice.
** A melhor forma de celebrar este e os próximos dias, todos.
*** Estas regras têm duas imediatas vantagens: resultam da experiência de muitos ao longo de muito tempo e podem ser ignoradas a bel-prazer.

Pinhometria

É a grande novidade da estação: descobriu-se que se pode medir o contributo dos agentes políticos para a qualidade da democracia através das suas declarações em relação ao descontrolo infantil de Manuel Pinho. Cavaco vai destacadamente à frente. A democracia voltou a ser salva, no espaço de poucos dias, pela rápida, heróica e imparcial intervenção do actual Presidente da República.

Corredor da morte

O programa Corredor do Poder aponta alto:

Os cinco comentadores permanentes do “Corredor do Poder” são: Ana Drago, Margarida Botelho, Nuno Melo, Marcos Perestrello e Marco António Costa.
Com este painel de comentadores, do qual resulta uma média etária relativamente jovem para este tipo de programas, procuramos dar voz a novos argumentos e a novas ideias sobre Portugal e o mundo.

O elenco está particularmente bem constituído, equilibrado nas capacidades retóricas e prototípico da política profissional. Nele destaca-se Margarida Botelho, uma autêntica alfaia agrícola de fabrico soviético. Nem o Carvalhas conseguia ser tão fanático. Os restantes são mais convencionais nisso de se mostrarem conscientes da hipocrisia ritualmente cultivada. Limitam-se a representar, enquanto a Margarida acredita mesmo no que diz. De facto, não se pode ser comunista sem fé numa transcendência dialéctica, isso é certo.

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Serradura

A direita ranhosa ficou radiante com a parvoeira do aparvalhado ex-ministro da Economia. Nada de mais apropriado. Há uma natural afinidade entre a substância neuronal da direita ranhosa e o serrim de Pinho.

O enigma Dias Loureiro

[…] Aquilo que eu vou lutar, obviamente, é para dizer aquilo que é a minha ideia concreta: que eu não cometi nenhuma irregularidade. Eu pude dizer ao Sr. Magistrado que eu só hoje é que percebi alguns contornos deste, sobretudo do negócio da Biometrics, que me passaram completamente ao lado. E, por fim, fui confrontado com documentos que eu nunca tinha visto, nunca tinha conhecido. Mas, portanto, eu aceito as coisas como elas são. E agora devo, tenho pela frente, há um longo caminho e eu vou, obviamente, naturalmente, defender aquilo que eu penso que é, que é que eu não fiz nenhuma irregularidade…

Dias Loureiro, no dia em que, finalmente, lhe explicaram o que andou a fazer

*

Sou daqueles que acredita piamente em Dias Loureiro. Por isso lhe quero manifestar pública solidariedade, coisa que não vejo a direita ranhosa fazer. A direita ranhosa utiliza invariavelmente o mesmo estratagema para lidar com as abundantes cagadas que produz: finge que a merda não existe. É a sua pulsão kitsch, tal como o definiu Kundera (ah, pois). Isso deixa o 2º arguido no caso BPN/SLN sem amigos, o que me parece homérica injustiça. É que ele já entrou na História como uma das mais extraordinárias figuras da política nacional. Como é que alguém cujos limites cognitivos estão à vista de todos, que admite candidamente passarem-lhe ao lado aspectos técnicos, legais e morais da sua actividade profissional, que exibe uma amnésia num grau já muito avançado, e que provavelmente sofre de Desordem por Défice de Atenção com Hiperactividade, chegou a dirigente do PSD, ministro de Cavaco, elemento do núcleo duro do PSD durante anos e anos, empresário de súbito e estranho sucesso e conselheiro de Estado?

Há um enigma a rodear este ser de excepção. Como seria bom, magnífico, haver alguém capaz de falar verdade a seu respeito, contar os segredos de tão extraordinárias façanhas para nossa ilustração e encantamento. Alguém que colocasse a ética e a transparência nos negócios num plano superior e normativo. Alguém que tivesse assumido a missão de falar verdade aos portugueses, por exemplo. E é possível, apesar da elevada improbabilidade, que uma entidade assim exista à nossa volta, no mundo dos vivos, e não apenas na doce imaginação. É procurar.

Verdadinha – Veio um abalozinho

MFL – […] E tanto é a partir da receita que agora estamos numa fase em que a receita, por motivos da crise económica, baixa naturalmente, as contas públicas estão pior do que quando o engenheiro Sócrates tomou conta do País. E, portanto, isso significa que, efectivamente, não estavam consolidadas. ‘Tavam com passos positivos, mas não estavam consolidadas, porque a consolidação significa alguma coisa que mesmo que venha um abalo de terra aquilo não se desmorona. Veio um abalozinho de terra e desmoronou-se. Portanto, não estava consolidada.

AL – Esta crise, no que diz respeito a Portugal, na sua opinião, não é um abalo de terra, é um abalozinho?…

MFL – Aaahhh… É um abalo de terra, mas é um abalozinho relativamente aquilo que poderia ter sido caso não estivessem as contas feitas… construídas doutra forma…

A Manela quer chefiar o próximo Governo. Quer governar o País com as já tão conhecidas, analisadas, reflectidas, discutidas e aclamadas soluções para nos enriquecer a todos em 4 anos ou menos, a que se juntam vasta inteligência e espantosa força de vontade. Mas, acima de tudo, quer levar-nos para o futuro com a sua incomparável honestidade. Por isso, abriu a alma e confessou ver nesta crise um abalozinho, um safanãozeco, uma chuvinha molha-parvos. Entretanto, na dimensão a que se convencionou chamar realidade, não se encontra uma única pessoa, em seis mil milhões e meio, que se permita pensar o mesmo, quanto mais ter coragem para o verbalizar. Não sei se Portugal está preparado para tanta honestidade.

A Manela não mente. Verdade verdadinha.

Lembretes

– A direita portuguesa tem tido pesadas baixas. Enquanto Soares e Cunhal esgotaram o prazo de validade, tendo deixado património político que continua hoje a ser valioso para as respectivas casas, e até apareceu um Louçã a federar extremismos e conquistar centro corporativo, na direita há uma sucessão de tragédias: Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e Lucas Pires morrem no auge das suas capacidades, com ainda muito para dar aos seus partidos e a Portugal; Cavaco abandonou o PSD à desorientação que só tem conhecido agravamento; Manuel Monteiro e Portas não passaram de canastrões, ocos; Freitas do Amaral criou escândalo ao ousar ser livre, ao ousar ser igual a si próprio. Recentemente, foi a vez de cair um dos mais poderosos bastiões do tecido simbólico da direita, o castelo de Jardim Gonçalves. O BCP foi sempre algo que transcendia o dinheiro e o status, era também uma expressão do catolicismo calvinista, onde o lucro mais opulento premiaria o puritanismo mais doentio. Daí se ter promovido a associação ao Opus Dei, servindo a propalada imagem de administradores e gestores de topo em rituais de mortificação e sevícias corporais, ou em subterrâneos combates com a Maçonaria, como marketing viral para consumo jornalístico e popular. A Igreja parecia caucionar a luxúria do capital, o cosmos estava bem ordenado. Então, quando o pater familias das fortunas nacionais foi apanhado com as calças na mão, depois de uma desastrada sucessão para Teixeira Pinto que ninguém poderia antecipar vir a correr tão mal, a direita levou um soco na boca do estômago e foi ao tapete. O silêncio que ainda hoje rodeia a exposição da vulgaridade concupiscente das figuras cúmplices de Jardim Gonçalves é a manifestação de um verdadeiro tabu na sociedade portuguesa. Todo o respeitinho é pouco quando se fala deste caso, até na esquerda mais desvairada.

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Verdadinha – Essa palavra

MFL – […] Eu devo dizer que aquilo que mais me preocupou, que mais me espantou, é como é que foi possível que um primeiro-ministro ao falar do País, e ao falar do futuro do País, não pronunciou uma única vez a palavra que definia aquilo que é o problema do País. Como é que isso foi possível?…

AL – As pequenas e médias empresas?*

MFL – Não! O problema do País é o endividamento do País. Ele nunca pronunciou essa palavra. E, portanto, o Primeiro-Ministro consegue uma coisa absolutamente extraordinária que é falar da situação actual do País, perspectivar o País para a frente, sem falar neste ponto que é essencial. Ou seja, não tem como problema… como é… o problema do País. E, portanto, não vai nunca conseguir fazer crescer o País, só vai conseguir fazê-lo empobrecer, como de resto tem acontecido.

A Manela não tem qualquer solução para Portugal, mas tem uma palavra que os portugueses devem fixar: endividamento. Estamos tesos, diz ela. E estar teso tem vantagens, simplifica a realidade. Queres gastar? Não gastas. Queres investir? Não investes. Queres criar riqueza? Querias. Portugal é um débito, uma parcela negativa, um vazio. E é esse vazio que temos de respeitar, celebrar e adorar. Porque é ele que nos dá, bem lá no fundinho da alma salazarista, esse reconforto cálido, viscoso, de nos sabermos pobretes e alegretes, sem assumir responsabilidades, sem enfrentar riscos, fugindo das dúvidas ainda mais depressa do que das dívidas, e deixando aos outros, aos doutores que nos avisam pressurosos, a tarefa de nos manterem miseráveis e em paz. Já o Sócrates, esse malandro, tudo o que fez foi para empobrecer o País. Ele só pensa em gastar, gastar, gastar. Gastar o que tem e o que não tem. Gastar o que é nosso, o que pertence à gente séria e trabalhadora. Pois se ele nem fala no endividamento, que é um problema que se resolve fechando a torneira, como é que o estroina pode continuar a ser Primeiro-Ministro?!

A Manela não mente. Verdade verdadinha.

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* Ana Lourenço propôs 5 palavras na tentativa de adivinhação da palavra que definia o problema do País. É um sinal. E bem bonito, por sinal.

Verdadinha – O meu projecto pró País

AL – Ganhar as eleições significa que primeiro tem de convencer os portugueses de que o seu projecto pró País é melhor do que o do engenheiro Sócrates. Quando é que vamos conhecer o seu projecto pró País…?

MFL – Bom, eu acho que o meu projecto pró País tem estado, …, durante, …, ao longo de todo este tempo em que estou à frente da liderança do partido, que tem estado a definir, verdadeiramente, quais são as diferenças. Eu julgo que neste momento existem poucas dúvidas acerca das diferenças de projecto que eu tenho e que tem o engenheiro Sócrates. Isso acho que é claro. Mas, evidentemente, que nós haveremos de concretizar mais pormenorizadamente quando apresentarmos o nosso programa eleitoral; que não deixaremos de apresentar, como calcula.

A Manela tem um projecto pró País. É claro que tem. Só precisa de um pequeno toque, algo como isso de se concretizar mais pormenorizadamente quando aparecer o programa. Até lá, esse projecto existe num plano abstracto, intangível, por isso inefável, o que não impede que seja claramente diferente do projecto do engenheiro Sócrates. Porque tem vindo a ser definido através da sua simples presença à frente da liderança do partido, é claro. Alguém vê o engenheiro Sócrates à frente da liderança do PSD? Alguém? Ninguém, pois não? Então, calai-vos.

A Manela não mente. Verdade verdadinha.

Contra o Ponto Contraponto

É bom que o programa do Pacheco exista, particularmente por aparecer em período eleitoral. É bom para estarmos contra o seu autor, o qual presta um mau serviço à cultura e sociedade portuguesas. E o mau serviço não resulta das suas opiniões estarem cheias da bílis gerada na cruzada contra Sócrates, nem de ser um dos mais importantes apoiantes e conselheiros de Ferreira Leite, nada disso. Esse é o lado legítimo e folclórico.

O problema com o Pacheco é a sua superficialidade e ignorância. Parece paradoxal, num ser que ganha a vida a transmitir informações, e cuja fama é a de ser um intelectual sofisticado. Só que não há outra conclusão a tirar, pois é ele que revela a sua inanidade. Por exemplo, um dos motes centrais na sua retórica é o de que vivemos tempos excepcionalmente adversos para a liberdade de expressão. Esta ideia é repetida à exaustão vai para três anos, com especial intensidade nos dois últimos. Com ela o Pacheco consegue manter um papel activo e relevante na campanha negra, explorando as zonas fronteiriças entre a insinuação e a insídia. Porém, o que ele nunca faz é demonstrar, apresentar nomes, dar elementos objectivos a montante da sua interpretação subjectiva. Quando fala de pressões a jornalistas, de que fala exactamente? Do que um jornalista lhe contou ou do que ele testemunhou? E como sabe ele que lhe estão a contar a verdade se for apenas essa a sua fonte de informação? E por que razão esse jornalista não formalizou a queixa junto das várias autoridades competentes? E por que razão, se o Governo é useiro e vezeiro nessa prática opressora, não há provas coligidas pelas vítimas e opositores políticos? Ou será que as pressões são do tipo que o Crespo descreveu, onde há um Ministro que lhe telefona para discutir um aspecto politicamente inócuo da sua prestação? Acima de tudo, e este é que é o aspecto decisivo na deontologia e honestidade intelectual do prolífico autor, quais os critérios com que aferiu ser este tempo pior do que tempos passados para a vivência da liberdade? Temos polícias políticas e ainda ninguém foi avisado? Há perseguições a quem ataca o Governo ou Sócrates, e por isso são muito poucos os que se atrevem a fazê-lo? Haverá menos meios de comunicação do que costumava haver a ponto de se ter reduzido a liberdade? É hoje o cidadão um ser que diminuiu as possibilidades de se ligar a outros cidadãos e comunicar interpessoal e publicamente? Está, no presente, a informação menos disponível do que no passado? Com Sócrates há menos liberdade de expressão do que no cavaquismo? Do que com Guterres? Do que com Sá Carneiro? Do que no PREC? De que estás a falar, Pacheco?

A leitura de um texto tontinho do pequenino foi o seu momento zen. E na abertura do Correio da Manhã esteve o grande acontecimento deste primeiro programa. Porque lhe deu para falar do putedo. Coisa de homem, e de homem na crise de ser homem. Então, anunciou aos telespectadores que vai para aí um putedo que faxavor. Desemprego, hipotecas e putedo, eis o retrato do Portugal de Sócrates visto da Marmeleira. E eu levantei os braços e gritei alarmado, a ponto de ter assustado a vizinha do 4º andar, quando ele disse que tinha sido só por causa da feitura do Ponto Contraponto que reparou no fenómeno de haver tantos anúncios de serviços sexuais nos jornais. É que se o Pacheco não sabia disso até finais de Junho de 2009, eu tenho agora a certeza de vivermos tempos infames onde a liberdade é algo só ao alcance de quem se prestar a fazer um programa de televisão, nem que para isso tenha de juntar mais uns trocos aos seus rendimentos.

Que putedo que anda para aí, sim senhor.

Abriu a bilheteira para o ticket Cavaco-Manela

A figura política que realmente mudou nos últimos tempos, desde o Verão de 2008, não se chama Sócrates nem Ferreira Leite, embora tenha mudado por causa destes. É uma figura que se imagina um predestinado, que alimentou o provinciano mito da infalibilidade e cuja ambição colide com os próprios fundamentos do regime: Cavaco.

A questão do Estatuto dos Açores, que se segue à alteração de liderança no PSD e marca o fim da cooperação estratégica, foi inteiramente criada pelo Presidente da República ao não ter enviado para o Tribunal Constitucional o artigo 114º. Ninguém entendeu o porquê desse absurdo, mas foi esse absurdo que levou à mais absurda declaração presidencial de que há memória em Portugal, em 31 de Julho de 2008. Seguiram-se meses de crescente conflito entre a Presidência e o Governo/PS — com constantes e obscenas intervenções de publicistas a promover cenários catastrofistas apenas salvos por Governos de iniciativa presidencial — culminando com o discurso de Ano Novo onde se fez da campanha negra o racional estratégico para o tandem Cavaco-Manela: falar verdade.

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