Magalhães e Silva, advogado de defesa de Jardim Gonçalves, diz que este julgamento serve apenas para justificar o assalto levado a cabo pelo governo do PS ao BCP: “A transferência dos administradores do banco do Estado, a Caixa Geral de Depósitos, para o BCP significou a autoria, em última instância, desse assalto.”
Segundo o advogado a nomeação de Carlos Santos Ferreira e de Armando Vara para a administração do banco é prova do envolvimento socialista. “Falei em comissários políticos e disse expressamente Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, nomeados pelo accionista Estado e o Governo, que era efectivamente o Partido Socialista. Em última instância, não há a menor dúvida de que a responsabilidade por esse assalto é do Governo do tempo”.
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A Ministra da Justiça comprou milhares de acções do BCP a mais de dois euros por título. Hoje valem menos 90%.
Talvez por influencia do ex-marido, ex-presidente do BCP, ou por iniciativa própria, mas o grosso dos seus investimentos são em acções, com um peso substancial dos títulos deste banco. Na conta que detém no BCP, 61.7% do investimento é em acções do banco, em dois lotes distintos, um comprado a 2.42 euros por acção e outro por 2.33. O total investido atinge os 376 mil euros quando ontem, as mesmas acções foram transaccionadas a 0.26 euros – uma desvalorização de quase 90%.
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Jardim Gonçalves foi uma lenda viva da direita portuguesa, um dos homens mais poderosos da nossa oligarquia. Representava a excelência suprema para uma sociedade culturalmente rural, politicamente inculta e civicamente reprimida: o poder financeiro embrulhado na santidade católica. O BCP era o Vaticano da banca nacional, com o mesmo secretismo e a mesma misoginia ao serviço de um papa engenheiro. Quando em 2005 anuncia uma pseudo-retirada, surpreendeu pela escolha do sucessor: o jovem Paulo Teixeira Pinto, 44 anos então. Parecia um aggiornamento feliz, a renovação que realiza na essência a tradição, e dizia-se que o BCP tinha encontrado um presidente para mais 20 anos.
De imediato, o novel manda-chuva começou a meter água. Primeiro, perdeu a privatização de um banco romeno, em Dezembro de 2005. Três meses depois, mergulha de cabeça no abismo para onde arrastou o banco: a OPA sobre o BPI. Esse negócio falhou e destruiu a relação entre Jardim Gonçalves e Teixeira Pinto. Entraram numa guerra civil que arrasou com a credibilidade dos envolvidos e desembocou na denúncia de crimes agora em julgamento. O banco foi alvo de uma operação de salvamento que envolveu os principais accionistas. Nesse contexto, a ida de Santos Ferreira para o BCP foi a solução que melhor salvaguardou os interesses daqueles que pretendiam restituir credibilidade à instituição face às opções disponíveis. A complexidade deste processo ilustra-se com um singelo aspecto anedótico: Filipe Pinhal, um braço-direito de Jardim Gonçalves, apoiou a ida de Santos Ferreira para o BCP.
A tese de que o Governo Sócrates tinha conseguido captar o BCP ficou larvar e entredentes, mas foi ganhando sonoridade nos escritos e ditos da guarda pretoriana da oligarquia, furibunda por ver o seu mais excelso símbolo ocupado pelos nojentos socialistas. Ainda por cima, um deles era amigo íntimo de Sócrates. Exigia-se uma vingança que apanhasse os dois e lhes desse o castigo merecido: tribunal, cadeia, ostracismo, vergonha, morte política e social.
Uma das mais activas figuras públicas na campanha pela criminalização de socialistas foi precisamente Paula Teixeira da Cruz. Antes das eleições de 2011, os seus comentários públicos invariavelmente sugeriam que algo do foro criminal deveria ficar associado a Sócrates e seus próximos. O ódio que transmitia era autêntico, visceral, ilimitado. Aquela pessoa não tinha a mínima dúvida acerca da culpa das outras pessoas e da pena a aplicar. Só lhe faltava a oportunidade para fazer justiça pelas suas próprias mãos.
A ser verdade que a Paula partilha da mesma opinião do Gonçalves, então quem a levou para o cargo de Ministra da Justiça, e quem permite que lá permaneça depois do que ela já fez e disse, é responsável pela entrega de um enorme poder a alguém sem condições mentais e morais para o exercício do cargo.