Eu, alguém e três mil

Tenho a honra, o prazer e a sorte de ser amigo do Virgílio Castelo. É alguém que ama Portugal, razão suficiente para despertar o meu afecto mesmo que não o conhecesse pessoalmente, e até escreveu um livro acerca desse seu destino: O Último Navegador. Como as suas ideias são politicamente incorrectas para o ar do tempo – um ideal monárquico que vou ter a liberdade poética de rotular como um pessimismo optimista de recorte romântico e pragmático – o livro passou em silêncio pela crítica política, nem um laivo de discussão ou polémica suscitou. Mas a sua carreira está no teatro, a literatura foi um grito de alma, e é de teatro que venho falar.

Na próxima sexta-feira, sábado ou domingo, pelas 21.30, o cidadão de bom gosto que esteja nas redondezas pode usufruir das magnificentes condições do Tivoli para participar num dos acontecimentos públicos mais entusiasmantes que é possível conceber: ir ao teatro. Trata-se do último romance de Pirandello, talvez uma súmula ou culminância da sua obra, onde se viaja até ao espelho partido que todos transportamos e que todos somos.

Esta produção não tem qualquer subsídio estatal, é uma aposta na paixão pelo teatro. E trata-se de encontrar 3×1088 apaixonados – nem mais, nem menos.

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