Perguntas simples

Se Portugal se tivesse afundado neste empobrecimento a mata-cavalos mais cedo, e até muito mais cedo como berravam os direitolas, a que horas da noite estaríamos agora a ficar sem electricidade e de que cor seriam as senhas de racionamento da comida?

26 thoughts on “Perguntas simples”

  1. Estariamos “pobrezinhos mas honrados”, de calças rotas no cu e descalcinhos, devolvendo, inteirinhos, os fundos comunitários a quem nos queria ver endividados. Porque investir é criar potencial riqueza mas, antes de mais, fazer dívida certa. Salazar esteve certo durante 48 anos. É isso que a “direitola” anda a dizer e muitos teimam em não perceber.
    Acabar com os abusos e maus investimentos é uma coisa. Parar de investir, à espera que a economia se faça por “geração espontanea”, é a maior estupidez dos economistas da nossa praça.
    Cortar na educaçâo e na saúde é cortar as pernas da nação. Sem educaçâo e sem saúde, muito mais hoje do que há cinquenta anos, não há possibilidade de trabalhar e criar riqueza num mundo cada vez mais estruturado na inteligência.
    Estes governantes direitolas da pior espécie estão a conduzir o país para um retrocesso de pelo menos cinquenta anos. Diabolizar o “magalhães” e as “escolas (públicas) de luxo” é apenas um traço vísível da “face oculta” da mentalidade direitola.

  2. olha, não sei bem porquê mas a tua pergunta vai bem com a minha visão – talvez pela falha eléctrica da coisa e por o passado projectado em futuro fazer cada vez menos sentido a não ser no presente. :-)

    quando atravassei a ponte tive uma visão, daquelas que algumas gentes devem ter de vez em quando, um pouco mais demorada das que tenho amiúde: vi cavalos, coches e cocheiros e mulheres de vestidos armados e floridos a passearem no jardim. e depois o flash de tempo mostrou-me uma caixa de correio pendurada numa árvore, em ferro dourado pintado, onde ela, não sei nada dela, com uma chave estranha de tão grande e brilhante, foi buscar uma carta que encostou com força ao peito. hoje vou passar na ponte, em sentido inverso, e talvez saiba mais coisas, as coisas que estão no avesso, mas se não souber não faz mal – já decidi que a caixa de correio dourada é só dela. e que ela se chama Esperanza.

  3. bem , eu comecei no anterior governo a apagar a luz no quadro quando saio de casa e a não deixar à noite nada em stand by , fica tudo desligado , tb deixei de usar allguns electrodomésticos ( de caminho faço ginástica..) ..e jantaradas e petiscos mais caros ? kaput também no anterior governo… por tanto digo-vos que tanto faz um como o outro , quando os cofres estão vazios há que enche-los outra vez para poder gastar e roubar : dívida , investimento público , financiamento partidário , off shores , que bonita sequência que vai dar sempre no fmi , e quem vier atrás que feche a porta . é assim que agem esses porcos brogessos inúteis todos da política massificada que não conseguem dar um passo sem se aviarem no “mercado”.

  4. Mário, bingo, bingo e mais bingo. Subscrevo totalmente.
    Só acrescento á tua última linha, sobre a diabolização do magalhães e coiso, não foi exclusivo da direitola, if you know whta I mean…Também me podes dizer que quem faz o jogo da direitola, é como se fosse direitola, e volto a estar totalmente de acordo…

  5. sportinguista ateu: A situação para que se caminha e o espírito de que estão imbuídos certos direitolas, até agora sem ousadia para saírem da toca, revelam demasiadas semelhanças com os tempos do homem de Santa Comba “(up)on” Dão.

  6. O argumento é primário e destina-se a brutos. Como isto vai de mal a pior desde que o atual governo tomou posse, é de todo o interesse assacar mais uma vez as culpas ao Sócrates, que não pediu ajuda a tempo. Os burros, pelos vistos, não se sentem satisfeitos que o país esteja a viver mal só desde 2011, prefeririam que a miséria tivesse já começado em 2008…Que bestas quadradas…

  7. Um destes dias, retido na cama com arreliadora gripe, dei comigo a ouvir um senhor que é responsável pela sucursal de uma multinacional de sucesso alemã dizer que o TGV já deveria andar por cá, pelo menos há dez anos, mas que agora não há cacau para tanto e por isso lá vamos ter de esperar mais dez para ter a sua equivalência!
    Claro, que o ilustre e aparvalhado entrevistador de imediato saltou por cima da frase e foi pescar noutras águas pois aquelas pelos vistos afogavam toda a sua diarreia mental com que nos brinda a par e passo.
    Mas o senhor era teimoso e desatou a dizer que o nosso tecido empresarial era uma miséria, pois subsistia por pequenas e médias empresas que não tinham capacidade exportadora, que não tinham massa crítica para um desenvolvimento razoável e que eram, na sua maioria, compostas por gente que não tinha preparação nem conhecimentos para ser patrão.
    Que o milagre das exportações ou que a nova corrida ao ouro alentejano não podiam resolver nada, pois mesmo que as exportações aumentassem muito não chegavam para cobrir aquilo que importamos uma vez que a produção nacional não faz parte da sua cadeia de alimentação e o valor acrescentado é baixo.
    Disse ainda que só pela via do aumento de qualidade e modernização de processos é que isto lá vai, mas que é coisa que demora tempo e que o que se estava a fazer bem, agora se encontra parado e com tendência a ser vendido ou a ser destruído.
    Cada vez mais aflito o entrevistador tentava fugir do laço que tinha lançado e sorria nervosamente tentando levar a conversa para a política, pois as verdades caíam que nem pedras e a cabeça já sangrava.
    O entrevistado mandou-o meter a política no sítio em que ele mete aquilo que o patrão lhe põe na mão, afirmando que enquanto a política servir apenas para sustentar malandros e não for paga condignamente só por lá aparecerão ou gente rica (o que é raro como sabemos) ou gente que quer subir através dela e sendo assim o país é que perde.
    No meio de toda esta conversa o melhor foi encerrar o programa antes da hora e apressadamente não fosse o homem ainda dizer que o entrevistador era parvo e que a figura que estava a fazer metia dó.
    Pelo meio ainda se falou de direção participada e motivação empresarial, coisas que o patronato português desconhece e tem raiva a quem sabe da poda.

  8. A coisa já se está a manifestar. Acontece sempre; conforme é liminarmente descrito em “O Mundo Como Vontade e Representaçaõ”.

    “Se os desejos são satisfeitos muito ràpidamente, sobrevém o Tédio”.

    São passados quatro meses e é o que se vê; abrem a boca, mas não lavam os dentes, coçam a cabeça e tal, enfim embrutecem.

    ” esta ocorrência só acontece aos ricos, e/ou pôs a mão no Pote!

  9. teofilo: o aeroporto de beja tá sempre cheio. E para obras publicas é preciso haver dinheiro.Sinceramente, acho que aos pobres faz mais falta apostar-se na linha convencional do comboio, não encerrando linhas, do que uma geringonça locomotiva de elite

  10. Caro rr,
    já muito falei do TGV que nunca foi um TGV “à la française”, mas antes um comboio de grande velocidade para mercadorias e passageiros, pois não faria sentido um TGV só para passageiros que teria de ter uma linha dedicada uma vez que a tecnologia atual ainda não possibilita aos TGV’s (exclusivamente de passageiros) utilizartem o máximo das suas capacidades em linhas mistas, Não se fez e se calhar demorará muito a fazer-se e quando estiver pronto já haverá outros mais modernos e aí, mais uma vez perderemos para os que tanto admiramos.
    Quanto ao aeroporto de Beja, faz-me recordar o que teria sido do aeroporto Francisco Sé Carneiro se ninguém o tivesse construído nos anos 40 ou ao agora decrépito de Sta. Maria construído na mesma altura para servir os vôos transatlânticos, cujo apogeu viu muitos nomes sonantes passar pela sua sala de espera VIP, tendo sido posteriormente deixado para trás trocado pelo das Lages nos idos de 80.
    O mesmo poderíamos dizer de cidades que estavam estagnadas como por exemplo Aveiro, Vila Real ou Viseu que só graças a investimentos em universidades conseguiram sair do marasmo em que feneciam.
    Veja-se o que a mão de obra barata fez ao Vale do Ave que para além de Ferraris para meninos ricos pouco trouxe para a região ou para o país.
    Atente-se na destruição da indústria conserveira de Matosinhos por miopia dos operadores, que ultrapassou em muito os circunstacialismos que a UE também impôs; repare-se na vetustez da nossa frota de pesca e na sua capacidade por unidade para ver qual a razão de baixas competitividades; olhe-se para a falta de organização agricola existente e lembrem-se das palestras do engº Sousa Veloso que passava a vida a falar no associativismo inexistente e nos modernos métodos de produção; lembrem-se dos setores que tiveram a coragem de se transformar e que levantam a cabeça como por exemplo a indústria do calçado, dos componentes automóveis, do têxtil técnico ou a produção vitivinícola para não falar do setor de investigação que hoje é tido como um “cluster” de excelência em determinadas áreas.
    Criticar é fácil, mas se o Marquês de Pombal tivesse a mentalidade de alguns, a baixa pombalina seria uma espécie de labirinto em reconstrução permanente.

  11. Muita desta gente que agora reclama que gastámos á tripa forra esquece-se que é utente dos hospitais e centros de saúde, dos transportes, do subsidio de desemprego, dos teatros e museus, das repartições publicas, das escolas e universidades, dos laboratórios estatais , das juntas de freguesia e seus grupos de animação,das creches, dos lares estatais, da rede de cuidados de saúde primários, de bombeiros que lhes vêm apagar os incendios, de formação profissional…ACHAM QUE ESTA MERDA TODA NÃO TÊM CUSTOS?! E aceitam que todos estes recursos são gastos inuteis?
    Tenham santa paciencia.

  12. teofilo M, eu também queria ter um ferrari ou um porshe, mas não o tenho . Sabes porque? porque nãoi tenho dinheiro.É isso que ocorre em relação ás obras publicas

  13. Caro rr,
    não sei o que te levou a falares na 2ª cidade do país, pois eu não escrevi sobre tal coisa nem fiz comparações desse tipo.
    Os investimentos devem ser feitos quando é necessário, para isso é que servem os empréstimos e todos os países os utilizam.
    Falar em grandes grupos como por exemplo os que citaste (indústria e agricultura) é muito lindo, mas qual indústria e qual agricultura?
    A indústria da mão de obra barata e produtos de pechisbeque, a indústria transformadora que depende de matérias primas importadas, a indústria agro-alimentar, a eletromecânica, a aeronáutica, a metalúrgica, a energética? E qual agricultura? A do minifúndio, a intensiva, a extensiva, a biológica, a orientada para os cereais, para a horticultura, para a floricultura, para a fruticultura?
    E porque não investir no mar ou em áreas de desenvolvimento e inovação?
    Porque é que deixamos cair a Sorefame, porque deixamos arrastar as OGMA até quase à extinção para agora a andarmos a recuperar, porque é que se continua a desvalorizar o porto de Leixões tentando desviar o seu tráfego para outros portos quando este já atingiu o 2º lugar no ranking nacional e só se deixa ultrapassar por Sines por via da refinaria aí instalada, porque é que a CP tarda em remodelar e aumentar a via férrea que serve Leixões preferindo investir noutros lados menos rentáveis ou meter-se em aventuras de duvidosa rentabilidade, porque é que se gasta uma pipa de massa a tornar o Douro navegável até Espanha e a melhorar a sua barra e depois não se explora a obra feita?
    Se calhar, todas estas asneiras juntas acabam por dar barracadas montruosas no fim, e não se venha dizer que a culpa é dos governos que deixam administradores de pacotilha encherem os bolsos à custa da coisa pública e que saltam como rolhas de governo em governo e no fim só se dá paulada no sucateiro e no Vara.
    Se calhar porque têm as costas largas e não são doutores da corte.

  14. ó teofilo sou a favor do investimento, e há coisas que citaste que subscrevo.Mas discordo do investimento em mais auto-estradas e tgv. E como já te disse, é preferivel antes investirmos no comboio convenccional, que as pessoas utilizam e não andar a encerrar linhas detse, do que investir em locomotivas elitistas para ingles ver. A própria espanha teve de suspender o investimento no AVE, devido á crise

  15. Caro rr,
    quanto a auto-estradas estamos de acordo, pois acho que até há demais para o tamanho que temos e custa(ra)m os olhos da cara. Quanto aos comboios de velocidade elevada (passageiros+mercadorias) deveriam ser prioridade devendo talvez poder ser adotada a solução já encontrada em Espanha com a colocação de uma terceira linha paralela às de bitola nacional que permitiria durante um período de transição que com um investimento mais pequeno susbsistissem dois sistemas dando assim utilidade ao material existente.
    Como é sabido, o transporte por via férrea sendo muito mais barato contribuiria decisivamente para baixar os custos finais aumentando assim a competitividade para além de conseguirem movimentar-se mais rapidamente e com energia mais limpa.
    A Espanha já tem uma rede de AVE bem interessante e está a continuar a construir embora a ritmo mais lento. Não esqueças que a AVE já existe no país vizinho desde 1992 o que nos atrasa de maneira muito grave, pois as nossas mercadorias ou saem por mar ou pelo ar e aí só as empresas costeiras saem beneficiadas ou têm de utilizar a via rodoviária que é bastante mais cara que a via férrea e não tem ligação à Europa central por via da bitola.
    Encerrar ramais e linhas por deficiência de operação é o pão nosso de cada dia, por culpa de quem se encontra à frente da política de transportes e das pastas da indústria e da agricultura.
    Veja-se também o novo-riquismo empresarial que prefere pagar entre 200 e 300 euros (ida e volta) para viajar de Lisboa para o Porto ou vice-versa em viagens que com as deslocações se cifram em cerca de duas horas por viagem em vez de utilizar o comboio que ficaria por apenas 84 euros (em 1ª classe) e que demoraria talvez mais uma hora por percurso.
    E não me venham dizer que não é assim pois fui passageiro frequente da defunta Portugália e vi bem o que por lá se passava. Sempre priveligiei o comboio nas deslocações possíveis, mas por vezes o que encontrava eram horários sem pés nem cabeça ou condições de transporte deploráveis.

  16. Caro rr,
    as verbas têm de se procurar, não nos chegam à mão por obra do espírito santo (não, não estou a falar no Ricardo), para isso deverá servir o ministro dos negócios estrangeiros, o ministro da economia e o primeiro-ministro.
    Praticando uma real e firme equidade fiscal, intervindo acertada e firmemente nos fóruns (ou deverei dizer fora) internacionais, conglomerando vontades no seio da comunidade em que nos inserimos, projetando o futuro com exequibilidade e determinação, mobilizando o mercado financeiro com propostas aliciantes mas não limitadoras da soberania.
    Para isso é preciso saber, ter experiência, conhecer os meandros da finança e dos negócios, dar aqui para tomar acolá, não é com burocratas de Bruxelas, professores de 2ª linha de pólos de universidades canadianas, com licenciados tardios sem experiência no mundo do trabalho, simpáticas donas de casa com uma licenciatura às costas que vamos lá.

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