Arquivo da Categoria: Valupi

Arte do engano

«Daquilo que tenho mais ouvido, desde camaradas do PS até cidadãos que me abordam na rua, é dizer que isto [candidatura de António Costa à liderança do partido] não é justo, isto não pode ser aceitável num partido democrático», disse o dirigente socialista.

O dirigente socialista lembrou que só promete aquilo que tem a «certeza absoluta» de poder cumprir porque, disse, «alguns confundem a política com a arte do engano».

«Foi por causa de terem feito no passado promessas que sabiam que não podiam cumprir que hoje há centenas de milhares de portugueses descontentes e que não acreditam na política e nos políticos em Portugal», considerou.

Seguro diz que PS devia estar «exclusivamente» concentrado a combater Governo

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Seguro não pára nem descansa, qual barata tonta. Aqui o temos a dizer que Costa é injusto e não é democrático, como se não houvesse amanhã após as primárias. Aqui o temos a falar de “certezas absolutas” em política, e logo a respeito de promessas a cumprir num futuro indefinido. Aqui o temos a disparar contra alvos não nomeados, os quais acusa de serem mestres do engano.

Pensemos um bocadinho nisto. Que leva Seguro a não nomear a malandragem que (não) denuncia? Não seria melhor, por todas as razões e mais algumas, que o rei da transparência e da ética chamasse os bois pelos nomes?

Acontece que há muitas vantagens na retórica difamatória e caluniosa genérica, como qualquer taxista sabe de ginjeira. Uma delas é a de ninguém se poder defender, pois quem o fizesse estaria a enfiar o barrete. Uma outra é a de Seguro nada ter de explicar ou provar, continuando a alimentar o seu culto de personalidade onde pretende ser reverenciado como um santo. Ainda uma outra é a de cavalgar manobras caluniosas recentes na memória pública cuja lógica aviltante fosse igual. Assim, a figura que imediatamente ocorre é Sócrates, sujeito a campanhas de ofensa à honra como nunca se tinham visto em Portugal sob o pretexto de ser corrupto, mentiroso e de não cumprir promessas. Este nexo tem sido explorado por Seguro e os seus, com o aplauso febril dos direitolas, na colagem que fazem entre Costa e Sócrates.

Mas talvez o mais extraordinário da sonsice de Seguro no seu afã de destruir o PS seja o facto de poupar Passos. Alguém que atira em todas as direcções com munição calibre “arte do engano” e não acerta no elefante laranja mesmo à sua frente tem de ser um grande habilidoso. Precisa é de ir mostrar as suas habilidades para o circo e entregar o partido a quem o respeite.

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Seguro tóxico

"Nas sondagens que me dizem diretamente respeito, fico satisfeito em termos pessoais, mas não posso deixar de lamentar a descida do PS. Até esta crise que aconteceu no Partido Socialista por iniciativa do António Costa, o PS esteve sempre a subir nas sondagens e é muito fácil verificar de quem é a responsabilidade", declarou hoje à noite aos jornalistas, em Aveiro.


Seguro responsabiliza Costa por descida nas sondagens

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Não pode ser apenas por aspectos ligados à personalidade. Nem pode ser apenas por razões ligadas à inteligência. Esta insistência de Seguro no ataque de carácter a Costa exibe um sonso particularmente estúpido. Sonso porque segue as tácticas daqueles que tentam emporcalhar a política reduzindo-a a supostas questões de moral, e estúpido porque muito provavelmente não terá qualquer ganho interno com o apelo ao ódio. Mas especialmente sonso e estúpido porque, calhando vencer, o triunfo da sua decadência tornaria o Partido Socialista irreconhecível e destinado à fragmentação ou implosão.

Esta característica de não se querer assumir as suas responsabilidades está presente em muitas dimensões e esferas da vida quotidiana, da vida de todos nós. É inevitável em comportamentos criminosos e patológicos. Consoante o grau e a tipologia, define o nosso carácter e é o critério das relações que queremos, ou não queremos, manter com terceiros. Ao justificar uma descida nas sondagens – cuja causa Seguro não tem possibilidade de explicar sem um estudo que não fez nem irá ser feito; e que pode ter na sua origem os mais diversos factores, a começar pela qualidade da sondagem e a acabar na sua prestação enquanto Secretário-geral – com a iniciativa de Costa, a qual é essencial e bondosamente política, Seguro opta por repetir a estratégia da direita contra o PS ao longo dos últimos 6 anos.

Não sei o que pensarão os militantes e simpatizantes socialistas, grupos a que não pertenço, mas nesta altura já não é possível continuar ao lado de Seguro e não estar a ser contaminado pelas suas pulhices.

Democracia anedótica

[...] Cavaco Silva não distingue as suas funções entre chefe de um estado e as do simples cidadão que se ofende com as críticas e deixa de falar a quem o destratou. O Cavaco cidadão tem o direito de virar as costas a todos os portugueses que dizem mal dele (que, a avaliar pelas sondagens, já são mais que muitos). O Cavaco Presidente da República tem uma instituição a servir e o Estado a representar. Ao recusar emitir o tradicional comunicado oficial (repetido cada vez que qualquer português ganha um prémio de relevo), Cavaco Silva demonstra que não é um institucionalista, como não foi institucionalista ao faltar ao funeral de Saramago, como não foi institucionalista ao fazer uma comunicação ao país em horário nobre sobre as anedóticas “escutas de Belém”. [...]


Ana Sá Lopes

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Qual é a influência de um jornal? Qual é a influência do i? E qual é a influência da opinião da sua directora? Na ausência de qualquer métrica conhecida a respeito, a resposta tende para o zero neste afunilamento. O que Ana Só Lopes escreve terá um poder de influência residual, seja qual for o critério. Ao mesmo tempo, uma mensagem veiculada num jornal, mesmo que seja o i, e mesmo que seja assinada por Ana Sá Lopes, tem alguma e incontornável importância. Nem que seja tão-só a de ser amostra sociológica.

Ana Sá Lopes é de esquerda. Não faço ideia se o rótulo adequado a essa esquerda é “radical”, “extrema”, “verdadeira”, “pura”, “idealista”, “esquerda da esquerda”, “esquerda que acha que o PS é de direita” ou “esquerda que também odeia o Sócrates”. Provavelmente, terá um outro nome que a minha ignorância mantém à distância. Mas lá que é de esquerda, uma esquerda intelectualmente robusta e opinativa, isso é factual. Ora.

Pois. Então, repare-se como a Inventona de Belém é tratada como um episódio anedótico. A 1 mês de umas eleições legislativas, e a 2 de umas eleições autárquicas, é lançada por um jornal de referência a suspeita de que o Governo de Sócrates espiava o Presidente da República e a Casa Civil. Esta notícia surgia na sequência de uma prolongada e furiosa campanha de difamações, calúnias e assassinato de carácter cujos alvos eram Sócrates e qualquer um que tivesse proximidade política ou familiar com ele. Conferindo-lhe toda a credibilidade, na sequência da publicação das suspeitas não é emitido qualquer desmentido por parte da Presidência da República. Pelo contrário, o silêncio de Cavaco leva a máquina das campanhas negras a explorar quanto e como pode a situação. Até uma amiba percebe o que está a acontecer: o resultado das eleições vai reflectir o alarme público gerado, e mantido, pela Casa Civil em conluio com o Zé Manel.

Ana Sá Lopes, ao reduzir a um devaneio estival inconsequente essa parte da nossa História, a qual se liga directamente com a estratégia que levou esta direita putrefacta para o poder, está a expressar um sentimento de completo desprezo pelo Estado de direito e pela democracia liberal. Mas não está sozinha, longe disso. Qualquer elemento ligado ao PCP e BE repetiria com rigor geométrico a sua posição face ao sucedido. Para estes valentes, ver um Presidente da República conivente, se é que não foi mandante, de um plano para deturpar actos eleitorais é do domínio do risível. Coisas lá deles, da direita, a brincarem uns com os outros enquanto não chega a ditadura do proletariado.

A puta da verdade, porém, continua cristalina: muito deve esta direita a esta esquerda – tanto que sem a cumplicidade de uma a outra não estaria agora a demolir a herança de Abril.

A notícia não é o “recebeu”, é “pela primeira vez”

Papa recebeu pela primeira vez vítimas de padres pedófilos

O papa Francisco recebeu hoje, pela primeira vez no Vaticano, seis vítimas de padres pedófilos, anunciou a Santa Sé.

O grupo - dois alemães, dois britânicos e dois irlandeses - foram recebidos pelo papa na Casa de Santa Marta, onde Jorge Mario Bergoglio residiu desde que foi eleito em março de 2013. O encontro foi precedido por uma missa na capela do papa.

Francisco anunciou este encontro, muito privado, no final de maio. As associações de vítimas aguardavam a realização deste encontro e mostraram-se surpreendidas por não ter ainda acontecido, considerando que o Vaticano não tinha feito o suficiente na luta contra a pedofilia.

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Costa e a verdadeira tralha socrática

Os episódios de Álvaro Beleza e de Isaura Martinho, se outros méritos não tivessem, serão de inclusão obrigatória num futuro estudo da estratégia da direita para chegar ao poder em 2011. Tendo consistido apenas numa campanha de ódio começada em 2008, a que se acrescentou o arsenal clássico do logro eleitoralista para obter os efeitos desejados, reuniu um albergue espanhol de bestas raivosas felizes da vida por terem um osso enorme para roer. Mas que pensava a esquerda pura e verdadeira, a qual alinhou febril com os direitolas, que iria acontecer depois de conseguirem derrubar o homem? Não pensava, é a resposta. E cá estamos no pós-socratismo.

Ao recuperar essa estratégia, Seguro não acrescenta uma caloria ao que conhecemos de Sócrates ou ao que deva ser avaliado. Fica é à prova de estúpidos a evidência de que o único propósito da exploração do fantasma socrático, antes como agora, na direita como na esquerda, consiste na pulsão caluniosa. Assim, Costa aparece como alvo porque alguns dos que o apoiam já apoiaram Sócrates. Não é preciso dizer mais nada. Aliás, é preciso é que nada mais seja dito, não vão os broncos que consomem essa ração começar a fazer contas de cabeça.

Costa seria então o socrático que não só nunca atacou Relvas no auge das polémicas em que esteve envolvido como até o elogiou. Costa seria então o socrático que decidiu ajudar o Correio da Manhã a vender mais do seu belo produto e que aceitou meter ao bolso o dinheiro obtido dessa bela maneira. Costa seria então o socrático que gosta de ver Campos e Cunha ao seu lado na apresentação da candidatura a secretário-geral do PS. Mas que socrático tão sui generis este Costa. Que se seguirá? Costa a convidar a Helena Matos para um jantarinho público? Costa a contratar a Moura Guedes para directora de campanha? Costa a tirar uma selfie com o Crespo?

Já faltou mais, Jerónimo e Bernardino

Um dos ataques de carácter dirigidos a Costa consiste em alegar que a sua decisão de concorrer à liderança do partido resulta de estarmos perto das legislativas, sendo essa proximidade a prova de que apenas o poder pelo poder o motiva. Costa como “oportunista”, repetem raivosos os tenentes e arraia-miúda de Seguro. Este processo de intenções vem acompanhado pelo choradinho de que Seguro se sacrificou ao concorrer em 2011, tendo sido com grande custo que exerceu a função após tão pesada derrota do PS socrático.

Ora, acontece que ninguém se lembra de alguma vaga de fundo em ordem a levar um renitente Seguro a sair da toca para vir tomar conta de um partido desesperadamente carente da sua visão e coragem. Foi precisamente o contrário que se testemunhou, tendo ficado para a história das figuras tristes a sofreguidão descontrolada com que Seguro, na própria noite eleitoral de 5 de Junho, começou a reclamar deter um direito especial a ocupar o lugar vago. Eram 30 anos a colar cartazes, explicou para o caso de alguém não estar a perceber a situação. Mas mesmo que ele tivesse chegado à corrida para secretário-geral a pedido de muitos chefes de família, isso continuava a não lhe dar o estatuto de proprietário do PS. A democracia é o tal regime onde todo o poder pode ser alterado pela mesma razão pela qual foi constituído.

O que há para dizer é outra coisa. Seguro teve 3 anos e um Governo além-Troika para construir uma liderança inquestionável e benéfica para os interesses da classe média e dos pobres. Não o conseguiu fazer e, de caminho, decidiu que vale mais do que PS. Caso venha a ganhar as primárias, irá constituir um grupo parlamentar feito deste material político e humano que reproduz as tácticas caluniosas e de baixa política da actual direita portuguesa. Provavelmente, nas legislativas seguintes o PCP obteria a maioria absoluta.

Uma Sicília de emoções

Para além do que o Miguel já apontou – Seguro reconhece que, em três anos, não conseguiu criar uma alternativa ao Governo de direita de Portugal – Celorico da Beira foi palco para mais uma exibição da pulsão populista a que Seguro se entrega por nada mais ter a que se agarrar. Veja-se o primarismo alarve desta oratória de 4ª categoria.

E lá veio, fatalmente, o ataque de carácter e o “imenso magma de afectividade”:

Quando questionado sobre o manifesto de 25 fundadores do PS à candidatura de António Costa, respondeu que valoriza "todas as expressões de manifestação e, neste caso concreto, aqui no distrito da Guarda"

Lembrou que há 19 anos foi cabeça de lista pela Guarda e "ver que estas pessoas continuam aqui lado a lado, significa que as palavras foram sempre honradas, que há uma relação de confiança e hoje é muito importante que entre os eleitores e os políticos exista essa confiança".

O secretário-geral do PS disse que na noite de sábado viveu em Celorico da Beira um "momento de emoção" com "tantos apoios, com tantos amigos e com a afirmação" do seu projeto.

Fonte

À evidência de estar a ser preterido por aqueles que fundaram e construíram o PS, Seguro dispara contra a honra alheia reclamando ser o único cujas “palavras foram sempre honradas“. Que quer isto dizer? Por um lado, que os seus adversários não são pessoas de palavra, assim discursando para a audiência externa. Por outro, que tudo o que ele prometer a alguém irá ser cumprido, assim discursando para a audiência interna. Sim, aterrámos na Sicília. Mas é uma Sicília de emoções, com tantos amigos.

Quem tem medo do passado?

A ideia de que há um culto de Sócrates entre um certo grupo de políticos e populares – os tais “socráticos” que o Vasco Pulido Valente, numa contagem psicadélica cuja origem a ciência devia já estar a investigar, estabeleceu corresponderem a “centenas” (mas quantas?!… oh, angústia…) de indivíduos – não encontra material que a sustente nem precisa. É uma caricatura ao serviço da chicana.

Em análogo sentido, a ideia de que haveria alguém a impedir a crítica da governação de Sócrates e seus ministros é igualmente uma invenção cujo propósito é tão-só o de fazer da permanente difamação e paranóia o cerne do combate político. Quem é que, de resto, poderia impedir qualquer exercício analítico sobre alguma coisa, fosse o que fosse? A sociedade ainda não se transformou num imenso Comité Central.

Pelo contrário, o que se constata é o benefício de não criticar a história da política nacional de 2005 a 2011 – portanto, de não discutir, de não ajuizar e de não valorizar positiva e/ou negativamente as decisões e os seus resultados. À direita, a vantagem de reduzir o debate a calúnias e ao fogo de barragem da “culpa” é evidente. O silêncio da esquerda pura e verdadeira vai pelo mesmo caminho, com o sectarismo a impedir o mínimo reconhecimento da vantagem para os interesses dos mais desfavorecidos de ter os socialistas a governar face ao que PSD e CDS fazem. A novidade está no que aconteceu dentro do PS, cujo actual secretário-geral poderia ter feito o debate sobre o passado recente logo que assumiu a liderança. Aliás, se ele fosse mesmo o que pretende ser, o anjo da transparência e da ética, teria levado a voto interno a sua visão crítica da obra do líder que pretendia substituir. Nada disso se passou, criando uma perversão que explodiu agora de forma degradante e violenta só porque se sente em risco de perder o lugar.

António Costa, há dias, criticou o “voluntarismo” das políticas de Sócrates na Educação. Para ele, o conflito com os professores devia ter sido evitado. Não se alongou no assunto, não se sabendo o que pensa da qualidade dos professores e da temática da avaliação. Nem se percebe se está a expressar uma convicção de fundo ou um utilitarismo cínico. Eis uma questão apaixonante, que levaria a horas, dias e meses de discussão. Claro que a tentativa de mudar a cultura disfuncional dos professores poderia ter sido evitada, e com isso até talvez se conseguisse repetir a maioria absoluta em 2009. Mas precisamente porque não foi evitada é que alguns, e bem mais do que umas centenas, estão orgulhosos do que Maria de Lurdes Rodrigues tentou fazer. Que Costa não fosse por esse caminho, é normal. Fica-lhe bem reconhecer que é mais prudente ou menos ousado, mais calculista ou menos apaixonado, do que Sócrates. Que abrir essa discussão, ou outra qualquer ligada a políticas concretas de Sócrates, fosse do desagrado daqueles que aprovam a governação anterior, é a tal ideia que define como acéfalo ou caluniador aquele que a reproduz.

Assim como vimos num célebre embate entre José Gomes Ferreira e Paulo Campos, onde todas as suspeições sobre as PPP estiveram em discussão aberta com o principal alvo das pulhices a dar o peito às balas, é o caluniador que não tem interesse em discutir a matéria da calúnia (Gomes Ferreira prometeu voltar à carga com Paulo Campos, mas tal nunca aconteceu). E, nos raros casos em que o aceite fazer, a sua intenção é a de continuar a caluniar, mesmo quando é exposto como caluniador. Lógica igual é norma nas comissões de inquérito parlamentar, réplica das tácticas de baixa política usadas no hemiciclo onde o que está em causa é boicotar uma qualquer investigação objectivante e impedir a retirada de conclusões intelectualmente honestas.

Nunca falha: quem tem medo do passado é o pulha.

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Seguro, o passaroco desasado

Resistir à tentação de responder à chungaria provocadora que Seguro ininterruptamente despeja é a melhor atitude para Costa e restante equipa. Essa contenção tem revelado em toda a sua glória a qualidade política, cívica, e até humana, daqueles que querem fazer do PS uma extensão da direita decadente que traiu e afundou Portugal. O episódio da Isaura Martinho, tão degradante que chega a causar vergonha alheia, foi legitimado pelos tenentes de Seguro, explicitamente, e pelo fundador da “nova forma de fazer política”, implicitamente. Depois disto, já não há desculpas para ninguém e a História fará o seu caminho.

Porém, o silêncio de Costa, quando se quebrar, terá de libertar um verbo implacável – sob pena de se estar a repetir a cobardia de Seguro, o tal passaroco à solta depois de 3 anos em auto-anulação dentro de uma gaiola, como o próprio fez questão de anunciar publicamente. É que a gravidade dos dislates nascidos da raiva de Seguro não pára de aumentar.

Na entrevista à Renascença, Seguro atacou o próprio partido que dirige usando o mesmíssimo argumento que a direita passou a usar quando se viu o desastre dos números além-Troika a surgirem, logo nos inícios de 2012: “Este é o Memorando de Sócrates, o PS é que negociou e assinou o Memorando, nós não tivemos nada a ver com ele e apenas estamos no Governo a cumprir ordens porque somos muito bons rapazes.” Até esse período, para os direitolas, o Memorando era o que de melhor poderia ter acontecido neste país, pois vinha aí a estranja pôr ordem na porqueira. Catroga ululante garantia ter sido ele quem tinha imposto o que de mais importante ia ser assinado e Passos assumia que entre o seu programa de governo e o Memorando havia menos diferenças do que entre dois gémeos monozigóticos. Aliás, acrescentava Passos na sua fúria demiúrgica, se havia algo a censurar era não se ter ido ainda mais longe e muito mais longe. Coisa que de imediato ele se encarregou de mostrar em que consistia. Ora, foi esta cassete que Seguro foi buscar e que faz sua. Como não é provável que algum jornalista o obrigue a explicar o que teria feito em 2011 com um acordo que evitava o resgate chumbado no Parlamento e com um Presidente da República a pedir à rua para derrubar o Governo, espero que ao menos Costa não tenha nenhum laivo de misericórdia nesta linha de fronteira onde não pode haver qualquer cedência. Se Seguro quer validar a retórica canalha da direita sobre a crise de 2008 a 2011, não pode ficar pedra sobre pedra até se tirarem daí todas as consequências para o futuro do PS.

Também nessa entrevista – para além da imagem ridícula, se não for já doentia, que dá de si como líder – Seguro acusa Costa de ser o responsável pela violência que sobre o mesmo Costa se tinha abatido por iniciativa dos apoiantes de Seguro. Esta faceta passivo-agressiva, vinda do propalado rei da transparência e da ética, não merece especial comentário. Por ser aquilo que grotescamente é. Merece só que não seja esquecida – nunca mais enquanto o passaroco almejar ter poder político.

No reino da estupidez

Paulo Bento descarta operar uma revolução no onze da Seleção Nacional para o jogo com os EUA, embora reconheça estar obrigado a introduzir alterações por força das lesões de Fábio Coentrão e Hugo Almeida e da expulsão de Pepe.

«Vamos ter que fazer alterações, e são várias. Estamos a falar de duas lesões e de uma expulsão. Reformular tudo o que diz respeito aos nossos processos seria, na minha opinião, o maior erro que poderíamos cometer.»

«Normalmente, é na adversidade que vemos quem somos. Teremos de ter a capacidade de lutar por esse objetivo e estou perfeitamente convicto que o faremos».


«Reformular tudo seria um erro» – Paulo Bento

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"O meu sentimento, hoje, é o mesmo do jogo na Suécia, quando vos transmiti [aos jornalistas] o orgulho e satisfação em estar na seleção nacional e a gratidão aos jogadores pelo que têm feito. Sei da minha responsabilidade e sei que em abril cheguei a um acordo com a FPF, que não tinha só a ver com os resultados no Mundial, mas também com os objetivos para o Euro 2016. Perante este facto, aconteça o que acontecer amanhã [contra o Gana], não me demito do cargo", vincou.


Paulo Bento recusa demitir-se e fica até ao Euro 2016

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Para o jogo com os EUA, Bento admitiu fazer alterações por razões de força maior, vá lá. Limitou-se a fazer aquelas a que estava obrigado, tentando mudar o mínimo possível o padrão de jogo da equipa. Depois, veio o jogo. Num golpe de sorte, há uma bola que é desviada por um americano directamente para os pés de Nani que estava em frente da baliza. Achando que ainda não era suficiente, o destino obrigou o guarda-redes dos EUA a mandar-se para o chão antes do remate, assim deixando a baliza toda aberta. Bento continuou igual a si próprio a ver a banda passar. E a banda passou. Só por lesão aceitou pôr em jogo o William Carvalho, que veio finalmente dar um meio-campo à equipa e que apenas falhou um passe, e só por desespero aceitou pôr em jogo o Varela, que marcou um golo com pés e cabeça. Portugal merecia ter perdido por tantos golos quantas as ocasiões flagrantes dos EUA.

Este Mundial é um desastre desportivo e profissional que se prepara, pelos vistos, para ficar sem responsáveis. Se assim acontecer, e pese a irrelevância da questão quando comparada com os problemas económicos e sociais que atingem a população, será mais uma machadada na dignidade deste país. Claro, tratando-se do mesmo país que aceita ter como Presidente da República um fulano que diz ao seu homólogo alemão que aprendemos “a lição dos últimos anos”, e também do mesmo país que aceita ter como primeiro-ministro quem enganou todo o eleitorado para assim poder empobrecer quase todos os portugueses, é caso para perguntar se este não será, afinal, o país onde Paulo Bento deve ser declarado seleccionador vitalício e mandar logo a seguir ao jogo com o Gana os jogadores que estão no Brasil para um estágio de preparação do Mundial de 2018.

Francisco Assis e Alberto Martins, cheguem aqui, faxavor

António José Seguro acusou, este domingo, António Costa de ter aberto, com o desafio à sua liderança, um "gravíssimo precedente" no PS e na vida democrática do partido. E recuperou o argumento de que agora "qualquer um pode fazer o mesmo".

Falando ao início da tarde, na Comissão Nacional do PS, que está a decorrer em Ermesinde, Seguro afirmou (de acordo com relatos de pessoas presentes na sala) que "o secretário-geral socialista está ferido na sua credibilidade", por haver quem considere que não tem condições para ganhar eleições.

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Seguro tem toda a razão. Havia no PS um acordo tácito, uma convenção, ou um dogma, que instituía a obrigatoriedade de só se concorrer contra um secretário-geral depois de ele disputar umas legislativas. Era assim que alguns explicavam o inexplicável recuo de Costa em 2013, depois de ter dado abundantes sinais de querer disputar a liderança. Um ano passou e Costa mudou de ideias. Porque um ano passou e a situação política nacional degradou-se ainda mais pela fraqueza, atestada nas eleições europeias, do PS. Tempos extraordinários pedem decisões extraordinárias, terá sido a lógica seguida desta vez.

Seguro podia ter optado por defender o partido e a comunidade, de caminho prestigiando a sua pessoa, caso tivesse aceitado com coragem e lhaneza ir de imediato para um congresso onde a disputa interna se resolvesse de vez e o partido saísse unido para os desafios de 2015 e 2016. Foi precisamente o oposto que preferiu fazer, de resto em coerência com o modo como chegou ao poleiro. A torrente de acusações escabrosas e difamatórias a que se tem dedicado desde que Costa anunciou que desta vez era mesmo a sério criou um clima de violência que está na origem do episódio no final da reunião da Comissão Nacional, em Ermesinde. Seguro, imitando a direita decadente, cavalga a cultura do ódio com a armadura refulgente da sonsice.

Veja-se a citação acima. Alguém que declara estar ferido na sua “credibilidade” – ainda por cima, dando-se o caso de não ter nenhuma para ser tocada, quanto mais ferida – está em concomitância a declarar que não pretende fazer acordos nem prisioneiros, que está disposto a uma guerra de terra queimada e destruição total. Assim, calhando Seguro ganhar as primárias e continuar como secretário-geral, qualquer resultado abaixo da maioria absoluta nas legislativas será sempre motivo para culpar António Costa e aqueles que a ele se juntaram neste momento. Deixou de haver espaço no partido para estes dois lados da contenda, é o corolário da atitude de Seguro e dos seus. O radicalismo de Seguro vem de uma soberba que a sua auto-elevação a purificador do PS e da política nacional anunciavam transparentemente muito antes de 2011. E, como se lê nos manuais de psicologia e de política, quem se imagina melhor do que os grupos a que pertence, e que manipula, acaba invariavelmente por espalhar violência à sua volta.

Donde, uma pergunta de arrebimbomalho: que estão Francisco Assis e Alberto Martins a fazer ao lado desta desprezível personagem?