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Cinegética de Novembro

Pedro Passos Coelho afirmou ontem que, se “ao PSD não cabe tomar posição sobre a greve geral de 24 de Novembro, não deixa de compreender as pessoas que a ela aderem”.

“O PSD não vai tomar posição sobre a greve geral, não nos compete tomar uma posição sobre a greve geral. Mas quero dizer que, se não desfilaremos em greve geral com manifestantes, ninguém nos verá a atirar pedras às pessoas que, cheias de razão, pedirão para que no futuro as coisas sejam mais bem lidadas do que foram nestes anos”, disse Passos Coelho.

O líder do PSD – que falava na Convenção Sindical Social Democrata, organizada pelos TSD – lembrou que “o direito à greve tem de ser sempre respeitado, designadamente quando muitos sentem que já não há outra maneira de exprimir a sua indignação em relação à actual situação”.

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Perguntas simples

Se Portugal se tivesse afundado neste empobrecimento a mata-cavalos mais cedo, e até muito mais cedo como berravam os direitolas, a que horas da noite estaríamos agora a ficar sem electricidade e de que cor seriam as senhas de racionamento da comida?

A miséria em Portugal

Pacheco Pereira – o maior (ou talvez o único) especialista vivo em técnicas de espionagem, coacção e lavagem cerebral utilizadas pelo mafioso Gabinete do anterior primeiro-ministro – ainda não teve tempo para explicar como é que aquela rapaziada acabou toda a falar em telefones escutados a partir de Aveiro. Recorde-se que nesse mesmo Aveiro, estávamos a entrar em Junho de 2009, ouvimos a Manela a dar conta do seu desejo de poder estar a ser escutada pelos escutados, o que infelizmente não se veio a confirmar e que muito a terá desapontado. Viscosas coincidências na terra do ensopado de enguias? Temos de esperar pela autobiografia do Pacheco para estes enigmas encontrarem a definitiva resolução.

Entretanto, Vara está metido na camisa das dezenas de escutas. O tribunal vai usá-las num longo e dilacerante processo de exposição da sua intimidade profissional e pessoal. Se isto se passasse com alguém ligado a Cavaco, PSD e CDS, teríamos um permanente desfile de indignados da gente séria a clamar contra a perseguição do Ministério Público e a defender inflamados a tese de que o uso de escutas pode permitir as maiores deturpações e vilanias. Assim, o silêncio é total, o gozo completo. Qualquer dano que se consiga fazer a Vara será um tiro que vai atingir Sócrates. Se se provar que o Armando prevaricou, haverá champanhe a correr em Belém e na Lapa. Se sair ilibado, o mal continuará a estar muito bem feitinho.

A Isabel chamou-me a atenção para a edição do Eixo de Mal de 13 do corrente. Não vi na altura porque deixei de acompanhar com regularidade. A partir de princípios de 2010, passei a não aguentar semanalmente a já penosa presença do Luís Pedro Nunes desde que ali abancou. Ele é hoje uma das mais bem pagas vítimas do socratismo, tendo derretido a mioleira num ódio bronco que fazia (e faz) questão de partilhar com os espectadores. Contudo, os inúmeros e preclaros talentos que exibe mereciam que se entregasse em exclusividade a um programa dedicado à sua obsessão, onde pudesse gastar diariamente duas ou três horas de televisão a lançar dardos e bolas de trapo contra bustos de Sócrates pendurados no estúdio, entremeando a ginástica com variações idiomáticas à volta das expressões “cabrão” e “filha da puta”. Até lá, passarei ao lado de momentos gloriosos como este que deixo, onde apenas se salva Pedro Marques Lopes. Ver Clara Ferreira Alves a tratar Vara como um escroque, sem precisar de se justificar para além do nível do boato, ou ouvir Daniel Oliveira a causticar um advogado por ter aceitado defender alguém que causa asco a este puro da esquerda pura, é uma exuberante lição a respeito da miséria em Portugal.

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Afinal, está tudo cada vez melhor

Apesar das medidas de austeridade anunciadas e em plena discussão do orçamento, o PSD reforçou a sua aceitação junto do eleitorado em Novembro e a popularidade de Passos Coelho também subiu, indica o barómetro da Marktest.

O principal partido da coligação governamental é a única força política que consegue ganhar quota junto do eleitorado em comparação com os resultados de Outubro. De acordo com o barómetro da Marktest para a TSF e Diário Económico, os sociais-democratas são a escolha de 45,4% dos 804 inquiridos – mais 4 pontos que em Outubro – e alargam a distância para o PS, que se mantém nos 19,7%.

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Gandas malucos

O último regabofe constitucional madeirense, 1 deputado do PSD pode votar por 25 na Madeira, está longe de ser uma originalidade do bananal atlântico. Ainda ontem, no Prova dos 9, Santana Lopes defendeu essa mesma ideia – mas com esta pequena diferença: tal aberração estaria ao serviço da modernização do Parlamento nacional porque não valia a pena ter por lá sentados sem fazer nenhum mais deputados do que aqueles que tomam a palavra no hemiciclo.

Um dia alguém dedicará uma tese de doutoramento, ou tão-só um trabalho de grupo no 9º de escolaridade dado o abundante material à disposição, ao desopilante fenómeno de vermos os maiores malucos da politica portuguesa a chegarem aos mais altos cargos dentro do PSD.

A verdadeira origem da crise

O treinador Carlos Queiroz foi o principal responsável pela histórica derrota por 6-3 sofrida pelo Sporting no “derby” com o Benfica, em 1994, afirmou o antigo futebolista Pacheco, que tinha trocado a Luz por Alvalade no ano anterior.

Pacheco recordou, numa entrevista à Agência Lusa, esse jogo, no qual foi um dos protagonistas, quando Carlos Queiroz, então treinador do Sporting, decidiu retirar ao intervalo o lateral esquerdo Paulo Torres e lançar o antigo jogador do Benfica para o seu lugar, com o marcador em 3-2 para os “encarnados”.

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Impressionar nos transportes públicos, seduzir nas greves, brilhar no estrangeiro

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O primeiro-ministro zeitgeist

Passos Coelho foi uma excelente escolha do povo livre para nos conduzir à vitória neste agudizar das crises europeia e mundial. É que o nosso primeiro-ministro tem esta característica extraordinária: surge permanentemente anestesiado. Mesmo quando se obriga a parecer choroso, ou porque está a dizer a quem votou nele que fará exactamente o contrário do que prometeu ou porque partilha convicto o seu ideal de um Portugal ainda mais pobre, no fundo daquela carcaça encontra-se um bloco granítico imune a qualquer transe afectivo. E esse amoralismo pragmático inane adequa-se na perfeição a um projecto governativo politicamente desmiolado, onde a contabilidade se erige como critério absoluto e predatório.

O facto de Relvas, esse monumento à vulgaridade, ser o seu braço-direito só vem confirmar o diagnóstico: eis um homem invulgarmente invulgar.

O grande encenador

No que toca a líderes da oposição, Cavaco vai destacado na frente, tendo secado por completo Seguro. O senhor Silva mostra, uma e outra vez, o porquê de ser o político mais eficaz do regime. Ele sozinho desenha o palco onde os restantes actores andam literalmente aos papéis.

Cineterapia


O Mal-Amado_Fernando Matos Silva

Os 47 lugares da sala Luís de Pina encheram na noite de 18 de Outubro para o reencontro com a primeira longa-metragem de Fernando Matos Silva. Compareceram o realizador, alguns actores, familiares e amigos variados, preenchendo metade, ou se calhar dois terços, da sala (só bloggers de nomeada presentes éramos dois, pelo menos, o que muito contribuiu para o chic da sessão). Tivemos direito a ouvir o Fernando antes da projecção – a qual começaria com um documentário mui bem esgalhado que marca a sua entrada na realização em 1968, Por um Fio… – e quando a fita acabou o aplauso saiu em modo de quase-ovação.

O texto que a Cinemateca disponibilizou, da autoria do também presente Luís Miguel Oliveira e que recebeu o carimbo de “muito bonito” pela boca de Matos Silva, digressa pela análise historicista, a distracção sociológica, a irrelevante subjectividade psicologista. Quase que não fala de cinema, paradoxalmente. Perpassa nesta escrita uma mal escondida dificuldade afectiva, como se o autor se estivesse a obrigar a ser simpático com a obra por motivos intelectualmente espúrios. Aqui entre nós que ninguém nos lê, Luís, podes limpar as mãos à parede.

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Algumas evidências

Apesar do nevoeiro de guerra, e da curiosa situação de não existir ninguém neste planeta acabadinho de chegar aos sete mil milhões de camurços que consiga explicar o que se passa na Europa, a verdade é a de que temos à disposição algumas evidências com que nos orientarmos. Ei-las:

– É evidente que a situação de emergência nacional, com intervenção estrangeira a forçar uma austeridade radical, era o cenário desejado por aqueles que sabiam nunca vir a conseguir diminuir o Estado Social com legitimidade eleitoral.

– É evidente que Passos Coelho não mente, nunca mentiu e nunca mentirá. Porque ele acredita piamente em qualquer ideia, ou esboço de ideia, ou memória confusa de poder ter tido uma ideia, que lhe surja do nada ou entre pelos ouvidos. Daí a espantosa abundância das suas verdades, tantas quantos os dias e as conversas.

– É evidente que o PCP e o BE deviam ajudar o Governo a conseguir cumprir com as suas ambições, dado que esses preclaros partidos ideologicamente puros votaram para que o poder fosse parar às mãos desta mesmíssima direita com quem tantas vezes se aliaram em festa.

– É evidente que um Primeiro-Ministro que tem Relvas como braço-direito não está nada preocupado com a sua imagem, fama e reputação. Esse despojamento, esse abandono de qualquer vanglória terrena, faz de Passos um exemplo de humildade e ascetismo que já inspira vocações monásticas de clausura, como é o caso de Portas.

Adeus feriados

Temos os seguintes feriados nacionais:

Ano Novo
Carnaval*
Sexta-Feira Santa
Páscoa
Dia da Liberdade
Dia do Trabalhador
Corpo de Deus
Dia de Portugal
Assunção de Maria
Implantação da República
Todos os Santos
Restauração da Independência
Imaculada Conceição
Natal

Se fosses tu a decidir dos quatro a serem cortados, dois religiosos e dois civis, quais seriam as tuas escolhas? E porquê?

Pares da República

A TSF teve a feliz ideia de juntar Luís Amado, Daniel Proença de Carvalho, Maria de Lurdes Rodrigues e Nogueira de Brito para conversas a dois. A cada quarta-feira, um par do quarteto fará comentário político e social sob a batuta de Paulo Tavares, que também pontua elegante e eficazmente o Bloco Central com Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva.

Este programa está condenado a ser um emissor de inteligência e clarividência. Estamos perante figuras que constituem o escol do regime, um estatuto obtido por aqueles que ultrapassaram todo o sectarismo que molda as elites partidárias, os arrivistas e os brutos.

Finalmente, tanto o conceito como o nome do programa são de uma absoluta perfeição.

Zona Euro

Portugal apurou-se com gana. Cristiano finalmente atinou na Selecção. O povo faz uma pausa na depressão colectiva. Mas Paulo Bento agravou a sua pulsão matarruana. O que vale é que no futebol qualquer um serve para lançar os dados no relvado.

Só nos saem duques

João Duque foi hoje sovado no Fórum da TSF e saiu de lá prostrado em maca. Nuno Santos, pela RTP, levou-o ao tapete. E depois apareceu António Pedro Vasconcelos para um exercício de pura carnificina. Mas o espantoso é que Duque merecia levar mais, muito mais. Esta figura que se notabilizou na SIC por difamar o Governo anterior, fazendo parte da legião de comentadores cuja única agenda era espalhar o pânico e promover o ódio, aceitou liderar um grupo de trabalho numa área em que não percebe patavina de nada. Está ao nível de qualquer outro cidadão que se limite a consumir televisão desde que nasceu. Todavia, foi para a cabeça deste grupo apenas munido dos seus preconceitos e raivas de estimação para despachar um documento onde a ignorância compete com o delírio.

O que tresanda no Relatório é o asco à possibilidade de existir um espaço informativo imune às escolhas dos donos dos grupos de comunicação social. Pelos exemplos dados na TVI do casal Moniz e na SIC de Balsemão, onde se fez e faz manipulação da informação ao serviço de interesses partidários, fica claríssimo o intento de entregar aos critérios privados de conjuntura a ocupação do espaço noticioso e opinativo. Isso choca tanto com a percepção da genérica isenção da informação na RTP e RDP como com os benefícios sociais e culturais que essas empresas também geram naquilo que é um verdadeiro serviço público especificamente pelos produtos jornalísticos os mais relevantes e eclécticos.

Toda a actividade deste grupo de reflexão, começando na escolha do elenco e acabando na sua desautorização ministerial ainda antes de ter terminado o trabalho, é um exemplo crasso da anedota em que consiste a elite intelectual da actual direita partidária.

Num café perto de si

Estrela Serrano fez um micro ensaio que, no fundo, radiografa a sociedade que somos: BPN e Face Oculta: veja as diferenças

Esta matéria pede uma sumária introdução: a ideia de que a corrupção é generalizada tem não apenas anos e décadas, antes séculos e milénios. Desde que há registos escritos que podemos ler escribas a queixarem-se do seu tempo presente, o qual constatam estar cheio de maleitas e sofrimentos, e a bendizer um qualquer passado mais ou menos distante onde tudo teria corrido às mil maravilhas e a malta era feliz ou, no mínimo, teria vergonha na cara. Por isso se fantasiaram idades de ouro nos antanhos, paraísos perdidos, Atlântidas afundadas, Shambhalas no cu de Judas. Enfim, as saudades da infância são uma característica antropologicamente universal em todos os tempos e lugares. Se os animais falassem língua de gente, não diriam outra coisa.

A problemática da corrupção em Portugal também não poderá ser tratada olvidando a existência dos cafés. É que basta frequentar esses antros de cafeína e duvidosa pastelaria para sermos inelutavelmente doutrinados acerca da tipologia e extensão da corrupção pátria. Até se revelam à boca cheia de migalhas as percentagens que os patos-bravos têm de pagar aos fiscais das câmaras para que os projectos avancem sem demoras (é o mesmo valor de Norte a Sul, está tabelado). Esta corrupção é entendida como uma taxa, mais uma, e ninguém denuncia ninguém sob pena de ficar com as obras futuras entaladas no marasmo burocrático que existe precisamente para justificar a tal taxa por baixo da Lei e do imposto. Do mesmo modo, as pequenas corrupções que vão das cunhas para empregos a cunhas para intervenções clínicas, passando pelas cunhas para as cunhas, são vistas como a natureza das coisas que ninguém considerado adulto é suposto contrariar se quiser tratar da sua vidinha. Há, pois, razoáveis expectativas de que aquilo que é ensinamento corrente nos tascos seja igualmente do conhecimento das polícias, dos magistrados, dos deputados, dos governantes, da maioria dos padres e até de um ou outro Presidente da República.

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