Quando é que os jornalistas tencionam revelar as fontes da campanha suja, tal como Cavaco exigiu por detrás da bandeira de Portugal?
Arquivo da Categoria: Valupi
Segredos mal guardados das presidenciais
Cavaco deixou assustados os seus mais fiéis apoiantes.
Passos deixou assustada a sua oposição interna.
Portas entregou o ouro ao bandido.
Louçã partiu um dos pés de barro.
O PCP continuará a tentar ser Presidente da República.
Nobre não resistiria mentalmente a mais uma semana de campanha.
Coelho começou o ataque ao poder no arquipélago pela conquista dos selvagens.
Sócrates foi o único vencedor.
Chegámos à Madeira
Mais do que a percentagem nas eleições, para a qual há fáceis explicações, é esta entrevista que consagra José Manuel Coelho como a maior revelação da política nacional dos últimos anos. O seu discurso está estruturado e fundamentado, reina o princípio de realidade (mesmo que a derrapar nas curvas) e tem já pronta uma estratégia eficaz para pressionar PCP, BE e PS na Madeira. Aliás, ficamos até perplexos por ser necessário aparecer uma figura tão marginal para ouvirmos uma crítica a Jardim com esta radicalidade.
Também chamo a atenção para o modo como termina a entrevista, onde o jornalista, perante uma justíssima acusação, tem uma reacção corporativa e paternalista. O jornalista, obviamente, fez ali de palhaço.
Atacar o Defensor
Neste vídeo, a partir do minuto 4.30, Defensor de Moura alega que, aquando da sua declaração na noite eleitoral, foi impedido pelos jornalistas de explicitar o que pretendia dizer com aquilo de não felicitar Cavaco pela sua reeleição. E o que pretendia ter dito, afinal, não era o que acabou por dizer mas exactamente o seu contrário, pois, naturalmente e tal, é das normas democráticas felicitar o vencedor, e terá sido só por intempestiva falta de tempo, e calma, que não o conseguiu fazer, devendo-se culpar os jornalistas pelo insucesso da comunicação, prontos e esqueçam lá isso. E neste vídeo, a partir do minuto 1.20, vemos a famigerada declaração, onde com toda a calma – e tempo, que o exigiu aos jornalistas – diz, num tom de voz audível e aprazível, não felicitar Cavaco, tendo ainda o cuidado de explicar porquê com algum detalhe.
Estamos perante uma desilusão, tecnicamente falando, pois fora criada uma ilusão de frontalidade e coerência, agora desmentida pelo próprio. Entretanto, o João Pedro da Costa abriu uma fértil discussão quanto ao juízo moral a fazer do antigo Defensor de Moura, efémero mas bravo desbocado, a qual me deixou a pensar em algo que nunca antes tinha ocupado o meu bestunto: a fascinante problemática das felicitações aos adversários políticos. E o cerne da questão está aqui: que se está a fazer ao felicitar alguém? Independentemente das inúmeras respostas que obteríamos num inquérito, tantas quantos os participantes, o seu ponto em comum teria de ser algo como isto: felicitar é reconhecer a bondade de um dado evento passado e de um dado evento futuro, ambos representados na pessoa que se felicita. Ou seja, ao felicitarmos estamos a declarar que nos submetemos à liberdade de outrem, no que à esfera do estatuto alcançado concerne. Assim, quando um político derrotado envia felicitações ao político vencedor, o primeiro está, acto contínuo e sem carência de sinceridade ou estima, a reconhecer publicamente que a vitória do segundo é fundamentalmente boa. Boa para os dois.
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Don’t fuck with Mr. Zero
A prestação do Ministro da Administração Interna, nesta terça-feira no Parlamento, foi insuficiente. Para além da abertura do inquérito, que é o mínimo dos mínimos, a sua mudez – 48 horas passadas e muitas declarações feitas pelos responsáveis dos serviços em causa depois – acrescenta descredibilização governamental ao episódio.
Estamos perante uma situação onde não é possível invocar factores desresponsabilizadores, apesar de alguns poderem ser legítimos (como a incúria cívica de quem não tratou de saber qual era o seu número de eleitor antes da eleição). Do que se percebe vendo de fora, há duas falhas inadmissíveis: (i) um sistema informático desadequado ao fluxo que seria previsível num cenário de picos de pedidos e (ii) a ausência de um aviso individual com a informação respectiva ou uma campanha pública que tivesse alertado para a necessidade de acautelar a aquisição do novo número para aqueles que tinham mudado para o Cartão de Cidadão.
Não é só a oposição que tem toda a razão em malhar nos responsáveis governamentais, é a comunidade inteira. Podia ter acontecido uma catástrofe eleitoral, caso a segunda volta tivesse sido alcançada ou evitada por uma pequena margem. Provavelmente, as eleições teriam de ser impugnadas, e tudo o que se seguisse seria imprevisível e desgraçado.
Esta questão é de tal ordem fundamental para o funcionamento das instituições do Estado que até o visionamento deste bandalho – que vai para a televisão largar com perfídia uma insinuação conspirativa contra o Governo, sendo ele conselheiro de Estado – tem de ser suportado sem um vagido de protesto.
O que andam a fumar no Cachimbo?
Um homónimo de um antigo presidente do Benfica, que não conheço de lado algum e a quem nunca me tinha referido até hoje, usou um texto meu para fazer uma graça contra Sócrates. É simpatia que agradeço. Contudo, ele sentiu a necessidade de informar a audiência que, concomitantemente, achava banal o material por si aproveitado. Ora, concordo muito com ele. É que eu ignoro qual seja a sua definição de banalidade, e qual a percentagem de textos escritos em blogues que este perito literário considera banais, mas não ignoro que eu teria muita dificuldade em encontrar algo escrito por mim que não considerasse banal. E desconfio que a situação não vai melhorar.
Já o que ele escreveu me parece tudo menos banal. Na verdade, acho-o extraordinário; dado que só existem duas razões que expliquem a reunião daquelas palavras num composto que se quer lógico: ou não consegue identificar um uso básico da ironia ou só pretende ser lido por quem sofra de iliteracia. E até parece que o estou a ver, feliz da vida a escolher uma imagem curtida para ilustrar a pilhéria, assolado por explosões neuronais de auto-satisfação por ter apanhado – e com tanta facilidade! – um xuxa no ritual diário de adoração do grande líder. Assustador.
Em Dezembro passado, tinha sido um outro colega de blogue a passar pela mesma figura; e exactamente nas mesmas condições: nunca dele tinha falado, não me nomeia e só disse parvoeira da grossa. E em Maio de 2009 ainda outro colega usando o mesmo protocolo, num duvidoso exercício de humor que não saiu do registo pastiche. Para completar o ramalhete, este blogue acolhe o sinistro Paulo Pinto Mascarenhas, uma mente brilhante que desenvolveu a teoria de que o Valupi era (ou ainda é, sei lá…) o Rogério da Costa Pereira, entre outras maravilhas saídas da sua alucinada cabeça.
Pelo que vos deixo este conselho: o que quer que seja que andem a fumar, não o façam antes de escrever.
Eu, alguém e três mil
Tenho a honra, o prazer e a sorte de ser amigo do Virgílio Castelo. É alguém que ama Portugal, razão suficiente para despertar o meu afecto mesmo que não o conhecesse pessoalmente, e até escreveu um livro acerca desse seu destino: O Último Navegador. Como as suas ideias são politicamente incorrectas para o ar do tempo – um ideal monárquico que vou ter a liberdade poética de rotular como um pessimismo optimista de recorte romântico e pragmático – o livro passou em silêncio pela crítica política, nem um laivo de discussão ou polémica suscitou. Mas a sua carreira está no teatro, a literatura foi um grito de alma, e é de teatro que venho falar.
Na próxima sexta-feira, sábado ou domingo, pelas 21.30, o cidadão de bom gosto que esteja nas redondezas pode usufruir das magnificentes condições do Tivoli para participar num dos acontecimentos públicos mais entusiasmantes que é possível conceber: ir ao teatro. Trata-se do último romance de Pirandello, talvez uma súmula ou culminância da sua obra, onde se viaja até ao espelho partido que todos transportamos e que todos somos.
Esta produção não tem qualquer subsídio estatal, é uma aposta na paixão pelo teatro. E trata-se de encontrar 3×1088 apaixonados – nem mais, nem menos.
Novo ciclo político
Sabemos que estamos num novo ciclo político quando vemos o Bispo das Forças Armadas a dizer publicamente ao católico Comandante Supremo das Forças Armadas que ele está a pecar com gravidade.
Este novo ciclo político chama-se Fim do Cavaquismo.
Correspondência
O José Albergaria, há dias, pegou num texto que escrevi a respeito dos ataques às caixas de comentários e acrescentou-lhe esta reflexão. Para além de recomendar a leitura das suas pertinentes interrogações a quem se interessar por essa vexata quaestio, aproveito para corrigir, ou esclarecer, uma informação que ele dá a respeito do Aspirina B: neste blogue aceitam-se quase todos os comentários, mas não todos. As regras começam por ser aquelas que cada autor instituir para as suas caixas de comentários, posto que este é um colectivo sem colectivismo editorial. Quem quiser, pode começar a publicar sem possibilidade de receber comentários, por exemplo, ou apagar o que lhe apetecer, ou impor moderação. Mas a esta responsabilização individual ainda se acrescenta o mero bom senso. Patologias sociais (racismo, nazismo, promoção de discriminações, cultos de violência, etc.) e patologias psicológicas (obsessões, perseguições, hostilidade personalizada, desvario comportamental prolongado) estão sujeitas ao regime da tolerância zero a partir do momento em que são identificadas. O que significa que poderá haver períodos em que formas ambíguas, ou incipientes, destas patologias ainda persistam por não ser evidente qual é a sua natureza, mas ao continuarem estão a acelerar a sua detecção e consequente apagamento e exclusão. Por fim, qualquer pessoa pode reclamar contra uma qualquer informação que seja publicada nas caixas de comentários (ou pelos autores) que considere de alguma forma lesiva para os seus direitos e interesses. Nesses eventuais casos, reinará também o bom senso e a defesa das vítimas, escusado será dizer.
Resumindo, e falando apenas por mim, é um prazer e uma honra poder comunicar com tantos amigos de tertúlia digital, os quais me enriquecem, e parto sempre do princípio que estou a lidar com adultos na posse de todas as suas faculdade mentais. Por isso não gosto da moderação, a qual introduz um elemento de disfunção na experiência e tolhe a fruição da espontaneidade das conversas e dos diálogos. Se me enganar com este ou aquele, aqui ou ali, não virá daí grande mal ao mundo nem conto perder muito tempo com o assunto. Apenas garanto que tudo farei para resolver o problema com a maior brevidade.
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Minority report
Passos Coelho surpreendeu pelo tino do discurso. É cedo para saber se é o resultado de uma aprendizagem ou de um qualquer acaso, posto que ainda há duas semanas andava a largar bacoradas acerca do FMI e do Governo. É bizarro como algo que devia ser evidente, as vantagens de uma pose de estadista e uma estratégia de captação do centro, tem sido olimpicamente ignorado no PSD por todos os líderes pós-fuga de Barroso e queda de Santana. As razões merecem investigação académica, dada a persistência do fenómeno até num político com a tipologia de Passos Coelho, de quem se esperaria muito maior inteligência sociológica. Se o PSD finalmente aceitar entrar em territórios que lhe são actualmente desconhecidos, os sectores mais dinâmicos da sociedade, e trouxer de lá ensinamentos, então estará em condições de preparar equipas governativas de grande qualidade.
Em flagrante contraste com este posicionamento, Portas e Louçã mostraram que são políticos serôdios e esgotados. Discursaram como parlamentares, usando uma retórica tão primária quanto as suas ideias: um, a dizer que vai para o Governo daqui a nada; o outro, a dizer que fará a revolução com o grupo de amigos que tem lá guardado no partido. Devem agradecer ao Cavaco por não terem ficado nesta noite eleitoral como o exemplo maior do que é a decadência política.
Num plano ainda mais inferior, temos Nobre e Francisco Lopes. Há várias similitudes na forma como os dois candidatos moldaram um universo paralelo onde foram ambos vencedores, apenas se distinguindo na magnitude da vitória. Chico Lopes, sem nada de objectivo a que se agarrar, despejou a cassete. Nobre, possuído por uma variante da Síndrome de Jerusalém, projectou um filme. Ambos são pastores de seitas.
Alegre era um derrotado ambulante bem antes de ter assumido a derrota. Foi ao tapete com a entrevista de Correia de Campos, que lhe serviu um gelado com sabor a fel. As sondagens finais acabaram com o que restava, e já não restava nada.
Defensor de Moura, ao se recusar a felicitar Cavaco, introduziu uma lhaneza política que nunca tínhamos visto. De facto, este candidato, noutras circunstâncias, teria abalado ainda mais Cavaco.
José Manuel Coelho é tosco demais para perceber a sua popularidade fora da Madeira. Nem tudo nele é desaproveitável, mas o homem não tem condições para ir mais longe.
E Sócrates esteve impecável, na forma e no conteúdo. Para quem o quis ouvir, voltou a explicar por que se meteu nesta barca condenada ao afundanço: mais ninguém se chegou à frente, Alegre secou as potenciais candidaturas dentro do PS.
Aquela coisa do 5 contra 1
O Cavaco rancoroso e vingativo que apareceu a dar início à sua última fase como político é a manifestação de um homem doente. Está doente de solidão, ao ponto de ter estilhaçado o respeito próprio. À sua volta só vê inimigos, e nem no actual PSD pode confiar. Para além de temer enviar mensagens pela Internet, falar ao telefone ou frequentar jantares na Madeira, vira-se agora num frenesim alucinado contra os jornalistas, que tão bom serviço lhe tinham prestado quando as baixezas e vilezas foram – durante anos! – dirigidas para Sócrates. Isto também quer dizer que Cavaco consome as drogas duras do Pacheco, por sua vez traficadas por arraia-miúda sem escrúpulos, acerca da mão do Governo na campanha suja. O que permite antecipar, portanto, que um dia destes Cavaco virá apontar o dedo na direcção do blogue Câmara Corporativa e identificá-lo como o grande inimigo da verdade.
Esse momento será a justa consumação do Cavaquismo – o clímax para uma casta de onanistas.
Momento Zen
O festim dos luditas
Voto numa das freguesias mais populosas do País, e fui lá marcar um voto anónimo por volta das 5. Tirando a estranha ausência dos vendedores de castanhas, estava o ambiente normal de outros actos eleitorais. Dentro do pavilhão escolar onde funcionava a Junta de Freguesia, porém, havia confusão maior do que o costume, resultante de uma bicha com algumas 50 pessoas que afectava a mobilidade naquele espaço exíguo. Ao entregar o boletim à mesa, ouvi o diálogo em que uma eleitora sexagenária (?) descobria que tinha de se deslocar à Junta, a funcionar no andar de baixo, para descobrir onde conseguiria votar. Ela respondeu que não o faria, que já lhe tinha custado a deslocação quanto mais ter ainda de estar à espera. A presidente da mesa despachou-a com indiferença, largando um impaciente Pois, lamento, mas nós aqui não podemos fazer nada. Nem sequer a tentou convencer a aguentar o último esforço para poder cumprir o seu direito, tratou-a ao pior estilo do funcionalismo público e revelando uma absoluta ausência de espírito republicano e dever de cidadania. À saída, nos grupos que estavam à conversa ou se afastavam pelo passeio, ouviam-se comentários de protesto contra os atrasos e confusão resultante.
Para além daqueles que não votaram apesar de terem ido até à assembleia, muitos outros ficaram em casa por lhes terem pintado retratos de caos em primeira mão. Não sei se será possível fazer um cálculo com alguma legitimidade científica acerca do impacto dos problemas técnicos na abstenção, mas mesmo que só tivessem afectado um eleitor continuariam a ser inadmissíveis. O que sei é que uma parte do problema teria solução simples: aumentar os pontos de informação nos locais de voto. É que bastava alguém com um portátil e uma ligação à Internet, não parece que as Juntas de Freguesia tivessem dificuldade em montar tal extensão aos seus serviços. Quanto à ausência de uma campanha informativa que preparasse os eleitores para os problemas que se verificaram, parece agora óbvia a sua necessidade.
Nas próximas horas, e dias, ouviremos ataques ao Simplex, ao Cartão de Cidadão, à Internet, aos computadores, à electricidade e à água canalizada, obras maléficas do Governo. Sócrates será acusado, enfim, de ser um dos principais responsáveis pela civilização – e isso, convenhamos, não está muito longe da verdade.
Interrupção Voluntária do Cavaquismo
Recordo-me do primeiro referendo sobre a despenalização do aborto como se tivesse sido há 12 anos e meio. Fazia parte das mesas eleitorais, tal como acontecia ininterruptamente desde meados dos anos 80, e nunca tinha visto tão pouca gente num acto eleitoral. Aliás, nunca tinha visto o fenómeno de faltarem tantos elementos para as mesas e de não se encontrar ninguém para os substituir, ao ponto de se ter de juntar mais do que uma mesa eleitoral na mesma sala de voto. Isto foi no tempo em que ainda não se pagava nada pela presença, assim que os membros das mesas começaram a receber dinheirinho nunca mais recebi a carta a convocar-me para prestar esse nobre serviço à República e presumo que acabaram as carências em matéria de recursos humanos. Sim, o entusiasmo com a cidadania e a celebração da democracia também têm o seu preço.
Nesse referendo, o calor mandou a esquerda para a praia. Aquela que se dizia ser uma vitória certa, de acordo com as sondagens e a constatação empírica de cada um, resultou numa das maiores surpresas políticas em Portugal. Hoje, o frio poderá fazer o exacto simétrico à direita: não a deixar sair de casa. E sabemos que qualquer aumento da abstenção só penaliza Cavaco, podendo pôr em causa o seu plebiscito.
A pergunta do dia. E da noite.
Os políticos
Aqueles que fogem da política, que abominam os políticos, são os que mais precisam dela. São os ignorantes, no sentido ontológico da expressão. Ignoram qual é a sua natureza, e que não a poderão abandonar. Porque só há um caminho para os humanos, ir em direcção à Cidade.
Aqueles que exploram estes miseráveis, alimentando a sua menoridade e impotência, usando a sua desorientação e dores para as lançar contra o Governo e as autoridades – seja quem for que esteja no Governo ou nas autoridades – são tiranetes codiciosos. Não são de esquerda ou direita, independentemente do lado onde surjam e que simulem assumir. A fonte do seu poder é o medo que vem dos medrosos arrebanhados.
Aqueles que nos lembram ser a Cidade a dimensão onde a liberdade se realiza, porque é lá que nos encontramos uns aos outros, são os políticos. Os políticos, estejam ou não nos partidos, dizem-nos que a liberdade no vazio, sem empatia e mistério, é a definição mesma de loucura. Os políticos reconhecem-se pela coragem de que dão provas. E pela coragem que inspiram. Os políticos amam.
Viiktórya para o Tomaz
Um amigo meu, acabadinho de ser pai pela primeira vez, não consegue dar ao seu filho o nome que o seu pai lhe deu a si nos anos 70: Tomaz. O Estado agora só admite o plebeu Tomás. Espero, então, que a Lyonce Viiktórya, para além de encher de alegria a sua família e ter uma vida longa e feliz, também derrote este desacordo ortográfico.
O que este bandalho disse
O homem que, no dia em que Portugal estava no centro da atenção mundial por ir enfrentar o impiedoso juízo dos mercados em nome da Europa e sua moeda, andou a exibir-se para os jornalistas – primeiro dizendo que sabia tanto como o Governo, depois dizendo que sabia mais do que o Governo, por fim dizendo que estava farto do Governo, tudo isto em poucas horas – é o mesmo homem que diz agora ao eleitorado que Portugal deve abdicar da democracia para não perturbar os mercados.
Não temos vernáculo com riqueza semântica suficiente para adjectivar o que este bandalho disse. Futuros Camões, Vieiras e Pessoas, juntos e com esforço, talvez o consigam criar.
Não é matematicamente possível tratar-se de uma coincidência
É o mínimo
Tendo andado por aqui a vasculhar nos meus papéis, e a rever todas as entrevistas que dei ao Mário Crespo, e não encontro provas, ou meros indícios, de ser eu o responsável por termos os intragáveis candidatos presidenciais que temos. Há rumores, certamente, boataria que deposita em mim essa culpa, mas vou fingir que sou sério e não dar ouvidos.
Excelentes pessoas têm excelentes razões para votar neste ou naquele. Os restantes, um grupo de tamanho indefinido, estão completamente à nora. Apenas uma certeza os une: não votariam Cavaco nem que nascessem duas vezes. Pois para esses é tempo de dar uma palavra de esperança: queridos amigos, tanto faz onde acabemos por votar, já que vai dar tudo ao mesmo – contribuir para que haja uma 2ª volta seja lá com quem for. Não votar, votar em branco ou nulo é estar a contribuir para a vitória de Cavaco logo à primeira, coisa que a acontecer seria um atestado de menoridade cívica que teríamos de carregar durante 5 anos. A 2ª volta sempre viria dar alguma racionalidade ao panorama político nacional, onde Cavaco se revelou o pior Presidente da República desde o 25 de Abril; para além de ser política e moralmente responsável por uma tentativa criminosa de interferência nas eleições legislativas e autárquicas.
Se fosse eu a mandar nisto, a 2ª volta seria disputada entre Defensor de Moura e José Manuel Coelho, de longe os candidatos que estão melhor preparados para o cargo. Mas só voto no Defensor, uma eventual 2ª volta sem ele será uma roleta russa que não contará com a minha cruz.
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Adenda: acabo de ler o texto do Rui Tavares que diz exactamente o mesmo no essencial, mas com uma muito maior riqueza de conteúdo.


