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Avisa o maior especialista em Portugal na matéria

O primeiro-ministro avisa que este não é o tempo para ceder a propostas demagógicas e simplistas. Numa crítica direta à oposição, Pedro Passos Coelho diz que é preciso estar consciente da realidade do país.

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Passos, ao longo deste ano, tem largado invectivas contra a retórica, a demagogia e o populismo. Ao mesmo tempo, agarrou-se ao termo “realismo” como muleta discursiva para embrulhar qualquer medida que o Governo tome ou deixe de tomar. Mas Passos é o mesmo que fez uma campanha eleitoral demagógica e populista, apresentando propostas ultra-simplistas para uma realidade ao tempo já demasiado complexa para ser lidada sem um fundo consenso nacional entre os partidos do projecto europeu. Nessa altura, aqueles que apelavam ao realismo eram catalogados como mentirosos e delirantes por um Passos que nos garantiu ter uma alternativa muito melhor, muito mais fácil, muito mais real do que as “fantasias” de Sócrates, Barroso e Merkel.

Estamos, portanto, face a uma manifestação da loucura. A loucura tem de ser isto, ou também isto: a capacidade de afirmar uma coisa e o seu contrário sem responsabilização pela automaquia. Esta a hipótese bondosa, a de uma loucura generalizada, institucionalizada, onde o Presidente da República igualmente se apresenta louco, a sua palavra para nada valendo e, por isso, nada de errado encontrando no comportamento do primeiro-ministro. Uma loucura de regime, onde a maioria dos deputados faz com que a Assembleia da República seja cúmplice de dois outros órgãos de soberania actualmente sem representantes dignos do estatuto e do poder que lhes foi dado pelo Povo.

Esta situação é nova em Portugal. Não tínhamos defesas para ela e sentimo-nos, passados dois anos de loucura diária, em completo esgotamento de recursos mentais para lidar com a perversão política e cívica em curso. Eis o maior desafio lançado aos fundamentos da comunidade que somos, e queremos ser, desde o 25 de Novembro.

Que saudades deste brilhante comentador político

Se em Janeiro a posição de princípio de Passos Coelho sobre o TGV era a de que a obra deveria ser suspensa, então não se compreende que logo após a entrevista à RTP em que Manuela Ferreira Leite defendeu essa mesma suspensão, ele tivesse contribuído para a circulação do sound-byte “Passos Coelho defende o TGV, em nova divergência com a líder do PSD”. Ao mesmo tempo que silenciava por completo a questão da suspensão do investimento, o ponto nuclear da posição de Ferreira Leite.

Os objectivos de Pedro Passos Coelho eram óbvios: publicitar uma divergência com Manuela Ferreira acerca da recalendarização do TGV e dos compromissos já assumidos. Uma divergência que, vemo-lo agora, nem sequer existia. Mas foi assim que em Janeiro a notícia circulou pelos jornais, numa estratégia destinada a enfraquecer a liderança do PSD.

É evidente que, nestas circunstâncias, qualquer pessoa politicamente decente e leal teria sustentado com clareza a necessidade de suspender o TGV. Esse mesmo aspecto teria escorrido normalmente para a imprensa. Mas Pedro Passos Coelho entendeu que deveria fazer política de segunda categoria. E foi esta ambiguidade política impostora que eu critiquei no meu artigo e que outros na blogosfera até já tinham criticado em Janeiro, com os mesmos fundamentos.

Essa impostura atingiu o cúmulo na entrevista de domingo, no momento em que Passos Coelho apareceu a defender as mesmas ideias económicas de Manuela Ferreira Leite e, em particular, a suspensão do TGV. Ficámos todos a perceber que a maior e mais insanável divergência não é entre Pedro Passos Coelho e Manuela Ferreira Leite. É entre Passos Coelho e ele mesmo.

Lomba, 2009

Revolution through evolution

Women should ask male colleagues how much they earn, says UK minister
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Ho-hum reaction to shutdown says it all
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If you want to ‘read’ people better, read more literature
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Short Sleepers Most Likely to Be Drowsy Drivers
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Study Reveals Americans’ Surprising Response to Government During Great Recession
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You Say He’s Just a Friend, but Your Voice Says Differently
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3D Printing: The Greener Choice

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O Sol até mete frio

Estes exercícios de recordação – Sado-maluquismo – andam a ser feitos por quem? Os direitolas não os fazem, ou porque concordam que vale tudo para obter e manter o poder ou porque entram em processos de negação e recusam o confronto com a sua consciência. Os esquerdolas também não são muito entusiastas da coisa, porque o seu passado está igualmente cheio de misérias parecidas ou piores (dada a sua suposta ideologia) pelo que utilizam pinças para seleccionar com muito cuidado o que lhes pode ser útil para a cassete. Quem não tem parado de trazer o passado para o presente por causa do nosso futuro são aqueles que não saíram da sua posição desde o início da tragédia. Estes limitam-se a demonstrar que as suas ilações e avisos ao tempo se confirmaram plenamente. Plena, completa e absolutamente. E aí estão os factos, aí estão as declarações, aí estão os episódios onde se decidiu entregar ao casal Passos-Relvas e a Cavaco os destinos da comunidade sob uma inaudita crise político-financeira europeia e mundial. Isto arrasta dois considerandos.

Um que consiste em constatar que os permanentes ataques ao carácter de Sócrates e de quem com ele assumiu responsabilidades, ou meramente manifestou a sua opinião de apoio ao Governo socialista, não são acompanhados por um argumentário factual, documentado em declarações e decisões, antes se fica pela pura explosão de ódio adjectivo ou pelas deturpações cretinas (como a referência à meta dos 150 mil empregos, bandeira de campanha em 2005, ou ao aumento dos funcionários públicos em 2009, medida que recolheu apoio parlamentar unânime, por exemplo). É digno de estudo ver tantas pessoas há tanto tempo a alimentarem uma obsessão delirante como nunca tínhamos conhecido outra igual em democracia. A estupidez e o medo explicarão parte maior do fenómeno, mas não explicam tudo.

Outro, ainda mais grave e de consequências imprevisíveis, consiste na extensão e grau das contradições que os representantes do actual poder exibem. Como se lê neste artigo da Fernanda, e em tantos outros que temos feito ao longo destes dois anos e tal de enxovalho nacional, até um Presidente da República que gosta de se apresentar como uma autoridade moral para dar lições aos indígenas é capaz de garantir que o Sol mete frio e que o gelo pode incendiar o mar. Bastando que sirva a sua visceral sonsice, Cavaco contradiz-se sem pestanejar e declara exactamente o contrário do que outrora afirmou perante um poder de esquerda. E se isto é assim com o Chefe de Estado, com o primeiro-ministro, ministros, deputados e dirigentes do PSD e CDS o espectáculo das mentiras e contradições é assombroso. Não há termo de comparação. Não existe nenhum período da História – a não ser que recuemos à ditadura – onde se tenha testemunhado esta impunidade que escarnece alarvemente da nossa passividade e cobardia.

Seria de esperar que a imprensa chegasse para obrigar o actual poder a assumir a responsabilidade das suas canalhices perante a comunidade. Mas não sejamos rápidos a pôr as fichas nessa casa, pois a imprensa – tomada no seu conjunto e nas agendas dos grupos respectivos – foi uma das principais alavancas para estarmos como estamos.

Muito nos contam

5 535 104 – 4 996 074= 539 030. Ou seja, em 2013 votaram menos 500 mil eleitores nas autárquicas do que em 2009. Que aconteceu? Aconteceu que alguns morreram, outros estão gravemente doentes, outros estão acamados, outros estão cansados, outros tinham mais o que fazer e até ficaram com pena de não ter ido votar, outros estão deprimidos porque estão desempregados ou sem dinheiro suficiente para si e para os seus e, principalmente, há quem calcule que a emigração levou nos últimos anos uma média de 120 mil pessoas por ano para fora da Grei. Tudo somado e subtraído, votaram os mesmos que sempre votam dentro da normalidade.

O que é completamente anormal é a manutenção dos cadernos eleitorais com eleitores que não podem votar pela simples razão de já terem desaparecido do mapa. Corre a suspeita de que tal disfunção é do interesse do poder autárquico. Se assim for, essa é uma verdadeira corrupção de Estado em que não há órgão de soberania que escape à vergonha.

Coerências

Afinal, faz todo o sentido. Qual produtividade, qual quê. Qual competitividade, qual caralho. Trata-se é de tornar oficial o que é a prática corrente. Trata-se de aceitar a realidade, abraçar a realidade, sujeitarmo-nos à realidade. E a realidade é esta: aqueles portugueses que dominam o Parlamento, o Governo e a Presidência emporcalham diariamente a República com o seu desprezo pela nossa Independência.

Acabar com esses dois feriados foi até um favor que nos fizeram em nome da coerência.

Valeu a pena afundar o País, congratula-se o Montenegro

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, reitera que este é o “momento da verdade” e que o caminho apontado pela oposição como a redução dos impostos, a subida dos salários da Função Pública e falta de rigor orçamental já foi testado em 2009. “Só que agora foi reeditado, já não é com José Sócrates”, sublinha.

O resultado, defende Luís Montenegro, foi “irem de mão estendida pedir ajuda e depois perderam as eleições.”

“Valeu ou não a pena o caminho que conduziu è negociação das metas e que conduziu o país a ter seis meses seguidos de descida da taxa de desemprego, o PIB aumentar no segundo trimestre e eventualmente também no terceiro trimestre?”, questiona.

Hoje, na Assembleia da República

Pedido de ajuda interna

A direita seríssima queria Portugal de tal modo condicionado financeiramente que esse constrangimento levasse a uma perda de soberania. Foi para isso que trabalharam desde que a crise grega rebentou e a resposta da Europa foi a da austeridade. Achavam que só assim conseguiriam derrotar Sócrates, como esta notícia – a única que relata o episódio – revela:

O presidente da Comissão Europeia comunicou privadamente ao líder do PSD que discordava por completo da estratégia do partido depois de Passos Coelho ter anunciado que era intenção dos sociais-democratas chumbar as medidas de austeridade do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV, apresentado pelo executivo em Bruxelas em Março. Nos argumentos de Durão Barroso, o pedido de ajuda português era inevitável e devia ser accionado pelo governo de José Sócrates ainda antes do Verão, quando os empréstimos de Junho tivessem de ser pagos pela República. Para o presidente da Comissão Europeia, o PSD poderia abster-se no parlamento na votação do PEC, não se comprometendo com qualquer medida que vinculasse o partido para 2012 e 2013. O congelamento das pensões, por exemplo – o ponto mais controverso para Passos Coelho – só teria efeitos práticos a partir do próximo ano. Viabilizando o PEC e pré-anunciando um chumbo ao Orçamento de 2012, Passos Coelho conseguiria, na opinião de Barroso, evitar um crise política nesta fase, ganhar tempo para que fosse o actual governo a fazer o pedido de ajuda externa e conquistar capital político na opinião pública para precipitar posteriormente eleições.

“Mas Passos Coelho estava a ser pressionado internamente”, disse ao i fonte próxima do presidente da Comissão Europeia, “e respondeu que não havia garantias de que o governo fosse mesmo pedir ajuda”.

Barroso temia que a traição ao País acabasse por cair em cima dos traidores. Os traidores temiam que o Governo socialista se conseguisse aguentar sem ter de pedir o empréstimo de emergência – e contavam com a cumplicidade parlamentar do BE e PCP. O que se passou a seguir, onde se inclui a conivência da actual liderança do PS com o bombardeamento constante ao longo de dois anos contra Sócrates e quem com ele assumiu responsabilidades governativas, trouxe-nos para o dia de hoje. Um dia, mais um, onde Portas fez figura de capataz em nome de um grupo de mentirosos, incompetentes e lunáticos que sacrificaram milhões de concidadãos na sua ambição violenta e violentadora.

Mas nem esta história que alterou devastadoramente a História chega para abrir os olhos da legião de sectários e analfabrutos tão úteis à oligarquia.

Comissão de Inquérito

Este Zeinal Bava de quem tanto agora se fala será o tal sabujo socrático que, de braço dado com outro desqualificado de nome Henrique Granadeiro, estava disposto a destruir a sua carreira e a ir de cana só para poder usar o nosso rico dinheirinho em ordem a comprar a TVI e despedir logo a excelente jornalista Moura Guedes que andava a apresentar provas semanais e irrefutáveis da roubalheira do Grande Satã no outlet, senhora que assim teria continuado a dar lições à justiça dos homens e dos deuses não fora a providencial intervenção do Rei de Espanha, também conhecido como o “Tromba Rija Africano”, o qual finalmente lá conseguiu safar o engenheiro daquelas sexta-feiras negras como o breu?

Já temos programa de Governo alternativo, só falta…

No discurso de vitória, António Costa deixou esta mensagem:

O sentido do voto na cidade de Lisboa tem um significado muito claro: o apoio a uma gestão que revelou ser possível em Portugal uma política alternativa àquela que tem vindo a ser seguida. É possível uma política que combine o rigor com a responsabilidade social, que seja capaz de reduzir a dívida e de reduzir os impostos, aumentando o investimento, aumentando os apoios sociais e aumentando os apoios à criatividade cultural. Esta política foi possível em Lisboa, esta política é possível, esta é a política que o povo de Lisboa quer que seja prosseguida.

Com estas eleições os cidadãos revelaram que há um sentido de esperança e de futuro para a cidade de Lisboa e para o País, que não se rendem ao desânimo e à descrença, pelo contrário, têm vontade e a firme determinação de reconstruir um País que seja para todos nós, que seja um motivo de orgulho para todas as futuras gerações.

Isto é um programa de Governo. Aliás, este é o programa de Governo. É que não se concebe nada melhor. Repare-se:

– Rigor (ou seja, a austeridade mínima possível)
– Responsabilidade social (ou seja, a solidariedade máxima possível)
– Redução da dívida (rigor)
– Redução de impostos (rigor+responsabilidade social)
– Aumento do investimento (responsabilidade social+rigor)
– Aumento dos apoios sociais (responsabilidade social)
– Aumento dos apoios à criatividade cultural (rigor)

Quem seria o taralhouco a recusar o seu voto a uma solução destas? Donde, a pergunta seguinte já chora: anda o Costa a mangar com a malta? É que, assim de repente, parece-me que a fruta interessa a 10 milhões de infelizes à beira-mar plantados.

Numa sociedade regida pela racionalidade, haveria agora algum ilustre membro da imprensa a tentar furiosamente marcar uma entrevista com o homem exclusivamente dedicada à exposição, explicação e explanação das promessas que vocalizou cheio de confiança. E se fosse tanga, ou disparate, ficava logo o caso arrumado. Se não fosse, e as ideias tivessem pernas para andar, então haveria milhões a quererem fazer esse caminho urgentemente. Assim, deixando as palavras no limbo das declarações de arrebimbomalho sem demonstração, faz-se mais mal do que bem.

O PS tem um líder que ainda ninguém percebeu o que quer para Portugal para além da sua continuidade à frente do partido. Cada dia que passa é mais um dia em que o partido se comporta cobardemente – e com responsabilidade acrescida para a sua elite. Porque a puta da verdade é só uma e é esta: o eleitorado está pronto, não tem é em quem confiar.

Abaixo de nulo

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O Bloco de Esquerda obteve nestas autárquicas menos do que o total de votos nulos. Menos 27 mil. Isto acontece exactamente 4 anos depois de terem ultrapassado o PCP nas eleições legislativas por mais de 100 mil votos, por pouco não ultrapassando também o CDS. Na ocasião, Louçã declarou:

Este é um novo dia para a esquerda portuguesa. Nada será como dantes. Teremos uma esquerda mais rigorosa, com mais capacidade de diálogo. Nenhum eleitor do Bloco de Esquerda terá qualquer dúvida de que todo o voto dado ao Bloco de Esquerda será gasto na defesa dos direitos fundamentais de uma resposta que possa transformar o país.

Estava certo, o nosso Anacleto. Certo ao verbalizar a esperança que centenas de milhares de votos vindos directamente do PS consubstanciavam. Aqueles eleitores não gostavam da maioria socialista; uns por convicção ideológica, outros por assimilação das calúnias e a maior parte por se identificarem directa ou indirectamente com a retórica dos professores e a instrumentalização política que foi feita da tentativa de reforma na Educação. Queriam penalizar o Governo e puxar o PS para a esquerda, uma esquerda que lhes prometia a desejada estagnação garante da segurança e conforto. E o visionário continuava certo ao profetizar que nada seria como dantes.

De facto, o que Louçã resolveu fazer com o seu histórico triunfo era inimaginável para os militantes e simpatizantes socialistas que engoliram o isco. Se traçássemos um plano prévio onde a meta fosse a de ter o BE a ser um permanente aliado da direita, então esse plano teria sido executado na perfeição. Começou na recusa de fazer qualquer tipo de acordo com o Governo minoritário, continuou com a participação entusiasmada nas coligações negativas que apenas desgastavam e boicotavam a governação num período de crescente crise, intensificou-se com a decisiva ajuda à reeleição de Cavaco através da imposição e manipulação de Alegre e consumou-se no empurrão ao PSD e CDS para meterem as beiçolas no pote. A sintonia com a demagogia da pior direita que já conhecemos em democracia não podia ser maior: “Rejeitar o PEC é o princípio da saída da crise“, afiançou o generalíssimo da esquerda grande.

A fuga de Louçã do BE ocorre após a festa ter já acabado. A notável inépcia estratégica do Bloco, refém de um líder cujo narcisismo paranóico venceu o idealismo e estilhaçou a lucidez, levou a que as suas vedetas mediáticas – Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias, Rui Tavares – começassem a exibir sinais de descrença e rebeldia. Também os farrapos extremistas que constituíam o tecido social do Bloco se mostravam indisciplinados, sentindo a fraqueza do chefe. Esta situação de iminente descalabro levou a um último gesto despótico de Louçã, obrigando o partido a sujeitar-se a uma direcção bicéfala que estava condenada ao mais estrondoso fracasso. Malhas que o império da imbecilidade tece.

Louçã é a prova viva de que o brilhantismo teórico não é suficiente para a arte de governar a cidade, antes podendo ser uma característica trágica no político quando não é dominada pela inteligência prática e o instinto comunitário – uma lição que poderia ter recolhido com facilidade em Péricles e Aristóteles para nosso proveito.

E o sol brilhará para todos nós!

As autárquicas de 2009 viram o PCP obter um dos piores resultados de sempre. Eis como Jerónimo embrulhou a coisa:

Jerónimo de Sousa considerou, esta noite, que «o conjunto de resultados obtidos assumem um inegável valor tanto mais [tendo em conta o] quadro de uma persistente e intensa campanha centrada na desvalorização da CDU».

«Na leitura destes resultados, particularmente nas situações de maioria, não pode deixar de ser observado a concentração de votos da direita no PS, que ali vê a força que melhor pode combater a influência da CDU», destacou o secretário-geral do PCP.

O secretário-geral do PCP sublinhou ainda a «expressiva votação alcançada e, em particular, a confirmação de muitas das suas posições de maioria, dá continuidade a uma sólida e sustentada progressão da CDU», resultado, disse Jerónimo, «da ampla corrente de apoio e confiança de um número crescente de portugueses».

Bastam-lhe apenas duas ideias, a de que o PS é a mais poderosa e perigosa das forças da direita e a de que o PCP continua a crescer imparável e triunfalmente. Eis a terra e o céu dos comunistas portugueses, por mais nada à sua volta se interessando. Este fanatismo primário tem a suprema vantagem de dar solidez psicossociológica e garantir coesão militante. O PCP precisa de se conceber como uma organização clandestina, lutando no meio de um regime que não reconhece, porque não pertence a este mundo. É uma cápsula do tempo, mas de um tempo que nunca chegou nem vai chegar.

Em 2013, o PCP é dado como um dos vencedores das eleições autárquicas. Eis como Jerónimo embrulha a coisa:

A votação obtida pela CDU constitui um factor de confiança e esperança de que é possível um outro caminho e um outro rumo, um estimulo à luta e ao que ela pode abrir de perspectivas e concretização de uma política alternativa, e um testemunho de que, como temos afirmado, está nas mãos dos trabalhadores e do povo com a sua acção, opções e voto derrotar os partidos da política de direita e dar mais força à CDU e à concretização de uma política patriótica e de esquerda.

Este reforço representa uma sólida progressão da CDU que testemunha a ampla corrente de apoio e confiança de um número crescente de portugueses e portuguesas.

São duas ideias, a de que o PCP é a única força que combate a direita, sendo que o termo “direita” é para os comunistas um sinónimo de “alteridade”, e a de que o PCP continua a crescer imparável e triunfalmente. Não há nada a mudar na cassete pois a repetição maníaca das palavras de ordem é a razão mesma da existência da congregação. Qualquer alteração poderá fazer desabar a estrutura.

Imaginemos que o PCP perde umas eleições de uma forma impossível de transformar em vitória. Por exemplo, nas próximas autárquicas deixavam de ter presidências de câmara. Que diria Jerónimo, ou o Bernardino que o irá substituir mais ano menos ano? Diriam o mesmo que disse Semedo, um comunista que milita no BE, perante a sua derrota em Lisboa: que a culpa era da comunicação social. A culpa não era dele, nem das suas ideias, nem do seu partido, nem das ideias dos outros e dos seus partidos. A culpa era de um suposto árbitro que cometia injustiças.

Nunca jamais um comunista assumirá uma derrota. Isso seria igual a uma Testemunha de Jeová admitir que a Bíblia continha algum tipo de incorrecção. Pelo que só há uma forma de o comunismo provar o gosto da derrota. Quando vence tudo e todos, derrotando-se a si mesmo.