Vinte Linhas 577

Da caçadeira perdida aos Bombeiros do Cartaxo

A crónica de Joaquim António Emídio «O medo de viver» no jornal O MIRANTE de 20 de Janeiro de 2011 fez-me pensar no que eu faria se estivesse naquela situação. Ou, dito de outra maneira, na velha dicotomia «cidade-campo». Nasci em Santa Catarina (Caldas da Rainha) no ano de 1951 e vivo em Lisboa desde 1966. Quer isto dizer que já tenho mais anos da cidade do que do campo. Outro dia, recém-regressado do Algarve, fui levar o meu pai ao Expresso de Sete Rios. Bastou um momento de distracção para o meu pai ser abordado por uma vigarista com uma conversa da treta: «tinha vindo com a nora do Cartaxo para Lisboa para ela ter o bebé mas os Bombeiros foram-se embora e ela agora não tinha dinhero para as passages». Quando percebi o teatro montado pela velha adverti o meu pai em voz alta de que não lhe devia dar o dinheiro (dois euros) pois mesmo não conhecendo os Bombeiros do Cartaxo tenho a certeza de que eles nunca deixariam uma pessoa desarmada, sem dinheiro e perdida na grande cidade. Sem esquecer que em princípio os bebés do Cartaxo nascem em Santarém mas isso é outra conversa. Nunca dou esmola no Metro e em 2006 percebi uma coisa de que já tinha ouvido falar: fui a Mira em reportagem, passei por Fátima e vi os artistas do Metro junto da Capelinha das Aparições. Como eles são invisuais alguém os levou para lá. Outra coisa que a cidade me ensinou bem cedo foi a não dizer ao condutor que leva os médios acesos em dias de sol pois as pessoas reagem mal à advertência mesmo quando feita com a melhor das intenções. Quanto a armas de caça abertas e com dois cartuxos, seja na estrada ou na rua – podem continuar no mesmo lugar que eu não estou para isso.

3 thoughts on “Vinte Linhas 577”

  1. Alexandrina da Conceição referiu um caso semelhante no jornal Noticias da Beira, de 28 de Setembro de 2010, mas no caso que ela conta é uma questão muito mais pertinente e suscita muito mais reflexão.
    Uma vez levei um par de estalos por dizer que um condutor tinha os médios acesos num dia em que caía uma chuva miudinha.
    Há gente para tudo.

  2. É isso – elas, essas vigaristas, têm «arte má» para num relance perceberem com quem estão a falar. A velha nada me disse mas aproveitou o momento de eu estar a levantar dinheiro no multibanco para abordar o meu pai. E levou dois euros…

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