O que andam a fumar no Cachimbo?

Um homónimo de um antigo presidente do Benfica, que não conheço de lado algum e a quem nunca me tinha referido até hoje, usou um texto meu para fazer uma graça contra Sócrates. É simpatia que agradeço. Contudo, ele sentiu a necessidade de informar a audiência que, concomitantemente, achava banal o material por si aproveitado. Ora, concordo muito com ele. É que eu ignoro qual seja a sua definição de banalidade, e qual a percentagem de textos escritos em blogues que este perito literário considera banais, mas não ignoro que eu teria muita dificuldade em encontrar algo escrito por mim que não considerasse banal. E desconfio que a situação não vai melhorar.

Já o que ele escreveu me parece tudo menos banal. Na verdade, acho-o extraordinário; dado que só existem duas razões que expliquem a reunião daquelas palavras num composto que se quer lógico: ou não consegue identificar um uso básico da ironia ou só pretende ser lido por quem sofra de iliteracia. E até parece que o estou a ver, feliz da vida a escolher uma imagem curtida para ilustrar a pilhéria, assolado por explosões neuronais de auto-satisfação por ter apanhado – e com tanta facilidade! – um xuxa no ritual diário de adoração do grande líder. Assustador.

Em Dezembro passado, tinha sido um outro colega de blogue a passar pela mesma figura; e exactamente nas mesmas condições: nunca dele tinha falado, não me nomeia e só disse parvoeira da grossa. E em Maio de 2009 ainda outro colega usando o mesmo protocolo, num duvidoso exercício de humor que não saiu do registo pastiche. Para completar o ramalhete, este blogue acolhe o sinistro Paulo Pinto Mascarenhas, uma mente brilhante que desenvolveu a teoria de que o Valupi era (ou ainda é, sei lá…) o Rogério da Costa Pereira, entre outras maravilhas saídas da sua alucinada cabeça.

Pelo que vos deixo este conselho: o que quer que seja que andem a fumar, não o façam antes de escrever.

12 thoughts on “O que andam a fumar no Cachimbo?”

  1. Mas há convergências deliciosas que importa não esquecer: “prefere Burke à burqa e Aron aos arianos”. Quando a paz for do tipo de convir qualquer cachimbo serve. Never say never.

  2. Tu que sabes, primo, explica lá, please: acaso essa passagem não é de uma ironia à prova de estúpidos? Que será preciso acontecer num cérebro normal para que daí se infira que a sequência de referentes é estritamente denotativa?

  3. fui la ler o post abaixo e nao li ironia , li que o socrates e o maior, mas em vez de ser assim a secas usa floreados. li tb que de maneira nenhuma tem culpa na cena do CU e n* de eleitor , que isso sao coisas inerentes a complexidade da civilizacao..que o grande socras ajudou com o magalhulho e aposta nas” novas tecnologias” ( nao tarda velhas , mas enfim).
    e acho que li bem.

  4. É uma corrente de pensamento nascida no seio dos iletrácios, uma civilização já desaparecida e como ela os papiros onde constava a dita palavra.

    (Não quis que te sentisses defraudado nas expectativas, ó prezado colega Silva)

  5. hum, bem me parecia que o capitalismo havia de se metêr a dar um jeitinho na poção. Eu sou um druida tolerante, tenho que tentar acompanhar estes tempos. Com piquinhos na glote, aposto, e soluços a jusante no horizonte.

    Agora xonex, depois de umas páginas de Beatriz de Luna, Gracia Nasi, sortuda Senhora que vai de exílio em exílio sempre a enriquecer, assim também eu carago! Não faço idéia como isso se faz.

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