Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Albert Einstein was a genius, but he wasn’t the only one – why has his name come to mean something superhuman?
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Chili peppers for a healthy gut: Spicy chemical may inhibit gut tumors
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Great moments in science (if Twitter had existed)
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Wait, Wait ─ Don’t Tell Me the Good News Yet
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Healthy lifestyle may buffer against stress-related cell aging
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Pervasive implicit hierarchies for race, religion, age revealed by study
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Society bloomed with gentler personalities, more feminine faces: Technology boom 50,000 years ago correlated with less testosterone

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We all live in Israel

Estava para publicar o vídeo de uma palestra de Sam Harris, vedeta do novo ateísmo norte-americano, que trata de uma temática fascinante e exibe as suas superiores capacidades oratórias: Sam Harris on “Free Will”. Mas hoje deparei-me com a publicação do Luís Grave Rodrigues onde Sam Harris discorre sobre o conflito entre Israel e o Hamas: Por que não critico Israel. O vídeo está legendado em português (ou algo parecido).

Devido ao impacto real e psicológico da guerra e à crescente pressão mediática contra Israel, incluindo a media pessoal, é muito mais importante chamar a atenção para os seus argumentos acerca de um conflito tão irracionalizante e tomado pelas trincheiras ideológicas e dinâmicas consumistas. Aqui deixo a versão sem legendas.

Calma, Helena Matos, calma

Helena,

Tu sabes que ele é um dos maiores criminosos que este país já viu; ou melhor, que ainda não viu. Por causa daquele e do outro e da outra que o protegeram. Tu sabes com a autoridade de quem anda desde dois mil e tal a dizer isso nas televisões, nos jornais, nas rádios, nos blogues, nos cafés e até nalguns baptizados. São muitos anos de tormento. Um teste inumano à tua capacidade de sofrimento.

Mas calma.

Agora com esta do amiguinho Salgado estar entalado, já não tem mais para onde fugir. Vai para onde, ter com quem? Com o Belmiro? Soares dos Santos? Ulrich? Nem tu, apesar de tudo, e vamos pôr mesmo tudo nesse tudo, acreditas nisso. Pelo que agora é só uma questão de tempo. Pensa: Presidente da República, Governo, Maioria, Procuradora-Geral da República, Correio da Manhã e tu. Eis o dream team, como dizem os franceses, que vai caçar a besta. Finalmente. Para nosso descanso e segurança.

Mas calma.

Viste o tipo na RTP, ontem? Aquele ar de… sei lá… nojo? Sim, ar de nojo. E aquela voz de… hum… nojo? Sim, voz de nojo. E aquelas coisas que ele disse… coisas… nojentas? Sim, coisas nojentas. É nojento ver aquele nojo a dizer-se inocente. Como te compreendo, Helena.

Mas calma.

Está quase.

Calma.

Seguro, um caso de psiquiatria

A fuga para a frente que Seguro encetou perante o desafio levantado por Costa foi vista, justamente, como a manifestação de um interesse particular que colidia com os interesses do PS e do País. Contudo, ninguém poderia antecipar o benefício que ela está a trazer. Um benefício que não surpreenderá alguns, mas que pode ser útil a muitos. Trata-se da auto-exposição do caso de psiquiatria em que Seguro se tornou.

Ferreira Fernandes, eufemisticamente, vai hoje por aí nas pontas dos pés – Afetos tirados a ferrinhos – mas não poderá reclamar originalidade. Quando Francisco Assis, no contexto da disputa com Seguro para secretário-geral em 2011, apontou para o “imenso magma de afectividade” que o seu adversário se preparava para despejar na política nacional, estava a dizer tal qual: que Seguro intentava substituir o discurso político por um registo que se encontra nos líderes religiosos, e tão mais presente quão mais frágil for a influência da doutrina. Uma espécie de Síndrome de Jerusalém a descer ex machina no Largo do Rato.

Para medirmos a gravidade da presente situação, basta olhar para o mesmo Francisco Assis, disposto a trocar a sua credibilidade e reputação por um poiso no Parlamento Europeu. O mesmo para Alberto Martins, subitamente tomado pelo odor a santidade que Seguro espalha pelos ares de cada vez que abraça e beija um espécimen da turba-multa. Daí não fazerem apelos à racionalidade no seu argumentário mas ao moralismo. Isto porque racionalmente a posição de Seguro é indefensável. Mas não só a posição, também a conduta e a postura. Nada se salva em Seguro, nada de nadinha de nada. Pelo que resta o apelo à emoção, a farsa da vitimização farsola.

Imaginando que Seguro vence as primárias, quem dos actuais militantes, sejam celebridades ou desconhecidos, vai querer pertencer a um partido cujas bandeiras são o ataque aos corruptos socialistas que governaram de 2005 a 2011 e o ataque a Lisboa? Que é isto? Que demência é esta? Mesmo no mero plano de uma retórica eleitoral que depois dará origem a abraços de reconciliação e lugares negociados para listas disto e daquilo, o PS irá sobreviver a uma estratégia kamikaze?

A recente declaração de Seguro a propósito do pedido de maioria por António Costa ultrapassa aquele limite a partir do qual passamos a cúmplices quando não a denunciamos. Disse isto:

O líder socialista reagia a declarações de António Costa no encerramento da convenção "Mobilizar Portugal", no sábado, em Aveiro, onde garantiu que "o PS pretende governar com uma maioria absoluta, porque é necessário estabilidade para criar um Governo forte, que permita fazer a mudança que é necessário fazer".

"É curioso, porque, em abril do ano passado, no encerramento do congresso do PS, eu tive a oportunidade de dizer que essa é a ambição do PS", afirmou António José Seguro, durante uma visita à Feira Regional de Oliveira do Hospital (ExpOH).

Por isso, deixou uma sugestão a António Costa: "Que não repita mais aquilo que eu tenho andado a dizer, nem aquilo que são as posições do PS e que diga qualquer coisa de diferente e de novo".

Seguro pede a Costa que deixe de o imitar

Quem se oferece assim em sacrifício público, seja porque se imagina a palrar no meio de alimárias, seja porque já não toca com os pés na terra, perdeu a noção. Se ver Costa a pedir uma maioria absoluta lhe permite invocar a sua pessoa, um dia destes Seguro acusará Costa de o estar a imitar por este se dizer socialista, coisa que ele já terá anunciado um ano antes. Costa que diga algo diferente e de novo; por exemplo, que já não é socialista, que passou a ser antivivisseccionista. E vai terminar com Seguro a declarar que se sente perseguido e copiado por Costa falar em português. Ocasião que Eurico Brilhante Dias irá aproveitar para lançar no Facebook a pergunta fatal: “E se Ricardo Salgado contar tudo o que sabe acerca da relação de Costa com a língua portuguesa?”

Žižek irritado com os comunas portugueses

Já têm 2 anos, pelo menos, mas estes 6 minutos são cristalinos quanto ao erro sistemático da esquerda imbecil: recusar a negociação. Ao recusar a negociação, o prémio é a manutenção da pureza fanática. Mas o preço é a ausência, a nulidade, o falhanço absoluto na defesa daqueles que alegam querer defender.

Slavoj Žižek usa o exemplo de Obama no combate pelo sistema de saúde pública norte-americano como paradigma do que é um pensamento da esquerda inteligente e corajosa. E é de um simples processo intelectual que está a falar, a simplicidade de usar o bom senso. A simplicidade de conseguir escolher entre 1 e 0. Ou mesmo entre 2 e 1.

No caso da esquerda pura e verdadeira portuguesa, e sua delirante convicção de que o “povo” está agradecido pelo sua recusa em partilhar responsabilidades governativas, é ainda mais simples: trata-se de conseguir escolher entre quem se contenta com a cassete e quem tem alma de compositor.

Revolution through evolution

Dog Jealousy: Study Suggests Primordial Origins for the ‘Green-Eyed Monster’
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The 92 percent clean plate club: You’re not alone in eating everything on your plate
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‘Moral victories’ might spare you from losing again
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Smarter than a first-grader? Crows can perform as well as 7- to 10-year-olds on cause-and-effect water displacement tasks
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Greater odds of adverse childhood experiences in those with military service
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Background TV can be bad for kids
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Books, videos and other ‘experiential products’ provide same happiness boost as life experiences

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O erro de Sócrates

Errar é humano, errar muito é sinal de que se exerce ou exerceu o poder. Não precisa de ser um poder político. Os pais erram. Os amantes erram. Os amigos erram. Os gestores erram. Os patrões erram. E os professores, os polícias, os militares, os juízes e os médicos erram à fartazana. Até Einstein errou (e não foi pouco).

Coincidindo com uma crise que só comparava na sua dimensão e gravidade com algo acontecido 70 anos antes, agravada por uma outra crise nascida da primeira que se apresentava absolutamente original, começou a ser exigido a Sócrates que reconhecesse os erros. Os seus tão grandes erros. Só que o primeiro-ministro de então tinha outra ideia: frustrar o desejo de humilhação que os seus imensos adversários alimentavam em crescente fúria. Terá essa atitude sido um erro?

Quando se acusa um governante ou ex-governante de ter errado, três possibilidades semânticas podem ocorrer:

a) O erro ser técnico. Por exemplo, ter-se enganado nalgum cálculo orçamental que tenha gerado um qualquer prejuízo. Nesse caso, o suposto erro revelaria incompetência.

b) O erro ser aferido a posteriori. Por exemplo, ter feito um investimento num porto e ele mostrar-se ruinoso por não ter conseguido captar mais trânsito de navios e mercadorias. Nesse caso, o suposto erro revelaria incapacidade.

c) O erro ser de tipologia ideológica. Por exemplo, apostar na Educação e na Segurança Social, canalizando para aí parte importante dos recursos. Nesse caso, o suposto erro revelaria uma natureza maligna.

Quem acusa políticos recorrendo à arma dos “erros” está sempre em pelo menos um destes registos, mas o mais provável é que a acusação reúna e misture os três. Quão mais emocional, sectária, fanática, desinformada, analfabeta e estúpida for a cabeça que faça a acusação, mais provável é que não haja qualquer possibilidade de discernir e discutir o que se aponta como “erro”. É deste modo que se formam e mantêm os bodes expiatórios, através da matilha dos broncos. Sócrates foi, e assim permanece, como o mais famoso bode expiatório da democracia portuguesa.

Ninguém pede a Cavaco para assumir erros. Quer isso dizer que a sua governação está isenta deles? E que dizer da sua presidência, esse nobilíssimo exercício da mais alta concepção do Estado e do papel de protector da Constituição? Ninguém pede a Barroso, Santana ou Ferreira Leite para se mandarem ao chão em pranto e rasgarem as vestes por causa dos erros cometidos. E que dizer de Passos? Um ingénuo diria que o actual primeiro-ministro dá azo a alguns pedidos para reconhecer os seus erros. Ou será que Passos não errou quando recusou o PEC IV, quando fez uma campanha eleitoral onde mentiu do princípio ao fim e de alto a baixo, e quando foi além da Troika no empobrecimento dos portugueses só para acabar sem ter atingido os propalados objectivos da regeneração nacional? Tendo em conta que ninguém lhe exige tal coisa, pode ser que o Pedro não tenha errado. Quem estará a errar somos nós, os que ainda não emigrámos.

Como se vê acima, Sócrates admite poder ter errado na forma como lidou com os professores. Admite, sem acrimónia nem ressentimento, que Costa possa ter razão. Noutras ocasiões, já admitiu que errou ao aceitar ir para um Governo minoritário. Na campanha de 2009, disse ter errado ao ter desinvestido na área da Cultura. Ao mesmo tempo, vai repetindo o óbvio: que é impossível governar sem que alguém, seja lá quem, por alguma razão, seja ela qual for, considere que a governação errou aqui e ali. Logo, por que caralho havia ele de ser a excepção? O assunto é absurdo se tomado fora do seu contexto. Ora, o seu contexto não é o de uma investigação regida pela honestidade intelectual dos acusadores. Ninguém de ninguém, incluindo políticos, jornalistas e académicos, se mostrou interessado em reflectir fora das agendas ideológicas o período de 2008-2011 no que respeita à governação e ao papel da oposição e do Presidente da República. Mesmo os economistas que se declaram à esquerda do PS, e que desmontam a retórica da direita quanto às origens da crise, não têm o mínimo interesse em dizer algo que valide a racionalidade das decisões de Sócrates em 2010 e 2011, pois isso seria o equivalente a saltar para a cama do inimigo de estimação. A pressão para Sócrates reconhecer os “erros” não passava da normal luta política para o diminuir na sua liderança e carisma. O óbvio do óbvio.

Acontece que estamos em 2014 e Sócrates não sai de cena, a causa não estando nos seus minutos na RTP. Mesmo sem essa rubrica, ele continuaria a ser usado como arma de arremesso pela direita, grupo onde se encontra Seguro por adesão voluntária. Há toda a vantagem para este grupo em explorar até aos limites do possível a campanha de ódio contra Sócrates pois ela é, simultaneamente, uma campanha contra o PS que pode vir a ser Governo e um disfarce para o real programa de ataque à herança do 25 de Abril que vem a ser feito por Passos&Portas. Nesta situação, devemos apontar um erro a Sócrates.

Este: achar que se pode limitar aos seus 20 minutos semanais onde faz uma prelecção. Essa presença é um fracasso quanto à captação da opinião pública para a sua versão dos acontecimentos. Pelo que é necessário mudar de táctica e colher a lição do que aconteceu com o José Rodrigues dos Santos. Foi graças à estultícia desse jornalista, achando que ia bater em mortos, que foi possível ter um dos melhores momentos de esclarecimento, e convencimento, da audiência nesse espaço televisivo. É esse o palco que Sócrates deve procurar, o do confronto com os seus acusadores. Quem não gostaria de ver Sócrates a debater com Nuno Melo, Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Lobo Xavier, Aguiar-Branco, Carlos Abreu Amorim e sei lá quem mais? Seriam espectáculos imperdíveis.

E eles aceitariam? Eis o erro de Sócrates, não estar a desafiá-los directamente, obrigando-os a entrar no jogo da Verdade ou Consequência.

Vamos lá a saber

Quem é que está convencido da versão (mas que pode bem ser a verdade dos factos) em que 6 jovens universitários são apanhados por uma onda no Meco e morrem afogados sem que estivessem sujeitos a qualquer outro constrangimento?

Declaração de voto

A objectividade é a qualidade da relação com uma qualquer realidade que se mantenha conceptual ou observavelmente idêntica a si própria independentemente da subjectividade dos agentes. Assim, temos um objecto quando o reconhecemos distinto do sujeito gnoseológico, de todos os sujeitos cognoscentes individuais. “1+1=2” é um exemplo iniciático do modelo da objectividade porque se reconhece imediata e universalmente que essa operação aritmética conduz sempre ao mesmo resultado seja qual for a idade, sexo, local de nascimento, cor da pele, estado emocional, adesão ideológica, crença religiosa, escolaridade, orientação sexual, condições financeiras, estatuto social, clube desportivo, estilista favorito ou preferências gastronómicas do sujeito que fizer o cálculo. A ciência é a procura incessante da objectividade, a política não.

Façamos o exercício de procurar a objectividade na relação com o excerto acima, recolhido no programa Quadratura do Círculo de 10 de Julho de 2014. Objectivamente, o que é que ele nos mostra além e aquém de qualquer dúvida, aquém e além de qualquer idiossincrasia do ocasional espectador?

Isto:

– António Costa a discorrer sobre o “alinhamento estratégico” dos Governos com algumas entidades empresariais, o que considera legítimo, e a diferença desta prática face à “promiscuidade de interesses“, que considera inaceitável e gravíssima, apresentando exemplos concretos de ambos os casos.

– Lobo Xavier a desafiar António Costa para falar da “comunicação social“, ficando entendido que já antecipa o que vai ser dito ou, a nada ser dito, que esse silêncio confirmará o que o próprio Lobo Xavier teria a dizer sobre o assunto.

– António Costa a dar como exemplo concreto de uma promiscuidade de interesses a tentativa de um Governo levar um grupo económico a comprar ou vender um órgão de comunicação social só para determinar a sua linha editorial. De seguida, faz equivaler essa situação com a da imprensa económica na mão de grupos económicos que por essa via espalham uma doutrina económica do seu interesse.

– Pacheco Pereira a declarar que António Costa está a falar de Sócrates quando refere a tentativa de compra ou venda de órgãos de comunicação social só para lhes mudar a linha editorial, o que não é desmentido.

– Lobo Xavier a elogiar enfaticamente a referência à comunicação social feita por António Costa, cujo subtexto confirma que entende o primeiro exemplo como sendo relativo a Sócrates e ao caso “Face Oculta”, e nada dizendo a respeito do segundo exemplo relativo à imprensa económica e sua agenda.

– António Costa a teorizar sobre a diferença entre o tratamento que a direita dá aos seus no meio empresarial e o que reserva para quem venha da área do PS para as empresas. Aqui, Armando Vara é atacado por Lobo Xavier e Pacheco Pereira e António Costa não o defende.

– Lobo Xavier a voltar ao assunto da “promiscuidade de interesses” para o agravar e expandir. Diz que Seguro faz as mesmas acusações que António Costa acabou de fazer, tendo como alvo exclusivo os Governos do PS entre 2005 e 2011. Diz que “boa parte” dos apoiantes de Costa são cúmplices, ou autores, de múltiplas e constantes operações que visavam controlar a banca, a PT e os jornais, pelo menos, no tempo em que Sócrates foi primeiro-ministro. Perante estas acusações, António Costa fica calado.

Programa terminado, dir-se-ia que um furação estava a poucas horas de entrar pela barra do Tejo. António Costa, dito socrático ou testa-de-ferro dos socráticos, tinha confirmado tudo o que a direita havia dito que Sócrates fizera ou mandara fazer a respeito da eventual compra da TVI pela PT – portanto, tinha dado como fundada em factos indesmentíveis a tese do procurador e do juiz de Aveiro, os quais alegaram ter descoberto um atentado ao Estado de direito graças à espionagem feita a Sócrates, Vara e outros. Se até este figurão socialista o admitia, ainda para mais sendo o novo íman dos “socráticos”, então era a prova provada da culpa de Sócrates. Bomba antónia!

Só que, para espanto dos ingénuos, apenas uma levíssima e efémera brisa agitou o espaço público, com o i a ser a única voz da imprensa (que eu saiba) a ter dado atenção ao episódio: António Costa demarca-se de Sócrates, desta vez no Face Oculta. Na entrevista feita pelo Público a Costa, saída neste domingo, não se toca nele. E no regresso de Sócrates à RTP, nele não se tocou. Para a surpresa, já perplexidade, ser ainda maior, o circuito do ranho (Correio da Manhã, Blasfémias, 31 da Armada, Insurgente e tutti quanti) não explorou esta oportunidade de ouro para voltar a crucificar Sócrates e o PS. Nunca se viu no Entroncamento fenómeno parecido. Que se está a passar?

Continuar a lerDeclaração de voto

DN, o “Correio da Manhã” do jornalismo de referência

A tentativa de implementação dessa medida [a avaliação] por Maria de Lurdes Rodrigues, que nem sugestões, relevantes mas moderadas, de alteração ao seu projeto acolheu, acabou por redundar na sua própria fragilização. Seguindo a terceira lei de Newton, a ação da então ministra da Educação provocou a inevitável reação - expressa numa condenação generalizada por parte dos professores e simbolizada em gigantescas manifestações. A ministra acabou por sair.

Editorial do DN, Julho de 2014

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Em conferência de imprensa, ao lado do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, Maria de Lurdes Rodrigues começou por explicar que «foram ouvidas todas as escolas». «Identificámos três grandes áreas de problemas para as quais propomos medidas», disse.

O primeiro desses problemas apontados, sobre os quais vão incidir as alterações ao actual modelo, foi «a existência de avaliadores de áreas disciplinares diferentes entre avaliadores e avaliados». A segunda é a existência de burocracia excessiva. Finalmente, foi identificada uma sobrecarga de trabalho no processo de avaliação para os professores.

Este conjunto de medidas, segundo a Maria de Lurdes Rodrigues, «visa prosseguir com a avaliação, melhorando em muito as suas condições» e não significa um recuo no actual modelo de avaliação.

Ministra da Educação apresentou versão simplificada

A nova política de Seguro já tem uns aninhos

Nós temos de derrotar a velha política e substituí-la pela nova, que é falar verdade aos portugueses e dizer que só podemos prometer aquilo que temos a certeza de podermos cumprir.

Seguro, 2014

É fundamental falar verdade aos portugueses, porque falando verdade eles têm comportamentos que são consistentes com os objectivos que queremos alcançar. Tendo uma boa informação, cada um comporta-se e tem uma atitude coerente.

Cavaco, 2010

Eu acho que aquilo que falta efectivamente é falar verdade às pessoas. Provavelmente, o engenheiro Sócrates, neste momento, não fala verdade nem com ele próprio.

Manela, 2009

Não faço promessas que não tenciono cumprir.

Manela, 2009

A esquerda demasiado grande

O que se está a passar no BE teve a primeira manifestação pública no Verão de 2009, quando Louçã reagiu descontroladamente ao rumor de que o PS tinha convidado Joana Amaral Dias para entrar nas listas de candidatos socialistas às legislativas desse ano. O Napoleão da “esquerda grande” apareceu transtornado frente aos jornalistas a garantir que tinha sido Sócrates – em carne e osso – quem tinha tentado seduzir a miúda para o inferno burguês e capitalista do Rato. Não tinha, foi Paulo Campos quem levou com a tampa. O essencial do episódio, porém, não está na manobra do PS, antes na exibição dos traços megalómanos e paranóides de Louçã. Só não viu quem não quis ver, e a Joana viu.

Entende-se sem esforço o processo que leva Louçã para o cárcere do ressentimento e do rancor. Este homem acreditou piamente que ia chegar lá, aos amanhãs que dançam. No discurso triunfal proporcionado pelos resultados eleitorais de 27 de Setembro de 2009, indiferente às causas circunstanciais de tal fenómeno, foi anunciada uma revolução em curso:

"Começa um novo dia para a Esquerda portuguesa. Retirar a maioria absoluta ao PS é muito importante e é importante que isso faça uma grande diferença na política nacional."
Fonte

Viu-se bem, oh como se viu, a grande diferença que a retirada da maioria absoluta ao PS trouxe para a política nacional. Um ano e meio depois, o novíssimo dia da esquerda portuguesa atingiu o zénite precisamente a 23 de Março de 2011. Foi o dia em que os deputados do BE e PCP viabilizaram a entrega do poder a Passos e Relvas. As diferenças, as disparidades e os desequilíbrios em Portugal não têm parado de aumentar desde essa data, de facto.

Joana Amaral Dias, Rui Tavares, Daniel Oliveira e Ana Drago foram ao longo de vários anos, de diferentes formas, os rostos mediáticos do sucesso de Louçã. Falta só nesse grupo o Miguel Portas, que talvez ninguém saiba o que estaria agora a dizer e a fazer perante a desagregação do Bloco. O que é certo é que eles protagonizaram uma estratégia que convinha à esquerda pura e verdadeira e à direita, a do desgaste do PS nos segmentos jovens e urbanos. Louçã imaginou-se o sultão dos jovens turcos e, depois da manipulação dos professores numa campanha de ódio, já tinha a espada afiada para decapitar o PS e levar a sua cabeça numa travessa ao PCP. Acaba abandonado pelas suas estrelas de outrora e a projectar nelas o que, no fundo, sempre foi neste país de poucos líderes com o seu carisma: um ogre narcísico com mais barriga do que visão.

Lavoisier sim, Sócrates não

Ainda continuando a vasculhar o debate sobre o estado da Nação do passado dia 2, nele se encontra uma boa intervenção de Alberto Martins, onde lista os efeitos reais das opções do Governo. Mas nesse discurso há um momento caricato que simboliza a aberração em que se encontra o PS – portanto, em que se encontra a oposição. Ocorre quando Alberto Martins se limita a registar uma evidência, a de que o propalado sucesso das exportações na actualidade se funda, principalmente, nos investimentos feitos na governação de Sócrates. Perante esta verdade, a malta da Política de Verdade reage como aprendeu em casa e nos colégios finos: ri à gargalhada. O riso como arma de agressão é quase sempre eficaz, pois está a desqualificar, em simultâneo, a questão e o questionador. Terá Seguro, um homem que se orgulha de ter aplaudido o comício de Cavaco na Assembleia da República onde se pediu a cabeça de um primeiro-ministro socialista através da rua, ido em socorro do seu prestigiado apoiante e líder da sua bancada? Ver para ouvir.

Sim, é possível a unidade da esquerda

Estes 6 minutos do último debate sobre o estado da Nação são iguais a dezenas, se não forem centenas, de outros ocorridos no Parlamento na presente legislatura. Nele vemos Passos, um tribuno de 4ª categoria, a despachar Seguro como quem vira mais um frango. As imagens mostram que esse achincalhamento é tanto do agrado de Passos como de Seguro, ambos expressando o seu prazer através de genuínos sorrisos de cumplicidade e satisfação. Eles chegaram lá, são comparsas de geração e estilo. E mandam nisto.

Qual o motivo para o gozo mútuo? O estado da Nação. Isto é, o empobrecimento de milhões de portugueses, a emigração de centenas de milhares de jovens portugueses, o desemprego de mais de 1 milhão de portugueses, as incontáveis desgraças que as crises económicas, financeiras e políticas causam em Portugal desde 2008. Perante essa paisagem devastada, Passos e Seguro entretêm-se a preparar o seu futuro imediato enquanto brincam à política.

Uma parte das legislativas de 2015 pode ser já antecipada sem medo de falhar. PSD e CDS vão repetir à exaustão durante a campanha eleitoral exactamente o que Passos nestes 6 minutos diz na cara de Seguro:

– Que o PS levou o País à bancarrota.
– Que foi Sócrates quem chamou a Troika.
– Que os sofrimentos causados pelo resgate são da responsabilidade do PS.
– Que PSD e CDS conseguiram salvar Portugal.
– Que todos os indicadores positivos da economia no presente são da exclusiva responsabilidade do PSD e do CDS.
– Que Seguro concorda com a culpa de Sócrates e do PS pelo que aconteceu, acontece e aconteça de negativo em Portugal.

O facto de esta cassete andar a ser repetida diariamente no Parlamento desde princípios de 2012 – excepção para a adesão entusiasmada de Seguro à tese da culpa socrática, que só depois de recentemente ter saído da gaiola foi verbalizada – diz mais do actual PS do que do Governo e da direita. Porque é o PS que permite a Passos continuar a rir só por meter Seguro no bolso e emporcalhar os socialistas e a sua História sem sofrer consequências. Bastaria que alguém na bancada do secretário-geral lembrasse a Passos, de cada vez que se imagina a bater em mortos, que ele é o maior mentiroso de longe e de sempre na democracia portuguesa, e que foi ele quem traiu o interesse nacional ao esconder que dependia da vinda da Troika para aplicar o seu plano de ataque ao Estado social, para que o traste ambulante começasse a ter de encontrar outra forma de ocupar o seu tempo quando vai ao Parlamento matar saudades do amigo Seguro.

Na verdade, nem teria de ser alguém do PS, poderia ser um valente do PCP, do BE ou mesmo a Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia. Como ninguém o faz, concluí-se que a esquerda está finalmente unida à volta de uma posição comum: o apreço, quiçá respeito, pela cassete da culpa socrática e do heroísmo de Pedro&Paulo.