«Daquilo que tenho mais ouvido, desde camaradas do PS até cidadãos que me abordam na rua, é dizer que isto [candidatura de António Costa à liderança do partido] não é justo, isto não pode ser aceitável num partido democrático», disse o dirigente socialista.
O dirigente socialista lembrou que só promete aquilo que tem a «certeza absoluta» de poder cumprir porque, disse, «alguns confundem a política com a arte do engano».
«Foi por causa de terem feito no passado promessas que sabiam que não podiam cumprir que hoje há centenas de milhares de portugueses descontentes e que não acreditam na política e nos políticos em Portugal», considerou.
Seguro diz que PS devia estar «exclusivamente» concentrado a combater Governo
__
Seguro não pára nem descansa, qual barata tonta. Aqui o temos a dizer que Costa é injusto e não é democrático, como se não houvesse amanhã após as primárias. Aqui o temos a falar de “certezas absolutas” em política, e logo a respeito de promessas a cumprir num futuro indefinido. Aqui o temos a disparar contra alvos não nomeados, os quais acusa de serem mestres do engano.
Pensemos um bocadinho nisto. Que leva Seguro a não nomear a malandragem que (não) denuncia? Não seria melhor, por todas as razões e mais algumas, que o rei da transparência e da ética chamasse os bois pelos nomes?
Acontece que há muitas vantagens na retórica difamatória e caluniosa genérica, como qualquer taxista sabe de ginjeira. Uma delas é a de ninguém se poder defender, pois quem o fizesse estaria a enfiar o barrete. Uma outra é a de Seguro nada ter de explicar ou provar, continuando a alimentar o seu culto de personalidade onde pretende ser reverenciado como um santo. Ainda uma outra é a de cavalgar manobras caluniosas recentes na memória pública cuja lógica aviltante fosse igual. Assim, a figura que imediatamente ocorre é Sócrates, sujeito a campanhas de ofensa à honra como nunca se tinham visto em Portugal sob o pretexto de ser corrupto, mentiroso e de não cumprir promessas. Este nexo tem sido explorado por Seguro e os seus, com o aplauso febril dos direitolas, na colagem que fazem entre Costa e Sócrates.
Mas talvez o mais extraordinário da sonsice de Seguro no seu afã de destruir o PS seja o facto de poupar Passos. Alguém que atira em todas as direcções com munição calibre “arte do engano” e não acerta no elefante laranja mesmo à sua frente tem de ser um grande habilidoso. Precisa é de ir mostrar as suas habilidades para o circo e entregar o partido a quem o respeite.