Correspondência

O José Albergaria, há dias, pegou num texto que escrevi a respeito dos ataques às caixas de comentários e acrescentou-lhe esta reflexão. Para além de recomendar a leitura das suas pertinentes interrogações a quem se interessar por essa vexata quaestio, aproveito para corrigir, ou esclarecer, uma informação que ele dá a respeito do Aspirina B: neste blogue aceitam-se quase todos os comentários, mas não todos. As regras começam por ser aquelas que cada autor instituir para as suas caixas de comentários, posto que este é um colectivo sem colectivismo editorial. Quem quiser, pode começar a publicar sem possibilidade de receber comentários, por exemplo, ou apagar o que lhe apetecer, ou impor moderação. Mas a esta responsabilização individual ainda se acrescenta o mero bom senso. Patologias sociais (racismo, nazismo, promoção de discriminações, cultos de violência, etc.) e patologias psicológicas (obsessões, perseguições, hostilidade personalizada, desvario comportamental prolongado) estão sujeitas ao regime da tolerância zero a partir do momento em que são identificadas. O que significa que poderá haver períodos em que formas ambíguas, ou incipientes, destas patologias ainda persistam por não ser evidente qual é a sua natureza, mas ao continuarem estão a acelerar a sua detecção e consequente apagamento e exclusão. Por fim, qualquer pessoa pode reclamar contra uma qualquer informação que seja publicada nas caixas de comentários (ou pelos autores) que considere de alguma forma lesiva para os seus direitos e interesses. Nesses eventuais casos, reinará também o bom senso e a defesa das vítimas, escusado será dizer.

Resumindo, e falando apenas por mim, é um prazer e uma honra poder comunicar com tantos amigos de tertúlia digital, os quais me enriquecem, e parto sempre do princípio que estou a lidar com adultos na posse de todas as suas faculdade mentais. Por isso não gosto da moderação, a qual introduz um elemento de disfunção na experiência e tolhe a fruição da espontaneidade das conversas e dos diálogos. Se me enganar com este ou aquele, aqui ou ali, não virá daí grande mal ao mundo nem conto perder muito tempo com o assunto. Apenas garanto que tudo farei para resolver o problema com a maior brevidade.

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A Shyznogud, recentemente, fez duas sugestões: Comentário 51, um blogue que é um fartote de rir e que consagra as caixas de comentários como género, e Para a história de uma notícia…., onde Estrela Serrano cita o endosso de Nobre Correia para uma notícia do Libération, a qual se debruça sobre a Reuteurs, ex-agência noticiosa que lança comentários como se fossem notícias e os quais se reproduzem pelas caixas jornalísticas internacionais.

Esta lembrança dos exemplos trazidos pela Shynogud, para além das diferenças temáticas e de relevância entre eles, é só para ilustrar um aspecto caricato da cruzada contra os disparates inócuos, condenados ao imediato esquecimento, que o povoléu deixa nas caixas de comentários: enquanto há muito quem só se incomode com os carapaus de corrida, poucos são os que andam a estudar os hábitos alimentares dos tubarões.
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O Shark despertou-me gratas memórias de todo o entusiasmo com a participação nos actos eleitorais como membro de mesa. O seu retrato do folclórico fanatismo dos comunas é exactamente igual ao que constatei. E nesta viagem ao passado ainda mais desoladora fica a actual paisagem onde vemos que genuínos e fogosos republicanos, espalhando generosidade cívica, foram trocados por funcionários públicos enfadados. A democracia sai muito a perder.

Imagino a festa (e a confusão) que terá acontecido nos anos 70 e primeira metade de 80 aquando das eleições. Ir votar deve ter sido uma romaria e um canto.
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O Pipoco Mais Salgado, que noutras reencarnações foi aristocrática visita desta casa, teve uma simpatia natalícia duplamente surpreendente: oferta de O Homem Duplicado, de Saramago. C’est tout un programme, como dizem os ingleses (os cultos). E muito obrigado pela generosidade, que é uma genuína honra.

Agora, muita atenção: se és senhora, rapariga, miúda (grandinha), menina (grande), enfim, mulher, e ainda não conheces o Pipoco, pensa muito bem antes de lá ires espreitar – é que depois de entrares não voltarás a sair. Pronto, estás avisada.

32 thoughts on “Correspondência”

  1. O namoro continua, isso é evidente mesmo sem uso de olho. Mais (+): coisa corpórea não engana ninguém mesmo que sofra de patologias várias . Quando for do matrinómio de jungir as ânsias de criar molhos de deleite com espasmo e torção ocular temporária, inevitável, quero ser informado prestesmente, com convite, nome de padre e capela. Ando com umas fomes de arroz doce…

    E prometo que não direi mais coisas mentais, názicas e antimaxonicas ou mosaicoderrogatórias.. Juro. Palavra de homem.

  2. Eu por acaso, acho que o último parágrafo se aplica tanto ao último nomeado como ao penúltimo. (os outros que me perdoem mas não lhes conheço a obra)

    E, não menosprezemos a força de vontade feminina, sim? Qualquer uma pode entrar à vontade e sair quando lhe apetecer. Tanto de um como de outro. Que mania das conquistas absolutas.

    Nunca vi nenhum gaijo a dizer isto de uma blog de uma mulher. Porque será? Estaremos ainda perante o enraizamento dos valores de Macho Alfa que se apodera do mulherio mas que não é aprisionado por nenhum dos seus membros?

  3. Ó Val: e para que quer a malta conhecer os hábitos alimentares dos tubarões? Temos uma dieta equilibrada, variando entre atuns, focas e surfistas, aqui e além comemos mais qualquer coisita que se aproxime em demasia da mandíbula e pronto, nada de relevante.
    O que precisam de estudar é o que alguns desses meus parentes afastados defecam pela surra por entre as suas intervenções, pois embora ainda haja quem os tope à distância pelo cheiro existe uma multidão que se finge permanentemente constipada…

  4. Kalimatanos, de que namoro estás a falar?
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    Iceberg, agradeço o reparo: de facto, o Shark também é um ladies man reputado, afamado e celebrado.

    Quanto a poderes fazer o que te dá na real gana, mesmo sendo mulher, não posso estar mais de acordo. E o que disse só reforça esse princípio: depois de entrarem na zona de caça do Pipoco, o mulherio o que mais quer, do alto da sua absoluta liberdade, é ficar por lá e não voltar a sair.
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    shark, essa de comeres surfistas é algo surpreendente, pois de ti esperava uma dieta mais à base de leoas-marinhas e uma ocasional foca.

  5. (hummm…)
    (hummm….. hummmm)

    Ó Ice, é impressão minha ou o Valupi acabou de te pendurar na parede dos troféus de caça do Pipoco?

    (hoje não saio desta caixinha. isto vai dar molho, vai vai…)

    Psssst, Valupi, essa de te surpreenderes com a dieta do Shark é algo surpreendente, a não ser que o teu reparo à dieta seja uma provocação de machos alfa que partilham o mesmo território, é que a mim parece-me que o tubarão acharia a Stephanie Gilmore um petisco.

  6. Teresa, eu gostei mesmo foi do “poderes fazer o que te dá na real gana, mesmo sendo mulher”. Quase que me apetece agradecer o favorzinho…

    Teresa, o Valupi pode pendurar-me onde bem lhe aprouver. E olha que eu não digo isto a todos! Além de que toda a gente sabe que ‘um dia pavão, no outro espanador’ ou, para ser mais fácil: um dia do caçador, outro da caça.

    (Não querias forróbódó?)

  7. Ice, eu gosto deles. Todos muito igualdade e fraternidade mas depois foge-lhes o pézito assim que se distraem… Mas isso também não é propriamente novidade para nós…

    E agora explica-me lá bem isso do Valupi te poder pendurar onde bem lhe aprouver. Quererás tu dizeres que és assim do tipo de atar e pôr ao fumeiro?

    (sentada nas mãos? olha eu estou bem pior que tenho aquela jura que não posso quebrar…)

  8. E quanto a isso dos machos alfa, já algures defini (noutra encarnação) o Pipoco como pertencente à subespécie macho alfa beto por motivo à vista. Já o Valupi encaixo-o nos machos alfa iate, pela rapidez com que ele veste fatos de superior qualidade e à medida do freguês que não lhe desampare a loja e consegue manter-se sempre à tona e, acredito eu, sempre capaz de enfunar a vela quando outros meios de propulsão lhe falhem…

  9. Val: com a pronúncia e a imprecisão gramatical de um italiano que não larga o vinho te digo que betar dan to foca onli tree focas seguidas.
    Mas como dou pouco à barbatana (barbataine, ainda em inglês Lauro António) não posso desaproveitar as hipóteses de trincar algo com uma conotação desportiva, nem que seja só para manter a forma em teoria.

  10. Edie: tenho na coxa esquerda um sinal com uma forma parecida com a da ilha de Chipre igualzinho a outro que o meu pai tem no rabo. Isto para te dizer que sou aparentado ao Pinóquio mas não é o nariz que me cresce quando minto.
    Isso justifica o facto de me assumir um mentiroso compulsivo quando te digo de forma despudorada que sou mais do que um modarfoca. Sou um véri séquessi uáne…
    :)

  11. Edie, fico tão, mas tão, sensibilizado com o gesto que te digo: mesmo que em vez de um tubarão eu fosse um crocodilo não conseguiria reprimir uma discreta mas sentida lágrima.

  12. antónio capucho, sic n, 22h00. o psd está pejado destas figuras de baixo nível. substituiu dias loureiro no conselho de estado. não é melhor de carácter. palhaço.

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