A miséria em Portugal

Pacheco Pereira – o maior (ou talvez o único) especialista vivo em técnicas de espionagem, coacção e lavagem cerebral utilizadas pelo mafioso Gabinete do anterior primeiro-ministro – ainda não teve tempo para explicar como é que aquela rapaziada acabou toda a falar em telefones escutados a partir de Aveiro. Recorde-se que nesse mesmo Aveiro, estávamos a entrar em Junho de 2009, ouvimos a Manela a dar conta do seu desejo de poder estar a ser escutada pelos escutados, o que infelizmente não se veio a confirmar e que muito a terá desapontado. Viscosas coincidências na terra do ensopado de enguias? Temos de esperar pela autobiografia do Pacheco para estes enigmas encontrarem a definitiva resolução.

Entretanto, Vara está metido na camisa das dezenas de escutas. O tribunal vai usá-las num longo e dilacerante processo de exposição da sua intimidade profissional e pessoal. Se isto se passasse com alguém ligado a Cavaco, PSD e CDS, teríamos um permanente desfile de indignados da gente séria a clamar contra a perseguição do Ministério Público e a defender inflamados a tese de que o uso de escutas pode permitir as maiores deturpações e vilanias. Assim, o silêncio é total, o gozo completo. Qualquer dano que se consiga fazer a Vara será um tiro que vai atingir Sócrates. Se se provar que o Armando prevaricou, haverá champanhe a correr em Belém e na Lapa. Se sair ilibado, o mal continuará a estar muito bem feitinho.

A Isabel chamou-me a atenção para a edição do Eixo de Mal de 13 do corrente. Não vi na altura porque deixei de acompanhar com regularidade. A partir de princípios de 2010, passei a não aguentar semanalmente a já penosa presença do Luís Pedro Nunes desde que ali abancou. Ele é hoje uma das mais bem pagas vítimas do socratismo, tendo derretido a mioleira num ódio bronco que fazia (e faz) questão de partilhar com os espectadores. Contudo, os inúmeros e preclaros talentos que exibe mereciam que se entregasse em exclusividade a um programa dedicado à sua obsessão, onde pudesse gastar diariamente duas ou três horas de televisão a lançar dardos e bolas de trapo contra bustos de Sócrates pendurados no estúdio, entremeando a ginástica com variações idiomáticas à volta das expressões “cabrão” e “filha da puta”. Até lá, passarei ao lado de momentos gloriosos como este que deixo, onde apenas se salva Pedro Marques Lopes. Ver Clara Ferreira Alves a tratar Vara como um escroque, sem precisar de se justificar para além do nível do boato, ou ouvir Daniel Oliveira a causticar um advogado por ter aceitado defender alguém que causa asco a este puro da esquerda pura, é uma exuberante lição a respeito da miséria em Portugal.

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23 thoughts on “A miséria em Portugal”

  1. o tio balsas contratou estes pistoleiros merdosos para abater socrates e ainda não lhes deu ordens em contrário ou mudou o genérico, portanto a saga continua até novas ordens. talvez eixo da merda, oh josé.

  2. Já alguma vez imaginaram Clara Ferreira Alves chamar escroque a Duarte Lima, Dias Loureiro, Isaltino Morais, Oliveira e Costa, Tavares Moreira, Arlindo Carvalho, António Preto e tantos outros?
    Não ouviram nem vão ouvir, que o respeitinho é muito lindo. Essa senhora sabe que pode atacar gente do PS ou amiga do PS que a justiça vendida escuta como quer e quando quer, legal ou ilegalmente. Cobarde, prenha de cobardia essa Clara Ferreira Alves. Ataca quem já está a ser massacrado pela justiça dos justiceiros e destruido pelos media dos mafiosos que a compraram todinha. Cobarde e monte de merda.

  3. …alegadamente e no território das alheiras ou das alhadas esta cfa – menina de coiro credo de coro – terá recebido uns trocados para fazer propaganda pelo bpp do titi balsemão…clara…aquilo foi coltura…mas tenham paciência alheiras e robalos são coisa de escroque… francamente que falta de charme…

  4. Caro Val,
    não contribuo para as audiências de peixeiradas, e por essa mesma razão não me dei ao luxo de ouvir a canalhice que deverá empestar o vídeo aqui colocado.
    O Daniel, é o Daniel e contra isso não há muito a acrescentar. Não sendo Camões usa e abusa das palas para os olhos, mas que é divertido é uma verdade, pois conta anedotas hilariantes com o ar mais sério do mundo.
    O Luís Pedro Nunes para além de ser uma figura ridícula, com o cabelo empastado de brilhantina e com os colarinhos à aviador, dedica-se ferozmente a salivar contra os seus ódios de estimação, quiçá por não lhe terem arranjado um tachinho, pois se o tivessem feito era capaz de ter sido um trotskista convicto.
    O Luís Pedro Nunes, coitado, vendeu-se por um prato de lentilhas e por vezes deve arrepender-se de se ter junto a esta estranha companhia de ressabiados, mas como não vejo o programa, se calhar, opta por fazer o mesmo que os outros.
    O pilim é que conta, para estes tristes que se viram promovidos a comentadores de bancada.
    É o nosso jornalismo no seu pior.

  5. Clara Ferreira Alves também apontou na direcção do BPN, realçando as diferenças quanto à matéria, ou volume, dos eventuais crimes e também quanto à protecção mediática dada aos arguidos ligados ao PSD. Mas o que me interessa realçar é a sua convicção de que Vara é um trafulha. Ora, mesmo que tenha razão, mesmo que acredite ter provas disso, se não demonstra e suja está no reino da calúnia.

  6. sorry, quando vi a duração (52 minutos de trampa), desisti. Trampa a mais já eu tenho de processar diariamente.Por outras tantas horas perdidas a ver e ouvir estes trastes, decido desde já que não vale a pena perder tão precioso tempo. Agradeço, portanto, o resumo aqui apresentado.

  7. val, seja como for,a última palavra pertencerá aos juizes de cada caso. E até eles estarem encerrados o que se poderá dizer deles é palpites. Até o crime for provado em instancia judicial todos são inocentes.

  8. Até o crime ser provado em tribunal todos estão inocentes. A frase é um velho chavão. Percebe-se a boa intenção que há nela, mas do ponto de vista lógico é falsa. Está mal formulada. Até o crime ser provado em tribunal ninguém pode ser considerado culpado. Assim está melhor, muito melhor.

    Todos inocentes? Como é que podemos afirmar que são inocentes? Mesmo aqueles que depois são condenados? Estaria inocente, cinco minutos antes de ouvir a sentença que o condenou justamente, um criminoso que cometeu realmente um crime? Inocente é quem de facto não cometeu um crime. Um tribunal pode “inocentar” um réu que cometeu um crime, ou seja, alguém que não está inocente. Assim como um tribunal condenar um inocente. Já aconteceu muitas vezes.

    Todos inocentes? Não podemos fazer tal afirmação. Para o afirmarmos tínhamos que ter provas. Temos, sim, é que admitir a possibilidade da sua inocência enquanto não se conseguir provar a sua culpabilidade. E enquanto se tiver que admitir essa possibilidade, não podemos considerá-los culpados. Parece picuice aqui do mangas, mas é muito diferente.

  9. Coitado do Vara. Vão crucificar o homem só para chegar ao Sócrates. Vara um cidadão honesto e trabalhador que chegou à politica milionário e hoje está na miséria vitima da ingratidão do povo.

    PS: Um grande abraço ao Paulo Campos

  10. Em justiça, cada caso é um caso. Use-se o bom-senso. Falar de “presumivel inocente” de alguém acusado por boataria inconsistente em que até o “corpo de delito” é nebulosos, e falar de “presimivel inocente” alguém apanhado em “flagrante delito” , com arma do cirme na mão (ou dinheiro na conta) e provas testemunhais concludentes, não é a mesma coisa, embora formalmente se possa continuar a dizer “presumivel inocente”.
    Insistir no “presumnilvel inocente” por tudo e por nada acerca de uns e passar a ideia de “culpado” no caso de outros, é criminoso. Quando se faz este jogo por interesse partidário ou razões ideológicas é duplamente criminoso. Manipular num sentido ou noutro a opinião pública, e a justiça não intevir com todo o seu peso, é meio-caminho andado para ressuscitar as “santas inquisições”. As democracias deixaram que isto acontecesse de forma repugnante e cobriram-se de descrédito. Sâo raros os países democráticos onde se acredita na justiça. Só espero que as rarissimas democracias onde há um mínimo de equlibrio a lidar com “presumiveis inocentes” e “presumiveis culpados” (muito mais esclarecedor que “arguidos”) consigam arrastar as outras para a justiça dos tribunais e não da “praça pública” do jornalismo dos negócios, que é quase todo ele.

  11. o defeito será, com toda a certeza, meu de apenas apreciar sátira inteligente. de facto, a miséria não anda a olho nu. (faz falta um eixo de um Gil con(Vi(n)cente)

  12. Coitadinhos dos Varas, Penedos, Ricardos Rodrigues, Ruis Pedro Soares, João Carlos Silva e afins, coitadinhos deles depois de tantos anos a lutarem para o bem comum dos cidadãos vêm se envolvidos nestas tramóias, e depois ainda há estes programas que só dizem mal deles sem terem provas. Por exemplo neste blog os rosinhas só falam dos direitolas depois de enviarem as provas dos crimes cometidos, por estes, ao ministério publico até aí estão calados, pois não gostam de falar de boatos, assuntos que estão em segredos de justiça ou que o pouco que se sabe são o diz que disse do correio da manha. Já agora não sejam injusto a Clara Ferreira Alves não costuma ter papas na língua para dizer mal dos casos que envolvem gente ligado ao PSD.

  13. Romance em poucos parágrafos, ou o prólogo de uma tragicomédia (ideias soltas para livro ou para argumento de filme da série B). Breve exercício de criatividade (não mais do que quatro minutos e meio).

    Ficção:

    De bobo da corte no liceu, idos de 80, a atirador mercenário de trampa em direcção à ventoínha, actualmente. O chefe manda, e quem manda, manda bem. Quem paga, decide, e quem deve decidir, é porque decide bem. Comprar guerras e sustentar ódios pode ser um modo de vida.
    Menino do campo, deslumbrado com as luzes da cidade grande. Como cantava o barbeiro pop: “olhar pra trás/pensamento em frente”. O sucesso progrediu, entretanto, menos do que o sonho, que era enorme, enorme… coito interrompido de uma vida que se quis maior que ela própria.
    A puta da realidade, entretanto, é alva e pura, como a farinha “Branca de Neve”. Não engana, como o algodão, também ele branco e aconchegante.

    Epílogo (ficção):

    Haverá sempre, em todos os tempos, um inocente útil, diligente e voluntarioso. Um quase-que-foi-mas-não foi, vítima da sua ambição e vaidade desmedidas, decadente antes do tempo, triste e imensamente infeliz.

  14. Também estou cheio de pena do Vara.

    Espero que não se esqueçam de mandar uns robalitos de vez em quanto lá para casa, não quero que ninguém passe mal.

  15. mais um contributo para o desvio das atenções do essencial. Agora falamos de estopadas televisivas protagonizada por uma gaja que anda á procura de cabeleireiro que lhe agrade. sem conseguir.
    depois Vêm os comentários dos evaristos rex e outros f*** da p***
    Oh evaristo quando me deres o teu endereço mando-te um robalo invejoso com um tubo de vaselina. Ah, vai congelado para te facilitar introduzir o tema.

  16. Há tanto tempo que não me ria tão bem e profundamente: ver os rosinhas com o grelo dorido e inflamado, porque lhes tocaram na honorabilidade e credibilidade do viril
    Clà do ROBÁLO FILÓSOFO, é uma sensação de profunda tranquilidade, por verificar que afinal o destino escreve direito por linhas varas.

    mas quanta libido amordaçada se esconde por aqui, qual sedento harém, em nostálgico desespero por um novo SOCROITO.

    Não há palavras para tanta paixão e tesão!

  17. A extrema-direita vai-se desdobrando em múltiplos nicknames para contradizer todos os posts que não são do seu agrado. E são muitos. É fácil detectar quem são. Usam linguagem ordinária, malcriada, reles, com palavras tiradas do calão ligadas ao sexo. O objectivo desta gente e ofender e lançar lama sobre pessoas e instituições. Felizmente que são poucos. Quem defende a Democracia e o Estado de Direito tem que estar atento a este fenómeno que prolifera na net e especialmente nos blogs de esquerda e defensores dos valores democráticos do 25 de Abril. Não se deve perder muito tempo com esta gente. Não sei se o melhor é ignora-los ou vedar-lhes o acesso. Se as ideias que defendem vingassem no nosso país seria trágico. Temos que estar atentos.

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